Postagem em destaque

Os 3 níveis do horóscopo

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Leão: a consciência e o todo


Martín Dieser
A energia de Leão é a da identidade espiritual, a do ponto em um centro que abarca todos os pontos. É o fogo solar, o fogo do coração, que outorga um apoio “no tempo” para que o ser demonstre o Plano que o inspira.
Já dissemos, em outra ocasião, que o Sol rege Leão, e que isto não seria assim para outros reinos da natureza; consciência para o homem é sensibilidade “desperta” ao não eu, pelo menos nas primeiras etapas, e é correto que assim seja: a fim de que a alma se desenvolva em todo seu potencial, é necessário um receptáculo conscientemente refinado e adaptado à sua energia; o trabalho na forma deve acompanhar o do eu superior, e o trabalho sob Câncer simboliza essa preparação prévia.
Em todo caso, a energia de Leão é a que possibilita este maravilhoso estado que é o da percepção de si mesmo. Como dizem os livros, “todos os seres são, mas somente o homem sabe que é”. Para gerar esta percepção individual, é imprescindível a separação, que o ser tenha a capacidade de se diferenciar do resto, e essa energia vem através do Quinto Raio de Conhecimento Concreto (chamado no Tratado dos Sete Raios “A Espada Divisora”), que por essa razão se expressa mediante Leão. Isto pode se manifestar ou não nos raios da pessoa; se não o faz, é possível que a energia esteja cumprindo uma função mais interna, mas nem por isso estará ausente.
Por sua vez, intimamente vinculada à separação, está a afirmação do ser, que assim como se percebe diferente se conhece como uma potência, como um ente gerador de causas, como o amo da sua própria vida. Trata-se da energia do Primeiro Raio de Vontade ou Poder, que também se expressa por meio de Leão. É por isso que, em certo sentido, a energia de Leão rege os governantes do mundo, porque a atividade deles tem muito a ver com o exercício da autoridade, que (diga-se de passagem) de acordo com as disposições mais aceitas, requer o consentimento do povo.
Caberia aqui uma reflexão sobre a democracia e a representação: pode-se ver como a igualdade e a fraternidade, a compreensão e o respeito, simbolizados pela democracia, constituem a base sobre a qual se ergue um verdadeiro governo que, em certo sentido, é a cabeça da sociedade, da qual está constantemente recebendo demandas. Aprecia-se aqui uma ação combinada de raios: o 2º de Amor – Sabedoria está simbolizado pela democracia e suas qualidades de bondade e busca horizontal de decisões; sempre o 2º é a base do 1º, que sintetiza a energia atraída até convertê-la em um ponto com somente o essencial. 
Neste caso, o governo é a síntese das deliberações do povo, e assim como a autoridade espiritual se sustenta no amor e na compreensão, da mesma maneira a democracia é a base espiritual dos cargos representativos de governo. É por isso que O Tibetano, em O Destino das Nações, diz que a energia da Hierarquia de Mestres se encontra por trás da democracia, e a de Shamballa, que é a sua síntese, está por trás das figuras do rei ou do ditador.
 Em todo caso, o período influenciado por Leão é muito propício para indagar interiormente acerca das origens da autoridade, da convicção que emana da verdade interior, do conhecimento de si mesmo. Outro fator ligado a essa condição é a identidade espiritual: todo ser humano tem um centro de consciência, um ponto a partir do qual se integra ao mundo e interatua com ele. De início, esse centro é o Sol físico, manifestando energia de 2º raio, e o ser crê que é o centro do universo, que tudo depende e gira em torno dele.
À medida que avança a evolução, gradualmente vai tomando consciência da inter-relação com o mundo, mas ainda mantém o estado no qual, em Astrologia Esotérica, descreve-se como “aquele que permanece só”, isto é, a percepção do eu próprio e do alheio nas questões diárias.
O interessante disto é que o anterior não seria o último degrau na evolução da consciência. À medida que a alma ganha em controle e revela seu poder, vai passando para a motivação espiritual, para a sensação do eu separado e também à colaboração e entrega aos demais, o que põe em ação uma energia oposta. A identidade espiritual se mantém, ao mesmo tempo em que a fortaleza do eu aparece como a etapa prévia imprescindível para expansões de consciência posteriores. Isto ocupa largo tempo.
Vem em seguida uma condição em que realmente é possível entender as palavras “Eu sou aquele, aquele sou eu”, lema esotérico do signo. 
O sentido do eu, da personalidade vinculada à alma, é muito particular: o discípulo não vê indivíduos, vê energia e Plano, vê a consciência una e não as partes, a unidade que subjaz na diversidade da forma; não crê ser uno, É uno, respira unidade e assim se expressa nos três mundos, sendo por isso tão potentes e duradouros os efeitos que produz; é a energia do Amor de Deus em ação. Crer que a unificação chegará por meio de uma anulação do eu, ou que se produzirá uma misteriosa fusão com as ações de outros, é uma deformação (e um perigo) no sentido oposto ao que mencionava.
Na realidade, e como bem sabe quem percorreu o Caminho com sinceridade e dedicação aos demais, a consciência não tem uma forma tão cerrada como a que conhecemos. O sentido do eu se mantém, ao mesmo tempo que a energia que expressa é compartilhada, conflui ativamente com a Grande Energia que é o Plano de Deus. É a consciência do Todo que se tornou ponto; como diz Vicente Beltrán Anglada, “não é a gota no mar, mas o mar na gota”.
A crença de que a consciência ocupa um lugar é por si uma ilusão da mente humana, mas muito maior é a ilusão de crer que cada consciência ocupa um lugar separado da outra. Isto poderia ser melhor entendido através de uma analogia com a figura de um círculo concêntrico: à medida que se chega ao centro, muitas vidas passam a compartilhar de um “espaço” comum. 
Esse espaço comum, esse vazio criador no qual se vive e sobre o qual se passa a afirmar a consciência é um conjunto de energias cuja forma mental é o Ashram, e no centro se encontra o Sol Central Espiritual, simbolizado pelo Mestre. Em uma escala menor, cada um de nós é parte dessa consciência grupal, e temos aí a base oculta da telepatia, embora não tenha que funcionar tão explicitamente e se manifesta como inspiração, recepção de ideias, etc.
Essa consciência comum é a base espiritual do princípio da fraternidade, que só pode ser entendido se for considerado da alma e não a partir da matéria, onde somos tão diferentes. É também a razão pela qual o trabalho espiritual pode ser realizado em grupo, porque coincide a fonte de inspiração e é a mesma energia que nos atravessa a todos; pela mesma razão, um discípulo pode implementar uma parte do Plano e outro dar continuidade a ela no plano físico, por exemplo; cada um, do seu estado de consciência, e todos necessários.
Outra reflexão que se extrai acerca da regência do Sol é sobre a união com a consciência alheia: muitas vezes se busca a aproximação através da palavra, o convencimento, a ênfase, etc. Seria útil, aqui, observar o Sol, que pela gravidade, concentração ou atenção consegue atrair o que o circunda. Em tal sentido, poderíamos dizer que uma boa maneira de se aproximar à consciência de outro é aprofundando esse nível antes que fazendo esforços do eu; a atenção baseada no amor, sobre si mesmo e sobre os demais, mas sempre tendo em conta o destino comum que é o da unidade da vida, é a maneira mais simples e profunda de chegar ao outro.
Leão nos proporciona então um ciclo onde é mais fácil levar a consciência para dentro, dar a ela mais profundidade e reforçar a identidade, para assim oferecer à alma um eu firme e valioso para prestar serviço; é ainda, como se assinalava, um ciclo para compreender em toda a profundidade o significado e as potencialidades da fraternidade espiritual.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Leão: a chama da autoconsciência

