sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Aquário, a consciência grupal e o reaparecimento do Instrutor do Mundo


O período regido pelo signo de Aquário tem uma conotação grupal, porque graças ao funcionamento combinado dos seus raios e regentes, abrimos nosso coração àqueles que nos rodeiam e ampliamos a esfera da consciência individual, transformando-a em percepção humanitária.

Afirma-se que o signo distribui energia de Quinto Raio, e a mesma é fusionada com as forças da Lua, Júpiter e Urano, regentes hierárquico, esotérico e exotérico, respectivamente. Todos estes planetas confluem para um mesmo fim, que é complementar a consciência individual desenvolvida em seu signo oposto, Leão, e descobrir espaços de inter-relação com os demais, na medida que o amor se desenvolva e o Propósito surja dentro de nós.

Dado nosso nível de evolução como humanidade, é possível dizer que esses novos espaços são abertos através da ação do regente esotérico, Júpiter, planeta de 2º raio. Em outras palavras, a consciência grupal é a expressão do coração, a exteriorização nos três mundos de algo de que antes éramos conscientes apenas internamente. É um estado primeiro de afeto, depois de atenção e mais adiante de compreensão sintética. Todos vão aos poucos ficando sob o umbral da consciência, a um ponto tal que, em certo estágio, é difícil recordar o “cerrado” do egoísmo. É válido e rege sobretudo as pequenas coisas, e vai se ampliando a todos os âmbitos do viver diário, à medida que o serviço prossegue e aflui energia liberadora dos planos superiores.

Isso nos leva ao tema da fonte da consciência grupal: a frase que explica a dinâmica do signo em nível material é “que reja o desejo na forma”. Em nível espiritual, porém, a alma diz “sou a água da vida e fluo para os homens sedentos”. O Quinto Raio, mental por natureza, nos sugere em Aquário que o verdadeiro amor é o da alma e que esta se encontra ancorada no plano mental, o quinto.
Sugere, também, que o ponto de encontro por excelência da consciência grupal está no plano mental, onde devem se fundir mente e coração e ambos se tornar as portas do plano búdico. Como diria Vicente Beltrán Anglada, “amar com a mente e pensar com o coração”. Isso nos dá uma pauta acerca da fusão entre a forma e a consciência e a crescente expressão da alma junto ao ser humano conscientemente ativo, que extrai sua inspiração e libera todo o seu poder da compreensão de que o seu coração e o dos seus irmãos são um.

Esse processo de exteriorização na consciência diurna também se dá massivamente e implica em uma grande oportunidade, já que o físico é o último plano e a partir dali é possível a síntese com o superior em um todo mais radiante. Daí que na literatura esotérica se fale também que nesta Era de Aquário será possível a invocação do Avatar da Síntese, que vem prover a necessidade da humanidade e encerrar em um círculo mais abrangente a evolução em todos os reinos do planeta. Esta energia de síntese só pode ser invocada com o coração, porque é o selo que põe fim à compreensão do Plano, e todo contato com a Hierarquia está regido naturalmente pelo amor, o princípio relacionador entre a matéria e o espírito.

Nesta linha, o vínculo em Aquário entre Urano (7º raio) e Júpiter (2º) nos fala do processo de Exteriorização da Hierarquia. Se levarmos em conta que Aquário sempre tenderá a incluir a consciência individual em um grupo, vemos como em um nível básico essa energia se expressa como corretas relações humanas (7º raio, o das relações), e dado que referido signo regerá macrocosmicamente durante os próximos 2000 anos, divisa-se uma especial oportunidade de desenvolvimento para o planeta, através dos fios de luz que vão se estendendo e à medida que vão chegando a zonas mais afastadas da vivência humana invocarão ainda mais inclusividade e síntese. Isto representa uma grande oportunidade de acelerar o desenvolvimento evolutivo e de participar mais conscientemente nele. A Lua, velando Urano, nos fala do Propósito oculto subjacente do amor encarnado pela Hierarquia.

Se aplicamos a analogia, vemos que assim como cada ser humano individual está carmicamente ligado a um alma que o inspira, também a humanidade em seu conjunto é guiada por um Instrutor amoroso, que ciclicamente nos transmite novos ensinamentos sobre o processo evolutivo que temos pela frente e nos acompanha em seu desenvolvimento. Isto é especialmente aplicável na Era de Aquário, porque neste ciclo a energia da alma chega ao plano físico.

