sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Capricórnio: A iniciação da humanidade


Ricardo Georgini

Capricórnio é um signo de realização. Sua energia estimula o triunfo do espírito humano sobre todas as condições limitantes e circunstâncias adversas. Promove o pleno desabrochar de todo o potencial humano, prevalecendo sobre tudo o que pudesse abafá-lo ou aprisioná-lo. De 21 de dezembro deste ano a 19 de janeiro de 2011, as energias capricornianas ficarão especialmente ativas, convidando-nos a renovar nossos esforços para manifestar as nossas mais elevadas possibilidades.
Este décimo signo do Zodíaco representa a apoteose do humano. Capricórnio demonstra a capacidade humana de abrir caminho, fazer o seu destino, aproveitar as oportunidades, superar as dificuldades, transformar-se, recriar-se e persistir na direção de seu objetivo. É um signo de extremos, e produz ou o pior ou o melhor tipo de ser humano. As qualidades capricornianas podem expressar-se como mentalidade estritamente materialista, egoísmo exacerbado e fervorosa ambição por sucesso mundano. Ou como sabedoria, abnegação e consagração à evolução espiritual.
A realização é possível em Capricórnio devido ao grande dom deste signo: a disciplina. É o que faz a diferença e propicia a conquista, material ou espiritual. Envolve senso de prioridades, emprego de método e técnica apropriados, empenho constante, economia de tempo e de recursos, renúncia e capacidade de sacrificar o menor em favor do maior. Tantas vezes, os nossos propósitos maiores se perdem, ofuscados por questões menores e trivialidades. A disciplina nos permite colocar cada coisa em seu devido lugar e proporção, de modo que o menor não compita com o maior, mas seja, verdadeiramente, um degrau em sua direção.
Quando a disciplina é aplicada ao desenvolvimento espiritual, conduz finalmente ao que é chamado de iniciação. Uma iniciação é uma grande expansão de consciência, que marca um passo significativo no Caminho Espiritual. Cada iniciação produz uma maior medida de integração interna, psicológica. Como consequência, ocorre uma maior integração externa, com a humanidade, e o indivíduo se coloca mais e mais a serviço da coletividade. Cada iniciação é a entrada em um novo ciclo de experiência, desenvolvimento e serviço.
O processo de iniciação envolve um período de crise. Acontece quando o indivíduo chega a um ponto, em seu desenvolvimento, em que consegue esgotar todos os seus recursos disponíveis, tendo tirado o máximo proveito deles. Só então ele precisa de mais; só então ele merece mais. Nesse ponto, o indivíduo se confronta conscientemente com problemas que, por ora, ele não tem como resolver; ele dá o seu melhor, faz tudo o que está ao seu alcance, e no entanto, não é suficiente. Tal condição de impasse e crise é justamente o solo propício para o poder latente no indivíduo germinar. A crise invoca o espírito humano e extrai dele novas capacidades, antes dormentes. Este despertar do poder interno é a iniciação.
Atualmente, toda a humanidade está passando por um processo global de iniciação. A generalizada crise mundial (social, política, econômica, religiosa e científica) indica que estamos prontos para um extraordinário passo adiante. Muitos dos problemas que confrontam a humanidade estão além da sua capacidade atual de solução, e por isto mesmo, estão fazendo despertar o seu potencial mais profundo. A iniciação da humanidade é iminente, e produzirá uma maior integração interna — entre seus diversos povos — e externa — com as outras formas de vida no planeta. Quando menos pensarmos, a humanidade nos surpreenderá com um desabrochar de sabedoria e amor que muitos de nós nem sequer imaginávamos.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sagitário, a busca do Propósito


Martín Dieser
Durante todo o período regido por este grande signo, mas especialmente até o plenilúnio, é importante refletir sobre as qualidades internas reveladas em Sagitário, o que nos permitirá afinar nossa consciência à sua vibração e aproveitar melhor a oportunidade energética que nos oferece.
Na atualidade é um signo chave para a humanidade; as Guerras Mundiais foram símbolo da realidade em Escorpião, e embora não se deva descartar um novo conflito global, tal signo cumpriu seu papel, porque em grande medida já existe consciência acerca dos problemas mundiais, sejam sobre a guerra, as mudanças climáticas, a crise financeira, a liberdade de expressão, etc. Sabe-se, em linhas gerais, o que se deveria fazer, e isso é resultado de Escorpião; a escolha é sempre interna, assim como a atuação efetiva em prol do percebido.
Como nenhum outro, Sagitário é o signo das viagens, das buscas; é o tipo de energia que se move na direção do percebido fora, e por isso se complementa com Gêmeos, que é precisamente o que dá origem a essa dualidade. Sempre que Sagitário está ativo em uma carta natal, existe uma meta previamente captada no coração do ser, seja a satisfação do desejo em níveis mundanos (simbolizado pelo Centauro) ou a aspiração para objetivos amplos e espirituais (o arqueiro sobre o cavalo branco).
Isto é mais acentuado quando Sagitário ocupa o Ascendente, já que o Sol se refere mais ao já adquirido; em todo caso, dentro da forma há uma meta superior e este signo leva primeiro a empreender a viagem, para depois caminhar até o grande objetivo, que espiritualmente é a expansão de consciência para a qual estamos nos preparando segundo nossa evolução. Ser sensível às energias sagitarianas é ser sensível a um objetivo, objetivo espiritual neste caso.
Vinculado ao tema dos raios, pode-se pensar que quando o 1º ou 6º Raios se encontram ativos em Sagitário, a tarefa possivelmente seja buscar um novo objetivo, e tenderia mais a ver com seu desenvolvimento nos casos restantes, denotando talvez um trabalho já empreendido em encarnações anteriores.
Em todo caso, afirma-se que o signo do Arqueiro rege o Caminho do Discipulado, e é interessante considerar porquê. Antes de tudo, discípulo é aquele que consagrou sua vida ao espiritual (entendendo-se o termo em sentido amplo), à verdade interna do seu coração. Não se trata de uma condição que possa ser dita superficialmente, mas de um compromisso para o superior, meta que em princípio não é claramente discernida, mas que conforme se cumprem os requisitos prescritos pela consciência vai emergindo como um silencioso e invisível farol que sempre guia pelo caminho correto.
Como se dizia antes, trata-se de uma analogia superior da dualidade gerada em Gêmeos, e leva dentro de si a alma querendo se exteriorizar no mundo e demonstrar no plano físico a Verdade da sua Presença. Esta ênfase pode ser a causa de que assim como Júpiter rege o signo exotericamente (nos planos físico, emocional e mental), permitindo manifestar amor à matéria mesclado com amor espiritual, é a Terra seu regente esotérico (em nível da alma), indicando que para a alma a ascensão enfocada da personalidade é uma descida para ela.
Uma vez que se entre em contacto com o Eu Superior, a batalha simbolizada por Escorpião está ganha e se entra sob a influência de Sagitário; o desafio agora é seguir adiante, “lançar as flechas e recolher o conquistado”; gerar pensamentos e emoções e consumi-los no vazio da compreensão amorosa; cada ato de compreensão é uma pequena chegada à meta, cujo subida final se produz sob Capricórnio. Gradual, mas lucidamente, vai se fazendo (como personalidade) o esforço de abrir caminho para si até essa luz, e a consciência vai se infundindo de maior clareza.
A certa altura, Sagitário já não serve à personalidade que desperta para a vida espiritual, nem ao discipulado consciente que se dirige para a meta, mas ao discípulo ativo que deve descer da Cruz Fixa para ascender à Cardinal ou, em outras palavras, deixar de ser a alma e começar a buscar o contato com a Mônada.
Isto tem uma analogia na consciência, que poderia ser descrita da seguinte maneira: a luz plena conduz a uma suave mutação na natureza mental; o processo do pensar continua, mas gradualmente começa a ficar sob o umbral da consciência; antes que pensar, se sabe, o qual reduz notavelmente o tempo de muitos processos emocionais e mentais, abrangendo tudo em um estado de compreensivo equilíbrio que lentamente vai se revelando como silenciosa mas angustiosamente insuficiente, não pleno. É evidente que ali as “flechas” de Sagitário já não cumprem a sua função original, mas em um sentido misterioso pode-se rastrear aqui a função do signo e assim usar suas energias inteligentemente.
É que a busca espiritual não cessa: longe da meta, começa-se a perceber a luz como insuficiente, se a reconhece como abrangente e vinculante, mas ao mesmo tempo com sutis limites em seu poder, que não é total; conhece-se parte do Plano (a que carmicamente corresponda) mas se anseia ser Uno com o Propósito que lhe dá impulso e do qual o Plano é a formulação. Em outras palavras, Shamballa passa a ser a meta.
No entanto, é uma busca peculiar, não na dualidade, mas na unidade; é a busca “de uma unidade menor a uma unidade maior”, de um todo menor a um todo maior, com o qual existe ressonância na vibração e assim uma via direta para o descenso da Vida; é reduzir o Todo a um ponto através da atração compreensiva. Por isso, se poderia dizer que neste nível todas as flechas se reduzem a uma, a flecha da identificação, e todos os caminhos a um, o caminho do coração, que é a grande porta de entrada para Shamballa.
Qual é a grande meta (interna, não materializável) a que nos dirigimos em nossa vida? O quanto estamos percorrendo o Caminho fiel e decididamente? O período regido por Sagitário é especialmente propício para esclarecer estas questões, para dar passo após passo em prol dessa meta a que ansiamos chegar, e acabar descobrindo que sempre fomos a própria Vida que se buscava a si mesma.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sagitário

