sábado, 21 de agosto de 2010

Alma – Personalidade

David Castro M.
Nos textos esotéricos, e também em poemas de clara tendência mística, podemos ler que a obrigação (anseio para os místicos) de todo bom discípulo é alcançar a integração entre a Alma e a Personalidade.
A personalidade é uma força que consta de três forças menores, a chamada tríade inferior: físico, emocional-sensório e mente inferior, todas elas, se estiverem unidas, fazem uma personalidade, forte, com um corpo emocional e mental que se expressam com força no  plano físico. 
É evidente que, no mundo, nem todas as personalidades são assim, já que há muitas delas que sofrem de “debilidade” ou “excesso” de alguma destas três forças. Por exemplo, pode ocorrer o caso de uma personalidade emocional sensivelmente muito forte, mas com uma mente débil e que, portanto, muitas vezes interpretará de maneira inadequada as suas capacidades de “sentir”, chegando até mesmo a padecer no corpo físico o errôneo resultado do seu “mal pensar”. Esta pessoa estará totalmente subordinada ao seu forte corpo emocional e deverá a aprender e levar à prática o significado das palavras discriminação e discernimento, alcançando, com a aprendizagem, um maior nível de concentração emocional positiva e bem dirigida e, portanto, uma expressão física mas harmônica.
Mas que papel exerce a Alma nestes processos de integração da tríade inferior em um todo chamado Personalidade?
Nos livros de Alice Bailey, muitas vezes é dito que a Alma é o filho ou aspecto Amor da divindade. Isto assim é porque situam a Alma entre a Personalidade e o Espírito, também chamado Vontade de Deus, mostrando com sua capacidade flexível e amorosa a união entre o Espírito e a Matéria.
Também é dito que uma Alma começa a se relacionar com a personalidade quando está no caminho de retorno, isto é, como na parábola do filho, quando o filho decide voltar ao pai, é quando existe a possibilidade de tal relação, antes existia apenas a necessidade de saciar a nossa tríade inferior, ou viver intensamente o material; algo que, de outro lado, é correto (segundo o grau de evolução) já que todos os corpos devem ser vividos e desenvolvidos em plenitude.
Mas quando uma personalidade começa a perder a força e deixa de sentir atração por certos aspectos da vida, está saciada, aborrecida, triste ou impotente, é então que a Alma pode exercer o seu papel. Portanto, é neste estado “crítico” em que a Alma encontra a oportunidade de se vincular ao mundo físico através da sua “ferramenta”, a personalidade, e através dela exercer seu trabalho: expressar o Espírito ou Plano de Deus para com a Humanidade.
A Alma então dá mostras de alívio através da sua poderosa energia: Amor incondicional, e procura fazer contacto com as forças inferiores segundo seja a qualidade destas. Vale dizer, se o “filho pródigo” em questão tem um corpo emocional forte procurará fazer contato através do Coração, convertendo a personalidade em uma força mística. Se, porém, o corpo mais sadio é o mental, procurará fazer contato através da Mente Abstrata, convertendo o ser em um bom Esotérico.
Todos estes processos são necessários  para a evolução de qualquer Alma e assim em muitas vidas se dará preponderância à emoção-Coração e em outras à mente–Vontade, mas é a culminação  e fusão de ambos que leva  a Alma a ser um perfeito Mestre de Sabedoria. O que é a Sabedoria senão a união da Vontade e do Amor, mente e coração.
Portanto, observemo-nos, e adquiramos conhecimento através de nossa parte da personalidade mais poderosa, mas sem esquecer nunca a parte mais débil, já que seguramente ela é a pedra angular de nossa correta expressão no plano físico.
Deixar a Alma fazer o seu trabalho é algo que nos vincula com a palavra aceitação, a partir daí observar que qualidade de raio nos domina (recomendo ler as páginas 137-142 de Psicologia Esotérica II de Alice Bailey – o Tibetano  e o artigo de Martín Dieser “Sete pensamentos-semente sobre os Sete Raios...” publicado em abril) e qual é sua orientação, com esta atitude transformando o Carma em Oportunidade.
Um abraço

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