Segundo o Tibetano, a entrada na Era de Aquário virá acompanhada pelo retorno ao plano físico desse Instrutor: Cristo, ou Iman Mahdi, ou Messias, Maitreya, Krishna ou como o denominem as distintas religiões. Cabe destacar que recentemente a organização Share International fez um anúncio sobre Seu retorno, o que merece muita reflexão e respeito, e pelo menos nos fala de indícios claros (astrais, mentais ou intuitivos) acerca da continuidade do processo de exteriorização da Hierarquia, ou seja, o nascimento do Cristo interno no coração. Que esse dia chegue para a humanidade o quanto antes possível é o anseio e compromisso de todas as pessoas espirituais; Aquário nos facilitará dar um passo a mais nessa direção.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Nossa relação com os astros



A astrologia e as energias:
                                      As reflexões a seguir valem tanto para o astrólogo como para a pessoa espiritual que, de alguma maneira, guarda em sua consciência um espaço para a relação com as energias provenientes dos planetas, os signos e as estrelas. As duas formas clássicas de contato são o aprofundamento do conhecimento sobre o signo solar que, paulatinamente, deve ceder lugar ao Ascendente, e as meditações de plenilúnio ou, inclusive, lua nova, segundo o Tibetano, a base da futura religião mundial.

O que nos interessa destacar são extensões de dois famosos axiomas ocultos: “a energia segue o pensamento”, e “como um homem pensa em seu coração, assim ele é”. Em ambos os casos temos a síntese da atitude que deveria presidir a nossa interação com os astros.

Sabemos pela teoria esotérica que tudo no universo é energia, e essa energia é classificada em sete, os sete raios de energia espiritual. Esses raios são manifestados mediante estrelas, signos e planetas, entre eles os do nosso sistema solar, e sua energia faz de nós o que somos e seremos; nesse processo de desenvolvimento realizamos um “Plano” de vida de forma mais o menos consciente e, à medida que a evolução avança, descobre-se que é possível ser um reflexo individual consciente das qualidades e da potência do Macrocosmos, o que acelera nosso progresso ao mesmo tempo que complementa a intenção do Mestre ao qual assistimos como grupo ashrâmico, sendo a atividade deste Mestre uma extensão formulada no tempo da Vontade Divina.

O progresso pelos estados de consciência que caracterizam cada degrau da escala espiritual implica na colocação à nossa disposição de uma quantidade e qualidade determinadas de energia, mediante as quais desenvolvemos aquilo que cremos mais conveniente, mas, em todos os casos (do discipulado), o processo implica em “se deter” na apreciação de uma necessidade, na invocação de energia ou força e na evocação de uma solução, com a consequente inundação do ponto com a energia ou força invocadas. Isto repercutirá na futura evolução das formas e consciências colocadas sob a nossa responsabilidade cármica.

Todo esse desenvolvimento pode ser explicado com uma linguagem astrológica, que não seria senão outra maneira de expressar as verdades espirituais e que vem complementar o panorama conhecido acerca dessas dinâmicas de desenvolvimento, com o acréscimo de que, ao conhecê-las, é possível “baixar à Terra” o que já existe subjetivamente, aumentando a potência das energias na consciência diurna dos homens. Claro que isso requer uma cuidadosa e pura construção, e daí a dificuldade da astrologia esotérica, que até esse momento “permanecerá protegida nas alturas de sua pureza búdica”, para dizê-lo simbolicamente.

Os astros, a energia e o Plano:
                                             Seguindo com o anterior, podemos dizer que, a fim de desenvolver o Plano, os Mestres captam o Propósito e o desenvolvem no espaço, fazendo-se evidente que, para sua materialização, serão necessários certos tipos de energia e não outros, como também determinadas proporções de energia. Isso põe em ação um processo invocador, o qual se manifestará na Terra de acordo com a amplitude do ponto de tensão produzido pela humanidade, e essa invocação resultará na presença das energias vertidas pelas distintas estrelas, signos e planetas. Sua irradiação total seguramente é muito superior àquela que conhecemos, pois não somos capazes de captar mais que o que nosso cântaro permite, mas em todo caso somos responsáveis somente pelo que conhecemos.

Em nível individual ocorre o mesmo; aqui convém assinalar que a construção do ponto de tensão que nos concerne como aspirantes ou discípulos se realiza com matéria mental, isto é, com o poder do pensamento. Aqui entram em jogo os dois axiomas já citados, posto que a captação e a possibilidade de desempenhar uma parte comprometida no Plano do Mestre tem a ver diretamente com a amplitude da nossa consciência.