Joanna García

Cordiais saudações
Depois de umas energias muito carregadas vividas durante os dias de Escorpião, a pressão transmutadora nos levou a uma viagem às vezes forçada para o nosso interior. A busca de novas verdades e a morte simbólica de processos mentais e emocionais, se fizeram inevitável.
Todos esses processos aliviaram possivelmente mais de cremos a nossa equipagem, preparando-nos para receber a mensagem e a energia de um dos Signos mais belos e livres do Zodíaco;  Sagitário.
Júpiter volta a se encontrar em um terreno em que se sente sereno, renovado depois da "movida” interior de Escorpião e agora é possível observar se algo em nosso interior é detonado desde  Sagitário e seu Signo complementar, Gêmeos.
Dois são os importantes significados que se produzem e, embora em diferentes dimensões, oferecem uma mesma oportunidade e responsabilidade.
A importância e a qualidade da palavra, da linguagem que empregamos ao falar e especialmente, ao pensar, já que é essa a forma em que intimamente permitimos que a alma se comunique conosco.
O dom da mente é um de os maiores dons que possui o reino Humano, sendo também uma das suas maiores responsabilidades.
Dos Trabalhos de Hércules, outorga-se uma tremenda importância ao insuportável ruído com os que determinados pássaros atormentavam até a loucura as pessoas do povoado.
Esse mesmo tormento é o que o pensamento incontrolado, as dúvidas, críticas,  temores e emoções, são emitidos pela personalidade e afastam a nosso autêntico Ser.
Júpiter representa toda a estrutura humanística e filosófica que conseguimos ciclo após ciclo, expressando-se através da necessidade da comunicação com outros seres.
A sétima Casa desde Sagitário é sempre Gêmeos, pelo qual nosso centro laríngeo está mais preparado que em outros momentos do ano para a palavra, bendito dom que nos diferencia de qualquer outro reino da natureza.
Qualquer pessoa que compreenda a importância da comunicação, sente alegria quando chega o mês de Sagitário.
Disse Parvathi Kumar: "Sagitário é o melhor dia de todo o Ano Solar para a iniciação".
Com maior ou menor tino, estamos todos no caminho da busca espiritual e é este um mês para não deixar de aproveitar um só dia. "Júpiter está em seu lar".
Cada uma das Doze Casas tem um especial interesse em nossa vida, todas elas são partes essenciais do nosso interior e de nossas vivências exteriores, mas talvez a Casa Nove possa nos mostrar a ampla avenida por onde fluem as mensagens da Alma.
É a Casa da Alma; nela encontramos nossos desejos de autenticidade, de alegria de viver tanto o cotidiano, como o que consideramos especial.
É esse um dos motivos deste mês ser tão especial. Em todos nós está vibrante uma Casa Nove sob o Signo que for, mas com a energia subjacente de Sagitário. No tema de todos, está situado Júpiter e desde a Casa onde emite sua forte energia, está falando de Casa Nove e de Sagitário.
É um momento magnífico para observar se esse Planeta sobre cuja energia “Deus se apóia”, tal como diz o Mestre Tibetano, apresenta por nascimento algum conflito. Meditando nele, intuiremos como equilibrá-lo. Os trânsitos que desde o firmamento afetam os componentes mencionados, nos ajudam ao que desde há eões decidimos: alcançar a perfeição.
O Fogo de Sagitário e o Ar de Gêmeos, são um amável gesto para uma maior oportunidade de comunicação em todos os âmbitos da nossa vida.
Leituras, livros, editoriais, projetos para plasmar em um livro, as inquietudes que a Alma emite… todo isso adquire maior poder neste mês.
As Luas em Sagitário, ainda não sendo seu Elemento idôneo, têm uma grande profundidade, um forte amor pelo ensinamento e facilidade para traspassar o que se sente no interior.
Um abraço cordial neste belo mês que começa.
Desde o coração,
Joana

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sagitário: Viver de propósito

Ricardo Georgini

O signo de Sagitário confere senso de propósito e de direção na vida. Estimula o idealismo, o pensamento reflexivo profundo, a visão abrangente e a intuição. No mês de Sagitário (este ano entre 22 de novembro e 21 de dezembro), somos incentivados a refletir sobre qual é o propósito da vida, qual é o nosso propósito de vida e quanto estamos vivendo por este propósito.
A vida humana pode ter um sentido maior, e de certo modo, sempre tem, ainda que não percebamos. Mas muitas vezes, a vida do ser humano é como uma caminhada sem rumo. A pessoa vai vivendo sem saber aonde chegará, ou até sem se importar. Simplesmente segue vivendo, procurando garantir sua subsistência, respeitando as convenções sociais e buscando prazer, de uma ou de outra forma. As circunstâncias e os acontecimentos acabam determinando para onde a pessoa irá e o que a sua vida se tornará. Outras vezes, até temos algum objetivo na vida e fazemos esforços em sua direção, mas permitimos nos distrair com outras coisas e deixamos o tempo passar, enquanto permanecemos inertes. A influência de Sagitário nos ajuda a manter a visão da nossa meta final, e ajuda a ver também qual é o passo imediato para um dia chegar lá, e ajuda ainda a dar este passo agora.
Isto é possível porque Sagitário estimula poderosamente a mente humana. Ela nos permite estabelecer prioridades, e distinguir o que é realmente necessário e o que é dispensável, e distinguir também o que podemos transformar e o que devemos simplesmente aceitar. Ela permite-nos elaborar planos e conduzir a sua realização com flexibilidade, fazendo as necessárias adaptações. Permite-nos organizar o nosso tempo, organizar o nosso dinheiro, e todos os demais recursos à nossa disposição.
Comumente, a causa de nossos fracassos é a distração de nossa atenção e a dispersão de nossas forças. Sagitário promove a capacidade de foco. Quando conseguimos seguir adiante em nosso caminho sem nos deter pelas preocupações, incertezas e ansiedades; quando conseguimos nos liberar de tantas pequenas distrações e manter o nosso foco, sem desvios, na meta; quando conseguimos concentrar as nossas forças, habilidades e recursos e aplicá-los ao nosso objetivo — então, podemos realizar quase qualquer coisa e alcançar mesmo o que parecia impossível.
A mente humana pode dirigir o seu olhar para baixo ou para o alto. Ao voltar-se para baixo, a mente vê o corpo, com suas necessidades, instintos e apetites; vê as relações sociais e as circunstâncias do mundo. Um objetivo de vida que surja apenas desta visão será, naturalmente, materialista e egoísta. Isto é ambição. Mas ao orientar-se para o alto, a mente pode vislumbrar as ideias eternas e universais. Um objetivo de vida baseado nesta visão será, naturalmente, espiritualista e altruísta. Isto é idealismo. Uma vida sem qualquer ambição é uma vida aparentemente sem sentido, mas uma vida movida apenas por ambição é ainda uma vida com sentido pobre e superficial. Uma vida de idealismo inclui tudo aquilo que torna a vida humana rica e plena. Então, viver deixa de ser apenas subsistir e reproduzir as tradições herdadas; torna-se uma experiência criativa e cultural.
A energia de Sagitário estimula especialmente as faculdades superiores da mente, que possibilitam-nos buscar o bem, a verdade e a beleza; possibilitam-nos produzir cultura, filosofia, arte, religião, ciência; possibilitam-nos compreender o sentido maior da vida e viver para manifestar este propósito maior.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sábado, 6 de novembro de 2010

Escorpião: firmar-se e lutar

Martín Dieser
A reflexão acerca do significado interno, subjetivo do signo de Escorpião pode se  iluminar se levarmos em conta o papel dos dois signos anteriores, os quais, segundo a chave psicológica que vimos utilizando, ocupariam no desenvolvimento da consciência um “momento” sutilmente prévio.
Em Virgem, o ser imbuído na matéria toma contato com a alma, a luz interna que o atrai magneticamente e o impulsiona à discriminação em busca do essencial, atividade típica do signo. Por sua vez, Libra estabiliza o que foi indagado e abre as portas para a reversão do movimento evolutivo, outorgando silêncio e uma base oculta, “substância”, “ar”, a todo esforço posterior.
Em Escorpião tudo isso é posto à prova; é a energia que faz conhecer o “inferno”, que põe à luz do dia tudo o que impede e obstrui e, assim, obriga a tomar uma decisão, que não pode ser outra senão lutar e demonstrar que a alma prevalece. Luta-se para afirmar a consciência, o que se percebe como superior, e neste processo a alma se revela cada vez mais no plano físico.
Esta expansão do fio da consciência no plano físico é de grande utilidade na vida interna, porque o triunfo é enlaçado não à luta, mas à proximidade da alma. Através do esforço nos três mundos, só o que se alcança é gerar um vazio dinâmico, uma invocação para que a alma se faça presente e inunde com sua Presença o campo de batalha da consciência, trazendo por sua própria elevação a cessação do conflito.
Em tudo isto Marte, que é o regente esotérico do signo, exerce um papel ativo; como já dissemos antes, a colocação atual de Plutão (planeta do 1º Raio de Vontade ou Poder) como regente convencional pode responder ao que o comum da humanidade já está sensível, a determinado grau de Vontade Divina, algo nunca antes experimentado. Graças a Plutão expulsa-se todo o indesejável; é um planeta de morte e destruição, agente da necessidade por parte do ser superior de alcançar uma expressão mais plena em nível mental, emocional e físico.
Marte é um planeta do 6º Raio de Devoção e Idealismo e está muito vinculado ao plano emocional; por ser “não sagrado”, seu efeito se faz sentir na matéria e não na consciência. Marte ativa a natureza inferior, coloca-a bem à mão do ser, que poderá se esquivar da batalha (é sempre uma decisão própria), mas jamais da consciência do que deve ser submetido. Isto fala de uma interessante oportunidade para o progresso interno e maior irradiação externa. No entanto, estamos dispostos a pagar o preço, a lutar?
E nos leva à relação com Touro, o oposto complementar. Este signo é regido internamente por Vulcano, outro planeta de 1º Raio, mas ao ser sagrado seu efeito tem a ver com a extensão da vontade desde a Mônada para o menos elevado da alma, de onde se pode tomar contato. Não se triunfa somente com este desejo, mas também com Vontade, e a vontade demanda antes de tudo compreensão, abertura e visão, elementos brindados por Touro.
Curiosamente, Escorpião se vincula com ele através das sucessivas “derrotas”; a superação raramente é linear, caracteriza-se por ciclos e frequentes quedas, que obrigam a começar de novo, quando nos valemos da humildade aprendida em Virgem. Cabem aqui duas citações: em primeiro lugar, Vicente Beltrán Anglada dizia que “o iniciado é um guerreiro coberto de cicatrizes”, o que nos fala claramente da inevitável passagem pelo estado de consciência de Escorpião, em que a própria alma nos coloca em uma situação de exigência, a fim de que evoquemos o mais elevado e comprovemos, a nós próprios, a Inevitabilidade do triunfo do Plano.
Por outro lado temos a frase de Napoleão Bonaparte, que tinha Escorpião como Ascendente (marcando o caminho da sua alma), e que disse: “o importante não é vencer, mas nunca se dar por vencido”. Esta conexão interna que garante a imortalidade, o dinamismo, a perene presença da alma, a própria Vida, é a que, mediante Escorpião, é vertida na consciência diurna, dotando o discípulo de uma ferramenta muito importante para o avanço espiritual. A recordação da experiência em Escorpião, ou a vivência direta, se está no Sol ou no Ascendente, é o que, de maneira potente ou silenciosa, possibilita “inclinar a balança” em momentos críticos, com plena confiança no êxito, com uma autoridade muito peculiar que emana da experiência própria.
É necessário se lançar à batalha com todas as armas que se têm, toda a aspiração e toda a vontade, sem se esquecer de que a chave está no triunfo não da personalidade, mas da alma, que se revela a si mesma através do amor e da compreensão subjacentes a todo esforço.
De alguma maneira se poderia dizer que tudo o que façamos em um nível não será senão um meio para liberar o campo e abrir um vórtice que permita a rápida irrupção da alma, pondo subitamente fim à atividade nos três mundos através da união. Isto tem uma dimensão teórica, mas fundamentalmente uma dimensão prática e psicológica: superar a “luta” nascida da separatividade, a consciência fragmentada, e ganhar o céu por direito próprio, aproximando-se do próprio centro de sabedoria que amorosamente situa-se no centro do tempo no presente.
Trata-se de uma reunião com o mais elevado de nós mesmos, através do esforço na matéria; por isso O Tibetano diz que Marte rege os cinco sentidos; se lembrarmos que é regente do signo, compreenderemos como, através da atividade nos planos mundanos, se irá levando ao limite essa identificação, para depois se tomar consciência de que o que se acreditava correto é um obstáculo para uma percepção mais direta, e despedir com o 1º Raio proveniente de Plutão e Vulcano. Ali se produz uma transformação, processo que, como se sabe na astrologia convencional, é regido por Escorpião.
Em suma, é um signo que nos ensina não tanto a lutar, mas sim a estar absolutamente dispostos a fazê-lo; é a verdadeira Jihad islâmica, a luta interna contra o inferior dentro de si mesmo. Estar dispostos a pagar o preço, a renunciar ao conhecido, é o grande desafio que nos propõe este período, e a recompensa por “surgir vitorioso da batalha” (tal o lema esotérico) é o sincero desdobramento de uma energia de realização maior em todas as dimensões da consciência, da mais grosseira à mais elevada.