Ricardo Georgini
Leão é um signo intimamente relacionado à humanidade. A energia deste quinto signo do Zodíaco estimula a autoconsciência — a grande característica que faz de nós seres humanos. De 22 de julho a 22 de agosto deste ano, o Sol estará alinhado com Leão, avivando a sagrada chama da autoconsciência em toda a humanidade.
A autoconsciência é o que distingue o humano do animal. O animal está consciente do que se encontra ao seu redor, mas só o ser humano pode, além disto, estar consciente também de si próprio, o sujeito consciente. Assim, o animal simplesmente vê, ouve, sente, enquanto o ser humano não apenas vê, mas sabe que vê; não apenas sente e pensa, mas sabe que sente e pensa; e não apenas sabe, mas sabe que sabe.
Na maioria de nós, a autoconsciência permanece num estado brando, e ainda há muito a ser feito para desenvolvê-la plenamente. Grande parte do aperfeiçoamento humano tem a ver, especialmente, com este maior desenvolvimento da autoconsciência. A influência de Leão contribui para isto, como que soprando a brasa da autoconsciência, para que se intensifique e cresça — queimando e transformando, aquecendo e acalentando, iluminando e esclarecendo.
Faz parte do nosso potencial, como seres autoconscientes, perceber não apenas o que se passa ao nosso redor, mas também o que se passa dentro de nós mesmos. Contudo, habitualmente, a nossa atenção fica quase totalmente voltada para as coisas externas a nós, e temos uma percepção apenas vaga do nosso corpo e dos sentimentos e pensamentos que nos ocupam. No entanto, o tempo todo, são os nossos pensamentos, emoções e corpo que determinam as nossas experiências na vida, e não tanto as circunstâncias externas. Por isso, cultivar e exercitar a habilidade de auto-observação é um requisito fundamental para estarmos mais conscientes na vida, compreendendo apropriadamente as nossas experiências e podendo escolher como nos conduzir.
O desenvolvimento da autoconsciência nos leva a descobrir-nos como o sujeito de nossa própria vida e história. O animal reage automaticamente aos estímulos externos, sem reflexão ou escolha. O ser humano pode ponderar, pode valer-se de sua experiência, pode conter-se ou empenhar-se e, assim, pode escolher como responder às suas circunstâncias. Portanto, o animal é sempre aquilo que o seu ambiente faz dele, mas o ser humano pode vir a ser o que ele mesmo fizer de si. À medida que compreendemos isso, desenvolvemos um correto senso de responsabilidade e nos apropriamos mais plenamente de todo o nosso potencial.
A autoconsciência leva também ao senso de individualidade. Fortalece internamente o indivíduo, de modo a poder apoiar-se em si mesmo, sem depender indevidamente dos demais. Permite ao indivíduo conhecer-se a si mesmo e saber aquilo que ele tem de próprio e único, aquilo que é a sua contribuição específica e original à coletividade. Cada indivíduo é único, e o seu valor, portanto, é inestimável. Se apenas um indivíduo não existisse, o Universo já não seria o mesmo. Cada indivíduo faz a diferença. A autoconsciência lhe permite fazer a diferença conscientemente, e portanto, mais potentemente.
A cada mês de Leão, anualmente, temos uma especial oportunidade de fortalecer em nosso interior a chama da autoconsciência e nos tornarmos cada vez mais plenamente Humanos.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sábado, 17 de julho de 2010

O reflexo do Sol na Lua Cheia



David C.M.


Segundo Alice Bailey, em toda forma Lunar se encontra oculto o segredo de toda experiência passada através da qual temos que chegar à devida expressão.
Seguindo a linha desta reflexão, pode-se pensar que toda lua cheia é uma oportunidade para poder aplicar a sabedoria da luz solar ao nosso corpo de expressão, e assim adquirir harmonia e mudanças.
Assim pois, a intenção deste artigo é saber dar com o que implica uma relação deste tipo, isto é, a Luz ilumina a Forma, e esta deveria saber refletir, da sua posição, a sabedoria que recebe.
Portanto, um signo, o solar, é o que dá energia pura, e o outro, o lunar, a recebe e, do seu lugar, deve saber “refletir” o recebido com força construtiva e expressiva.
Esta relação se dá em sua plenitude na Lua cheia, porque aí tudo está iluminado, e todos os segredos podem ser ventilados.




Relação

Sol em Áries – Lua em Libra  (plena de Áries)
A força e capacidade de vontade de Áries nos dá a oportunidade de saber harmonizar e equilibrar nosso corpo de expressão, Libra. Em todo o Caminho do meio, se esconde a vontade de segui-lo. 
Sol em Touro – Lua em Escorpião (plena de Touro)
A nobreza, sabedoria e sensualidade - força do Touro, nos ensinam a encontrar o desejo correto, em meio às intensas e perturbadoras correntes do desejo “indevido” de Escorpião. Nesta intensa relação o desejo se converte em necessidade, e esta nos leva a viver a vida com útil intensidade. 
Sol em Gêmeos – Lua em Sagitário (plena de Gêmeos)
A franqueza e agilidade comunicativa de Gêmeos nos levam a descobrir em nossa forma de expressão, a devoção e meta que mais nos convém, Sagitário. A comunicação e sincera curiosidade anulam todo tipo de fanatismo.
Sol em Câncer – Lua em Capricórnio (plena de Câncer)
A sensibilidade intuitiva de Câncer, é a grande oportunidade para saber revestir nosso corpo de expressão, em uma realidade concreta que no seja excessivamente fria, Capricórnio.
O iniciado deve antepor o Amor à realização do Plano.
Sol em Leo – Lua em Aquário ( plena de Leo)
A generosa Luz da autoconsciência, Leo, nos oferece a capacidade de mostrar serviço social efetivo, Aquário, sem perder nossa identidade. Como disse Jesus: “de que nos serve ganhar o mundo se com isto perdemos nossa Alma”.
No Amor do Coração se encontra o princípio de um verdadeiro serviço. 
Sol em Virgem – Lua em Peixes (plena de Virgem)
Na capacidade de cuidarmos e nutrirmos a nós mesmos, Virgem, está a oportunidade de expressar Amor para os demais, Peixes. 
Não é o outro o que melhor nos conhece, mas a nossa “Mãe” e a pureza da intenção honesta. 
Sol em Libra – Lua em Áries  (plena de Libra)
No saber estar em harmonia, Libra, se encontra a oportunidade de encontrar a inspiração e a força, Áries, que nos fará avançar. 
Saturno está exaltado em Libra, porque é neste signo, onde a Alma decide “parar”, daqui não me moverei, não penso em repetir mas, somente em avançar e (avançarei) quando estiver seguro do “inspirado”. 
Presença ativa, é o dom desta relação. 
Sol em Escorpião – Lua em Touro  (plena de Escorpião)
Na intensidade e sinceridade de um “desejo”, Escorpião, se assenta a realidade da natureza, Touro. Na Luz de Escorpião refletida, temos a oportunidade de expressar através da natureza, nossa realidade mas profunda: o porque de uma reencarnação. 
Sol em Sagitário - Lua em Gêmeos (plena de Sagitário)
Na poderosa energia daquele que conhece para onde se dirige, Sagitário, temos a oportunidade de ser amorosos e comunicativos, Gêmeos, como serviço. 
A profunda capacidade de Gêmeos de se relacionar, necessita de uma ancoragem interna, que o sustente e lhe dê direção. 
Sol em Capricórnio – Lua em Câncer (plena de Capricórnio)
A concreta e real captação da realidade, Capricórnio, pode mostrar ao sensível Câncer, que a susceptibilidade e excessiva sensibilidade são espelhismos do corpo astral. 
O subjetivo deve sempre mostrar sua objetividade, mas é “imaginação indevida” ou nociva.
Sol em Aquário – Lua em Leão (plena de Aquário)
A intuição e capacidade sintética de Aquário, mostra ao Leão o caminho para que sua Luz não fique autoconcentrada em si mesma. Expressar generosamente nossos talentos é algo que necessariamente vai ligado à capacidade de compreender o outro em sua justa medida, água de vida.
Sol em Peixes – Lua em Virgo (plena de Peixes)
A empática imaginação criadora, Peixes, nos oferece a oportunidade de mostrar nosso interior tão bem “cuidado”, Virgem. Não é o medo de perder a pureza que nos mantém no caminho correto, mas saber vê-la nos demais. Ser sensível ao outro é a expressão da nossa realidade interna.

Na dualidade de conceitos e energias está o segredo do equilíbrio, hoje pode pensar uma coisa, talvez amanhã outra bem diferente; qual é a correta?, nos perguntaremos...a relação dá duas em uma.

