quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Virgo, a divina humildade


Martín Dieser
O período regido pelas energias de Virgo tem muito a ver com a vida, tal como a conhecemos diariamente, porque este signo pertence à Cruz Mutável, aquele conjunto de forças que se expressam fundamentalmente através do centro criador planetário, a humanidade. Virgo é um signo terrestre, de atividade na matéria, e vem nos recordar o estreito laço que existe entre a consciência e o suporte sobre o qual ela se assenta e desenvolve, à medida que se avança no Caminho.
É que em Virgo a alma e a matéria se dão um abraço de amor criativo; por trás deste simbolismo estão os raios implicados, que são o 2º de Amor-Sabedoria, símbolo da alma compreensiva, e o 6º de Devoção e Idealismo, que (sendo um raio de atributo) vem representar a aspiração da matéria de ser como a alma, a receptividade ao divino e a esperança de glória. Tudo isto se dá na própria matéria, que graças à energia de Virgo floresce e revela a divindade interior; é por isso que o 3º raio de Atividade Inteligente é também expressão do signo, porque o amor da alma e a devoção da matéria produzem uma atividade que é a revelação crescente da luz: o processo evolutivo.
Tal como dizemos, cada um dos signos do Zodíaco forma parte do nosso ser, são energias que atravessam a nossa consciência e, assim, formamos parte da Vida Una, que as utiliza para desenvolver o Plano inteligente, e nós, em nossa pequena escala, as usamos também para honrar o compromisso assumido com a nossa alma como discípulos. Isso significa que em alguma dimensão do nosso presente se fará sentir a energia de Virgo, o que pode ser mais objetivo se o Sol ou o Ascendente se encontram em Virgo, mas em outro caso ser mais subjetivo e igualmente potente, e inclusive pertencer à aura de nações ou continentes dos quais sejamos parte.
Virgo é, como nenhum outro, o signo da cegueira, mas isto tem um matiz no caso das pessoas espirituais: através da sua influência se experimenta a submersão na matéria, mas como o signo anterior é Leo, o da autoconsciência, a experiência de Virgo não é totalmente cega; o ser foi atraído para o inferior mas guarda a recordação da luz vista em Leo e ali reside a esperança de glória. É graças a essa luz que, ainda sem conhecer plenamente a meta da alma, sabe-se quase instintivamente o que se deve fazer: se trabalha, se separa, se purifica e se experimenta, até que a forma esteja preparada para revelar um pouco mais da luz do ser interior.
No início essa atividade não é nada fácil; o esforço ocasiona “choques” com a matéria mental, até que sejamos capazes de nos equilibrar na alma e deixar penetrar a luz. Mercurio, como regente exotérico do signo, distribui a energia necessária para atravessar esse processo e alcançar a culminação. Mas o trabalho continua.
Dado que a Lua é o regente esotérico, todo labor de construção se vê favorecido, e temos assim um bom período para começar a construir o antakarana ou melhorar as suas bases, segundo o caso.
Em toda dimensão da vida somos plenamente conscientes a um nível e cegos em outro; Virgo atua nesta última, elevando a vibração do inferior para que possa revelar o superior. Por isso Virgo é um signo muito importante para evitar o espelhismo e a ilusão; ambos os fenômenos são esotericamente o efeito de uma matéria demasiado grosseira para a energia da alma, que “fricciona” e produz nuvens de distorção, tanto emocionais como mentais.
A realidade espiritual requer invariavelmente períodos em que se “olhe para cima”, mas o contacto somente é possível e duradouro (e isto em muitos graus distintos de profundidade) quando tivermos purificado devidamente os nossos veículos de resposta, o que requer inevitavelmente que nos enfoquemos nos três mundos, em assuntos que não parecem tão elevados mas supõem nosso compromisso imediato para seguir adiante. É por isso que o Mestre Tibetano afirma que “Virgo envolve o serviço do imediatamente presente”, porque é começando com simplicidade e dedicação com o que temos mais próximo da nossa consciência que vamos aumentando a expressão da luz interior.
Virgo, sendo um signo terrestre, ancora a consciência no dever presente, no carma que deve ser cumprido e nos aspectos sobre os quais há de se trabalhar antes de buscar qualquer elevação. Não é um período de avanços espetaculares, mas de fino e silencioso trabalho interior, de aperfeiçoamento do instrumento para ser assim um melhor intérprete da Voz do Silêncio que emana do Ser Superior. A purificação dos corpos mental, emocional e físico entram neste trabalho, sendo neste período uma linha de menor resistência.
Uma vez que o ser consciente submergiu na matéria, nos contornos da sua consciência, ali onde se une ao não eu adormecido, é que se entende melhor outro dos dons que é mais fácil cultivar durante este signo, e que é a humildade. A humildade se baseia na compreensão do lugar que se ocupa no espaço, na devida proporção, no respeito por toda forma vivente como expressão de Deus. A humildade emana do coração que dá lugar ao presente.
O trabalho em Virgo requer uma grande humildade, e assim uma viva compaixão, porque o inferior está sempre presente em nossa vida, seja como defeitos, outras pessoas de menor evolução espiritual, circunstâncias que recebam críticas, responsabilidade pelos animais de estimação, etc. Muitas vezes a frialdade do coração nos faz passar por alto nossa responsabilidade para com o inferior, quando na realidade a compreensão mais profunda do que nos rodeia é a chave para nos conhecermos cada vez mais como o Uno. 
Amar desapegadamente tudo o que passa pela consciência, buscando a compreensão e não a imposição, a cooperação e não o conflito, são a chave para a elevação do mundo, e incidentalmente de nós próprios, e para isso Virgo nos provê a sua energia, atando-nos à matéria até que nosso coração seja capaz de transcender a separatividade da forma e possamos afirmar conscientemente o lema esotérico do signo, que reflete a meta espiritual a alcançar e diz: “Eu sou a Mãe e o Filho. Eu, Deus, sou a Matéria”.
Virgo nos oferece então a oportunidade de nos aproximarmos humildemente e com amor ao presente, de nos consagrar ao serviço do não eu e de conhecer a escuridão da matéria, para abraçá-la e, nesta fusão, revelar a luz que todos carregamos em nosso interior e que é a expressão da consciência Una.

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