sábado, 18 de março de 2017

A carta natal de Alice Bailey








Uma interpretação esotérica do horóscopo de Alice Bailey

Como muitos de vocês devem saber, Alice Bailey foi a iniciada que escreveu, graças às qualidades ou virtudes que entesourava o elevado grau evolutivo de sua consciência, os maravilhosos, sugestivos e altamente espirituais Livros Azuis do Mestre Tibetano.
Neste artigo é nossa intenção fazer uma breve interpretação psico-astrológica-esotérica do caráter e da alma de Alice Bailey. Para isso, primeiramente faremos referências às suas particularidades mais pessoais para, posteriormente, ser possível abordarmos com mais compreensão as suas realizações mais espirituais.
Destacamos que todos os dados biográficos utilizados no artigo foram extraídos de seu livro: “Autobiografía Inconclusa” da Editora Sirio[1].


[1] N.T. Editorial Sirio, Espanha.


Horóscopo de Alice Bailey
      





Juventude (“mau-caráter”)

Sabemos que Alice Bailey quando jovem foi uma menina com uma grande Fé em Cristo com a qual mostrou grande vontade evangelizadora. Contudo, do seu aspecto negativo, também sabemos que a jovem Alice sofria de um temperamento impulsivo que a tornava muito rebelde e individualista.

Esta atitude individualista (egoísta) é uma clara referência, pelo seu aspecto destrutivo, do 1º Raio de Vontade e Poder que sabemos com certeza (por referências dela mesma ou do próprio Mestre Tibetano) que foi o raio regente de sua personalidade.

Astrologicamente Saturno em Áries (queda), assim como Marte em Leão, (dois signos portadores do 1º Raio), fazem clara referência ao poder muitas vezes negativo e irreflexivo de uma personalidade de 1º Raio com Marte na casa 1 regente de Saturno em queda.

Podemos dizer que seu aspecto impulsivo destruidor pessoal se refletiu através das tendencias de um Sol em Gêmeos, (lembremos que o signo solar  para a astrologia esotérica são as forças pessoais, a Guna Rajas produtora de atividade - paixão), que derivavam repetidamente sua força vital no característico comportamento impetuoso de um Marte em conjunção angular na casa 1 em quadratura Netuno.

Esta atitude “confusa” ou egoísta está muito condicionada pela posição de Mercúrio, o regente exotérico do Sol, em conjunção nodo sul em Câncer casa XII, dando a entender certa herança cármica negativa vinculada com mal-estar emocional.

Mesmo assim, como veremos mais adiante, o trino de Júpiter desde o MC a Marte no Ascendente é promessa de grandes conquistas. 

Necessariamente, em uma pessoa tão evoluída, esta atitude, segundo suas próprias palavras, “violenta e desagradável”, demandava um sincero reajuste.

A primeira vez que a sua Consciência ou Alma lhe propôs a oportunidade de levar a bom termo referido reajuste foi em um domingo pela manhã (30 de junho de 1895) quando teve o primeiro encontro com seu Mestre Koot Hoomi 



Naquele dia Ele me disse: 

“… que eu tinha que realizar um trabalho para o mundo, e que para isso devia mudar minha disposição, pois tinha que deixar de ser uma criatura desagradável e obter certa medida de autocontrole”, “Meu futuro para com Ele e o Mundo dependia de se era capaz de alcançar um verdadeiro autocontrole…”,  “também me disse que eu viajaria por todo o mundo e visitaria muitos países”.

páginas 32-33-34 de sua Autobiografia  (editorial Sirio)
.
Sem lugar a dúvidas, a referência às viagens, que se mostrou correta,  foi dita por Koot Hoomi para manter a “fé” ou motivar o coração de uma jovem de 15 anos que naqueles dias e pelas clássicas razões da adolescência se sentia muito infeliz. 

Astrologicamente, o desânimo que Alice sofria naquela época (1905-1906) era devido a que Saturno por quadratura e Plutão por conjunção transitavam seu Sol natal em Gêmeos, invocando com sua pressão “o momento idôneo” ou a oportunidade para implementar o reajuste acima citado da forças pessoais.

Dito por ela própria:

“comecei a deixar de pensar que não era Joana d’Arc para começar a controlar meu caráter violento-explosivo” “… controlar minha língua iracunda…”

página 34 de sua Autobiografia  (editorial Sirio).

Verdadeiramente, como não poderia ser de outra forma, a visita do Mestre despertou nela a motivação para exercitar o autocontrole.


O reconhecimento da Alma

Neste “despertar”, bem podemos dizer que Alice Bailey começou a reconhecer as qualidades de sua alma graças à descoberta e aplicação do significado de seu signo ascendente, Leão. Como sabemos, para a astrologia esotérica o signo que ascende pelo leste ao nascer é o que ilumina o caminho da Alma através da  Guna Satwa - ritmo - harmonia. Portanto, Leão, marcou a qualidade que Alice Bailey utilizou  para se conhecer com mais profundidade.