Luz



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Câncer, a encarnação da intuição


Martín Dieser


Pensar no aporte que o signo de Câncer faz à humanidade, no lugar que ocupa em nossa consciência, imediatamente nos leva a uma palavra: construção, muito afim, por certo, do lema esotérico deste signo, que é “construo uma casa iluminada e nela moro”.
No entanto, convém não tomar o termo superficialmente, mas antes refletir sobre o que se entende por construção. Da perspectiva comum, indica-nos uma atividade de “fazer”, seja física, emocional (“manejar” emoções) ou mental (o mesmo com os pensamentos). Mas aqui a teoria esotérica nos lembra que o plano mental, onde nós procuramos nos firmar, é apenas o subplano gasoso do plano físico cósmico e, portanto, não é um princípio, como repetidamente diz O Tibetano. Significa que a verdadeira atividade e o impulso mais puro não emana do nosso plano mental (o gasoso cósmico), mas dos subplanos etéricos cósmicos, de qual o búdico é o primeiro.
E nos lembra também que a alma é uma grande construtora, mas que, diferente da personalidade “constrói sem tocar”; a atividade, a intenção e o esforço do eu são necessários, mas a alma inspira, não faz; esta é uma grande chave para a criação espiritual, e uma palavra afim que ajuda a manter a personalidade nos limites é “naturalidade” na ação que se quer que resulte espiritual.
Falar então de construção de uma perspectiva mais profunda nos leva diretamente ao plano búdico, ao reino da intuição e da razão pura, do qual o plano mental é um reflexo condicionado. É ali onde se geram as causas que oportunamente mobilizarão os construtores dos planos inferiores e, de um ponto de vista oculto, os esforços realizados nestes níveis são parte da Grande Ilusão, e embora válidos até que se comece a viver na intuição, oportunamente se revelarão insuficientes, obscuros e aprisionantes. É interessante ver que Câncer rege também a construção nos três planos inferiores, e a Lua é seu regente; também se faz referência ao mau emprego das energias cancerianas, que terminam armadilhando o eu na escuridão do seu próprio carma.
Ao mesmo tempo, a evolução leva a que esses níveis de consciência se revelem como uma prisão para o ser, que aí toma consciência da sua situação e procura se aproximar mais do que agora percebe como a verdadeira luz. Aprecia-se aqui outro triângulo: Câncer (prisão) – Leão (consciência) – Capricórnio (luz, saída) que tem um papel definido nesta fase do progresso interno, esteja ou não visível na carta natal.


Assentada a ideia de que Câncer também pode ser interpretado do plano búdico, será bom aprofundar, na medida do possível. Pouco se conhece em verdade deste nível de consciência: a literatura esotérica nos fala profusamente do movimento no plano mental, o estudo, a iluminação, a concentração, etc., todo tipo de miradas desta perspectiva. Ao contrário, quase não se conhecem as leis do plano búdico, como se entra em contato com ele, como se o domina, como se pode prestar serviço dali. Mais ainda: na percepção de quem o experimentou, fala-se da intuição como algo amorfo e demasiado elevado para distinguir de outra coisa, como se não tivesse um sentido em si mesma, e como se não estivesse submetida a uma Lei superior, mas que fosse uma espécie de fim.
Como base para compreender o exposto, o indivíduo deve se convencer consciente e inteligentemente de que é Mônada (Espírito), parte da Mônada logoica solar, em contato com as matérias dos 6 mundos que constituem os 6 subplanos do plano físico cósmico: monádico, átmico, búdico, mental, astral e físico, através de diversos instrumentos ou veículos, sendo que no momento o contato mais forte é com os mundos mental inferior, astral e físico, os quais devem ser totalmente dominados e controlados pelo uso da Vontade e do Conhecimento verdadeiro, ou seja, o conhecimento da realidade velada por maya (mundo físico), espelhismo (mundo astral) e ilusão (mundo mental inferior).  Na atualidade, a humanidade em seu conjunto tem pela frente conhecer e dominar o plano mental, e somente à medida que as Eras passem o mesmo ocorrerá com o plano búdico, ao qual só é possível ter acesso por meio da mente iluminada, o que, hoje, é a meta de alguns poucos, falando-se em termos comparativos.
Câncer rege o que O Tibetano denomina “as águas” e não é casual que represente este elemento. A consciência massiva, que logicamente tem aplicação direta neste estado indiferenciado que é a consciência instintiva, também tem uma dimensão intuitiva. Com efeito, se o coração é convidado a acompanhar a mente e depois se afina a atenção, poderá ser apreciado que a percepção sintética não tem um limite definido, como ocorre com a mental, mas que resulta mais difusa e englobante, ao mesmo tempo que profundamente clara. A energia que chega se verte através de Netuno, que assim demonstra porque rege esotericamente o signo.
Ao mesmo tempo, se a sensibilidade ainda permite “dar uma volta em torno”, se notará que existe algum grau de abstração ou de domínio sobre este plano, e este estado possivelmente tenha a ver com a frase do Tibetano de “o Espírito sobre as águas”. Ali começa a construção subjetiva de Câncer, do centro do coração, passeando a consciência através do plano etérico cósmico, o qual põe o ser em contato com distintos tipos de energia, porque o plano etérico é sempre o plano da energia, dos raios enfocados através das estrelas, as constelações, os signos e seus planetas regentes que, segundo a afinidade com o raio do próprio ser vão se expressar através dos distintos chacras, humanos e planetários, segundo a evolução.
O interessante é que neste processo de busca o estado da consciência não é pessoal nem individual, mas sutilmente grupal, porque é claro que se entra em contato com energias que estão mais além do eu, e para isso, embora seja inconscientemente, é necessário se conectar com outros que não são o eu, mas que têm uma afinidade vibratória que permite uma invocação de energia como a que se alcança. Não é por nada que em “Os Raios e as Iniciações” se fala do progresso grupal e se dão as regras muito profundas conectadas com o plano búdico.
E seguindo com a ideia do contato com energias elevadas, pode-se ver que se trata de um estado criativo, de um Idealismo criativo, e isso explica porque o 6º raio de Devoção (expressado por Marte) e Idealismo se manifesta através de Netuno. E inclusive, em um determinado momento, cessa esse divino idealismo, e se “encontram os limites da criação”, que não é senão a Vontade dos Seres que dão vida às energias com as que se entrou em contato. Isso faz que conscientemente se obedeça à Sua intenção, uma Lei interna mais elevada que as que conhecemos, e isso “fecha” a criação e precipita a forma no plano mental, produzindo a encarnação.
Surge do exposto acima que a encarnação é um processo grupal, nunca individual, porque sempre é resultado da Intenção de uma Vida Divina, que o ocultismo divide em estrelas, um sistema solar, um planeta, um reino da natureza e demais, cada um qualificado por um raio determinado, que dá uma “cor” especial à manifestação, e em termos concretos um matiz à forma mental que se queira expressar no mundo. Em outras palavras, o Plano (e suas analogias superiores) é o que produz a encarnação, e o resultado do contato da alma com esse Plano é o que a precipita no mundo, junto à onda de energia que se liberou no planeta nesse momento.
Daí que as interpretações individuais sobre o tema das vidas passadas tenha pouca clareza, porque opera nos três planos inferiores, o físico, o astral e o mental, e em grande medida se encontra subordinada ao que ocorre em nível grupal, onde algum dia será possível encontrar a verdadeira chave e não somente retalhos da verdade.
O período presidido por Câncer é, portanto, um momento propício para aproveitar a conexão interna alcançada graças a Gêmeos, elevar-se ao reino da intuição e ser parte silenciosa do verdadeiro processo de criação, do qual o acontecido nos planos físico, astral e mental não é senão um reflexo, assim como o subplano etérico é o princípio e os subplanos sólido, líquido e gasoso se encontram sob sua regência.
É também um bom período para vivenciar a massividade especial do plano búdico, abrir o ser a novas energias, um plano que é grupal e indistinto em forma muito diferente ao que ocorre no plano astral, que nem por nada é sua analogia inferior e tem águas muito mais densas (e escuras) que o primeiro. E em todo caso se impõe aqui ter em mente o triângulo Câncer – Leão – Capricórnio assinalado, e fazer  primar a consciência e a luz, a humildade e a razão, antes que o espelhismo.
Por último, destaquemos que a influência de Câncer e o serviço bastante desconhecido que se realiza através do plano búdico também têm a ver com a construção de uma morada iluminada, aquela esplendorosa forma mental onde poderá habitar segura e evolutivamente a humanidade durante a Era de Aquário e durante outros ciclos tão misteriosos que por agora somente podemos imaginar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Câncer: Construir com Luz