Aqueles que estão relacionados com a astrologia na maneira já indicada não captam em si mais energia do que aqueles que não estão, mas sem dúvida têm mais responsabilidade e sobretudo maior oportunidade; o conhecimento sempre acarreta responsabilidade e, no caso de ser usado erroneamente, sepulta o discípulo sob uma montanha de formas mentais incompreendidas, demasiado “pesadas” para ele. É a oportunidade de buscar ativamente um significado com as relações traçadas na consciência e assim esclarecer no plano mental uma parte do Plano para a humanidade e também os reinos animal, vegetal e mineral, pelos quais somos responsáveis.


A oportunidade de colaborar e progredir junto aos astros:
                                                                                     De que maneira aproveitar o nosso conhecimento sobre os astros? Em princípio não interpretando desde a forma, mas desde a consciência; a linguagem astrológica é a linguagem da Vida e da consciência expressas através da forma. Sempre é possível obter um significado profundo dos temas que nos são apresentados, e nessa compreensão estamos estendendo um pequeno fio de luz entre o signo, etc., refletindo e nossa própria consciência. Isso implica em uma pequena revelação de luz no mundo e um canal para a afluência de mais energia no futuro. Nesse sentido a astrologia é um campo de oportunidades para a reflexão, algo que também não é tão fácil de encontrar hoje em dia. Reflete a oportunidade de prover material para expandir o Plano e, assim, a nossa consciência

Outro aspecto a observar é a nossa atitude de abordagem, que naturalmente estará matizada pela nossa evolução particular. Quando lemos acerca do signo do plenilúnio, o fazemos com o desejo de ver “que podemos extrair” para nós? Nesse caso a intenção é em última instancia estrita, e isso curiosamente evocará forças de potência moderada, que a longo prazo atrasarão a nossa evolução, deturpando o que buscávamos de início.

Uma atitude a cultivar é, portanto, a de colaboração mental, a de “estabilizar luminosamente” a nossa compreensão e, assim, compartilhá-la graças â não separatividade. Isso misteriosamente entrelaçará a nossa consciência com os planos superiores de uma maneira surpreendente e mais estreita, possibilitando uma maior revelação no futuro. A chave neste caso é a sinceridade, o altruísmo e a pureza de intenção, que sempre são as chaves para o avançar no Caminho.

O contacto alcançado através do significado astrológico constitui uma definida forma de serviço, porque assenta bases espirituais para a exteriorização dos planos internos nos três mundos. Com o tempo, o correto pensar orientado compreensivamente para o superior incrementa a vibração dos veículos do discípulo, o que lhe permite ser mais consciente da intenção enfocada por meio do seu Ashram e, portanto, colaborar com mais amplitude e fogo no desenvolvimento do Plano que abarca a sua carta natal e a dos seus condiscípulos, assim como relações astrológicas muito maiores (entre Ashrams, reinos, Vidas planetárias) que ainda desconhecemos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A importância dos plenilúnios


Seremos muito pontuais no desenvolvimento desta ideia. O aspecto central a destacar e manter presente na mente é que o plenilúnio representa uma definida oportunidade de colaborar com a afluência de energias espirituais para o planeta e, assim, de colaborar com o aspecto do Plano que carmicamente nos corresponda.

Como afirmávamos no artigo sobre Libra, assim como a humanidade cria nos planos inferiores, recebe sua inspiração e guia dos planos superiores, e na tensão criada entre ambos acelera a sua própria evolução espiritual.

Essa evolução é regida por ciclos, por processos de invocação e evocação que, em sucessão e sob a Lei de Economia, evitam um sobre-estímulo de energia, tanto para a matéria como para o espírito.

Nesse marco, um plenilúnio é o ponto máximo de afluência de energias espirituais. Astrologicamente é representado como a oposição entre a Lua e o Sol, dois polos da consciência, e essa oposição ilustra o ponto de máxima tensão experimentado pela forma e a consciência sob a influência de um determinado signo.

Dado que a tensão implica em oportunidade, torna-se claro que o ponto mais propício para realizar um esforço em prol da evolução é durante o período do plenilúnio que, segundo o Tibetano, constaria de dois dias de preparação, um de contato e dois de recepção.

Passemos agora ao individual: o período de tensão é precisamente isso, uma vivência de esforço e desafio, sobretudo na relação alma-personalidade (corpos mental, astral e físico). E pode ocorrer que o razoável progresso experimentado durante o mês se veja ameaçado pelo sobre-estímulo, e então se chegue ao plenilúnio com uma postura “light”, desatenta à necessidade e à oportunidade de se manter firme na luz.

