quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sagitário: correto pensar e falar

Ricardo Georgini


O trabalho de Hércules associado ao signo de Sagitário é espantar os pássaros do lago Estínfale. Sagitário é um signo de elevado idealismo, profunda reflexão e busca de sabedoria. Este trabalho representa o correto uso do pensamento e da fala, para expressar cada vez mais a verdade.
A região do lago Estínfale estava recoberta de pássaros ferozes. Em imensa quantidade, eles devastavam a vegetação da região e contaminavam o lago. Quando levantavam voo, era impossível ver com clareza o céu e o sol. Hércules tinha a tarefa de restabelecer a ordem.
O herói tentou matar os pássaros um a um, colocando armadilhas e atirando flechas. Logo percebeu que esse método não seria eficiente, pois a quantidade de aves era enorme. Então Hércules fez uma pausa e ponderou sobre a questão. Uma ideia lhe veio à mente. Ele pegou os dois címbalos de ouro que recebera de Minerva e tocou-os fortemente. Afugentados pelo tremendo som, os pássaros logo debandaram, e a paz voltou à região.
Os pássaros simbolizam os pensamentos, pois podem voar com liberdade para o alto e ver longe, por uma perspectiva mais elevada e abrangente. Os pássaros também simbolizam a fala, pois, voando, podem mover-se com rapidez e viajar pelo mundo. O pensamento e a fala são forças criativas muito poderosas.
O pensamento nos permite ver possibilidades e captar o novo. Algumas vezes, uma nova visão logo se torna um novo modo de vida. Outras vezes (provavelmente a maioria), ocorre um longo processo de maturação interna, de modo que gradualmente o novo pensamento se reflete em nossas emoções e desejos, e finalmente em nossas ações, comportamento e relacionamentos. Quando não compreendemos o funcionamento desse processo interno, podemos impor-nos exigências precipitadas e atrapalhar um processo que estava muito bem encaminhado. Mas quando compreendemos esse processo de maturação, podemos cooperar pacientemente com ele.
Os pássaros pousados no lago e ao redor representam aqueles pensamentos que não são novos, mas já assentaram em nossa vida emocional e física. Tais pensamentos constituem uma cristalização, condicionando e restringindo a nossa vida. Qualquer pensamento é sempre parcial, é só uma dentre tantas possibilidades, é só um degrau na escada. A verdade, o amor, a beleza, a justiça são sempre maiores que qualquer pensamento ou teoria. Por isso não devemos estagnar em nossa visão atual, mas sempre seguir adiante, procurando renovar nossos pensamentos e buscando uma compreensão ainda mais ampla e profunda.
A pausa reflexiva de Hércules representa o silêncio meditativo, quando a mente procura ir além dos pensamentos e interpretações atuais, abrindo espaço para o novo. Tendo captado uma nova ideia, Hércules usa o som para ancorá-la e dispersar os pensamentos antigos que não lhe servem mais. Minerva é a Senhora da Sabedoria, e o toque dos címbalos de ouro representa o uso da palavra para expressar novas ideias, uma compreensão renovada e um fluxo fresco de inspiração. Através do poder criativo da fala, nós recriamos e transformamos os nossos padrões na vida, substituindo o velho pelo novo.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Escorpião: humildade e iluminação