Ricardo Georgini

 

Dentre todos os doze signos do Zodíaco, Câncer ou Caranguejo é o que mais está associado à materialidade e concretude. E a nossa experiência no mundo material sempre envolve a construção e a utilização de formas. Que formas temos construído e como as estamos utilizando? Que formas queremos construir e como queremos utilizá-las? Questões como estas, de um modo ou de outro, são trazidas à nossa atenção durante o mês de Câncer, que este ano vai de 21 de junho a 22 de julho.
A primeira forma que construímos para nos manifestar neste mundo é o nosso próprio corpo. Ele é construído ao longo da vida e reconstruído diariamente, através dos nossos hábitos de alimentação, de respiração, de higiene, de sono e de exercícios físicos. É construído também de acordo com os nossos hábitos emocionais e mentais, que influenciam a constituição do corpo muito mais do que geralmente supomos. É importante cuidar de todos esses fatores, pois o corpo é, necessariamente, o nosso primeiro e principal instrumento no mundo; todas as nossas experiências materiais se fazem através dele.
A segunda forma que construímos é a casa. É o nosso porto seguro em meio ao mundo, o nosso local de refúgio, recolhimento e restauração. Outra forma fundamental é a família, seja a biológica ou aquela escolhemos ao longo da vida. Ela é o nosso primeiro núcleo de relações humanas, de apoio mútuo, acolhimento e incentivo.
Corpo, casa, família — a partir destas formas básicas, todas as demais são construídas: grupos, instituições, Estados. E assim construímos coletivamente aquela grande forma que chamamos de sociedade. Mas, se, por um lado, a sociedade é um produto dos indivíduos e famílias, por outro lado, é no seio da sociedade que nascem e crescem os indivíduos e famílias, amparados por toda a estrutura e as facilidades que a sociedade provê. Corpo, casa, família e sociedade — são estas as formas básicas que tornam possível, segura e frutífera toda a existência humana neste mundo.
A influência de Câncer contribui para que nos mantenhamos sempre devidamente ancorados no corpo e para que jamais nos afastemos do mundo, da sociedade e da vida humana comum. Incentiva-nos a não fugir das experiências concretas e mundanas, mas utilizá-las apropriadamente, para que finalmente alcancemos um estado de consciência capaz de incluir o interno e o externo, o espírito e a matéria, o ideal possível e a realidade atual. Assim, o estímulo de Câncer ajuda-nos a não fazer da espiritualidade um caminho de fuga, mas sim um verdadeiro caminho de realização integral.
Câncer nos encoraja a buscar manifestar na vida humana diária as nossas elevadas visões, ideias e sonhos. E a mais poderosa ferramenta de que dispomos para construir em nossas vidas aquilo que queremos é a imaginação. É na imaginação que todas as construções começam. Imaginar é construir com energia mental e emocional, e as formas assim construídas subjetivamente sempre procuram se concretizar. Através da imaginação, com foco e clareza, podemos reconstruir inteiramente as nossas vidas e torná-las a materialização de todas as nossas aspirações superiores.
A vida no mundo material pode ser uma experiência de limitação, escuridão e isolamento, mas também pode ser uma experiência de liberdade, luminosidade e partilha. As formas que vamos construindo em nossas vidas podem tornar-se, finalmente, uma prisão que nos confine e nos separe dos demais. Ou podemos construir formas que, finalmente, convertam a nossa vida numa estação de luz, na qual tudo o que temos é compartilhado livremente com os demais. No mês de Câncer, somos levados a lidar com esta questão: Que tipo de vida estamos construindo?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Gêmeos, o amor por trás da dualidade


Martín Dieser


A visão esotérica do signo de Gêmeos se encontra intimamente ligada à consciência humana tal como nos é mais familiar, ou seja, baseada na mente e com a presença da dualidade. Em um sentido sutil, é graças às energias vertidas por este signo que se poderá experimentar este divino conflito, essa fragmentação interna que se suscita quando se interage com algo que se crê alheio ao eu, mas que por esse mesmo carma deverá irresolutamente se integrar no coração, desde que se queira alcançar a plenitude.

A experimentação do não-eu é fundamental na evolução da mente humana, e Gêmeos preside esse processo de interação, de relacionamento entre a forma e aquilo que está mais além da forma. É o grande agente vinculador que põe em contato ambas as dimensões, e aí reside um dos motivos pelos quais sua energia é denominada a dos mensageiros; ali também poderia se encontrar uma especial vinculação do Mestre Tibetano com esta constelação (não o signo), e inclusive talvez na dinâmica de eu, não-eu e amor unificador, base esotérica do movimento de triângulos impulsionado pelo próprio Mestre.

Para conhecer um não-eu é necessário perceber algum tipo de realidade externa à própria consciência atual, e é aí onde operam as energias de Sagitário, que são complementares às geminianas, posto que dirigem e enfocam a consciência para uma qualidade determinada, a qual se percebe como alheia ao eu. Desde o momento em que se lança a flecha começa a viagem para a meta, e aí Gêmeos rege especialmente. Isto tem um reflexo exotérico: na astrologia convencional ambos os signos regem as viagens, entendidas em tal caso como físicas.

Gêmeos é uma energia muito importante para a humanidade, porque é eminentemente a energia do amor, da paz resultante e da consequente superação dos conflitos. Através de seu acionar é que tudo aquilo que se capta como alheio ao eu é incorporado à consciência, inclusive no sentido interno, e nesse processo reside a chave da unificação das qualidades que subjazem em todo o manifestado.

A dualidade, em um sentido oculto, não é mais que a ausência de unidade consciente, e desde o momento em que nomeamos a consciência estamos falando do amor. A dualidade somente cessa de nos agitar quando abrimos nosso coração à forma, quando compreendemos que tudo no universo tem um sentido e que estaremos incompletos até que nos integremos conscientemente a ele. Nossa presença se tornará mais vívida à medida que possamos compreender, através da mente e do coração, todo aspecto da vida com o qual tenhamos interação como um sentido em si mesmo, como uma parte dessa grande meditação que é o Plano divino, e que como tal merece um profundo respeito em todas as suas manifestações.

O mistério de Gêmeos está oculto na compaixão, e daí que seu raio, o 2º de Amor-Sabedoria, o vincule a Peixes e Virgem, os dois signos por excelência desta qualidade. O estado de consciência que esgota a dualidade é o que se encontra mais além dos pares de opostos, ou talvez poderíamos dizer por trás, como a sublimação da compreensão de todo o existente no círculo não se passa da consciência pessoal, que cada vez mais vai abarcando esferas mais amplas, à medida que se avança no Caminho espiritual.

Neste sentido, o amor nos leva a outro ponto muito importante relacionado com este signo, e é o tema do carma: dizer relação é dizer tempo e, como sabemos, o tempo é a matriz do carma, o conjunto de energias imperfeitas que têm de se sintetizar na consciência do ser para alcançar a liberação nos planos físico, emocional e mental.

Desde o momento em que nos encontramos frente a uma interação, a uma expressão de energia no tempo, a um não-eu, surge uma profunda responsabilidade para com esse aspecto não integrado do eu, em certa maneira uma relação cármica que está presente na consciência como algo diferenciado. E é aqui onde se esquece o aspecto central de Gêmeos que é o amor.

O amor é o grande liberador do carma, porque pode existir dualidade, mas quando se compreende a origem dela e o seu sentido profundo alcança-se a consciência de síntese, nem que seja por um instante, e na plenitude não há espaço para tempo algum (e portanto, para o carma, tal como nos afeta).

No entanto, em geral a falta de compaixão e de respeito nos leva a depreciar as qualidades que nos rodeiam: a mente se fragmenta buscando caminhos longínquos, conversas mais interessantes, pessoas mais profundas, etc., distraindo o Pensador e afastando-o do aqui e agora, que é onde cada vez mais encontrará respostas a todas as suas interrogações. Implica na busca do sentido de cada processo, mas também de cada situação, ato, palavra, emoção e pensamento que nos rodeia, com profunda compreensão da importância que têm porque é o que o carma nos deparou no presente; tal é a dualidade de Gêmeos e a grande oportunidade que nos brinda.

Se, ao contrário, permanecemos com a mente e o coração cegos aos significados, a interação não se aprofundará, precisamente por nossa falta de compaixão, e sofreremos reiteradamente por nossa superficialidade, que se converterá assim em uma geradora de desarmonias.

