sábado, 20 de maio de 2017

As casas 1, 2 e 3









O significado esotérico da casas 1, 2 e 3 do horóscopo
Para a astrologia esotérica, as casas em si mesmas são uma limitação que deve ser transcendida através da qualidade ou luz que oferecem os 12 Signos com suas Três Cruzes, mas, mesmo assim, aceita-se sua existência e a oportunidade que oferecem, se se está orientado a uma vida superior.  Neste sentido, para a astrologia esotérica as casas têm um significado próprio que se esconde por trás dos efeitos exotéricos  relacionados com a astrologia tradicional.
Neste primeiro artigo, (a ele seguirão outros três), faremos uma análise analógico-comparativa entre o aspecto exotérico e o significado esotérico das três primeiras casas,  sem esquecer que, de seu aspecto mais psicológico-prático, referido significado só pode ser percebido por aquelas consciências que, por direito ou destino evolutivo, têm a necessidade de transcender as implicações mais materiais em favor das mais espirituais. São as “novas” consciências nascentes, e não a astrologia em si mesma que necessitam de uma astrologia renovada. Mesmo assim há que ter muito em conta que a astrologia esotérica NÃO anula a exotérica, antes, a inclui, enriquece, expande e matiza.
Todo horóscopo pode ser dividido em 4 quadrantes com suas três casas respectivas, sendo o primeiro, o que hoje vamos analisar, o quadrante que com mais firmeza nos fala  do “eu”.
Esotericamente falando, este primeiro quadrante é o mais subjetivo dos 4,  já que faz referência aos 3 aspectos primários do sujeito (“eu”): corpo mental, corpo astral e corpo vital ou etérico.




Casa 1
A casa 1 ou ascendente é a casa que marca o instante do nascimento, o Princípio que este traz consigo e, portanto, é a casa que faz mais referência ao “destino” do sujeito ("eu").
Nesta casa reside a mais poderosa afirmação do “eu”, um eu que, desde o aspecto mais materialista nos fala da aparência geral do corpo, sua saúde, a cabeça-cérebro, fortaleza e debilidade, temperamento, atividades e modos pessoais, e que, de seu aspecto mais espiritual, é a casa do surgimento do “Eu Superior”, a Alma de seu trono1 no cérebro/mente, com seu sentido do dharma, energia, qualidades, essência e propósito.
Como sabem, para a astrologia esotérica o significado do signo ascendente com seu correspondente reflexo mais material na casa 1 marca o propósito da Alma. Este signo é a qualidade que a consciência (desde a mente/vontade) deve aplicar em sua vida para melhor ajustar sua expressão pessoal de desejos, (mais vinculada ao signo solar ou linha de menor resistência), com o Amor que  a Alma traz consigo. Levar a bom termo este ajuste traz bem-aventurança, isto é,  saúde, tanto espiritual como física pessoal.
Marte, como regente arquetípico2 de casa 1, é a força que oferece o poder de acionar e experimentar o propósito material e espiritual subjacente nesta casa. Marte, regido pelo  6º Raio de Devoção e Ideal, é o que “luta” por aquele tipo de ideais (propósitos) que a Alma, ao reencarnar, decidiu viver, ativar e experimentar.

Casa 2
A casa 2 é o “lugar iluminado” pelo poder do “eu” proveniente da casa 1.  É o entorno imediato onde o eu se apropria de “aquilo” que, por estar iluminado por ele mesmo, lhe pertence, ou se assim não for, assim  o crê, gerando-se portanto o desejo de adquirir.
Exotericamente falando, nesta casa reside o desejo de adquirir experiência sensual, belos objetos, dinheiro, assim como também a possibilidade de bem empregá-los e/ou perdê-los. Do corpo físico nesta casa se situa a boca/língua/garganta,  isto é, o lugar por onde se adquire o alimento.
Esotericamente, todo este desejo de adquirir experiência ou sustento material em  consciências evoluídas se reflete como aspiração ou desejo de sustento espiritual.  O propósito da Alma nesta casa tem o dom de iluminar o desejo material, lembrem-se de que desejo é energia, portanto nesta casa é onde a energia, através da Alma, pode ser adquirida, utilizada e enfocada como aspiração ou desejo espiritual; processo no qual a perda material é um reflexo exotérico da necessidade mais esotérica de adquirir desapego para alcançá-lo.
Nesta casa também está situada a voz, o som entendido como a substância3 gerada por aquilo mais abstrato proveniente da casa 1. Esotericamente não é “aquele que vocifera o que deseja” mas sim “aquele que se ouve o que É”.
Portanto, e fazendo referência à Luz de Touro,  esotericamente falando não se trata tanto de desejar a forma material, (iluminada pela luz externa e  vista através dos dois olhos),  como ser consciente, (através da luz interna percebida pelo terceiro olho), do importante que é para o caminho espiritual o desejo equilibrado e dirigido.
Observemos as sempre sugestivas palavras do Mestre Tibetano em relação ao papel que Vênus (5º Raio) exerce como regente arquetípico da casa 2:
Vênus, que outorga a mente - mais a alma já incorporada, estão relacionadas e ativas nesta casa (dois). A luz da matéria e a luz da alma estão implicadas no emprego da energia e no problema do que se deseja, ou o que se considera perdido e o objetivo alcançado. Portanto, é a casa dos valores espirituais ou materiais”.
Lembremos que a qualidade da aspiração, (ou anelo de maior consciência de Alma), depende sempre do tipo de valor que a motiva.