sábado, 23 de outubro de 2010

Escorpião: Triunfo inevitável

Ricardo Georgini


Escorpião é o signo dos desafios e provas, dos conflitos e lutas, e acima de tudo, do triunfo. A energia de Escorpião assegura e promove a vitória do bem — dentro de cada ser humano. Tais energias estarão intensamente ativas de 23 de outubro a 21 de novembro deste ano, encorajando-nos a enfrentar as lutas e provas necessárias para o bem triunfar em nós e através de nós.
Um dos principais dons de Escorpião é a coragem. A palavra “coragem” deriva de “coração”, e coração significa centro. Geralmente, associamos coração com sentimentos, emoções, paixões, sonhos, aspirações; e realmente, o mais comum é centrarmos nossas vidas nisso tudo. Mas o verdadeiro e mais profundo centro do nosso ser é outro. Está além de todas as nossas experiências físicas, emocionais e mentais. Tem a ver com valores e princípios, ou seja, com o amor, a sabedoria, a verdade, a beleza, a justiça, a alegria, etc. Ter coragem é ser capaz de permanecer no próprio centro ao enfrentar os desafios e lutas da vida; é apoiar-se em valores e princípios.
Costumamos dar um sentido excessivamente pessoal aos confrontos da vida. Vemos apenas as personalidades, e não aquilo que elas representam. Pensamos em termos de conflito entre pessoas, entre grupos, classes sociais, nações. Mas poderíamos perceber que, por trás disso tudo, há simplesmente um confronto de ideias, de valores e princípios. Assim, poderíamos manter os conflitos livres de toda a carga dos nossos afetos e desafetos, nossas paixões, ambições, medos, raiva, que apenas distorcem a questão e desviam a nossa atenção do que realmente está em jogo.
Todo conflito é, na verdade, uma oportunidade de interação, aprendizado mútuo, transformação e busca do bem maior. Não se trata de competição, de uns vencerem e outros perderem. Trata-se de os valores e princípios mais amplos e profundos prevalecerem. Quando isto acontece, todos vencem, mesmo aqueles que representavam os valores e princípios menores.
A vitória do bem sempre está garantida, desde que a verdadeira batalha seja travada. Ela acontece dentro de cada ser humano. A questão é permanecermos em nosso próprio centro, identificados com o bem maior, e não com os efêmeros e ilusórios benefícios ou malefícios pessoais.
Escorpião nos convida a submeter à prova as nossas teorias, crenças e ideais. Incentiva-nos a confrontar tudo isso com a realidade e aprender com a experiência. Habitualmente, supomos que já sabemos o que é o bem maior, já conhecemos e vivemos de acordo com os valores e princípios mais elevados. Mas, certamente, ainda temos muito a aprender e ainda podemos ampliar muito a nossa visão. A experiência nos conduzirá a isto, mas será preciso muita coragem e humildade para abandonar aquilo que não se provar útil.
Toda a humanidade é atualmente um grande campo de experimentações. As ideologias estão sendo postas em prova, as crenças (religiosas e científicas) estão sendo postas em prova. Antigas tradições, novas descobertas, teorias, experiências, hábitos — tudo está interagindo e se transformando mutuamente. Só podemos esperar um resultado: um ser humano melhor e um mundo melhor. Ele virá inevitavelmente, mas pode ser logo ou num futuro distante, dependendo da medida da nossa coragem.
Toda confronto sempre conduz ao triunfo do bem. Se o bem não triunfou, então a batalha ainda não terminou. Coragem!
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sábado, 16 de outubro de 2010

Libra, a beleza de un signo

Joanna García

O sentido da  Luz é uma constante quando a Alma consegue despertar o seu reflexo que é a personalidade. A partir desse momento, trabalhar nela e por ela se converte em um fluir cada vez mais necessário.
Talvez não nos apercebamos – percebem mais os que nos rodeiam – como os nossos hábitos vão mudando, prescindindo cada vez mais de hábitos e necessidades. Vai se produzindo em nós um novo senso de valores e este processo não deixará de evoluir, pelo menos até que a nossa Luz seja tão potente que seja observada pelos senhores da Face Escura, e apresentem ante uma vida determinada, o espelhismo disfarçado de oportunidade que mais possa contatar com nossos ideais.
Durante as energias emanadas desta Constelação de Libra, faz-se mais patente que nunca o dom dos Senhores da Chama à humanidade: O Princípio Mental. 
Através de Libra como Signo, flui o Terceiro Raio e seu Regente Exotérico Vênus, nos conecta com o Quinto Raio. A Mente oferece durante cada mês de Libra uma oportunidade especial. Equilibrar –  palavra sempre chave do Signo – a mente inferior e a superior.
O Terceiro Raio nos torna conscientes do que significa Inteligência Ativa, nos leva a ser seletivos. É o Raio do buscador, do filósofo e ativa o nosso potencial para a subjetividade, ao mesmo tempo que o concreto se torna mais sutil. O Quinto Raio faz vibrar a nossa Mente Superior.
Possivelmente sob a influência de Libra e em um determinado ciclo da vida, aparece a visão do Caminho e o projeto para o qual nos sentimos afins. Para isso o nosso sistema de valores deve ser cada vez mais revisado e trabalhado. O Mestre Tibetano o define como “o estreito caminho do fio da navalha caminhando entre duas forças”.
Libra patrocina o direito, as leis, destaca as diferenças entre o bem e o mal, entre a noite e o dia, entre Oriente e Ocidente, cujas diferenças só se equilibrarão através de uma nova visão do que consideramos Lei.
Sua relação com a beleza e a diplomacia, algo totalmente venusiano, faz nascer sob seu influxo a pessoas capazes de mediar entre conflitos.
Podemos intuir o quanto serão necessárias as vidas que nascerão sob a influência de Urano,  Regente Esotérico de Libra, durante os sete anos que aproximadamente estará em Áries, estando especialmente protegido este processo pela passagem de Júpiter neste mesmo Signo.
Surgirão reformadores pioneiros nos campos em que a humanidade mais precisa. Defensores uranianos dos direitos humanos. Mudanças de paradigmas sociais. Pode ser muito importante em nível mundial tudo o que ocorrer nestes anos.

Urano emprega aproximadamente oitenta anos em trânsito no firmamento até voltar ao ponto de partida e em 1761 podemos constatar pela primeira vez a influência sobre nossa humanidade desta mistura de energias, pois como também em 2010, Urano se encontrava em Áries, compartilhando durante um ano seu caminho junto a Júpiter.
Nessa época começa a queda do império espanhol, ao perder a batalha naval contra a Inglaterra poderio, dando vez ao princípio da  influência anglosaxã. Um mundo acaba e outro começa.
Em 1845 encontram de novo Urano e Júpiter nos primeiros graus de Áries e o parlamento britânico promulga uma famosa lei que significará um passo decisivo na direção da liberação da escravidão. Podemos imaginar a intensa mudança de paradigma em uma sociedade estancada no que diz respeito aos direitos sobre outros seres humanos. O impacto sobre as relações econômicas e sociais foi muito profundo.
É curioso refletir sobre a possibilidade de que mediante a lei conhecida como a “Lei Aberdeen” e seu desejo de abolição da  escravidão, hoje seja um homem de etnia negra que dirige Estados Unidos.
Em 1927, o seguinte ponto em que se encontram em Áries as mesmas energias, pela primeira vez se consegue fazer um voo sem escalas sobre o Atlântico, aproximando continentes e países. Ao mesmo tempo a revolta do exército chinês abriu caminho para o Exército Vermelho, o qual transformou a história do país. Mussolini abre as portas ao fascismo enquanto Stalin, expulsa León Trotsky e se converte em líder total do PC e da  URSS.
Enquanto escrevo  isto, escuto que o Prêmio Nobel da Paz, foi concedido a um dissidente chinês pela luta para conseguir direitos democráticos. Pode ser o ponto de partida de uma nova mudança em um país que não respeita os direitos humanos. Urano segue atuando ali onde se faz necessária a sua força. É um dos Três grandes Deuses da Mudança, junto com Netuno e Plutão.
Pode-se ver historicamente, como as energias descristalizadoras e liberadoras de Urano unidas às energias arianas e ao sentido de compromisso social de Júpiter fazem finalizar umas formas de vida e dão nascimento a outras.
Observemos também a beleza e harmonia com que atuam as energias dos planetas quando Libra brilha no firmamento.
Saturno com seu sentido de lei e ordem, se exalta em Libra. Vive com maior fluidez a mensagem de responsabilidade ao mesclá-la com a ética e a diplomacia de Vênus. A Lei com coração ou unida ao amor que é o mesmo.
O Sol “cai” neste Signo. Dilui a fortaleza agressiva do Eu de Áries, para entregar seu brilho a esses “outros” que é também um dos significados de Libra.
Urano entrega sua inteligência e luz ao sentido de grupo para que este seja uma forma de viver e finalmente Marte, o Planeta da coragem, do sentido de defesa, está débil em Libra, como que respeitando a esfera de relações que o Signo representa e, ao mesmo tempo, se preparando para recolher toda a sua força e utilizá-la no Signo seguinte, Escorpião.
Em 2010 começa uma nova andadura destas energias. Urano em Áries, acompanhado durante um ano por Júpiter. Estamos vendo cair estruturas profissionais, econômicas, religiosas….tudo está cambaleando para poder deixar entrar o ar fresco e forte desta união. 
O que ocorrerá nestes tempos de oportunidade em nossas vidas? 
Em principio, nos tornarmos responsáveis por tudo o que ocorre em nossas vidas. Não podemos projetar sobre as pessoas nem sobre as circunstâncias da vida o que nos acontece. Estar o mais centrados possível no coração, na paz e no silêncio, tal como nos aconselha Master Kumar, para assim podermos escutar, sentir, a intuição de Urano em nossas mentes.
Identificar-nos  constantemente com o que cremos que é nosso projeto de vida ou serviço. Como diz o Mestre Tibetano…“atuar como se…”. Como se realmente fôssemos discípulos aceitos, viver com esta confiança e esse compromisso.
Que toda a bendita energia de um Signo especial, compenetre nossos pensamentos com seu sentido de beleza e harmonia.
Desde o coração,
Joanna