Pode-se então apreciar a importância do amor na vida espiritual, onde ocupa um lugar destacado no plano búdico, simbolicamente representado pelo ar. Precisamente ali pode se encontrar um triângulo de energia entre Gêmeos, Aquário e Libra, produzindo respectivamente relação grupal, um ponto de síntese amorosa e a consciência grupal resultante.

Em conclusão, a energia de Gêmeos está presente em cada fragmento de nossa consciência e em cada triunfo da compreensão sobre a forma, e representa uma influência muito importante na vida espiritual. O período cíclico em que nos encontramos sob sua regência pode ser especialmente propício para meditar e pôr em prática os profundos significados que contém.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Gêmeos: Um Universo de Relações

Ricardo Georgini


As ideias centrais no signo de Gêmeos são: dualidade e relação. Toda a existência é feita de dualidades, tais como: bem e mal, atração e repulsão, eu e o outro. A influência de Gêmeos nos estimula a perceber claramente as dualidades presentes em nossa experiência; mas, além disso, estimula-nos também a unir as duas partes destas dualidades em uma relação harmoniosa.

A primeira dualidade é a de espírito e matéria. Também podemos chamar de energia e substância, vida e forma, sujeito e objeto. Esta dualidade fundamental origina todas as demais. No ser humano, a dualidade se expressa subjetivamente como alma e corpo, e objetivamente como eu e o outro. Depois vêm todas as outras dualidades da experiência humana: amor e ódio, prazer e dor, masculino e feminino, etc.

Mas, para além de toda dualidade, permanece sempre a unidade essencial de todos os seres. Os dois lados da moeda são apenas facetas de um mesmo objeto. Esta unidade só pode ser experimentada subjetivamente, nos níveis mais profundos de consciência. No mundo concreto e externo, reina sempre a dualidade, os contrastes, a diversidade.

Contudo, a unidade essencial interna pode e deve ser refletida no mundo externo das aparências. Isto é feito através das relações. As relações harmoniosas refletem externamente a unidade que há internamente. Esse é o sentido mais profundo do amor: a consciência da unidade essencial. O amor é a energia da nossa essência una, que quando flui através da teia das relações, reconcilia todas as aparentes separações.

A experiência humana é marcada por um ilusório senso de isolamento, separação e independência. Muitas vezes, a vida até nos confronta com as dualidades e diversidades, mas não damos o passo adiante para relacionar e unir. A energia de Gêmeos nos incita a dar este passo, abandonando o desconhecimento, a indiferença, os preconceitos, etc.

E são muitas as relações a estabelecer e aperfeiçoar, dentro e fora de nós. Há a relação entre alma e personalidade, ou entre a nossa essência espiritual e a nossa identidade pessoal material; entre mente e corpo; entre razão e sensibilidade ou cabeça e coração. Há as relações com os vários familiares, com os amigos, os colegas de estudo e de trabalho. E como está a nossa relação com o dinheiro, a política, o planeta, o sofrimento mundial?

É primordial estabelecer relações, pois elas são o campo para o cultivo e a expressão do senso de unidade interna. Mas, quando encaramos as relações a partir de um nível emocional e mental raso, fica sempre presente a separação entre eu e o outro — e o eu se sente incompleto, carente, dependente, apegado. Mas quando as relações são trazidas a um nível mais profundo de consciência, experimentamos aí a unidade essencial, com um natural senso de preenchimento e liberdade.

O mês de Gêmeos, este ano, começa em 21 de maio e se estende até 20 de junho. Durante este período, a intensa circulação de energias geminianas em nosso planeta nos inspira a estar atentos às nossas várias relações, procurando aperfeiçoá-las e aprofundá-las, para que expressem melhor a beleza, harmonia e unidade de toda a vida.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Chaves psicológicas sobre o Festival de Wesak


Martín Dieser

“Como é em cima é embaixo, como é embaixo é em cima” reza o axioma oculto, e o Festival de Touro não é exceção. Quando falamos de Wesak estamos nos referindo a um evento de fundamental importância na vida da humanidade e sobretudo do planeta, porque fazemos referência ao contato entre três reinos: Shamballa, o centro onde a Vontade de Deus é conhecida; a Hierarquia espiritual, o reino das almas e a raça humana. Se tivermos em mente que a humanidade é a grande responsável por iluminar-se para abrir as portas da energia espiritual aos reinos animal, vegetal e mineral, compreenderemos que se trata de um momento de união com amplos efeitos espirituais para a evolução planetária interna.

Mas a vivência não se acaba ali: Wesak não é um evento abstrato ou meramente intelectual, nem apenas um relato interessante cheio de fórmulas complexas; é também uma realidade da consciência, uma fusão entre a mente e o coração. Vejamos algumas analogias que podem nos iluminar a respeito, sempre as considerando do grupal e com ênfase no subjetivo.

Sabemos pela literatura religiosa e esotérica que, em Wesak, a Hierarquia de Mestres integral e Seus colaboradores realizam um grande ato de invocação de energia espiritual, culminando com a chegada do Buda e uma bênção trazida dos planos superiores. A humanidade está representada pelos discípulos, e cada pessoa que leva uma vida espiritual é chamada a ocupar seu lugar. Trata-se de um grande ato de invocação, através do qual a Hierarquia facilita o contacto com a energia superior do Buda e produz uma síntese durante um breve instante, resultando em uma iluminação cujos efeitos internos se estendem durante largo tempo.

Existe uma chave psicológica para interpretar o anterior, isto é, como o contato entre a mente (humanidade), a alma (a Hierarquia) e a Mônada ou fogo espiritual (o Buda), e a analogia é tão somente um simples ato de meditação enfocado no coração a serviço das metas do eu superior, com o vale e a montanha indicando os distintos estados do ser.

Temos assim um elemento mental, a humanidade, que prepara a forma para a afluência da energia sutil trazida pelo Buda (representando Shamballa). A atividade mental, meta da atual quinta raça, reflete-se nos desenhos geométricos criados antes do contato, os quais constituem um linguagem simbólica profundamente carregada de significado.

A iluminação é antes de tudo um efeito mental, um estado de realização que surge da união entre a formalidade do intelecto e a intrepidez do coração. Em certo sentido é buscada conscientemente, mas de pouco servem a luta, o esforço e o intelecto se não forem acompanhados pelo amor de servir à Vida Una, e aí vemos a necessidade de que a Hierarquia assista a humanidade nesse contacto.

Desse modo, cada pequeno átomo da mente preparada para o contato com a luz é simbolizado pelos discípulos e iniciados que participam do ritual. E, tal como nem toda a mente é utilizada na meditação, nem toda a humanidade pode participar do Festival, salvo aqueles que se encontram preparados para ele.

O outro componente é naturalmente o coração e, como dizíamos antes, não é possível ascender mais além de um determinado estado da consciência se este não estiver envolvido na reflexão. O amor, a horizontalidade, a fraternidade, o princípio de partilha são as chaves do processo, porque expandem a mente e a conectam em toda sua integridade, ampliando assim a capacidade de serviço, e como graça a iluminação. A analogia é a presidência pela Hierarquia do ritual de fusão realizado pelos homens, simbolizando a alma que guia a personalidade para o superior, e provendo através do Cristo a palavra de poder que, no momento culminante da invocação, convoca o Buda.

Diz-se que o Buda é invocado graças à atração magnética criada pelo ritual, e isso nos fala da impossibilidade de atuar se não existir previamente uma consciência grupal, a qual marcará a medida da bênção. Novamente preparação, invocação, equilíbrio e evocação, mais a iluminação resultante.

Estamos então ante um grande ato de magia organizada planetária, como gostava de dizer Vicente Beltrán Anglada, com uma importância fundamental para os sete reinos (ou corpos individuais) porque envolve a mente humana consciente, o grande meio de contato entre o superior e o inferior neste período. A realização cíclica (uma vez por ano) nos sugere que se trata de um ato de reflexão sintética, que reúne o melhor de um pensamento meditado e o ofereça amorosamente ante o Buda para que este o inunde de luz. Como se vê, é a analogia em grande escala da formação de um pensamento, a meditação centrada no coração e na revelação da luz.

