sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aquário

                                                           
 Aquário: fluxo de vida e amor


O trabalho de Hércules relacionado ao signo de Aquário é a limpeza dos estábulos do rei Augias. Aquário é um signo de circulação e distribuição de ideias e energias. Este trabalho representa o serviço de restaurar o fluxo natural da vida e do amor em meio à humanidade.
O rei Augias possuía um vasto rebanho, mas nunca cuidava da limpeza de seus estábulos. Os dejetos se acumularam por muitos e muitos anos, de modo que o fedor e a pestilência contaminavam todo o reino. A tarefa de Hércules era limpar toda essa sujeira.
Quando chegou ao reino de Augias, Hércules se sentou entre dois rios que passavam por ali e meditou sobre o problema. Uma ideia lhe veio à mente. Então ele derrubou as paredes que cercavam os estábulos. Depois desviou o curso dos dois rios para que as suas águas passassem através das estrebarias. Assim, a necessária limpeza aconteceu naturalmente.
O rebanho do mito representa o conjunto das mentes e corações de toda a humanidade. A sujeira acumulada representa os pensamentos e emoções nocivos que a humanidade vem gerando ao longo dos tempos. Ao pensar, sentir, desejar, falar, estamos lançando no ambiente os nossos pensamentos e emoções, frequentemente poluindo a atmosfera mental e psíquica do planeta com nosso medo, raiva, ganância, apego, tristeza, etc. Como resultado, uma nuvem escura de energias mentais e emocionais envolve a Terra inteira, atrapalhando o desenvolvimento natural das pessoas, impedindo de perceber a beleza e a alegria da vida, e contagiando muitos  com desejos egoístas e materialistas. Mas como resolver uma situação tremenda como esta?
O primeiro ato de Hércules foi meditar, para poder compreender a natureza do problema e então descobrir uma real solução. Mas frequentemente contrapomos meditação e ação, e tendemos a considerar que meditação é passividade e perda de tempo e que a ação concreta é a única maneira de produzir mudanças. Poderíamos compreender que a verdadeira meditação é uma ação interna, que é causa da ação criativa externa. Em meio à atual situação crítica da humanidade, não temos tempo a perder com tantas ações irrefletidas e precipitadas. É imprescindível meditar, para podermos compreender o que e como fazer.
Tendo compreendido, Hércules iniciou pela derrubada das paredes, porque a raiz do problema está nas divisões que erigimos entre nós. Deixamo-nos enganar pelas diferenças na aparência e nos consideramos como separados uns dos outros. Falamos em termos de uma classe social e outra, uma etnia e outra, uma ideologia e outra, uma religião e outra, e perdemos de vista a humanidade una. O primeiro passo necessário é desfazer todo senso de separatividade. Devemos compreender que somos todos uma só família humana.
Os dois rios do mito representam as duas correntes de energia que animam cada pessoa: a energia da vida (ancorada no coração) e a energia da consciência (ancorada no cérebro). Hércules não tentou varrer ou limpar a sujeira, ou seja, ele não ficou focado em atividades. Ele simplesmente deixou que as energias de vida e de consciência ou amor fluíssem livremente entre ele e os demais. Quando tais energias fluem desobstruídas e por canais adequados, a harmonia e a beleza naturalmente são restauradas. Assim é o serviço. Não se trata de lutar contra o que está ruim, mas de promover o fluxo do bem. Não é tanto um fazer, mas principalmente ser e amar. E também não nega a ação, mas ao contrário: qualifica-a. A questão é: qual é a consciência e a qualidade de energia de coloco em cada coisa que faço?

Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

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