domingo, 3 de outubro de 2010

Libra, a entrada no equilíbrio

Martín Dieser


A primeira ideia que vem à mente quando pensamos em Libra é o equilíbrio. Em uma etapa definida do Caminho, o equilíbrio diz respeito à estabilização do eu na esfera mental, a fim de não flutuar tanto emocionalmente e ser capaz de tomar uma decisão correta. É interessante apontar que uma decisão, como bem disse antes Ricardo Georgini em nosso blog, procede da liberdade e, esta, do contato interno.
Esse contacto interno é cultivado durante o período regido por Virgem, e se revela como estabilidade durante Libra, como resultado de um processo subjetivo muito enlaçado com o silêncio. É que o silêncio é o pai dessa luz que garante a liberdade, e Libra tem muito a ver com sua construção e com a transmissão da luz.
O silêncio denota inatividade, um intervalo de transição e inclusive de passividade, da perspectiva do eu inferior. Mas visto de outro ângulo, o silêncio é a base vivente que demonstra com sua presença a existência de um processo interno latente, que necessita da estabilidade para se desenvolver.
O silêncio pode ser entendido como um efeito, um estado de supremo equilíbrio, de dinâmico recolhimento e de percepção do que se encontra mais além da mente. Por esta razão Libra é um signo muitas vezes associado ao plano búdico ou intuitivo; sua energia leva às portas do plano etérico cósmico, de onde se filtram fragmentos da Vida Una e se conhece a unidade em que se fundamenta o manifestado.
Em nível hierárquico, Libra é regido por Saturno, o planeta do carma, que também se encontra em exaltação ali, reforçando seu poder. O Sol, por sua vez, está em queda. Aqui temos algumas reflexões interessantes para fazer: antes de tudo, podemos considerar o carma que nos rege como a atração da Terra em relação às vidas que formam nossos distintos corpos, cuja “queda” nos arrasta  (fruto de nossa identificação com o Sol, ou eu) e gera sofrimento.
Se examinamos o exposto acima em nível de consciência, veremos que o equilíbrio dinâmico que emana do coração se “corta” quando a mente emerge, o que nos submerge em planos inferiores de percepção; perde-se a unidade intrínseca até que eventualmente seja novamente encontrada, e essa busca da entrada na corrente de vida se torna um desafio permanente em uma etapa do Caminho.
Em troca, a consciência fragmentada é por natureza separatista e gera a percepção e a interação com “o outro”, tão próprias do signo e de sua influência geral. Saturno opera como o grande cristalizador que castiga nosso pouco contato interno. Uma forma de buscar a união perdida é, nos três mundos, o sexo, e é por isso que na Astrologia Esotérica é regido por Libra e não por Escorpião, que é a sua versão astral e um reflexo da queda anterior. A busca do equilíbrio na matéria procura compensar o que não ocorre tão intensamente do plano interno.
Visto de outro ângulo, é possível fazer maior reflexão sobre o processo de queda, e entendê-lo não somente como a aplicação da “gravidade” ou atração terrestre, mas como a ausência de energia solar, base oculta de todo carma humano. O sofrimentos nos leva a pôr em equilíbrio e a transmitir a luz que iluminará o nosso caminho futuro; daí também que o progresso seja aparente na matéria, já que se avança para depois retroceder, mas, em troca, há uma grande ampliação da expressão espiritual. A chave passaria a estar, então, não na luta, mas em “esgotar a taça” e se situar dentro do ponto dinâmico de equilíbrio solar, onde por direito próprio se supera a atração terrestre e oportunamente a dobra com a pura força do espírito.
É por isso mesmo que a vitória a se alcançar sobre a personalidade em Escorpião está  pré-condicionada pelo que se faça em Libra, pelo grau de compromisso interno que se tenha desenvolvido e as porções de silêncio que tenhamos conquistado com o coração. Essa mesma condição explica porque o êxito do trabalho da alma e do serviço do eu depende do acionar subjetivo e não do objetivo, que é o efeito.
Explorando um pouco mais essa dimensão do ser, é interessante observar que somente se alcança o equilíbrio quando nos abrimos a ele, em que pese as consequências, com a virginidade conhecida em Virgem, o frescor emanante da mente ante o vazio eletricamente imbuído. Este estado de incerteza equipara a nossa percepção material com a dinâmica do espírito, e nesse ponto médio permanecemos por um fugaz instante até volver a sofrer a “lei”.
O período regido por Libra é propício, então, para o cultivo do equilíbrio interior, algo que desde a personalidade pode ser visto como passividade, e somente em um sentido sutil pode ser aproveitado ativamente. Uma etapa para ir saindo das profundezas da matéria e estabelecer um ponto de tensão no espaço de onde as energias da alma possam se manifestar em todo seu poder, com um desgaste mínimo de forças. E, desse modo, dar cumprimento aos processos cármicos em curso, já conhecendo seu final como geradores de equilíbrio.
Mas esse luminoso ponto de tensão oportunamente vai se esgotando e se revelando insuficiente. É o momento para aquele que, tendo subido por méritos próprios acima da forma e “estendido o olhar ante o vasto espaço”, surge entre o meio do equilíbrio e se chama ao silêncio, afasta a luz e se descobre como o Uno. Para isso Libra também oferece um caminho muito interessante durante este mês, para quem quiser (e puder) percorrê-lo.
É importante recordar que o lema corrente do signo é “que se faça uma escolha”, mas que como discípulos devemos já ter escolhido se aceleraremos a evolução e o carma, e assim resta simplesmente seguir “o caminho que conduz entre duas linhas de força” e consolidar a consciência no plano onde estejamos chamados a consolidar o equilíbrio. Sejamos o exemplo, para que a humanidade possa, neste período, dar um passo mais na direção deste ponto central.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Libra: escolher o bem


Ricardo Georgini
 

O signo de Libra, ou Balança, está relacionado com equilíbrio e com escolha. É somente em meio a condições equilibradas que qualquer escolha é realmente possível. No período de 23 de setembro a 22 de outubro deste ano, as energias de Libra estarão amplamente disponíveis, estimulando-nos a um maior equilíbrio e a exercermos mais plenamente a nossa capacidade de escolher.
A escolha pressupõe liberdade. Uma escolha feita sem liberdade já não é uma escolha. Mas quão livres somos, dentro de nós mesmos, para escolher? Naturalmente, deve haver também liberdade externa, em nosso ambiente, para podermos manifestar as nossas escolhas. Mas é principalmente a ausência de liberdade interna, psicológica, o que impossibilita-nos escolher. Normalmente, estamos condicionados internamente por uma série de apegos, crenças, hábitos, desejos, etc. O que pensaremos sobre certo assunto, o que faremos em certa situação, como viveremos a nossa vida — tudo isso, embora não percebamos, fica grandemente determinado pelos nossos condicionamentos internos, e sobra pouco espaço para real escolha.
Muitas vezes, ao experimentarmos um sentimento ou desejo, tendemos a nos identificar excessivamente com ele. Isto significa que, no extremo, agimos como se aquele sentimento fosse tudo o que somos, como se nós fôssemos só aquele sentimento e nada mais. Então, ficamos restritos apenas àquilo, numa condição de desequilíbrio. Mas o fluxo natural da vida sempre nos traz outros estímulos e demandas, e nos convida a nos abrirmos para outras possibilidades. A energia de Libra contribui para esta alternância e variabilidade, que promove um equilíbrio. Assim, a mente e o coração são arejados, e os pensamentos e sentimentos ficam mais moderados e amenos. E já não estamos mais atados a certo sentimento ou desejo, mas podemos, sim, escolher.
Com frequência, também ficamos excessivamente identificados com as nossas opiniões e o nosso próprio lado em qualquer questão. Libra nos incentiva a nos abrirmos para o outro lado e tentarmos nos colocar no lugar do outro e ver pela sua perspectiva. Assim, podemos descobrir que opiniões divergentes muitas vezes são complementares, e cada uma tem algo a contribuir. Esta atitude equilibrada nos permite ampliar o nosso conhecimento e compreensão, e só então podemos, verdadeiramente, fazer uma escolha.
Também tendemos a nos identificar excessivamente com a nossa própria pessoa, família, grupo ou nação, considerando-nos completamente separados e independentes dos demais. E dedicamos a nossa vida a atender estritamente aos nossos interesses e aos interesses dos nossos. Libra nos ensina que não existe bem individual, particular. É um mal disfarçado, uma ilusão. Todos os seres estão inexoravelmente interligados, e algo só será, de verdade, bom para qualquer um, se também for bom para todos. O bem é necessariamente algo compartilhado, é sempre bem comum.
A influência de Libra conduz à moderação e equilíbrio nos sentimentos e pensamentos, para que não fiquemos atados a nada e possamos ampliar cada vez mais nosso conhecimento, de modo a fazermos escolhas cada vez mais conscientes. E quando um ser humano é verdadeiramente consciente, sabe que é um com todos os demais, e naturalmente escolhe viver pelo bem comum.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Virgo, a divina humildade