Sejamos então parte desses ciclos espirituais dos quais Wesak é hoje a máxima expressão, esses momentos em que a humanidade como um todo é chamada à reflexão e à vida interna. Que o silêncio do contato nos refresque em nossa essência, o fogo, e que nas proximidades da união compreendamos o significado da fraternidade e do destino comum de todo ser vivente, chaves da Era de Aquário que estamos compartilhando.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Touro, Desejo e Voluntade

 Ricardo Georgini


O tema principal do signo de Touro poderia ser descrito como: o uso da matéria. Normalmente, o ser humano permanece em meio à matéria como vítima, sendo arrastado de um lado para outro por variados desejos, e assim enfrentando experiências diversificadas. À medida que aprende com estas experiências e alcança esclarecimento, o ser humano começa a conduzir-se com mais liberdade na vida, movido pela vontade consciente. Nesta gradual evolução do desejo para a vontade, Touro contribui com sua energia iluminadora, e no mês astrológico de Touro, que este ano vai de 20 de abril a 20 de maio, tal energia fica especialmente ativa.

Habitualmente, não fazemos distinção entre desejo e vontade, e usamos estas duas palavras indiscriminadamente. No entanto, desejo e vontade são bastante diferentes, e tal diferença é fundamental no signo de Touro.

O desejo é a força que nos liga à matéria; surge pelo contato com as coisas externas e nos impele a ir em direção a elas, procurando experimentá-las. A principal força motivadora em nossas vidas pessoais é o desejo, consciente ou inconsciente. É o que motiva todos os nossos pensamentos, opiniões, emoções, palavras e atos. Pode ser ambição por bens materiais ou por posição social, pode ser desejo de ser amado ou de ser feliz, pode ser anseio por paz, salvação, conhecimento, por fazer o bem, mas é sempre a mesma força: desejo, de um ou de outro modo.

É o desejo o que incentiva o desenvolvimento do ser humano. Ao empenhar-se para realizar os seus desejos no mundo, o indivíduo desenvolve suas potencialidades e aperfeiçoa suas capacidades. Assim, aprimora gradualmente a sua mente, a sua natureza emocional e o seu corpo.

O desejo leva o indivíduo a vivenciar uma enorme variedade de experiências no mundo. Tais experiências são o substrato a partir do qual o indivíduo produz conhecimento. (Não estamos tratando aqui do conhecimento meramente teórico, mas sim do conhecimento vivencial). Gradualmente, como resultado das experiências e aprendizados, o ser humano chega a conhecer as coisas como realmente são e conhecer a si mesmo como essencialmente é. Neste conhecimento de sua própria essência, ele entra em contato com a vontade.

A vontade é a energia que nos permite expressar a nossa verdadeira natureza em meio à matéria. O desejo procura obter ou experimentar algo, já a vontade trata de manifestar ou expressar algo — manifestar uma qualidade, um valor, uma ideia. Portanto, o desejo tem implícito em si um senso de carência, de necessidade, de incompletude, enquanto a vontade envolve um senso de integridade, de plenitude e transbordamento. Esta é e sempre foi a verdadeira natureza do nosso ser, mas só chegamos a compreender isto quando alcançamos conhecimento e esclarecimento através da experiência no mundo material.

O conhecimento do nosso verdadeiro ser revela também outras qualidades: amor, sabedoria, boa vontade, alegria, etc. E traz a compreensão de que somos todos um e de que um Propósito maior permeia as vidas de todos nós. Então, o indivíduo se coloca a serviço, empregando a vontade para conduzir a sua vida de acordo com este Propósito maior.

Ano após ano, ciclicamente, no mês de Touro, somos convidados a aproveitar as nossas experiências para obter maior conhecimento e clareza, e avançarmos em direção à vontade consciente.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ciclos de evolução consciente


 Ricardo Georgini


A vida humana, como todas as outras, é parte integrante de uma Vida maior; mas, para a vida humana, a integração nesta Vida maior pode e deve ser consciente, voluntária e inteligente. O ser humano pode aperceber-se da totalidade que ele integra, pode compreender o papel que a sua pequena vida desempenha nesta totalidade e escolher colocar-se a serviço deste todo maior. O propósito essencial da Astrologia é auxiliá-lo a fazer isso.

Na Astrologia Esotérica, todas as formas tangíveis são consideradas como expressões concretas de energias mais sutis. Assim, por trás do corpo físico de cada ser humano, existem aquelas energias emocionais, mentais e espirituais que fazem dele o que ele é. Este seu campo energético individual não está isolado, mas é parte integrante do campo energético unificado da humanidade, e o campo energético da humanidade é parte do campo energético do planeta.

Os campos energéticos dos planetas e das estrelas estão inter-relacionados, e tais relações se dão através de fluxos de energia. A Astrologia é a ciência das relações entre estes grandes Seres ou Vidas conscientes que chamamos de planetas, estrelas e constelações. Estas relações são tão reais e efetivas quanto qualquer relação entre seres humanos. Toda pessoa está continuamente irradiando energias e, assim, emanando aquilo que ela é e aquilo que ela pensa e sente. Deste modo, ela influencia o seu ambiente e aqueles com quem entra em contato. O mesmo acontece com os grandes Seres que chamamos de astros, e assim eles influenciam-se mutuamente e, em consequência, influenciam também os seres menores existentes dentro deles.

As relações entre estas grandes Vidas são bastante estáveis, regulares e cíclicas; são marcadas pelas suas posições espaciais e alinhamentos mútuos, dependendo, portanto, de suas órbitas.. O que a Astrologia estuda, por conseguinte, são as relações ou alinhamentos cíclicos entre a Terra e os demais astros, e quais são as energias que, em consequência, circulam pelo nosso planeta, afetando a humanidade. Deste modo, a Astrologia pode ser entendida como a ciência dos ciclos ou dos fluxos e refluxos cíclicos de energia.

O principal ciclo que influencia a humanidade diz respeito ao alinhamento entre a Terra, o Sol e as constelações zodiacais. (O Zodíaco é como um cinturão de doze constelações ou agrupamentos de estrelas que circundam o Sistema Solar e estão especialmente relacionados com ele). Este ciclo tem duração de um ano e inicia-se no equinócio de primavera no Hemisfério Norte, todo dia 20 de março, quando o Sol se alinha com a primeira constelação ou signo zodiacal: Áries. O Sol permanece alinhado com cada signo por cerca de um mês, e, durante tal período, a energia daquele signo circula abundantemente pelo nosso planeta.

Portanto, cada mês astrológico (que não coincide com os meses do Calendário Gregoriano) é influenciado por um signo do Zodíaco, que lhe dá a sua tônica energética e indica qual tipo de experiências a humanidade tende a ter, qual tipo de aprendizado fica favorecido e qual tipo de ação criativa é naturalmente promovido naquele mês.. Na verdade, o alinhamento mensal entre a Terra, o Sol e uma das constelações zodiacais aponta-nos qual é a qualidade específica que a grande Vida planetária está procurando desenvolver, durante aquele período, através de nós. A Astrologia Esotérica nos ajuda a compreender isso e oferecer a nossa cooperação consciente aos propósitos desta Vida maior.

Nos próximos meses, esta coluna do JORNALZEN abordará cada um dos signos zodiacais, procurando indicar como podemos aproveitar as suas energias para o desenvolvimento da consciência.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sete pensamentos-semente sobre os raios e um breve comentário

Martín Dieser


Uma maneira de compreender melhor os conceitos é através de exemplos, e nisso o estudo dos raios, naturalmente, não é exceção. Basta se ter em conta que a mera análise de casos talvez não seja suficiente para um entendimento pleno do tema; mas, se primeiro refletirmos sobre a finalidade do raio em geral e depois procurarmos ajustá-lo a uma necessidade específica, a situação será diferente, do geral para o particular, tal o método oculto.

O caso que analisaremos se aplica essencialmente aos raios da mente e da personalidade, com algum reflexo da alma. A ideia não é de buscarmos a que raio pertencemos, mas de entendermos bem como funciona cada um, e por meio dele, sim, estaremos no caminho de diferenciar as energias, e assim de poder dizer com mais fundamento porque cremos que tal ou qual raio é parte do propósito da nossa alma. É sempre conveniente assinalar esta abordagem, porque no nosso entender encerra a chave da compreensão do mistério dos raios: primeiro entrar em contacto com a alma e depois então utilizar a mente aplicadamente para as questões pessoais ou outras análises mais amplas, segundo a intenção.