Tenhamos em conta que se trata de um ciclo de maior consciência, e que isso evidenciará os problemas da personalidade, assim como aumentará, talvez, a consciência da atividade dos senhores lunares, isto é, dos veículos inferiores. Trata-se em si de uma afluência de luz, mas se não formos capazes de permanecer espiritualmente alinhados, nosso serviço para a humanidade, a se prestar no plenilúnio, se verá frustrado, e individualmente se fechará outra porta para a nossa evolução espiritual.

Em conclusão, cada plenilúnio é, para um discípulo com formação esotérica, como uma prova do seu compromisso com o Plano e com a vida superior com a qual se comprometeu a viver; é importante se orientar corretamente e realizar um esforço para elevar a vibração durante aqueles dias. No momento atual, cada esforço é necessário, a fim de edificar uma nova ordem mundial cada vez mais harmônica com a visão obtida a partir do pós-guerra.

A base para interpretar esotericamente um mapa natal: Ascendente e nível de desenvolvimento espiritual


O marco e a orientação do astrólogo:
                                                           A astrologia esotérica não nega os postulados da astrologia convencional, antes, os amplia ou, melhor dizendo, nutre-os com maior significado. Em nível psicológico, seria possível dizer que a astrologia comum opera com alta eficiência na interpretação do que ocorre com um sujeito nos seus níveis físico, emocional e mental, ou seja, até alcançar a integração da personalidade.

Contudo, a experiência nos demonstra que a evolução continua, e que cada vez é maior o número de pessoas às quais as respostas que a astrologia comum proporciona não parecem ser suficientes ou carregadas de conteúdo, e é aí onde surge a astrologia esotérica.

Neste sentido, o esotérico tem a ver com a consciência, assim como o exotérico com a forma e o divino com a Vida, embora, neste último caso, estejamos falando de um nível iniciático, no âmbito geral alheio a uma consulta astrológica.

A astrologia esotérica possui, então, um método e uma base teórica apropriados para proporcionar as respostas em nível da alma, e deve, pois, complementar o que possa dizer a astrologia comum, que embora investigando significados espirituais, muitas vezes carece da amplitude e toque de “presença” de um enfoque esotérico.

Por último, embora já o tenhamos manifestado, nunca é demais dizer que a AE é uma ciência em construção ou, melhor dizendo, em desenvolvimento; é esse o desafio e o problema dos astrólogos, que para fazer uma interpretação esotérica se veem diante de um conjunto de regras gerais e vagas, não específicas para um caso individual. Isto pode desalentar, pois requer um esforço de vontade para extrair os significados e significações necessários, mas, na realidade não se trata senão de um campo para avançar no Caminho, demonstrando vontade de permanecer na luz e entrega ante a necessidade espiritual daqueles que procuram fazer contato com energias superiores.

Este poderia ser o enfoque interno que o astrólogo esotérico adotaria, o de estar disposto a oferecer a sua consciência e complementar, com o que está mais além da consciência, uma demanda espiritual, em certo sentido seria ter a sensibilidade para atrair a consciência até o plano mental, ou impulsionar ou reforçar o processo de construção do antakarana, que relaciona a forma com a superconsciência.

Vejamos a seguir algumas reflexões específicas que podem ser úteis para oferecer uma interpretação esotérica. Esclareço que são conclusões pessoais e em todo momento devem ser lidas à luz da própria intuição do leitor, a fim de corrigir qualquer distorção.

Interpretação na prática:
                                        Parte-se dos fatores mencionados pelo Tibetano em Astrologia Esotérica: o signo Ascendente, símbolo das energias que conduzirão à plena realização, e o grau de desenvolvimento espiritual do consulente, que afetará a sua capacidade de resposta às energias reveladas e ocultas no mapa. Aqui se dá uma inter-relação com o Ascendente que será elucidada mais à frente.

O Ascendente:
                       Com base no exposto acima, partimos do princípio de que nos encontramos enfocados e diante de um mapa natal que devemos interpretar.

Diferentemente da astrologia comum, na esotérica toda a interpretação é elaborada em torno do signo Ascendente, que como assinalávamos, simboliza a classe de energia que a alma deve expressar e com a qual a personalidade deve se harmonizar durante a encarnação.