Martín Dieser
O período regido pelas energias de Virgo tem muito a ver com a vida, tal como a conhecemos diariamente, porque este signo pertence à Cruz Mutável, aquele conjunto de forças que se expressam fundamentalmente através do centro criador planetário, a humanidade. Virgo é um signo terrestre, de atividade na matéria, e vem nos recordar o estreito laço que existe entre a consciência e o suporte sobre o qual ela se assenta e desenvolve, à medida que se avança no Caminho.
É que em Virgo a alma e a matéria se dão um abraço de amor criativo; por trás deste simbolismo estão os raios implicados, que são o 2º de Amor-Sabedoria, símbolo da alma compreensiva, e o 6º de Devoção e Idealismo, que (sendo um raio de atributo) vem representar a aspiração da matéria de ser como a alma, a receptividade ao divino e a esperança de glória. Tudo isto se dá na própria matéria, que graças à energia de Virgo floresce e revela a divindade interior; é por isso que o 3º raio de Atividade Inteligente é também expressão do signo, porque o amor da alma e a devoção da matéria produzem uma atividade que é a revelação crescente da luz: o processo evolutivo.
Tal como dizemos, cada um dos signos do Zodíaco forma parte do nosso ser, são energias que atravessam a nossa consciência e, assim, formamos parte da Vida Una, que as utiliza para desenvolver o Plano inteligente, e nós, em nossa pequena escala, as usamos também para honrar o compromisso assumido com a nossa alma como discípulos. Isso significa que em alguma dimensão do nosso presente se fará sentir a energia de Virgo, o que pode ser mais objetivo se o Sol ou o Ascendente se encontram em Virgo, mas em outro caso ser mais subjetivo e igualmente potente, e inclusive pertencer à aura de nações ou continentes dos quais sejamos parte.
Virgo é, como nenhum outro, o signo da cegueira, mas isto tem um matiz no caso das pessoas espirituais: através da sua influência se experimenta a submersão na matéria, mas como o signo anterior é Leo, o da autoconsciência, a experiência de Virgo não é totalmente cega; o ser foi atraído para o inferior mas guarda a recordação da luz vista em Leo e ali reside a esperança de glória. É graças a essa luz que, ainda sem conhecer plenamente a meta da alma, sabe-se quase instintivamente o que se deve fazer: se trabalha, se separa, se purifica e se experimenta, até que a forma esteja preparada para revelar um pouco mais da luz do ser interior.
No início essa atividade não é nada fácil; o esforço ocasiona “choques” com a matéria mental, até que sejamos capazes de nos equilibrar na alma e deixar penetrar a luz. Mercurio, como regente exotérico do signo, distribui a energia necessária para atravessar esse processo e alcançar a culminação. Mas o trabalho continua.
Dado que a Lua é o regente esotérico, todo labor de construção se vê favorecido, e temos assim um bom período para começar a construir o antakarana ou melhorar as suas bases, segundo o caso.
Em toda dimensão da vida somos plenamente conscientes a um nível e cegos em outro; Virgo atua nesta última, elevando a vibração do inferior para que possa revelar o superior. Por isso Virgo é um signo muito importante para evitar o espelhismo e a ilusão; ambos os fenômenos são esotericamente o efeito de uma matéria demasiado grosseira para a energia da alma, que “fricciona” e produz nuvens de distorção, tanto emocionais como mentais.
A realidade espiritual requer invariavelmente períodos em que se “olhe para cima”, mas o contacto somente é possível e duradouro (e isto em muitos graus distintos de profundidade) quando tivermos purificado devidamente os nossos veículos de resposta, o que requer inevitavelmente que nos enfoquemos nos três mundos, em assuntos que não parecem tão elevados mas supõem nosso compromisso imediato para seguir adiante. É por isso que o Mestre Tibetano afirma que “Virgo envolve o serviço do imediatamente presente”, porque é começando com simplicidade e dedicação com o que temos mais próximo da nossa consciência que vamos aumentando a expressão da luz interior.
Virgo, sendo um signo terrestre, ancora a consciência no dever presente, no carma que deve ser cumprido e nos aspectos sobre os quais há de se trabalhar antes de buscar qualquer elevação. Não é um período de avanços espetaculares, mas de fino e silencioso trabalho interior, de aperfeiçoamento do instrumento para ser assim um melhor intérprete da Voz do Silêncio que emana do Ser Superior. A purificação dos corpos mental, emocional e físico entram neste trabalho, sendo neste período uma linha de menor resistência.
Uma vez que o ser consciente submergiu na matéria, nos contornos da sua consciência, ali onde se une ao não eu adormecido, é que se entende melhor outro dos dons que é mais fácil cultivar durante este signo, e que é a humildade. A humildade se baseia na compreensão do lugar que se ocupa no espaço, na devida proporção, no respeito por toda forma vivente como expressão de Deus. A humildade emana do coração que dá lugar ao presente.
O trabalho em Virgo requer uma grande humildade, e assim uma viva compaixão, porque o inferior está sempre presente em nossa vida, seja como defeitos, outras pessoas de menor evolução espiritual, circunstâncias que recebam críticas, responsabilidade pelos animais de estimação, etc. Muitas vezes a frialdade do coração nos faz passar por alto nossa responsabilidade para com o inferior, quando na realidade a compreensão mais profunda do que nos rodeia é a chave para nos conhecermos cada vez mais como o Uno. 
Amar desapegadamente tudo o que passa pela consciência, buscando a compreensão e não a imposição, a cooperação e não o conflito, são a chave para a elevação do mundo, e incidentalmente de nós próprios, e para isso Virgo nos provê a sua energia, atando-nos à matéria até que nosso coração seja capaz de transcender a separatividade da forma e possamos afirmar conscientemente o lema esotérico do signo, que reflete a meta espiritual a alcançar e diz: “Eu sou a Mãe e o Filho. Eu, Deus, sou a Matéria”.
Virgo nos oferece então a oportunidade de nos aproximarmos humildemente e com amor ao presente, de nos consagrar ao serviço do não eu e de conhecer a escuridão da matéria, para abraçá-la e, nesta fusão, revelar a luz que todos carregamos em nosso interior e que é a expressão da consciência Una.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Virgem: A Humanidade Está Grávida !

Ricardo Georgini

O signo de Virgem representa o desenvolvimento da consciência espiritual através da experiência material. Simbolicamente, o espírito é o pai universal e a matéria, a mãe universal. Na relação entre os dois, nasce o filho que é a consciência. Esta é a sublime mensagem de Virgem: a consciência, a sabedoria e o amor estão em gestação no útero da matéria, do espaço e do tempo.
Espírito e matéria são como os dois lados de uma moeda: eles são opostos, mas não oponentes. Na verdade, um não existe sem o outro. As características dos dois é que são opostas: ela é concreta, ele é abstrato; ela é restrita, ele é ilimitado; ela é efêmera, ele é eterno. Mas eles não se repelem, nem competem entre si. Ao contrário: eles se atraem, se completam e precisam um do outro.
Há um processo evolutivo acontecendo em nosso universo, e o espírito e a matéria têm, cada um, o seu papel a desempenhar. O espírito é a causa de toda vida e consciência; a matéria proporciona o campo onde tal vida e consciência podem surgir e se desenvolver. A matéria é a vela e o espírito é a chama; a luz resultante é a consciência.
A matéria é a guardiã da consciência. Durante a gestação, a mãe oculta o filho em seu ventre, ali protegendo e nutrindo-o. Semelhantemente, a matéria encobre a consciência espiritual em suas formas, proporcionando-lhe aquilo de que precisa para seu gradual crescimento. Assim, lenta, mas incessantemente, a consciência vai se expandindo e tornando-se cada vez mais ampla e inclusiva, mais amorosa e sábia. É através da existência material que a consciência espiritual se desenvolve. É através do contato com o outro que o amor desabrocha. É através das experiências que a sabedoria é forjada. No entanto, nos estágios iniciais desta gestação, a consciência permanece latente e só se vê a forma material. O amor e a sabedoria ainda não se demonstram, e à sua ausência chamamos medo, egoísmo, separatividade, ignorância.
A influência de Virgem nos estimula a estarmos atentos ao lado espiritual de todas as coisas, todos os acontecimentos, todas as pessoas. Toda pessoa tem em si uma essência espiritual, potencialmente amorosa e sábia. Quando compreendemos isto, podemos ir além do desagrado superficial com as imperfeições do outro e cooperar com a sua essência espiritual. Podemos nutrir, com a nossa atitude, esta sua essência, ajudando-o a se tornar tudo o que ele pode vir a ser.
Todo acontecimento, individual ou coletivo, também tem um sentido espiritual, uma lição a ser aprendida, e é parte de um propósito maior. Ao observarmos a atual situação mundial, pode parecer que a humanidade está doente. Na verdade, a humanidade está grávida, mas as evidências da gravidez podem ser confundidas com sintomas de alguma doença. Estamos vivendo tempos de grande tumulto mundial, porque estamos passando por transformações sociais, políticas, econômicas e culturais muito profundas. Através de tudo isso, está em gestação uma nova consciência humana, uma nova cultura e civilização: mais responsável, justa, igualitária, fraterna.
De 23 de agosto a 22 de setembro deste ano, as energias virginianas estarão abundantemente disponíveis para proteger, nutrir e fortalecer toda forma de consciência espiritual. É um mês oportuno para percebermos o amor e a sabedoria que se encontram por trás de todas as coisas, e colaborarmos para que eles finalmente possam vir à luz !