Tal como prometemos, em curto prazo lhes ofereceremos reflexões particulares sobre cada raio. É provável que o esquema abranja o estudo de cada Vida de raio em nível egoico, pessoal, mental, astral e físico, para assim brindar um percurso completo da energia, dos planos superiores aos inferiores, em unidade de sentido e propósito. Outra possibilidade é tratar os raios “horizontalmente”, por exemplo estudar o plano mental e sua função, a qual é levada a cabo por cada um dos raios expressos ali. Isso veremos oportunamente.

No momento, o objetivo é analisar de que maneira a energia de um raio enfrenta e supera uma dificuldade, dando assim um passo a mais na evolução. Simbolicamente falando, suponhamos que no caminho para a realização de um ser este se depara com um muro. Como reagirá cada raio? Vejamos o exposto por sete pensamentos-semente, mais uns breves comentários: 

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Novo serviço: reflexões sobre a carta natal


 
Comunicamos aos nossos leitores que a partir de agora o Grupo Logos realizará um novo serviço, o de oferecer reflexões espirituais sobre as cartas natais de quem o solicitar.

Sem descuidar de tudo o que ainda nos resta meditar e compreender, daqui em diante expandiremos a nossa esfera de ação e brindaremos com uma aplicação dinâmica do que captamos até agora, no intento de vincular nossos conhecimentos de astrologia esotérica com as necessidades espirituais daqueles com os quais estamos em contato internamente através do blog.

Quem estiver interessado em receber uma interpretação deve entrar em contato conosco, em logos.astrologiaesoterica@gmail.com, enviando-nos nome, data, lugar e hora de nascimento. Como parte das reflexões têm a ver com as energias que fluem através do ser (os raios), pedimos que junto aos dados nos façam uma breve descrição de si mesmos, do que acreditam ser mais importante em sua vida. Assim será mais fácil o contacto subjetivo e poderemos lhes oferecer conclusões mais abrangentes.

Nossa intenção é trabalhar em triângulos, e nesse sentido preferiríamos receber propostas de três pessoas de cada vez que estejam trabalhando juntas internamente.

E, dado que temos vários seguidores no blog, aqueles que tiverem se inscrito previamente terão preferência na hora de registrar os pedidos (que, vale esclarecer, serão confidencial e gratuitos). Oportunamente poremos à sua disposição uma lista com a ordem que devemos seguir.

Muito obrigado e que a inspiração nos acompanhe no serviço,

Grupo Logos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Os Sete Raios no indivíduo e a astrologia




 

7 RAIOS

De acordo os ensinamentos esotéricos, os sete raios são a base de toda a manifestação. Em geral pensamos em um sentido objetivo, mas o realmente interessante é fazê-lo de uma ótica interna. Vejamos de que maneira podemos esclarecer sobre o tema.

Antes de tudo é importante ter a reflexão de que os raios são Vidas e, em consequência, quando os estudamos não estamos frente a um conhecimento morto, mas frente a Propósitos em ação. Cada raio tem um sentido, um impulso que se desenvolve e imprime sua nota em cada aspecto de sua manifestação; um raio se expressa em cada nível de consciência ou plano para cumprir um determinado fim: seu objetivo de raio, o qual se entrelaçará inevitavelmente com a finalidade de raio das suas Vidas irmãs, sob o impulso causal de uma entidade ainda superior que usa todos como agentes.

Esotericamente, afirma-se que isto é válido desde as partículas subatômicas e o diminuto átomo, passando pelo homem e sua alma, até um planeta e seu sistema solar, ou este e as grandes constelações. Em todos os casos será possível rastrear energia em ação, uma energia que cumprirá um propósito e que, conforme se avança na abstração, se revelará como uma parte de outra corrente de consciência ainda mais ampla, mas sempre com um sentido próximo ao nosso coração, pois de uma maneira misteriosa formamos parte dele.

Pode-se dizer que essas energias seguem um padrão de desenvolvimento inteligente, e essa forma de expressão é a astrologia esotérica, que descreve como tais energias se manifestam no tempo. Ambos os aspectos possuem uma estreita relação e, antes de levantar uma carta natal, seria muito útil saber a que raios pertence a pessoa, sendo este conhecimento preliminar para uma boa interpretação. Desse processo de descobrimento nos ocuparemos a seguir aqui, em general, e oportunamente com detalhes sobre cada um dos sete raios.

sábado, 27 de março de 2010

Áries, ou Carneiro

--> Por Ricardo Georgini



Áries, ou Carneiro, é o primeiro signo do Zodíaco e, como tal, está relacionado a inícios e ao processo de criação. Este ano, de 20 de março a 19 de abril, o Sol estará alinhado com Áries, e as energias deste signo circularão abundantemente pela nossa Vida planetária. Durante este período, temos a oportunidade de compreender melhor como a Vida cria e nos descobrirmos co-criadores com a Vida.

A energia de Áries promove a vontade de viver e de realizar. É a fonte do impulso criativo e do ímpeto para a ação. Normalmente, expressamos esta energia como intensa atividade no mundo, mas podemos expressá-la também de modo mais refinado e sutil, como pensamento vivo e criativo.

Em Áries, é fundamental compreender o papel do pensamento no processo de criação. É o pensamento — esclarecido, compreensivo e imaginativo — que fecunda a ação externa com força criativa. A mera ação mecânica, irrefletida, não pode criar nada, e muda apenas a aparência das coisas. Portanto, se queremos recriar as nossas vidas e recriar o mundo, temos que descobrir e empregar o poder criativo da mente.

Tudo é criado através do pensamento. O universo inteiro foi criado pelo pensamento do Criador. E cada um de nós, humanos, criadores em nossas próprias vidas, criamos as nossas condições, relacionamentos e circunstâncias através de nossos pensamentos cotidianos. Quando conquistarmos uma compreensão dos nossos processos mentais e a capacidade de dirigi-los conscientemente, poderemos conduzir as nossas próprias vidas com sabedoria e liberdade. Por isso é tão valiosa a prática da meditação, que treina a mente para focar-se no que quer que escolhamos.

Além disso, o treinamento em meditação conduz, finalmente, a uma profundidade de pensamento que permite apreender ideias eternas e universais, tais como: o amor, a liberdade, a beleza, a coragem, etc. Entretanto, há uma distinção fundamental entre ideias e palavras. Palavras são apenas símbolos que representam ideias. Entender o sentido de uma palavra ainda não é compreender a ideia que ela representa. As palavras servem como pistas, para que a mente, indo em busca do significado mais profundo, possa chegar até as ideias. Ideias são sempre plenas de vida e energia, sempre criativas e transformadoras. Uma ideia, quando compreendida, sempre transforma a percepção do indivíduo, conduzindo inevitavelmente à transformação também de sua vida.

Na verdade, as ideias são os pensamentos criados pela Mente Universal, o Criador. Quando a mente humana consegue captar uma ideia, ela pode cooperar com a Mente Universal em seu processo criativo e contribuir para trazer tal ideia à concretização. A principal ideia que a Mente Universal está procurando materializar na atualidade é a de fraternidade mundial. Isto significará, entre outras coisas, uma distribuição mais equilibrada dos recursos do planeta, a convivência pacífica entre os diversos povos e culturas, a cooperação entre as nações pelo bem-estar humano. 

Uma nova ordem mundial está em criação. E a cada ano, durante o mês em que o Sol se alinha com Áries, temos uma oportunidade especial de captar as novas ideias que nos permitirão criar este novo mundo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Peixes e o oficio de salvar


Por Martín Dieser


Peixes

Uma palavra que define muito bem a qualidade expressa por Peixes é “salvação”. A mesma se encontra intimamente vinculada à frase esotérica que descreve o caminho ascendente do signo: “Retorno à Casa do Pai e, retornando, salvo”. Vemos ali dois pensamentos entrelaçados, como os dois peixes que simbolizam a energia pisciana: por um lado o caminho para o superior e, por outro, o apego ao inferior, este último transmutando-se oportunamente em magnetismo espiritual e atraindo para a meta comum aqueles que se encontram ligados carmicamente ao Salvador, seja este um discípulo, um iniciado ou a humanidade toda que se reorienta para a luz.