Ricardo Georgini

O trabalho de Hércules ligado ao signo de Escorpião é a destruição da hidra de Lerna. Escorpião é um signo de conflitos e lutas, e de profundidade e intensidade. Este trabalho representa a busca de uma atitude mais esclarecida e abrangente a respeito dos desafios e embates da vida — lidando com as suas causas ocultas, e não apenas tratando dos efeitos.
A hidra era uma serpente monstruosa de nove cabeças. Quando atacada, ela se fortalecia a cada golpe, em vez de enfraquecer. E se uma cabeça era cortada, duas outras cresciam em seu lugar. Esse monstro asqueroso fez sua morada no pântano de Lerna e empesteou a água de toda a região, provocando doenças e mortes. A tarefa de Hércules era eliminar a causa da contaminação.
Em meio à atmosfera nebulosa do pântano, Hércules procurou em vão pela hidra. Finalmente, encontrou a sua toca: uma caverna profundamente escura. Então, ele atirou flechas flamejantes no interior do covil. A hidra saiu furiosa, atacando o herói. E Hércules combateu-a bravamente, até perceber que não adiantava lutar contra ela. Então, ele se ajoelhou e agarrou-a, erguendo-a bem alto, além da atmosfera do pântano. Exposta ao ar puro e à luz, a hidra não pôde viver, e suas cabeças tombaram mortas.
A hidra representa os impulsos inferiores e complexos que residem na caverna escura do inconsciente e contaminam a mente, o coração e a vida humana. Ela é o conjunto de todos os pensamentos, emoções e desejos excessivos, desequilibrados, mal trabalhados. A hidra existe no interior de cada um de nós, sem exceção, pois faz parte da natureza humana. Encontrá-la e enfrentá-la requer uma tremenda coragem, e é um trabalho para o Hércules que também existe em nós.
Comumente, ao entrarmos em contato com os ensinamentos espirituais, nós os interpretamos de maneira simplista, distorcida e ilusória. Naturalmente, fazemos isso sem perceber, com muita dedicação sincera, mas pouca inteligência espiritual. Assim, imaginamos que, no caminho espiritual, devêssemos logo nos livrar de todas as tendências inferiores, todo medo, raiva, ambição, vaidade, orgulho, etc. Mas o que acontece, então, é que tudo isso apenas fica escondido em nosso inconsciente, e continua contaminando a nossa vida interna e externa.
Um dos principais requisitos para a iluminação da consciência é a humildade, representada por Hércules ao ajoelhar-se. Ela nos permite reconhecer que somos como qualquer outro ser humano, sujeitos às mesmas falhas, dificuldades e limitações. Então, não pretendemos ser diferentes, especiais, melhores. Nem fingimos — para nós mesmos e para os outros — que não temos dentro de nós todas as tendências que são comuns a todos os seres humanos. Assim, podemos encarar com naturalidade e maturidade o que quer que surja dentro de nós. E podemos não lutar contra, mas elevar o nosso problema para outro nível de compreensão.
Um problema não pode ser resolvido a partir do próprio nível em que foi criado. A resolução acontece a partir de um nível mais alto. Quando alcançamos uma perspectiva mais elevada — e portanto, mais abrangente ou compreensiva —, podemos conhecer as causas de uma situação e então mudar a maneira como lidamos com ela. Nas alturas de uma mentalidade sábia e amorosa (a luz e o ar puro), podemos compreender que tudo o que existe em nós é bom, desde que seja mantido na sua justa medida, no seu correto lugar e no seu momento apropriado. Não há nada a ser combatido ou exterminado dentro de nós, mas apenas compreendido e reajustado.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sábado, 8 de outubro de 2011