sábado, 21 de agosto de 2010

Alma – Personalidade

David Castro M.
Nos textos esotéricos, e também em poemas de clara tendência mística, podemos ler que a obrigação (anseio para os místicos) de todo bom discípulo é alcançar a integração entre a Alma e a Personalidade.
A personalidade é uma força que consta de três forças menores, a chamada tríade inferior: físico, emocional-sensório e mente inferior, todas elas, se estiverem unidas, fazem uma personalidade, forte, com um corpo emocional e mental que se expressam com força no  plano físico. 
É evidente que, no mundo, nem todas as personalidades são assim, já que há muitas delas que sofrem de “debilidade” ou “excesso” de alguma destas três forças. Por exemplo, pode ocorrer o caso de uma personalidade emocional sensivelmente muito forte, mas com uma mente débil e que, portanto, muitas vezes interpretará de maneira inadequada as suas capacidades de “sentir”, chegando até mesmo a padecer no corpo físico o errôneo resultado do seu “mal pensar”. Esta pessoa estará totalmente subordinada ao seu forte corpo emocional e deverá a aprender e levar à prática o significado das palavras discriminação e discernimento, alcançando, com a aprendizagem, um maior nível de concentração emocional positiva e bem dirigida e, portanto, uma expressão física mas harmônica.
Mas que papel exerce a Alma nestes processos de integração da tríade inferior em um todo chamado Personalidade?
Nos livros de Alice Bailey, muitas vezes é dito que a Alma é o filho ou aspecto Amor da divindade. Isto assim é porque situam a Alma entre a Personalidade e o Espírito, também chamado Vontade de Deus, mostrando com sua capacidade flexível e amorosa a união entre o Espírito e a Matéria.
Também é dito que uma Alma começa a se relacionar com a personalidade quando está no caminho de retorno, isto é, como na parábola do filho, quando o filho decide voltar ao pai, é quando existe a possibilidade de tal relação, antes existia apenas a necessidade de saciar a nossa tríade inferior, ou viver intensamente o material; algo que, de outro lado, é correto (segundo o grau de evolução) já que todos os corpos devem ser vividos e desenvolvidos em plenitude.
Mas quando uma personalidade começa a perder a força e deixa de sentir atração por certos aspectos da vida, está saciada, aborrecida, triste ou impotente, é então que a Alma pode exercer o seu papel. Portanto, é neste estado “crítico” em que a Alma encontra a oportunidade de se vincular ao mundo físico através da sua “ferramenta”, a personalidade, e através dela exercer seu trabalho: expressar o Espírito ou Plano de Deus para com a Humanidade.
A Alma então dá mostras de alívio através da sua poderosa energia: Amor incondicional, e procura fazer contacto com as forças inferiores segundo seja a qualidade destas. Vale dizer, se o “filho pródigo” em questão tem um corpo emocional forte procurará fazer contato através do Coração, convertendo a personalidade em uma força mística. Se, porém, o corpo mais sadio é o mental, procurará fazer contato através da Mente Abstrata, convertendo o ser em um bom Esotérico.
Todos estes processos são necessários  para a evolução de qualquer Alma e assim em muitas vidas se dará preponderância à emoção-Coração e em outras à mente–Vontade, mas é a culminação  e fusão de ambos que leva  a Alma a ser um perfeito Mestre de Sabedoria. O que é a Sabedoria senão a união da Vontade e do Amor, mente e coração.
Portanto, observemo-nos, e adquiramos conhecimento através de nossa parte da personalidade mais poderosa, mas sem esquecer nunca a parte mais débil, já que seguramente ela é a pedra angular de nossa correta expressão no plano físico.
Deixar a Alma fazer o seu trabalho é algo que nos vincula com a palavra aceitação, a partir daí observar que qualidade de raio nos domina (recomendo ler as páginas 137-142 de Psicologia Esotérica II de Alice Bailey – o Tibetano  e o artigo de Martín Dieser “Sete pensamentos-semente sobre os Sete Raios...” publicado em abril) e qual é sua orientação, com esta atitude transformando o Carma em Oportunidade.
Um abraço

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Leão: a consciência e o todo


Martín Dieser
A energia de Leão é a da identidade espiritual, a do ponto em um centro que abarca todos os pontos. É o fogo solar, o fogo do coração, que outorga um apoio “no tempo” para que o ser demonstre o Plano que o inspira.
Já dissemos, em outra ocasião, que o Sol rege Leão, e que isto não seria assim para outros reinos da natureza; consciência para o homem é sensibilidade “desperta” ao não eu, pelo menos nas primeiras etapas, e é correto que assim seja: a fim de que a alma se desenvolva em todo seu potencial, é necessário um receptáculo conscientemente refinado e adaptado à sua energia; o trabalho na forma deve acompanhar o do eu superior, e o trabalho sob Câncer simboliza essa preparação prévia.
Em todo caso, a energia de Leão é a que possibilita este maravilhoso estado que é o da percepção de si mesmo. Como dizem os livros, “todos os seres são, mas somente o homem sabe que é”. Para gerar esta percepção individual, é imprescindível a separação, que o ser tenha a capacidade de se diferenciar do resto, e essa energia vem através do Quinto Raio de Conhecimento Concreto (chamado no Tratado dos Sete Raios “A Espada Divisora”), que por essa razão se expressa mediante Leão. Isto pode se manifestar ou não nos raios da pessoa; se não o faz, é possível que a energia esteja cumprindo uma função mais interna, mas nem por isso estará ausente.
Por sua vez, intimamente vinculada à separação, está a afirmação do ser, que assim como se percebe diferente se conhece como uma potência, como um ente gerador de causas, como o amo da sua própria vida. Trata-se da energia do Primeiro Raio de Vontade ou Poder, que também se expressa por meio de Leão. É por isso que, em certo sentido, a energia de Leão rege os governantes do mundo, porque a atividade deles tem muito a ver com o exercício da autoridade, que (diga-se de passagem) de acordo com as disposições mais aceitas, requer o consentimento do povo.
Caberia aqui uma reflexão sobre a democracia e a representação: pode-se ver como a igualdade e a fraternidade, a compreensão e o respeito, simbolizados pela democracia, constituem a base sobre a qual se ergue um verdadeiro governo que, em certo sentido, é a cabeça da sociedade, da qual está constantemente recebendo demandas. Aprecia-se aqui uma ação combinada de raios: o 2º de Amor – Sabedoria está simbolizado pela democracia e suas qualidades de bondade e busca horizontal de decisões; sempre o 2º é a base do 1º, que sintetiza a energia atraída até convertê-la em um ponto com somente o essencial. 
Neste caso, o governo é a síntese das deliberações do povo, e assim como a autoridade espiritual se sustenta no amor e na compreensão, da mesma maneira a democracia é a base espiritual dos cargos representativos de governo. É por isso que O Tibetano, em O Destino das Nações, diz que a energia da Hierarquia de Mestres se encontra por trás da democracia, e a de Shamballa, que é a sua síntese, está por trás das figuras do rei ou do ditador.
 Em todo caso, o período influenciado por Leão é muito propício para indagar interiormente acerca das origens da autoridade, da convicção que emana da verdade interior, do conhecimento de si mesmo. Outro fator ligado a essa condição é a identidade espiritual: todo ser humano tem um centro de consciência, um ponto a partir do qual se integra ao mundo e interatua com ele. De início, esse centro é o Sol físico, manifestando energia de 2º raio, e o ser crê que é o centro do universo, que tudo depende e gira em torno dele.
À medida que avança a evolução, gradualmente vai tomando consciência da inter-relação com o mundo, mas ainda mantém o estado no qual, em Astrologia Esotérica, descreve-se como “aquele que permanece só”, isto é, a percepção do eu próprio e do alheio nas questões diárias.
O interessante disto é que o anterior não seria o último degrau na evolução da consciência. À medida que a alma ganha em controle e revela seu poder, vai passando para a motivação espiritual, para a sensação do eu separado e também à colaboração e entrega aos demais, o que põe em ação uma energia oposta. A identidade espiritual se mantém, ao mesmo tempo em que a fortaleza do eu aparece como a etapa prévia imprescindível para expansões de consciência posteriores. Isto ocupa largo tempo.
Vem em seguida uma condição em que realmente é possível entender as palavras “Eu sou aquele, aquele sou eu”, lema esotérico do signo. 
O sentido do eu, da personalidade vinculada à alma, é muito particular: o discípulo não vê indivíduos, vê energia e Plano, vê a consciência una e não as partes, a unidade que subjaz na diversidade da forma; não crê ser uno, É uno, respira unidade e assim se expressa nos três mundos, sendo por isso tão potentes e duradouros os efeitos que produz; é a energia do Amor de Deus em ação. Crer que a unificação chegará por meio de uma anulação do eu, ou que se produzirá uma misteriosa fusão com as ações de outros, é uma deformação (e um perigo) no sentido oposto ao que mencionava.
Na realidade, e como bem sabe quem percorreu o Caminho com sinceridade e dedicação aos demais, a consciência não tem uma forma tão cerrada como a que conhecemos. O sentido do eu se mantém, ao mesmo tempo que a energia que expressa é compartilhada, conflui ativamente com a Grande Energia que é o Plano de Deus. É a consciência do Todo que se tornou ponto; como diz Vicente Beltrán Anglada, “não é a gota no mar, mas o mar na gota”.
A crença de que a consciência ocupa um lugar é por si uma ilusão da mente humana, mas muito maior é a ilusão de crer que cada consciência ocupa um lugar separado da outra. Isto poderia ser melhor entendido através de uma analogia com a figura de um círculo concêntrico: à medida que se chega ao centro, muitas vidas passam a compartilhar de um “espaço” comum. 
Esse espaço comum, esse vazio criador no qual se vive e sobre o qual se passa a afirmar a consciência é um conjunto de energias cuja forma mental é o Ashram, e no centro se encontra o Sol Central Espiritual, simbolizado pelo Mestre. Em uma escala menor, cada um de nós é parte dessa consciência grupal, e temos aí a base oculta da telepatia, embora não tenha que funcionar tão explicitamente e se manifesta como inspiração, recepção de ideias, etc.
Essa consciência comum é a base espiritual do princípio da fraternidade, que só pode ser entendido se for considerado da alma e não a partir da matéria, onde somos tão diferentes. É também a razão pela qual o trabalho espiritual pode ser realizado em grupo, porque coincide a fonte de inspiração e é a mesma energia que nos atravessa a todos; pela mesma razão, um discípulo pode implementar uma parte do Plano e outro dar continuidade a ela no plano físico, por exemplo; cada um, do seu estado de consciência, e todos necessários.
Outra reflexão que se extrai acerca da regência do Sol é sobre a união com a consciência alheia: muitas vezes se busca a aproximação através da palavra, o convencimento, a ênfase, etc. Seria útil, aqui, observar o Sol, que pela gravidade, concentração ou atenção consegue atrair o que o circunda. Em tal sentido, poderíamos dizer que uma boa maneira de se aproximar à consciência de outro é aprofundando esse nível antes que fazendo esforços do eu; a atenção baseada no amor, sobre si mesmo e sobre os demais, mas sempre tendo em conta o destino comum que é o da unidade da vida, é a maneira mais simples e profunda de chegar ao outro.
Leão nos proporciona então um ciclo onde é mais fácil levar a consciência para dentro, dar a ela mais profundidade e reforçar a identidade, para assim oferecer à alma um eu firme e valioso para prestar serviço; é ainda, como se assinalava, um ciclo para compreender em toda a profundidade o significado e as potencialidades da fraternidade espiritual.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Leão: a chama da autoconsciência