O que se entende por elaborar a interpretação em torno do signo Ascendente? Uma resposta seria considerar que todos os significados oriundos do mapa devem se coordenar com o Ascendente; todos devem oportunamente se subordinar às energias que emanam do mesmo e constituir seu campo de expressão, o qual estará matizado por sua energia; em teoria, a energia da alma expressando-se através dos seus centros.

Aprofundando a questão, poderíamos dizer que o núcleo de consciência, ou o centro do mapa é o Ascendente, que engloba os demais elementos, e tem uma especial relação com o Sol (a personalidade) e a Lua (o passado, as tendências regressivas). O significado que encerra cada Ascendente deve ser cuidadosamente meditado e aplicado.

Os regentes do mapa:
                                  Vale recordar que a energia do Ascendente se expressa através do seu planeta regente, o qual variará de acordo com o estado espiritual do consulente. Recordemos que existem três regentes, o exotérico, o esotérico e o hierárquico.

Isso nos leva ao ponto de partida da interpretação, que é determinar o estado de consciência do consulente. Como sabemos, a posição dos astros é o reflexo de um conjunto de vibrações que afetaram ou condicionaram a consciência da pessoa ao nascer, fazendo dela o que é hoje e lhe apresentando os desafios espirituais que deverá resolver a fim de seguir adiante no Caminho. Assim, a Hierarquia espiritual do ente encarnante decidirá se esses condicionamentos o limitam ou não, ou de que maneira o fazem.

É, pois, muito importante poder determinar de modo geral o ponto da escala evolutiva em que a pessoa se encontra, porque indicará a sensibilidade ou não às potências dos signos via os planetas regentes; vale dizer, a energia do signo se verterá através de determinado regente de forma similar ao seguinte quadro:

Pesso                            Núcleo da vivência                     Planeta Regente
Aspirante                       Forma                                           Exotérico
Discípulo (1º y 2º iniciação) Consciência                             Esotérico
Iniciado (3º iniciação em diante) Vida                                 Hierárquico

A chave aqui é poder determinar a ênfase da vivência, o que também requer certa preparação por parte do astrólogo e, para melhor compreender esse ponto, refiro-me ao artigo específico sobre o tema.
Três estados de desenvolvimento espiritual:
                                                                    Com referência à vivência, devemos ter em conta que a maioria da humanidade vibra no nível da forma, seja no plano astral ou, um tanto menos, no mental, em cujos níveis superiores se faz contato com a alma e, em consequência, é de se esperar que uma grande quantidade de mapas seja de pessoas que transitam pelo Caminho como aspirantes.

Com o avançar da evolução, procura-se extrair um significado do conjunto de experiências e conhecimentos alcançados, gerar uma consciência, e aí emerge a vibração da alma, que o fará mediante o signo Ascendente e o regente esotérico em pauta.

Naturalmente, todos nós vivemos isso em alguma medida, e aí reside também a esperança na elevação da humanidade que, em alguma medida, despertou em número expressivo e que, de maneira sempre crescente, emprega essa consciência no comportamento responsável e no estabelecimento de corretas relações humanas, entre outros.

Em outras palavras, é um processo de constante extração de significados e expresso como sabedoria ou luz nos três mundos, que assim vão se sanando e elevando a vibração, possibilitando, com o tempo, extrair significados mais claros e verdadeiros. Essa atividade vinculadora se dá, em especial, com o Ascendente, mas sem dúvida outros elementos exercem um papel, os quais se acomodarão à vibração expressada pelo mesmo.

Como afirma a teoria oculta, a personalidade e a alma primeiro lutam, para depois se fusionarem, e é possível apreciar essa relação através do regente exotérico e do esotérico; cada um regerá e tratará de expressar a energia ou força de uma maneira, o que arrastará a pessoa para o regressivo ou para o evolutivo. Isto pode ser prevenido ou ser encarado com mais cuidado, desde que haja conhecimento de signo, casa e aspectos, por exemplo.

Resta dizer algo sobre a vivência da forma com relação ao aspirante espiritual: não devemos pensar que, por ter uma tendência espiritual, já possui plena consciência e cabe lhe atribuir um regente esotérico. Por exemplo, todos experimentamos a situação de querer prestar um serviço; se a reação natural e espontânea foi fazer algo concreto pelo mero fato de atender a uma necessidade, essa força exteriorizada foi da forma, por mais ampla que tenha sido a necessidade atendida. Mas, se neste serviço foi incluído um envoltório de consciência ou, em outras palavras, se houve reflexão e se o significado do serviço não se perdeu na cegueira dos três mundos, pode-se pensar, então, que, sim, se atuou como alma. É a clássica metáfora de colocar a carroça antes dos bois, exposta no hinduismo e também por Platão, para citar referências.