Casa 3
Se a casa 1, esotericamente falando, traz consigo o propósito da Alma, e a casa 2 o “anelo” espiritual que este gera, a casa 3, por lógica descendente, nos traz sua vitalidade expressiva no corpo etérico.
A casa 3 é uma casa mutável, disposta às mudanças, flexível e instável, que encontra estabilidade em sua casa complementar, a 9, a casa das grandes viagens, onde se estabelece uma direção e, portanto, uma estabilidade.
Exotericamente é a casa dos irmãos menores, as relações flexíveis entre vizinhos ou conhecidos, é o impulso espontâneo, a improvisação do artista, a rapidez mental, aprendizagem superficial, viagens curtas, pequenos escritos, periodismo, internet…, no corpo é o pulmão e movimentos de braços e mãos. É a casa da coragem, entendida como a ação espontânea (valente) de  se comunicar com o ambiente.
Esotericamente falando, estas dinâmicas comunicativas são reflexo da importância que tem para a Alma ter, em seu próprio ambiente mais subjetivo que é a consciência, uma comunicação espontânea com seu reflexo inferior ou Personalidade. Inter-acionar os “dois irmãos”, implicados em toda reencarnação é de vital importância para o crescimento da Consciência entendida como uma Unidade.
Esta relação dual, que por Lei de Vida deve ser unificada, é levada a cabo por Mercúrio, (o regente arquetípico da casa 3), que através da Luz da Mente monta a união no corpo vital com seus 7 chacras. 
Nos livros de Alice Bailey se nos ensina que o “dom” de Mercúrio é regido  pelo 4º Raio de Harmonia no Conflito, e tem lógica que assim seja, porque o esforço de unificar o desejo pessoal com o amor da alma é um conflito que tende à harmonia. Não vamos esquecer que Deus, (a Unidade), rege o homem/humanidade através do “filho da mente”,  os processos mentais mercuriais criadores de conflito, reflexão e síntese. 
Na frase, “a energia (ou corpo vital) segue o pensamento”, reside a essência de Mercúrio na casa 3.

Propósito, Consciência e Vitalidade são os três aspectos divinos do “Eu” que encontram síntese na casa 4, a casa onde se toma a forma que unifica os três através da Lua/Câncer com seus significados ou Raios regentes,  mas este é um tema a desenvolver para o próximo artigo, no qual refletiremos sobre as casas 4, 5 e 6.



Astrologia (interpretação do horóscopo)
Como já sabemos, todo planeta presente em uma casa realça muito muito a importância desta casa através dos próprios significados do planeta.
Façamos neste sentido um simples exercício astrológico com Saturno. Como sabemos, tradicionalmente este planeta é o regente dos impedimentos, das limitações, é o planeta cármico por excelência.
Esotericamente falando, e sem excluir seus poderes exotéricos, Saturno é um planeta de grande valor espiritual, porque suas poderosas limitações geram na consciência a REAL necessidade de parar, refletir, recapitular, disciplinar e assim melhor reajustar o caminho a seguir em relação aos propósitos da alma ou consciência superior. 
Podemos pensar, pois, que Saturno situado no quadrante que mais afirma o “eu” é uma clara limitação para este, mas que, ao mesmo tempo, se a consciência assim o perceber, é uma clara oportunidade para melhorar sua afirmação espiritual.