Ricardo Georgini
Leão é um signo intimamente relacionado à humanidade. A energia deste quinto signo do Zodíaco estimula a autoconsciência — a grande característica que faz de nós seres humanos. De 22 de julho a 22 de agosto deste ano, o Sol estará alinhado com Leão, avivando a sagrada chama da autoconsciência em toda a humanidade.
A autoconsciência é o que distingue o humano do animal. O animal está consciente do que se encontra ao seu redor, mas só o ser humano pode, além disto, estar consciente também de si próprio, o sujeito consciente. Assim, o animal simplesmente vê, ouve, sente, enquanto o ser humano não apenas vê, mas sabe que vê; não apenas sente e pensa, mas sabe que sente e pensa; e não apenas sabe, mas sabe que sabe.
Na maioria de nós, a autoconsciência permanece num estado brando, e ainda há muito a ser feito para desenvolvê-la plenamente. Grande parte do aperfeiçoamento humano tem a ver, especialmente, com este maior desenvolvimento da autoconsciência. A influência de Leão contribui para isto, como que soprando a brasa da autoconsciência, para que se intensifique e cresça — queimando e transformando, aquecendo e acalentando, iluminando e esclarecendo.
Faz parte do nosso potencial, como seres autoconscientes, perceber não apenas o que se passa ao nosso redor, mas também o que se passa dentro de nós mesmos. Contudo, habitualmente, a nossa atenção fica quase totalmente voltada para as coisas externas a nós, e temos uma percepção apenas vaga do nosso corpo e dos sentimentos e pensamentos que nos ocupam. No entanto, o tempo todo, são os nossos pensamentos, emoções e corpo que determinam as nossas experiências na vida, e não tanto as circunstâncias externas. Por isso, cultivar e exercitar a habilidade de auto-observação é um requisito fundamental para estarmos mais conscientes na vida, compreendendo apropriadamente as nossas experiências e podendo escolher como nos conduzir.
O desenvolvimento da autoconsciência nos leva a descobrir-nos como o sujeito de nossa própria vida e história. O animal reage automaticamente aos estímulos externos, sem reflexão ou escolha. O ser humano pode ponderar, pode valer-se de sua experiência, pode conter-se ou empenhar-se e, assim, pode escolher como responder às suas circunstâncias. Portanto, o animal é sempre aquilo que o seu ambiente faz dele, mas o ser humano pode vir a ser o que ele mesmo fizer de si. À medida que compreendemos isso, desenvolvemos um correto senso de responsabilidade e nos apropriamos mais plenamente de todo o nosso potencial.
A autoconsciência leva também ao senso de individualidade. Fortalece internamente o indivíduo, de modo a poder apoiar-se em si mesmo, sem depender indevidamente dos demais. Permite ao indivíduo conhecer-se a si mesmo e saber aquilo que ele tem de próprio e único, aquilo que é a sua contribuição específica e original à coletividade. Cada indivíduo é único, e o seu valor, portanto, é inestimável. Se apenas um indivíduo não existisse, o Universo já não seria o mesmo. Cada indivíduo faz a diferença. A autoconsciência lhe permite fazer a diferença conscientemente, e portanto, mais potentemente.
A cada mês de Leão, anualmente, temos uma especial oportunidade de fortalecer em nosso interior a chama da autoconsciência e nos tornarmos cada vez mais plenamente Humanos.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sábado, 17 de julho de 2010

O reflexo do Sol na Lua Cheia

David Castro M.

Segundo Alice Bailey, em toda forma Lunar se encontra oculto o segredo de toda experiência passada através da qual temos que chegar à devida expressão.
Seguindo a linha desta reflexão, pode-se pensar que toda lua cheia é uma oportunidade para poder aplicar a sabedoria da luz solar ao nosso corpo de expressão, e assim adquirir harmonia e mudanças.
Assim pois, a intenção deste artigo é saber dar com o que implica uma relação deste tipo, isto é, a Luz ilumina a Forma, e esta deveria saber refletir, da sua posição, a sabedoria que recebe.
Portanto, um signo, o solar, é o que dá energia pura, e o outro, o lunar, a recebe e, do seu lugar, deve saber “refletir” o recebido com força construtiva e expressiva.
Esta relação se dá em sua plenitude na Lua cheia, porque aí tudo está iluminado, e todos os segredos podem ser ventilados.

Relação:
Sol em Áries – Lua em Libra (plena de Áries)

A força e capacidade de vontade de Áries nos dá a oportunidade de saber harmonizar e equilibrar nosso corpo de expressão, Libra. Em todo o Caminho do meio, se esconde a vontade de segui-lo. 
Sol em Touro – Lua em Escorpião (plena de Touro)
A nobreza, sabedoria e sensualidade - força do Touro, nos ensinam a encontrar o desejo correto, em meio às intensas e perturbadoras correntes do desejo “indevido” de Escorpião. Nesta intensa relação o desejo se converte em necessidade, e esta nos leva a viver a vida com útil intensidade. 
Sol em Gêmeos – Lua em Sagitário (plena de Gêmeos)
A franqueza e agilidade comunicativa de Gêmeos nos levam a descobrir em nossa forma de expressão, a devoção e meta que mais nos convém, Sagitário. A comunicação e sincera curiosidade anulam todo tipo de fanatismo. 
Sol em Câncer – Lua em Capricórnio (plena de Câncer)
A sensibilidade intuitiva de Câncer, é a grande oportunidade para saber revestir nosso corpo de expressão, em uma realidade concreta que no seja excessivamente fria, Capricórnio.
O iniciado deve antepor o Amor à realização do Plano. 
Sol em Leo – Lua em Aquário (plena de Leo)
A generosa Luz da autoconsciência, Leo, nos oferece a capacidade de mostrar serviço social efetivo, Aquário, sem perder nossa identidade. Como disse Jesus: “de que nos serve ganhar o mundo se com isto perdemos nossa Alma”.
No Amor do Coração se encontra o princípio de um verdadeiro serviço. 
Sol em Virgem – Lua em Peixes (plena de Virgem)
Na capacidade de cuidarmos e nutrirmos a nós mesmos, Virgem, está a oportunidade de expressar Amor para os demais, Peixes.
Não é o outro o que melhor nos conhece, mas a nossa “Mãe” e a pureza da intenção honesta. 
Sol em Libra – Lua em Áries (plena de Libra)
No saber estar em harmonia, Libra, se encontra a oportunidade de encontrar a inspiração e a força, Áries, que nos fará avançar.
Saturno está exaltado em Libra, porque é neste signo, onde a Alma decide “parar”, daqui não me moverei, não penso em repetir mas, somente em avançar e (avançarei) quando estiver seguro do “inspirado”.
Presença ativa, é o dom desta relação. 
Sol em Escorpião – Lua em Touro (plena de Escorpião)
Na intensidade e sinceridade de um “desejo”, Escorpião, se assenta a realidade da natureza, Touro. Na Luz de Escorpião refletida, temos a oportunidade de expressar através da natureza, nossa realidade mas profunda: o porque de uma reencarnação. 
Sol em Sagitário – Lua em Gêmeos (plena de Sagitário)
Na poderosa energia daquele que conhece para onde se dirige, Sagitário, temos a oportunidade de ser amorosos e comunicativos, Gêmeos, como serviço.
A profunda capacidade de Gêmeos de se relacionar, necessita de uma ancoragem interna, que o sustente e lhe dê direção. 
Sol em Capricórnio – Lua em Câncer (plena de Capricórnio)
A concreta e real captação da realidade, Capricórnio, pode mostrar ao sensível Câncer, que a susceptibilidade e excessiva sensibilidade são espelhismos do corpo astral.
O subjetivo deve sempre mostrar sua objetividade, mas é “imaginação indevida” ou nociva.  
Sol em Aquário – Lua em Leão (plena de Aquário)
A intuição e capacidade sintética de Aquário, mostra ao Leão o caminho para que sua Luz não fique autoconcentrada em si mesma. Expressar generosamente nossos talentos é algo que necessariamente vai ligado à capacidade de compreender o outro em sua justa medida, água de vida.
Sol em Peixes – Lua em Virgo (plena de Peixes)
A empática imaginação criadora, Peixes, nos oferece a oportunidade de mostrar nosso interior tão bem “cuidado”, Virgem. Não é o medo de perder a pureza que nos mantém no caminho correto, mas saber vê-la nos demais. Ser sensível ao outro é a expressão da nossa realidade interna.
Na dualidade de conceitos e energias está o segredo do equilíbrio, hoje pode pensar uma coisa, talvez amanhã outra bem diferente; qual é a correta?, nos perguntaremos...a relação dá duas em uma.
Luz

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Câncer, a encarnação da intuição


Martín Dieser


Pensar no aporte que o signo de Câncer faz à humanidade, no lugar que ocupa em nossa consciência, imediatamente nos leva a uma palavra: construção, muito afim, por certo, do lema esotérico deste signo, que é “construo uma casa iluminada e nela moro”.
No entanto, convém não tomar o termo superficialmente, mas antes refletir sobre o que se entende por construção. Da perspectiva comum, indica-nos uma atividade de “fazer”, seja física, emocional (“manejar” emoções) ou mental (o mesmo com os pensamentos). Mas aqui a teoria esotérica nos lembra que o plano mental, onde nós procuramos nos firmar, é apenas o subplano gasoso do plano físico cósmico e, portanto, não é um princípio, como repetidamente diz O Tibetano. Significa que a verdadeira atividade e o impulso mais puro não emana do nosso plano mental (o gasoso cósmico), mas dos subplanos etéricos cósmicos, de qual o búdico é o primeiro.
E nos lembra também que a alma é uma grande construtora, mas que, diferente da personalidade “constrói sem tocar”; a atividade, a intenção e o esforço do eu são necessários, mas a alma inspira, não faz; esta é uma grande chave para a criação espiritual, e uma palavra afim que ajuda a manter a personalidade nos limites é “naturalidade” na ação que se quer que resulte espiritual.
Falar então de construção de uma perspectiva mais profunda nos leva diretamente ao plano búdico, ao reino da intuição e da razão pura, do qual o plano mental é um reflexo condicionado. É ali onde se geram as causas que oportunamente mobilizarão os construtores dos planos inferiores e, de um ponto de vista oculto, os esforços realizados nestes níveis são parte da Grande Ilusão, e embora válidos até que se comece a viver na intuição, oportunamente se revelarão insuficientes, obscuros e aprisionantes. É interessante ver que Câncer rege também a construção nos três planos inferiores, e a Lua é seu regente; também se faz referência ao mau emprego das energias cancerianas, que terminam armadilhando o eu na escuridão do seu próprio carma.
Ao mesmo tempo, a evolução leva a que esses níveis de consciência se revelem como uma prisão para o ser, que aí toma consciência da sua situação e procura se aproximar mais do que agora percebe como a verdadeira luz. Aprecia-se aqui outro triângulo: Câncer (prisão) – Leão (consciência) – Capricórnio (luz, saída) que tem um papel definido nesta fase do progresso interno, esteja ou não visível na carta natal.