Mas isso não invalida o serviço na forma e desde a forma, porque outros discípulos ou iniciados, podendo ter a visão clara, o efeito egoico se produz, mas deveria nos dar uma advertência na hora de determinar o status espiritual próprio e o do consulente. O exposto seria válido inclusive para os servidores do sétimo raio, que por tendência natural trabalham no plano da forma concreta, mas novamente é preciso ter em conta a capacidade de manter o significado. Se o que prima é o fazer por fazer e o lutar nos três mundos, para além dos resultados o que prevalece é a forma.
Por seu vez, uma consciência egoica fluirá através do regente esotérico do mapa, e seu impacto não pode ser medido como forma, mas como significado, isto é, não será apreciado como algo visível, mas como algo velado. Por exemplo, consideremos um Ascendente Aquário. O regente esotérico é Júpiter que, suponhamos, se encontra na Casa I, exotericamente da personalidade. Uma interpretação na forma nos poderia levar a considerar que Aquário via Júpiter tornará o caráter rebelde, expansivo, jovial e otimista, com capacidade de dar aos demais. Por sua vez, um significado mais profundo poderia ser o de que Aquário, como Ascendente com Júpiter na I, indica um ciclo de irradiação da personalidade, que talvez devesse extrair na profundidade ou nas distintas maneiras de dar e, assim, não sobre-estimular a natureza astral com bons desejos e hiperatividade emocional.

A inspiração de um discípulo é a sua alma, e essa energia é captada através do regente esotérico do seu Ascendente em seu aspecto principal. Essa fonte de inspiração é tudo nas primeiras etapas do Caminho, mas chega um momento em que o desenvolvimento espiritual conduz o discípulo mais além da 2º iniciação, e começa definidamente o processo de reorientação em direção à Mônada, posto que a alma deixa de ser suficiente para expressar a divindade intrínseca do discípulo. É quando se busca uma nova fonte de inspiração, e essa nova energia é recebida através do regente hierárquico do mapa.

Por último, como distinguir uma consciência iniciática? Para esse fim podemos realizar um raciocínio intuitivo.

A consciência de um iniciado não é uma consciência, no sentido em que conhecemos a palavra, porque a vibração dos seus veículos é tão alta que praticamente não existem intervalos na busca de significados; em nível emocional a percepção é quase sem sensações astrais, e em geral a compreensão é tão grande que se capta imediatamente o que uma situação determinada encerra, sem se deter na mente, por assim dizer; esta somente reveste de matéria o compreendido, mas não é utilizada concretamente.

Trata-se, então, de um estado de síntese, ao qual se chega justamente esgotando todos os significados que passam pela consciência. Quando desaparece essa “relação” ou “tempo” entre conceitos e emoções, subiste um estado que o Tibetano chama de “identificação”, o qual vem complementado por uma tremenda energia dinâmica, a do propósito espiritual, que em principio aflui em momentos, cada vez que é possível extinguir a brecha da consciência, e parece ser total a partir da quarta iniciação, quando a consciência em si deixa de ser necessária e, por fim, o corpo causal é destruído.

A possibilidade de que reja o regente hierárquico do mapa é então remota, mas pode acontecer e convém também estar familiarizado com este nível espiritual.

Valem então as referências, entre muitas outras possíveis, a fim de poder determinar o nível espiritual do consulente e a partir daí é possível identificar o regente ou o par de regentes apropriados, neste último caso em conflito. Será possível também atribuir um correto significado às colocações dos demais planetas do mapa, que naturalmente encerram energias distintas e conferem faculdades distintas quando se trata de um aspirante, de um discípulo ou de um iniciado.

É praticamente inútil dizer que não se tratam de compartimentos estanques, mas que os estados de consciência se sucedem e muitas vezes se superpõem, e daí o conflito. De outro lado, a prática e a intuição permitem ao astrólogo, cada vez mais, conhecer a extensão da vibração desprendida pelo mapa; a chave é abordá-lo enfocado da maneira mais elevada possível, em particular envolvendo o fator sintético.

Por fim, tenhamos claro o ponto de partida, isto é, o grau de desenvolvimento espiritual do nativo, para poder depois elaborar e relacionar os elementos do mapa em torno do signo Ascendente e seu planeta de expressão. O processo de interpretação deve ainda continuar, e contamos aqui com uma base prática sobre a qual continuar a análise esotérica do mapa.