Libra: moderação e equilíbrio

Ricardo Georgini


O trabalho de Hércules relacionado ao signo de Libra é a captura do javali de Erimanto. Libra é um signo de moderação e de energia equilibradora, e este trabalho representa a busca e a conquista desta notável qualidade: equilíbrio. É uma qualidade que poderia parecer simples ou banal; em verdade, é muito difícil de ser alcançada e requer elevada sabedoria.
No Monte Erimanto, um javali gigantesco devastava toda a região. Hércules recebeu a tarefa de capturar o feroz animal. No caminho para a montanha, o herói encontrou seu amigo Folo, um centauro (metade homem, metade cavalo). Hércules esqueceu-se da tarefa, e os dois ficaram a conversar e beber. Em meio à bebedeira, iniciou-se uma briga com outros centauros, e Hércules acabou matando acidentalmente o seu amigo.
Com a tragédia, o herói recordou-se de sua tarefa e retornou a ela. Ele perseguiu o javali montanha acima, de modo que a fera fugisse sempre para mais alto. No topo, o javali não tinha muito espaço para se esquivar, então Hércules colocou uma armadilha e logo capturou o animal. Hércules conduziu o javali montanha abaixo segurando as suas patas traseiras e empurrando-o como um carrinho de mão. E no caminho, todos se alegravam e riam com a cena inusitada.
No mito, Hércules representa a alma ou Eu Superior. O selvagem javali representa a nossa natureza inferior: nossos apetites, instintos, hábitos, preferências, desejos. O trabalho consiste em equilibrar estas duas partes do nosso ser, a superior e a inferior, e trazê-las a um estado de cooperação, cada uma desempenhando a sua devida função. Hércules conduzindo o javali representa tal equilíbrio e cooperação dentro do próprio indivíduo, de modo que a alma se expresse perfeitamente através do corpo.
Esta conquista acontece no alto da montanha. Com sua forma triangular, a montanha é um símbolo da consciência espiritual. Subir uma montanha significa elevar a consciência. Assim, para alcançar equilíbrio e cooperação internos, é preciso buscar uma perspectiva superior, mais ampla e sábia, que possa compreender o correto papel de cada coisa — dentro e fora de nós. Com tal visão abrangente, podemos juntar corretamente todas as peças do quebra-cabeça da vida, e compor um todo harmonioso.
Os lados opostos da montanha ficam cada vez mais próximos um do outro à medida que subimos. E no topo da montanha, já não existem lados, mas apenas um ponto de síntese. Para nos elevarmos, devemos estar dispostos a abrir mão dos extremos. É a moderação o que possibilita a elevação. Ao lidarmos conosco mesmos, com as situações da vida e com as outras pessoas, as atitudes radicais e extremistas produzem distanciamento e separação. Nós nos afastamos das pessoas e da realidade da vida, e dentro de nós mesmos as coisas também ficam desconexas. Já a moderação é uma abertura para o outro, o diferente, o novo. Ela torna possível a expansão e elevação da consciência.
Mas isso também não significa ser condescendente com os outros ou conosco mesmos. No mito, o encontro de Hércules com Folo representa a busca do prazer independentemente do dever. Quando Hércules procurou apenas agradar o amigo e a si próprio, o resultado foi dor. Temos que estar vigilantes, pois há sempre a tentação de fazer aquilo que é mais fácil e prazeroso, em vez daquilo que é justo e direito. Por outro lado, com o cumprimento do dever, o mito termina em riso e alegria. Quando trilhamos o caminho da moderação, atentos ao dever, buscando equilíbrio e cooperação, o resultado é uma genuína alegria, que se irradia.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Virgem