Lembremos que o signo ascendente como caminho da alma só pode ser utilizado através da mente em contraposição reflexiva com o signo solar ou o caminho mais pessoal de uma mente condicionada por seus desejos.

Assim pois, foi graças ao Leão que Alice alcançou uma mente desapegada dos desejos pessoais e mais apegada à Alma, o passo prévio para poder praticar a impessoalidade com sua inofensiva e correta palavra, justo o que o Mestre lhe pediu.

Inevitavelmente esta atitude mental condicionou, e com o tempo “pôs sob seus pés”, todas as suas tendências pessoais: 1º Raio de Poder – Saturno em queda em Áries regido exotericamente por Marte Leão casa 1 - Gêmeos/Sol regido por Mercúrio na 12 conjunção nodo sul.


A frase para uma Alma em Leão é:


“Eu sou Aquele, Aquele sou Eu”

Leão em uma personalidade egoísta se define como “eu sou”, mas, para o sentido incluente da Alma Leão se define através da identificação com o outro eu (o Aquele).  Faz-se necessário, pois (devido ao sentido incluente) a união de duas partes, e esta fusão só se pode realizar na própria consciência. A palavra-chave deste signo é autoconsciência, o lugar onde se realiza a união que inevitavelmente deriva em uma autoconsciência superior à anterior.

Recorrer às possibilidades que oferecia Leão supôs para Alice a conquista consciente de grandes cotas de aceitação, compreensão, paciência e intuição, todas elas qualidades superiores  de sua Alma de 2º Raio de Amor-Sabedoria.

Foi graças a esta atitude que seu  Sol, regente esotérico do ascendente, passou a ser regido pela “luz” de Vênus, em sua própria regência esotérica, Gêmeos, signo portador do 2º Raio.


Maturidade

Este reconhecimento crescente (graças a Leão) das qualidades de seu raio da Alma, paradoxalmente acentuou nela um sentimento que já conhecia desde muito criança, o MEDO.

Neste sentido, o medo é a dificuldade psíquica principal que deve enfrentar toda Alma de 2º Raio para avançar no caminho espiritual. Toda parte positiva tem sua contraparte negativa, sendo para uma Alma de 2º Raio o aparecimento de um caráter indeciso (medroso) devido à sua grande capacidade (parte positiva) de estudo, reflexão, auto-observação e senso de relatividade.

O poder de raciocinar de forma impessoal e incluente que tem uma Alma de 2º Raio pode ser frustrante para os anseios de ação centralizada/excludente da personalidade, e mais se é uma personalidade de 1º Raio como foi o caso de Alice Bailey. Esta tensão dual, se não for bem gerenciada (a partir da mente iluminada pela Alma) pode muito bem condicionar a ação através do medo, criando frustração e excessiva autocomiseração.

“o medo de fracasso está profundamente arraigado em minha vida….daí o profundo complexo de inferioridade de que sofro, mas que procuro ocultar em bem da obra que realizo”

 página 73 do livro “Autobiografia  inconclusa”

Lembremos que toda aquisição (acumulação) de conhecimento espiritual encontra saída natural através de sua aplicação (serviço) no entorno (família, vizinhos, grupo, sociedade) mais imediato. É no serviço, e não no excesso de conhecimentos onde a personalidade tensionada (com seus medos ou egoísmos) deve ser transmutada.

Assim, pois, através da energia do Leão, aumentou em Alice o poder de raciocinar pela autoaplicação dos conhecimentos adquiridos, (qualidade do 2º Raio), descobrindo neste processo a inestimável força curadora de seu Vênus em Gêmeos: a luz da inteligência amorosa ou compreensão aplicada a seu grande labor espiritual para a humanidade que todos já conhecemos.

Astrologicamente falando, este labor está poderosamente dignificado em seu excepcional Meio do Céu/Júpiter/Áries. A definitiva expansão de um destino vocacional aplicado com Amor e Sabedoria.


Síntese final através das Três Cruzes

Alice Bailey, através da cruz fixa (arrancando desde Leão) se relacionou com sua cruz mutável posicionada fortemente em Gêmeos. Esta união, ou melhor dizendo, inter-relação entre a consciência (refletida na cruz fixa) e a atitude vital adaptável (refletida na cruz mutável) deu essência espiritual à sua cruz cardinal, refletida principalmente em Áries/Meio do Céu, onde Saturno foi a oportunidade de uma grande destino e Júpiter o esplendor de sua grande Alma.