Saturno em as três primeiras casas
Se aprofundarmos um pouco mais e analisarmos Saturno em cada uma destas casas, (sobretudo se o planeta está só, mal acompanhado e/ou mal aspectado), podemos afirmar que:

Saturno na casa 1, (talvez esta seja a posição mais delicada da três, por ser uma casa angular), exotericamente nos fala de sérias dificuldades na autoafirmação e, portanto, uma grande insegurança e a consequente necessidade, para se defender, de  exercer um forte e quase enfermiço controle do entorno.
Esotericamente, referida dificuldade é a oportunidade de reconhecer melhor o propósito da Alma, graças a que a capacidade de controle bem entendida é compreensão e atenção ao superior. E também a que, a insegurança é a oportunidade de entender a dúvida como um atrativo para uma mente mais livre e criadora.

Saturno na casa 2 exotericamente nos fala de frustração em relação ao que desejamos adquirir, (dinheiro, posses, sensualidade ou prazer), mas, esotericamente referida dificuldade pode se tornar uma profunda necessidade de aplicar o desapego, para assim poder transmutar o desejo frustrado em renovado desejo de descobrir e adquirir valores mais conformes com o verdadeiro propósito do “eu” proveniente da casa 1.

Saturno na casa 3, sobretudo se o planeta está só ou mal acompanhado e/ou mal aspectado, pode muito bem gerar má relação entre irmãos, comunicação deficiente, inter-ações difíceis ou falta de valor para se comunicar, mas, esotericamente, seu impedimento é a oportunidade para alcançar uma melhor relação subjetiva (na consciência e seus processos mentais) entre o “eu” e o “não-eu”,  que posteriormente bem seguro se refletirá no corpo vital ou 7 chacras como uma inter-ação e comunicação mais acertadas com o ambiente mais prático-objetivo.

…..
1Para o pensamento esotérico, ao reencarnar  a Alma ou Ego tem seu trono no quinto plano, começando por baixo, dos sete planos de que consta a mente.  Visto de uma perspectiva mais física/cerebral, muitas escolas esotéricas relacionam a Alma com a glândula pineal situada no centro do cérebro.
2Con o conceito “arquetípico” fazemos referência à regência clássica que cada planeta mantém sobre uma casa,  independentemente do regente do signo que a ocupe.
3Para o pensamento esotérico a “substância” é resultado da mescla de espírito com matéria, uma mescla que cria o aspecto psíquico (mente/emoção) sensível, promotor de consciência, neste caso expresso como som ou voz.


David.C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

WESAK






FESTIVAL DE WESAK


“Como é em cima é embaixo, como é embaixo é em cima” reza o axioma oculto, e o Festival de Touro não é exceção. Quando falamos de Wesak estamos nos referindo a um evento de fundamental importância na vida da humanidade e sobretudo do planeta, porque fazemos referência ao contato entre três reinos: Shamballa, o centro onde a Vontade de Deus é conhecida; a Hierarquia espiritual, o reino das almas e a raça humana. Se tivermos em mente que a humanidade é a grande responsável por iluminar-se para abrir as portas da energia espiritual aos reinos animal, vegetal e mineral, compreenderemos que se trata de um momento de união com amplos efeitos espirituais para a evolução planetária interna.



Mas a vivência não se acaba ali: Wesak não é um evento abstrato ou meramente intelectual, nem apenas um relato interessante cheio de fórmulas complexas; é também uma realidade da consciência, uma fusão entre a mente e o coração. Vejamos algumas analogias que podem nos iluminar a respeito, sempre as considerando do grupal e com ênfase no subjetivo.



Sabemos pela literatura religiosa e esotérica que, em Wesak, a Hierarquia de Mestres integral e Seus colaboradores realizam um grande ato de invocação de energia espiritual, culminando com a chegada do Buda e uma bênção trazida dos planos superiores. A humanidade está representada pelos discípulos, e cada pessoa que leva uma vida espiritual é chamada a ocupar seu lugar. Trata-se de um grande ato de invocação, através do qual a Hierarquia facilita o contacto com a energia superior do Buda e produz uma síntese durante um breve instante, resultando em uma iluminação cujos efeitos internos se estendem durante largo tempo.



Existe uma chave psicológica para interpretar o anterior, isto é, como o contato entre a mente (humanidade), a alma (a Hierarquia) e a Mônada ou fogo espiritual (o Buda), e a analogia é tão somente um simples ato de meditação enfocado no coração a serviço das metas do eu superior, com o vale e a montanha indicando os distintos estados do ser.



