terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sagitário, a busca do Propósito


Martín Dieser
Durante todo o período regido por este grande signo, mas especialmente até o plenilúnio, é importante refletir sobre as qualidades internas reveladas em Sagitário, o que nos permitirá afinar nossa consciência à sua vibração e aproveitar melhor a oportunidade energética que nos oferece.
Na atualidade é um signo chave para a humanidade; as Guerras Mundiais foram símbolo da realidade em Escorpião, e embora não se deva descartar um novo conflito global, tal signo cumpriu seu papel, porque em grande medida já existe consciência acerca dos problemas mundiais, sejam sobre a guerra, as mudanças climáticas, a crise financeira, a liberdade de expressão, etc. Sabe-se, em linhas gerais, o que se deveria fazer, e isso é resultado de Escorpião; a escolha é sempre interna, assim como a atuação efetiva em prol do percebido.
Como nenhum outro, Sagitário é o signo das viagens, das buscas; é o tipo de energia que se move na direção do percebido fora, e por isso se complementa com Gêmeos, que é precisamente o que dá origem a essa dualidade. Sempre que Sagitário está ativo em uma carta natal, existe uma meta previamente captada no coração do ser, seja a satisfação do desejo em níveis mundanos (simbolizado pelo Centauro) ou a aspiração para objetivos amplos e espirituais (o arqueiro sobre o cavalo branco).
Isto é mais acentuado quando Sagitário ocupa o Ascendente, já que o Sol se refere mais ao já adquirido; em todo caso, dentro da forma há uma meta superior e este signo leva primeiro a empreender a viagem, para depois caminhar até o grande objetivo, que espiritualmente é a expansão de consciência para a qual estamos nos preparando segundo nossa evolução. Ser sensível às energias sagitarianas é ser sensível a um objetivo, objetivo espiritual neste caso.
Vinculado ao tema dos raios, pode-se pensar que quando o 1º ou 6º Raios se encontram ativos em Sagitário, a tarefa possivelmente seja buscar um novo objetivo, e tenderia mais a ver com seu desenvolvimento nos casos restantes, denotando talvez um trabalho já empreendido em encarnações anteriores.
Em todo caso, afirma-se que o signo do Arqueiro rege o Caminho do Discipulado, e é interessante considerar porquê. Antes de tudo, discípulo é aquele que consagrou sua vida ao espiritual (entendendo-se o termo em sentido amplo), à verdade interna do seu coração. Não se trata de uma condição que possa ser dita superficialmente, mas de um compromisso para o superior, meta que em princípio não é claramente discernida, mas que conforme se cumprem os requisitos prescritos pela consciência vai emergindo como um silencioso e invisível farol que sempre guia pelo caminho correto.
Como se dizia antes, trata-se de uma analogia superior da dualidade gerada em Gêmeos, e leva dentro de si a alma querendo se exteriorizar no mundo e demonstrar no plano físico a Verdade da sua Presença. Esta ênfase pode ser a causa de que assim como Júpiter rege o signo exotericamente (nos planos físico, emocional e mental), permitindo manifestar amor à matéria mesclado com amor espiritual, é a Terra seu regente esotérico (em nível da alma), indicando que para a alma a ascensão enfocada da personalidade é uma descida para ela.
Uma vez que se entre em contacto com o Eu Superior, a batalha simbolizada por Escorpião está ganha e se entra sob a influência de Sagitário; o desafio agora é seguir adiante, “lançar as flechas e recolher o conquistado”; gerar pensamentos e emoções e consumi-los no vazio da compreensão amorosa; cada ato de compreensão é uma pequena chegada à meta, cujo subida final se produz sob Capricórnio. Gradual, mas lucidamente, vai se fazendo (como personalidade) o esforço de abrir caminho para si até essa luz, e a consciência vai se infundindo de maior clareza.
A certa altura, Sagitário já não serve à personalidade que desperta para a vida espiritual, nem ao discipulado consciente que se dirige para a meta, mas ao discípulo ativo que deve descer da Cruz Fixa para ascender à Cardinal ou, em outras palavras, deixar de ser a alma e começar a buscar o contato com a Mônada.
Isto tem uma analogia na consciência, que poderia ser descrita da seguinte maneira: a luz plena conduz a uma suave mutação na natureza mental; o processo do pensar continua, mas gradualmente começa a ficar sob o umbral da consciência; antes que pensar, se sabe, o qual reduz notavelmente o tempo de muitos processos emocionais e mentais, abrangendo tudo em um estado de compreensivo equilíbrio que lentamente vai se revelando como silenciosa mas angustiosamente insuficiente, não pleno. É evidente que ali as “flechas” de Sagitário já não cumprem a sua função original, mas em um sentido misterioso pode-se rastrear aqui a função do signo e assim usar suas energias inteligentemente.
É que a busca espiritual não cessa: longe da meta, começa-se a perceber a luz como insuficiente, se a reconhece como abrangente e vinculante, mas ao mesmo tempo com sutis limites em seu poder, que não é total; conhece-se parte do Plano (a que carmicamente corresponda) mas se anseia ser Uno com o Propósito que lhe dá impulso e do qual o Plano é a formulação. Em outras palavras, Shamballa passa a ser a meta.
No entanto, é uma busca peculiar, não na dualidade, mas na unidade; é a busca “de uma unidade menor a uma unidade maior”, de um todo menor a um todo maior, com o qual existe ressonância na vibração e assim uma via direta para o descenso da Vida; é reduzir o Todo a um ponto através da atração compreensiva. Por isso, se poderia dizer que neste nível todas as flechas se reduzem a uma, a flecha da identificação, e todos os caminhos a um, o caminho do coração, que é a grande porta de entrada para Shamballa.
Qual é a grande meta (interna, não materializável) a que nos dirigimos em nossa vida? O quanto estamos percorrendo o Caminho fiel e decididamente? O período regido por Sagitário é especialmente propício para esclarecer estas questões, para dar passo após passo em prol dessa meta a que ansiamos chegar, e acabar descobrindo que sempre fomos a própria Vida que se buscava a si mesma.

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