Em Alice Bailey, através do significado subjetivo ou esotérico do Leão, se mesclou profundamente o Amor-Sabedoria do 2º Raio de sua alma (refletido em Gêmeos-Virgem) com o Poder do 1º Raio de sua personalidade (refletido em Leão-Áries).  Os signos e raios se entrecruzam. Neste sentido, é muito significativo que Urano, (em última análise o planeta portador do 1º Raio), esteja em Virgem (2º Raio) em recepção mútua hierárquica com Júpiter (planeta portador do 2º Raio) em Áries (1º Raio).


1º Raio + 2º Raio, Leão + Geminis, ritmo + paixão,  harmonia + atividade, Alma e Personalidade integrados.



O Mestre Tibetano


Os trânsitos e progressões de uma data-chave

Como é lógico pensar, um dos dias mais importantes, por não dizer o mais importante na vida Alice Bailey, foi a tarde em que, pela primeira vez, fez contato com o Mestre Tibetano, o grande sábio que, graças aos profundos conhecimentos esotéricos e cristãos que Alice possuía e através de sua capacidade de telepatia e/ou clariaudiência, criou os mundialmente conhecidos Livros Azuis.

Ela assim narra em sua autobiografia:

“Em novembro de 1919 estabeleci meu primeiro contato com o Tibetano. Havia mandado minhas filhas para a escola e, com a ideia de ter alguns minutos para mim, saí em direção a uma colina, próxima de casa. Ali me sentei e comecei a refletir, quando de pronto me senti alarmada e prestei atenção. Ouvi o que me pareceu uma clara nota musical, emitida do céu, e ressoando na colina e dentro de mim. Então escutei uma voz que dizia: Deverão ser escritos certos livros para o público. Você pode escrevê-los. Você o fará? …, ”

página 122 do livro “Autobiografia Inconclusa”

Na carta a seguir mostramos os trânsitos (marcados pelos planetas externos em vermelho), e as progressões (pelos planetas + Asc + Mc externos em verde) para aquele importantíssimo primeiro contato.

Carta Natal + Trânsitos + Progressões



Como não poderia deixar de ser, este grande dia está bem marcado no horóscopo/relógio de Alice Bailey através dos trânsitos e progressões daquele momento, já que Júpiter e Netuno, (dois planetas muito benéficos portadores do 2º Raio), transitavam então justo sobre seu ascendente natal, o signo que marca o caminho da Alma. Assim como também por progressão, seu Sol Vênus Mercúrio cruzavam pelo ascendente, ao mesmo tempo que, por progressão, seu ascendente fazia contato com seu Urano, (o planeta que desvela os mistérios) natal em Virgem, e justo também, o MC natal progredido entrava em Gêmeos, importantíssimo signo para as almas de 2º Raio. 

Tudo isso nos sugere que para Alice, e graças a seu alto grau evolutivo, chegara o grande momento de tomar consciência, (através de Júpiter-Netuno-Virgem e Gêmeos, planetas e signos portadores do 2º Raio), do excepcional “dom” - destino que sua Alma entesourava.






Os 3 níveis da interpretação astrológica.

Não há que esquecer que em uma carta natal o papel de um Signo ou Planeta pode ser analisado de vários pontos de vista, sempre e quando o dono do horóscopo for uma consciência com certo grau de evolução. 

É evidente que Alice Bailey foi e, portanto, em seu horóscopo, o Sol (para nos centrarmos em um só ponto) pode ser visto como:

O Sol como regente exotérico de Marte em Leão casa 1 é visto como o aspecto mais ativo egoísta de sua personalidade de 1º Raio. Aqui Netuno ou o psiquismo inferior ainda não está transcendido, e Saturno, regido por Marte, exerce poder cármico desde Áries através da casa 1. 

O Sol, como regente esotérico do ascendente Leão, em Gêmeos conjunto com Vênus, é visto como a luz inteligente de sua Alma de 2º Raio. Aqui Netuno está controlado e, portanto, sua (de Netuno) é a expressão do psiquismo superior ativo, compreensão ou empatia. Lembremos que Netuno tanto é o psiquismo superior como o inferior, dependendo do nível de consciência que o rege.

Neste nível Vênus já é o regente esotérico do Sol ou o reflexo de uma mente iluminada pela Alma.

Sol como regente hierárquico da energia de Leão, velando Urano em Virgem, regido hierarquicamente por Júpiter. Urano em Virgo desvela o Cristo interno através de Júpiter, o planeta portador do 2º Raio ou Alma de Alice Bailey. O aspecto criativo espiritual de sua Alma está vinculado com Áries, onde Urano é regente hierárquico, ao mesmo tempo que é regente esotérico de sua Lua em Libra.

Observemos que neste nível 3, a Terra, como regente hierárquico de Gêmeos, está em Sagitário, regido hierarquicamente por Marte em Leão, por sua vez regido pelo Sol em Gêmeos. Um triângulo hierarquicamente fechado que nos fala de seu importantíssimo Marte, a ação, já totalmente submetido e dirigido pelo aspecto criativo da Alma.


Obrigado Alice


David C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)