Temos assim um elemento mental, a humanidade, que prepara a forma para a afluência da energia sutil trazida pelo Buda (representando Shamballa). A atividade mental, meta da atual quinta raça, reflete-se nos desenhos geométricos criados antes do contato, os quais constituem um linguagem simbólica profundamente carregada de significado.



A iluminação é antes de tudo um efeito mental, um estado de realização que surge da união entre a formalidade do intelecto e a intrepidez do coração. Em certo sentido é buscada conscientemente, mas de pouco servem a luta, o esforço e o intelecto se não forem acompanhados pelo amor de servir à Vida Una, e aí vemos a necessidade de que a Hierarquia assista a humanidade nesse contacto.



Desse modo, cada pequeno átomo da mente preparada para o contato com a luz é simbolizado pelos discípulos e iniciados que participam do ritual. E, tal como nem toda a mente é utilizada na meditação, nem toda a humanidade pode participar do Festival, salvo aqueles que se encontram preparados para ele.



O outro componente é naturalmente o coração e, como dizíamos antes, não é possível ascender mais além de um determinado estado da consciência se este não estiver envolvido na reflexão. O amor, a horizontalidade, a fraternidade, o princípio de partilha são as chaves do processo, porque expandem a mente e a conectam em toda sua integridade, ampliando assim a capacidade de serviço, e como graça a iluminação. A analogia é a presidência pela Hierarquia do ritual de fusão realizado pelos homens, simbolizando a alma que guia a personalidade para o superior, e provendo através do Cristo a palavra de poder que, no momento culminante da invocação, convoca o Buda.



Diz-se que o Buda é invocado graças à atração magnética criada pelo ritual, e isso nos fala da impossibilidade de atuar se não existir previamente uma consciência grupal, a qual marcará a medida da bênção. Novamente preparação, invocação, equilíbrio e evocação, mais a iluminação resultante.



Estamos então ante um grande ato de magia organizada planetária, como gostava de dizer Vicente Beltrán Anglada, com uma importância fundamental para os sete reinos (ou corpos individuais) porque envolve a mente humana consciente, o grande meio de contato entre o superior e o inferior neste período. A realização cíclica (uma vez por ano) nos sugere que se trata de um ato de reflexão sintética, que reúne o melhor de um pensamento meditado e o ofereça amorosamente ante o Buda para que este o inunde de luz. Como se vê, é a analogia em grande escala da formação de um pensamento, a meditação centrada no coração e na revelação da luz.



Sejamos então parte desses ciclos espirituais dos quais Wesak é hoje a máxima expressão, esses momentos em que a humanidade como um todo é chamada à reflexão e à vida interna. Que o silêncio do contato nos refresque em nossa essência, o fogo, e que nas proximidades da união compreendamos o significado da fraternidade e do destino comum de todo ser vivente, chaves da Era de Aquário que estamos compartilhando.








Martin Dieser

sábado, 18 de março de 2017

A carta natal de Alice Bailey








Uma interpretação esotérica do horóscopo de Alice Bailey

Como muitos de vocês devem saber, Alice Bailey foi a iniciada que escreveu, graças às qualidades ou virtudes que entesourava o elevado grau evolutivo de sua consciência, os maravilhosos, sugestivos e altamente espirituais Livros Azuis do Mestre Tibetano.
Neste artigo é nossa intenção fazer uma breve interpretação psico-astrológica-esotérica do caráter e da alma de Alice Bailey. Para isso, primeiramente faremos referências às suas particularidades mais pessoais para, posteriormente, ser possível abordarmos com mais compreensão as suas realizações mais espirituais.
Destacamos que todos os dados biográficos utilizados no artigo foram extraídos de seu livro: “Autobiografía Inconclusa” da Editora Sirio[1].


[1] N.T. Editorial Sirio, Espanha.


Horóscopo de Alice Bailey
      





Juventude (“mau-caráter”)

Sabemos que Alice Bailey quando jovem foi uma menina com uma grande Fé em Cristo com a qual mostrou grande vontade evangelizadora. Contudo, do seu aspecto negativo, também sabemos que a jovem Alice sofria de um temperamento impulsivo que a tornava muito rebelde e individualista.