Peixes tem um vínculo muito particular com o 1º raio de Vontade ou Poder, também chamado de raio de síntese. Em certo sentido, a salvação pode ser entendida como um processo de síntese, sempre considerada em função de um interesse oniabarcante, e daí que o raio superior expresso através de Peixes seja o 2º de Amor-Sabedoria. Neste caso, o 2º raio seria a totalidade e o 1º o meio através do qual essa totalidade se transforma em uma verdade consciente.

Para realizar essa tarefa de salvação, primeiro é preciso fomentar a aspiração para o superior, e por isso Netuno rege Peixes em nível exotérico. No entanto, poderíamos dizer que, pelo menos nas últimas etapas, o 1º raio é imprescindível, dado que provê a energia do signo de um mecanismo liberador. Essa função instrumental se encontra simbolizada na presença de Plutão, um planeta de 1º raio que é regente hierárquico e esotérico do signo, quer dizer, que opera como forma de expressão nos planos mais elevados.

Tenhamos em mente então este vínculo entre a salvação espiritualmente compreendida e Peixes, em especial quando esse signo ocupa um lugar proeminente no horóscopo que esteja sob consideração. De uma maneira ou de outra, Peixes resgata, eleva e salva, embora, naturalmente, o desenvolvimento espiritual do ser em questão tenha muito a ver com a qualidade desse serviço.

Cabe lembrar aqui a inter-relação com os demais signos, já que ciclicamente a pessoa experimenta um ou outro, de maneira que o Plano vai se desenvolvendo em etapas graduais e de acordo a Lei de Causa e Efeito. No caso de Peixes temos um link a mais nessa cadeia: todo Salvador possui um campo de ação, e tanto sua amplitude como sua pureza e efetividade serão determinados pela sabedoria adquirida através dos signos restantes; Peixes aportará o seu e, sobretudo, encerrará um ciclo, com efeitos que vão desde o estritamente pessoal até a influência planetária causada pelo retorno à casa do Pai por parte dos Grandes Seres. Por isso o Tibetano o denomina de um signo de culminação.

De todo modo, o processo, para além da sua profundidade, poderia ser visto como similar, já que sempre a grande chave que abre as portas da liberação está no coração. É a compreensão da meta à qual se aspira, a profunda consciência do sentido subjacente em nossos vínculos com o ambiente que nos cerca e novamente a renovada visão do lugar de onde se origina tudo, para onde sabemos que nos levará todo o esforço realizado. Isso explica um tanto mais porque o 2º raio se expressa mediante este signo.

Nesse sentido, todo ato de amor, de compreensão, é uma pequena salvação, que culmina quando entendemos perfeitamente o seu sentido, e para chegar a tal realização é necessário realizar uma síntese e extrair a qualidade, resgatar a matéria iluminada para tê-la em serena expectativa junto a nós.





Para tal fim, Plutão exerce a sua parte, porque provê o mecanismo através do qual é possível “comprimir um significado em uma espiral decrescente, fazer dela um ponto e liberar a essência pelo ápice”. Este ato de síntese final acarreta a morte que, como se infere aqui e segundo sustenta o esoterismo, não é senão a revelação na vida e o nascimento para vivências superiores.

É por isso que se diz que Peixes é um dos signos da morte, precisamente porque conduz através do amor até a fusão plena e, por fim, ao esgotamento da missão que tinha aquela forma. Para conferir essa morte, temos o regente de 1º raio, Plutão. Desse modo é provável que ali tenhamos revelada uma dimensão do estreito vínculo existente entre os Choans do 1º e 2º raio, expressa pelo menos simbolicamente na afirmação de que um tem a sua casa perto da casa do outro.

Essa forte presença da energia ou força de atração nos dá também uma pauta dos efeitos produzidos por Peixes na vida da personalidade. De fato, recordemos o aporte e o processo de aquisição de qualidades que vai se dando nos restantes signos de Zodíaco, e sobretudo tenhamos em conta que assim como a grande função de Peixes é unir, abstrair e salvar, isto poderá se manifestar com diferentes graus de êxito, segundo a polarização seja astral, mental ou búdica. O efeito será sempre dissolvente e essencialmente magnético, embora a atração possa ocorrer no plano astral, ou mental ou búdico, segundo o caso, sugerindo que o oficio de Salvador tem muitas arestas e pode ser entendido sempre à vista de uma escada da perfeição, em um sentido misterioso, com o Salvador “por cima” englobando seus irmãos de baixo. A mente é fundamental neste processo, no que diz respeito à humanidade, mas o seu desenvolvimento viria mais da influência de outros signos. Em troca poderíamos entender Peixes como um promotor da passagem gradual da mente intelectual à intuitiva.

Digamos, finalmente, que essa noção de atração, compreensão, síntese e morte nos fala da compaixão e da fraternidade, da paciência e também da aceitação do Propósito, pois podemos entender como, em distintas escalas, espera-se a que “o último cansado peregrino chegue ao Lar”; essa espera não é cega nem emocional, mas nasce de uma profunda sabedoria e do perfeito conhecimento do Plano por parte de Aqueles que inspiram a humanidade a ser mais inclusiva e a salvar os reinos da natureza pelos quais é responsável, salvando-se assim a si mesma.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vidas Dentro de Vidas




Todo ser é parte integrante de um ser maior, que por sua vez é parte integrante de um ser ainda maior.

Um ser humano é parte da humanidade; a humanidade é parte do planeta Terra; a Terra, do Sistema Solar; e este, do Cosmo. Este é um dos fundamentos da Astrologia — um conceito bastante simples, mas com implicações tão amplas e profundas que a sua compreensão pode levar-nos a penetrar no próprio mistério da vida.

Infelizmente, aquilo que popularmente é conhecido como Astrologia acha-se muito desvirtuado e afastado do seu propósito original. No imaginário das pessoas, a Astrologia está associada a previsões deterministas sobre questões relativamente efêmeras. E mesmo os astrólogos mais sérios, geralmente, mantêm um enfoque nos indivíduos e nas suas histórias individuais. Contudo, a Astrologia deveria convidar o indivíduo a abrir-se para a totalidade da qual é parte, e não mantê-lo interessado exclusivamente em si mesmo. Por isso esta coluna se chama “Astrologia da Alma”, propondo um enfoque no autoconhecimento e na autotransformação, na expansão da consciência, no serviço altruísta e na integração do indivíduo dentro do todo maior. Esta abordagem também é chamada de Astrologia Esotérica, mas é preciso esclarecer o que é Esoterismo.

Esoterismo não tem nada a ver com qualquer tipo de superstição ou credulidade. Muito pelo contrário. O Esoterismo é uma ciência que estuda as energias sutis que se encontram “por trás” ou “no interior” de todas as formas tangíveis e visíveis. Tais energias sutis e internas são a causa oculta da existência das formas, e também o seu fator condicionante. A ciência convencional já nos revelou o fato de que tudo é energia, de um ou de outro modo. Este jornal é um agregado de energia, o corpo humano é um agregado de energias. A ciência esotérica postula a existência de energias muitíssimo mais sutis do que as reconhecidas pela ciência comum — energias que podem ser classificadas como energias emocionais, energias mentais e energias espirituais. Assim, as emoções que sentimos e os pensamentos que formulamos são a maneira como experimentamos essas energias emocionais e mentais. E a alma humana é um núcleo ou centro de energia espiritual.

Na Astrologia Esotérica, os astros são considerados como corpos de energias — energias físicas, emocionais, mentais e espirituais. Assim, tal como por trás de um corpo humano, encontram-se aquelas energias emocionais, mentais e espirituais que fazem daquele indivíduo um ser consciente, também por trás do corpo tangível do nosso planeta, existem aquelas energias sutis que o caracterizam como uma grandiosa Consciência, Entidade ou Vida. No interior desta enorme Vida Consciente, todos existimos, como células no interior de um organismo. Mas disto não nos apercebemos normalmente, e permanecemos como formigas andando sobre um elefante, incapazes de distingui-lo de uma rocha inanimada.

Portanto, planetas, estrelas e constelações são grandes Entidades ou Vidas Conscientes. Estas Vidas interagem e influenciam-se mutuamente, e assim afetam as vidas menores existentes dentro delas. A Astrologia é a ciência das relações — relações entre essas excelsas Vidas, e relações das pequenas vidas humanas com estas Vidas maiores.

O tema fundamental da Astrologia é a integração consciente do ser humano na totalidade da qual ele é parte, é a sua participação inteligente como uma pequena vida no interior de Vidas maiores.

Ricardo Georgini