Assentada a ideia de que Câncer também pode ser interpretado do plano búdico, será bom aprofundar, na medida do possível. Pouco se conhece em verdade deste nível de consciência: a literatura esotérica nos fala profusamente do movimento no plano mental, o estudo, a iluminação, a concentração, etc., todo tipo de miradas desta perspectiva. Ao contrário, quase não se conhecem as leis do plano búdico, como se entra em contato com ele, como se o domina, como se pode prestar serviço dali. Mais ainda: na percepção de quem o experimentou, fala-se da intuição como algo amorfo e demasiado elevado para distinguir de outra coisa, como se não tivesse um sentido em si mesma, e como se não estivesse submetida a uma Lei superior, mas que fosse uma espécie de fim.
Como base para compreender o exposto, o indivíduo deve se convencer consciente e inteligentemente de que é Mônada (Espírito), parte da Mônada logoica solar, em contato com as matérias dos 6 mundos que constituem os 6 subplanos do plano físico cósmico: monádico, átmico, búdico, mental, astral e físico, através de diversos instrumentos ou veículos, sendo que no momento o contato mais forte é com os mundos mental inferior, astral e físico, os quais devem ser totalmente dominados e controlados pelo uso da Vontade e do Conhecimento verdadeiro, ou seja, o conhecimento da realidade velada por maya (mundo físico), espelhismo (mundo astral) e ilusão (mundo mental inferior).  Na atualidade, a humanidade em seu conjunto tem pela frente conhecer e dominar o plano mental, e somente à medida que as Eras passem o mesmo ocorrerá com o plano búdico, ao qual só é possível ter acesso por meio da mente iluminada, o que, hoje, é a meta de alguns poucos, falando-se em termos comparativos.
Câncer rege o que O Tibetano denomina “as águas” e não é casual que represente este elemento. A consciência massiva, que logicamente tem aplicação direta neste estado indiferenciado que é a consciência instintiva, também tem uma dimensão intuitiva. Com efeito, se o coração é convidado a acompanhar a mente e depois se afina a atenção, poderá ser apreciado que a percepção sintética não tem um limite definido, como ocorre com a mental, mas que resulta mais difusa e englobante, ao mesmo tempo que profundamente clara. A energia que chega se verte através de Netuno, que assim demonstra porque rege esotericamente o signo.
Ao mesmo tempo, se a sensibilidade ainda permite “dar uma volta em torno”, se notará que existe algum grau de abstração ou de domínio sobre este plano, e este estado possivelmente tenha a ver com a frase do Tibetano de “o Espírito sobre as águas”. Ali começa a construção subjetiva de Câncer, do centro do coração, passeando a consciência através do plano etérico cósmico, o qual põe o ser em contato com distintos tipos de energia, porque o plano etérico é sempre o plano da energia, dos raios enfocados através das estrelas, as constelações, os signos e seus planetas regentes que, segundo a afinidade com o raio do próprio ser vão se expressar através dos distintos chacras, humanos e planetários, segundo a evolução.
O interessante é que neste processo de busca o estado da consciência não é pessoal nem individual, mas sutilmente grupal, porque é claro que se entra em contato com energias que estão mais além do eu, e para isso, embora seja inconscientemente, é necessário se conectar com outros que não são o eu, mas que têm uma afinidade vibratória que permite uma invocação de energia como a que se alcança. Não é por nada que em “Os Raios e as Iniciações” se fala do progresso grupal e se dão as regras muito profundas conectadas com o plano búdico.
E seguindo com a ideia do contato com energias elevadas, pode-se ver que se trata de um estado criativo, de um Idealismo criativo, e isso explica porque o 6º raio de Devoção (expressado por Marte) e Idealismo se manifesta através de Netuno. E inclusive, em um determinado momento, cessa esse divino idealismo, e se “encontram os limites da criação”, que não é senão a Vontade dos Seres que dão vida às energias com as que se entrou em contato. Isso faz que conscientemente se obedeça à Sua intenção, uma Lei interna mais elevada que as que conhecemos, e isso “fecha” a criação e precipita a forma no plano mental, produzindo a encarnação.
Surge do exposto acima que a encarnação é um processo grupal, nunca individual, porque sempre é resultado da Intenção de uma Vida Divina, que o ocultismo divide em estrelas, um sistema solar, um planeta, um reino da natureza e demais, cada um qualificado por um raio determinado, que dá uma “cor” especial à manifestação, e em termos concretos um matiz à forma mental que se queira expressar no mundo. Em outras palavras, o Plano (e suas analogias superiores) é o que produz a encarnação, e o resultado do contato da alma com esse Plano é o que a precipita no mundo, junto à onda de energia que se liberou no planeta nesse momento.
Daí que as interpretações individuais sobre o tema das vidas passadas tenha pouca clareza, porque opera nos três planos inferiores, o físico, o astral e o mental, e em grande medida se encontra subordinada ao que ocorre em nível grupal, onde algum dia será possível encontrar a verdadeira chave e não somente retalhos da verdade.
O período presidido por Câncer é, portanto, um momento propício para aproveitar a conexão interna alcançada graças a Gêmeos, elevar-se ao reino da intuição e ser parte silenciosa do verdadeiro processo de criação, do qual o acontecido nos planos físico, astral e mental não é senão um reflexo, assim como o subplano etérico é o princípio e os subplanos sólido, líquido e gasoso se encontram sob sua regência.
É também um bom período para vivenciar a massividade especial do plano búdico, abrir o ser a novas energias, um plano que é grupal e indistinto em forma muito diferente ao que ocorre no plano astral, que nem por nada é sua analogia inferior e tem águas muito mais densas (e escuras) que o primeiro. E em todo caso se impõe aqui ter em mente o triângulo Câncer – Leão – Capricórnio assinalado, e fazer  primar a consciência e a luz, a humildade e a razão, antes que o espelhismo.
Por último, destaquemos que a influência de Câncer e o serviço bastante desconhecido que se realiza através do plano búdico também têm a ver com a construção de uma morada iluminada, aquela esplendorosa forma mental onde poderá habitar segura e evolutivamente a humanidade durante a Era de Aquário e durante outros ciclos tão misteriosos que por agora somente podemos imaginar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Câncer: Construir com Luz


Ricardo Georgini

 

Dentre todos os doze signos do Zodíaco, Câncer ou Caranguejo é o que mais está associado à materialidade e concretude. E a nossa experiência no mundo material sempre envolve a construção e a utilização de formas. Que formas temos construído e como as estamos utilizando? Que formas queremos construir e como queremos utilizá-las? Questões como estas, de um modo ou de outro, são trazidas à nossa atenção durante o mês de Câncer, que este ano vai de 21 de junho a 22 de julho.
A primeira forma que construímos para nos manifestar neste mundo é o nosso próprio corpo. Ele é construído ao longo da vida e reconstruído diariamente, através dos nossos hábitos de alimentação, de respiração, de higiene, de sono e de exercícios físicos. É construído também de acordo com os nossos hábitos emocionais e mentais, que influenciam a constituição do corpo muito mais do que geralmente supomos. É importante cuidar de todos esses fatores, pois o corpo é, necessariamente, o nosso primeiro e principal instrumento no mundo; todas as nossas experiências materiais se fazem através dele.
A segunda forma que construímos é a casa. É o nosso porto seguro em meio ao mundo, o nosso local de refúgio, recolhimento e restauração. Outra forma fundamental é a família, seja a biológica ou aquela escolhemos ao longo da vida. Ela é o nosso primeiro núcleo de relações humanas, de apoio mútuo, acolhimento e incentivo.
Corpo, casa, família — a partir destas formas básicas, todas as demais são construídas: grupos, instituições, Estados. E assim construímos coletivamente aquela grande forma que chamamos de sociedade. Mas, se, por um lado, a sociedade é um produto dos indivíduos e famílias, por outro lado, é no seio da sociedade que nascem e crescem os indivíduos e famílias, amparados por toda a estrutura e as facilidades que a sociedade provê. Corpo, casa, família e sociedade — são estas as formas básicas que tornam possível, segura e frutífera toda a existência humana neste mundo.
A influência de Câncer contribui para que nos mantenhamos sempre devidamente ancorados no corpo e para que jamais nos afastemos do mundo, da sociedade e da vida humana comum. Incentiva-nos a não fugir das experiências concretas e mundanas, mas utilizá-las apropriadamente, para que finalmente alcancemos um estado de consciência capaz de incluir o interno e o externo, o espírito e a matéria, o ideal possível e a realidade atual. Assim, o estímulo de Câncer ajuda-nos a não fazer da espiritualidade um caminho de fuga, mas sim um verdadeiro caminho de realização integral.
Câncer nos encoraja a buscar manifestar na vida humana diária as nossas elevadas visões, ideias e sonhos. E a mais poderosa ferramenta de que dispomos para construir em nossas vidas aquilo que queremos é a imaginação. É na imaginação que todas as construções começam. Imaginar é construir com energia mental e emocional, e as formas assim construídas subjetivamente sempre procuram se concretizar. Através da imaginação, com foco e clareza, podemos reconstruir inteiramente as nossas vidas e torná-las a materialização de todas as nossas aspirações superiores.
A vida no mundo material pode ser uma experiência de limitação, escuridão e isolamento, mas também pode ser uma experiência de liberdade, luminosidade e partilha. As formas que vamos construindo em nossas vidas podem tornar-se, finalmente, uma prisão que nos confine e nos separe dos demais. Ou podemos construir formas que, finalmente, convertam a nossa vida numa estação de luz, na qual tudo o que temos é compartilhado livremente com os demais. No mês de Câncer, somos levados a lidar com esta questão: Que tipo de vida estamos construindo?