Esta atitude individualista (egoísta) é uma clara referência, pelo seu aspecto destrutivo, do 1º Raio de Vontade e Poder que sabemos com certeza (por referências dela mesma ou do próprio Mestre Tibetano) que foi o raio regente de sua personalidade.

Astrologicamente Saturno em Áries (queda), assim como Marte em Leão, (dois signos portadores do 1º Raio), fazem clara referência ao poder muitas vezes negativo e irreflexivo de uma personalidade de 1º Raio com Marte na casa 1 regente de Saturno em queda.

Podemos dizer que seu aspecto impulsivo destruidor pessoal se refletiu através das tendencias de um Sol em Gêmeos, (lembremos que o signo solar  para a astrologia esotérica são as forças pessoais, a Guna Rajas produtora de atividade - paixão), que derivavam repetidamente sua força vital no característico comportamento impetuoso de um Marte em conjunção angular na casa 1 em quadratura Netuno.

Esta atitude “confusa” ou egoísta está muito condicionada pela posição de Mercúrio, o regente exotérico do Sol, em conjunção nodo sul em Câncer casa XII, dando a entender certa herança cármica negativa vinculada com mal-estar emocional.

Mesmo assim, como veremos mais adiante, o trino de Júpiter desde o MC a Marte no Ascendente é promessa de grandes conquistas. 

Necessariamente, em uma pessoa tão evoluída, esta atitude, segundo suas próprias palavras, “violenta e desagradável”, demandava um sincero reajuste.

A primeira vez que a sua Consciência ou Alma lhe propôs a oportunidade de levar a bom termo referido reajuste foi em um domingo pela manhã (30 de junho de 1895) quando teve o primeiro encontro com seu Mestre Koot Hoomi 



Naquele dia Ele me disse: 

“… que eu tinha que realizar um trabalho para o mundo, e que para isso devia mudar minha disposição, pois tinha que deixar de ser uma criatura desagradável e obter certa medida de autocontrole”, “Meu futuro para com Ele e o Mundo dependia de se era capaz de alcançar um verdadeiro autocontrole…”,  “também me disse que eu viajaria por todo o mundo e visitaria muitos países”.

páginas 32-33-34 de sua Autobiografia  (editorial Sirio)
.
Sem lugar a dúvidas, a referência às viagens, que se mostrou correta,  foi dita por Koot Hoomi para manter a “fé” ou motivar o coração de uma jovem de 15 anos que naqueles dias e pelas clássicas razões da adolescência se sentia muito infeliz. 

Astrologicamente, o desânimo que Alice sofria naquela época (1905-1906) era devido a que Saturno por quadratura e Plutão por conjunção transitavam seu Sol natal em Gêmeos, invocando com sua pressão “o momento idôneo” ou a oportunidade para implementar o reajuste acima citado da forças pessoais.

Dito por ela própria:

“comecei a deixar de pensar que não era Joana d’Arc para começar a controlar meu caráter violento-explosivo” “… controlar minha língua iracunda…”

página 34 de sua Autobiografia  (editorial Sirio).

Verdadeiramente, como não poderia ser de outra forma, a visita do Mestre despertou nela a motivação para exercitar o autocontrole.


O reconhecimento da Alma

Neste “despertar”, bem podemos dizer que Alice Bailey começou a reconhecer as qualidades de sua alma graças à descoberta e aplicação do significado de seu signo ascendente, Leão. Como sabemos, para a astrologia esotérica o signo que ascende pelo leste ao nascer é o que ilumina o caminho da Alma através da  Guna Satwa - ritmo - harmonia. Portanto, Leão, marcou a qualidade que Alice Bailey utilizou  para se conhecer com mais profundidade.

Lembremos que o signo ascendente como caminho da alma só pode ser utilizado através da mente em contraposição reflexiva com o signo solar ou o caminho mais pessoal de uma mente condicionada por seus desejos.

Assim pois, foi graças ao Leão que Alice alcançou uma mente desapegada dos desejos pessoais e mais apegada à Alma, o passo prévio para poder praticar a impessoalidade com sua inofensiva e correta palavra, justo o que o Mestre lhe pediu.

Inevitavelmente esta atitude mental condicionou, e com o tempo “pôs sob seus pés”, todas as suas tendências pessoais: 1º Raio de Poder – Saturno em queda em Áries regido exotericamente por Marte Leão casa 1 - Gêmeos/Sol regido por Mercúrio na 12 conjunção nodo sul.


A frase para uma Alma em Leão é:


“Eu sou Aquele, Aquele sou Eu”

Leão em uma personalidade egoísta se define como “eu sou”, mas, para o sentido incluente da Alma Leão se define através da identificação com o outro eu (o Aquele).  Faz-se necessário, pois (devido ao sentido incluente) a união de duas partes, e esta fusão só se pode realizar na própria consciência. A palavra-chave deste signo é autoconsciência, o lugar onde se realiza a união que inevitavelmente deriva em uma autoconsciência superior à anterior.

Recorrer às possibilidades que oferecia Leão supôs para Alice a conquista consciente de grandes cotas de aceitação, compreensão, paciência e intuição, todas elas qualidades superiores  de sua Alma de 2º Raio de Amor-Sabedoria.

Foi graças a esta atitude que seu  Sol, regente esotérico do ascendente, passou a ser regido pela “luz” de Vênus, em sua própria regência esotérica, Gêmeos, signo portador do 2º Raio.


Maturidade

Este reconhecimento crescente (graças a Leão) das qualidades de seu raio da Alma, paradoxalmente acentuou nela um sentimento que já conhecia desde muito criança, o MEDO.

Neste sentido, o medo é a dificuldade psíquica principal que deve enfrentar toda Alma de 2º Raio para avançar no caminho espiritual. Toda parte positiva tem sua contraparte negativa, sendo para uma Alma de 2º Raio o aparecimento de um caráter indeciso (medroso) devido à sua grande capacidade (parte positiva) de estudo, reflexão, auto-observação e senso de relatividade.

O poder de raciocinar de forma impessoal e incluente que tem uma Alma de 2º Raio pode ser frustrante para os anseios de ação centralizada/excludente da personalidade, e mais se é uma personalidade de 1º Raio como foi o caso de Alice Bailey. Esta tensão dual, se não for bem gerenciada (a partir da mente iluminada pela Alma) pode muito bem condicionar a ação através do medo, criando frustração e excessiva autocomiseração.

“o medo de fracasso está profundamente arraigado em minha vida….daí o profundo complexo de inferioridade de que sofro, mas que procuro ocultar em bem da obra que realizo”

 página 73 do livro “Autobiografia  inconclusa”

Lembremos que toda aquisição (acumulação) de conhecimento espiritual encontra saída natural através de sua aplicação (serviço) no entorno (família, vizinhos, grupo, sociedade) mais imediato. É no serviço, e não no excesso de conhecimentos onde a personalidade tensionada (com seus medos ou egoísmos) deve ser transmutada.

Assim, pois, através da energia do Leão, aumentou em Alice o poder de raciocinar pela autoaplicação dos conhecimentos adquiridos, (qualidade do 2º Raio), descobrindo neste processo a inestimável força curadora de seu Vênus em Gêmeos: a luz da inteligência amorosa ou compreensão aplicada a seu grande labor espiritual para a humanidade que todos já conhecemos.

Astrologicamente falando, este labor está poderosamente dignificado em seu excepcional Meio do Céu/Júpiter/Áries. A definitiva expansão de um destino vocacional aplicado com Amor e Sabedoria.


Síntese final através das Três Cruzes

Alice Bailey, através da cruz fixa (arrancando desde Leão) se relacionou com sua cruz mutável posicionada fortemente em Gêmeos. Esta união, ou melhor dizendo, inter-relação entre a consciência (refletida na cruz fixa) e a atitude vital adaptável (refletida na cruz mutável) deu essência espiritual à sua cruz cardinal, refletida principalmente em Áries/Meio do Céu, onde Saturno foi a oportunidade de uma grande destino e Júpiter o esplendor de sua grande Alma.

Em Alice Bailey, através do significado subjetivo ou esotérico do Leão, se mesclou profundamente o Amor-Sabedoria do 2º Raio de sua alma (refletido em Gêmeos-Virgem) com o Poder do 1º Raio de sua personalidade (refletido em Leão-Áries).  Os signos e raios se entrecruzam. Neste sentido, é muito significativo que Urano, (em última análise o planeta portador do 1º Raio), esteja em Virgem (2º Raio) em recepção mútua hierárquica com Júpiter (planeta portador do 2º Raio) em Áries (1º Raio).


1º Raio + 2º Raio, Leão + Geminis, ritmo + paixão,  harmonia + atividade, Alma e Personalidade integrados.



O Mestre Tibetano


Os trânsitos e progressões de uma data-chave

Como é lógico pensar, um dos dias mais importantes, por não dizer o mais importante na vida Alice Bailey, foi a tarde em que, pela primeira vez, fez contato com o Mestre Tibetano, o grande sábio que, graças aos profundos conhecimentos esotéricos e cristãos que Alice possuía e através de sua capacidade de telepatia e/ou clariaudiência, criou os mundialmente conhecidos Livros Azuis.

Ela assim narra em sua autobiografia:

“Em novembro de 1919 estabeleci meu primeiro contato com o Tibetano. Havia mandado minhas filhas para a escola e, com a ideia de ter alguns minutos para mim, saí em direção a uma colina, próxima de casa. Ali me sentei e comecei a refletir, quando de pronto me senti alarmada e prestei atenção. Ouvi o que me pareceu uma clara nota musical, emitida do céu, e ressoando na colina e dentro de mim. Então escutei uma voz que dizia: Deverão ser escritos certos livros para o público. Você pode escrevê-los. Você o fará? …, ”

página 122 do livro “Autobiografia Inconclusa”

Na carta a seguir mostramos os trânsitos (marcados pelos planetas externos em vermelho), e as progressões (pelos planetas + Asc + Mc externos em verde) para aquele importantíssimo primeiro contato.

Carta Natal + Trânsitos + Progressões



Como não poderia deixar de ser, este grande dia está bem marcado no horóscopo/relógio de Alice Bailey através dos trânsitos e progressões daquele momento, já que Júpiter e Netuno, (dois planetas muito benéficos portadores do 2º Raio), transitavam então justo sobre seu ascendente natal, o signo que marca o caminho da Alma. Assim como também por progressão, seu Sol Vênus Mercúrio cruzavam pelo ascendente, ao mesmo tempo que, por progressão, seu ascendente fazia contato com seu Urano, (o planeta que desvela os mistérios) natal em Virgem, e justo também, o MC natal progredido entrava em Gêmeos, importantíssimo signo para as almas de 2º Raio. 

Tudo isso nos sugere que para Alice, e graças a seu alto grau evolutivo, chegara o grande momento de tomar consciência, (através de Júpiter-Netuno-Virgem e Gêmeos, planetas e signos portadores do 2º Raio), do excepcional “dom” - destino que sua Alma entesourava.






Os 3 níveis da interpretação astrológica.

Não há que esquecer que em uma carta natal o papel de um Signo ou Planeta pode ser analisado de vários pontos de vista, sempre e quando o dono do horóscopo for uma consciência com certo grau de evolução. 

É evidente que Alice Bailey foi e, portanto, em seu horóscopo, o Sol (para nos centrarmos em um só ponto) pode ser visto como:

O Sol como regente exotérico de Marte em Leão casa 1 é visto como o aspecto mais ativo egoísta de sua personalidade de 1º Raio. Aqui Netuno ou o psiquismo inferior ainda não está transcendido, e Saturno, regido por Marte, exerce poder cármico desde Áries através da casa 1. 

O Sol, como regente esotérico do ascendente Leão, em Gêmeos conjunto com Vênus, é visto como a luz inteligente de sua Alma de 2º Raio. Aqui Netuno está controlado e, portanto, sua (de Netuno) é a expressão do psiquismo superior ativo, compreensão ou empatia. Lembremos que Netuno tanto é o psiquismo superior como o inferior, dependendo do nível de consciência que o rege.

Neste nível Vênus já é o regente esotérico do Sol ou o reflexo de uma mente iluminada pela Alma.

Sol como regente hierárquico da energia de Leão, velando Urano em Virgem, regido hierarquicamente por Júpiter. Urano em Virgo desvela o Cristo interno através de Júpiter, o planeta portador do 2º Raio ou Alma de Alice Bailey. O aspecto criativo espiritual de sua Alma está vinculado com Áries, onde Urano é regente hierárquico, ao mesmo tempo que é regente esotérico de sua Lua em Libra.

Observemos que neste nível 3, a Terra, como regente hierárquico de Gêmeos, está em Sagitário, regido hierarquicamente por Marte em Leão, por sua vez regido pelo Sol em Gêmeos. Um triângulo hierarquicamente fechado que nos fala de seu importantíssimo Marte, a ação, já totalmente submetido e dirigido pelo aspecto criativo da Alma.


Obrigado Alice


David C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)