Virgem: compreensão amorosa
O trabalho de Hércules ligado ao signo de Virgem é a tomada do cinturão de Hipólita. Virgem é o signo do acolhimento, cuidado e nutrição, e este trabalho representa a delicada tarefa de acolher, ao mesmo tempo em que procuramos orientar corretamente, tudo o que existe dentro e fora de nós.
Hipólita era a rainha das amazonas, uma comunidade de mulheres guerreiras que viviam isoladas dos homens. Ela recebera de Vênus um cinturão, e a tarefa de Hércules era obtê-lo. Logo que chegou ao reino das amazonas, o herói se pôs a lutar com Hipólita. Ele arrancou-lhe o cinturão, matando-a. Só então percebeu que ela não desejava lutar e entregava-lhe livremente o que ele buscava.
Desolado com o seu erro, Hércules voltava para casa por uma encosta marítima, quando ouviu os gritos da donzela Hesíone. Um monstro marinho acabava de abocanhá-la. Esquecendo-se de si mesmo e de sua dor, Hércules lançou-se ao mar e nadou até o monstro. Ele entrou pela boca da criatura e desceu até o seu estômago, segurou Hesíone com o seu braço esquerdo e com a mão direta usou a espada para abrir a barriga do monstro e retirá-los dali. Assim, Hércules redimiu o seu erro anterior. E só assim o trabalho foi completado.
Parte da beleza do mito está no fato de que Hércules às vezes cometia erros, tal como nós, e tinha que voltar atrás e endireitar-se. Vênus é a Senhora do Amor e da Unidade, e o cinturão do mito é um símbolo de união. União é algo que acontece entre dois, e o verdadeiro trabalho de Hércules era unir-se com Hipólita. Mas isto ele não compreendeu, e procurou obter a união, paradoxalmente, sem levar em consideração aquela com quem deveria unir-se.
As amazonas representam o lado material da vida, quando dissociado do espiritual. Hércules representa o Eu Superior ou a nossa essência espiritual. A meta para os seres humanos é a perfeita sintonia entre a vida material e a vida espiritual. No caminho espiritual, o corpo, os hábitos, a família, o trabalho, o dinheiro e tudo mais, não devem ser negligenciados, anulados ou eliminados. Devem ser acolhidos e compreendidos a partir de uma perspectiva mais profunda e mais ampla. Então devem ser amorosamente ajustados para que reflitam os princípios e valores espirituais.
Toda a espiritualidade tem a ver com união. A palavra “religião” vem de “religar” (o humano com o divino). O termo oriental “ioga” significa integração ou união. A união acontece por dentro (entre o material e o espiritual em nós) e por fora (entre eu e os outros, eu e a coletividade).
Unir-se com o outro é também um grande desafio. Levar o outro em consideração é um grande desafio. Parece simples, mas muitas vezes, não compreendemos que o outro é outro, não é como eu. Ele tem a sua própria história, suas motivações, sua maneira de pensar e de fazer as coisas... Tem a sua própria missão e a sua contribuição. A paz, a justiça e a fraternidade — entre pessoas e entre povos — não podem ser impostas unilateralmente; têm que ser construídas conjuntamente, com a contribuição própria de cada um.
A maneira como Hércules salvou Hesíone representa o processo pelo qual o espírito acolhe, eleva, redime e ilumina a matéria. Representa também a disposição de ir em direção ao outro, percebê-lo, manter-se ao seu lado e cooperar com ele. Em sua errônea relação com Hipólita, Hércules procurava obter e tomar, mas em sua correta relação com Hesíone, ele buscou compreender, servir e dar.

Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Intuição ( II )




                    A intuição ( II ) e suas correspondências planetárias.

A intuição é um processo estreitamente relacionado com a palavra Amor ou a capacidade de Unir.
Em última instância, este universo todo é uma expressão do Amor de Deus, mas se o analisarmos de uma vertente mas próxima e para definir o Amor, utilizamos as palavras generosidade, expansão, compreensão, sensibilidade, sentimento e imaginação e os planetas aqui mais relacionados são: Netuno Júpiter e Vênus.


Netuno é o grande regente do psiquismo, tanto inferior como superior, daí que em muitos Amores chamados repentinos, reais ou não, Netuno esteja presente, e daí também que em sua vertente mais espiritual esteja muito presente também nas cartas de grandes criadores e místicos.

Observar a “impressionante” força de Netuno e da Lua nas duas cartas* das meninas que viram a Virgem, tanto em Fátima como em Lourdes. Nelas se vê claramente a capacidade de Netuno para espiritualizar a matéria-Lua (Maria) através do Amor gerado no sentimento devocional (plexo solar).
Também é muito importante observar nestes dois casos místicos, como o regente esotérico do ascendente (Alma) participa de forma importantíssima da relação Lua-Netuno.

Assim, o planeta que marca o contato com o princípio Crístico é Netuno, a flexibilidade, empatia, sensibilidade, imaginação,   são palavras-chave para aceder ao plano Búdico, o lugar onde é possível unir a pequena vontade humana com a realidade suprema.
Netuno, esotericamente é considerado “o coração do Sol” (Amor) e é junto com Urano (Vontade Espiritual) e Saturno (Inteligência Prática), um dos três sintetizadores do nosso sistema solar.


Para aceder ao plano intuicional, não só faz falta uma forte “evocação amorosa”, como também é preciso ter o “dom” de Júpiter: capacidade de expansão através do Amor Includente. Júpiter é o grande doador de vida do zodíaco, o grande servidor capaz de incluir a todos em seu interior. Por isso a atitude positiva e a generosa confiança são necessárias para que a intuição tenha um reflexo correto no coração.


E por último Vênus, o planeta que relaciona a Alma com nosso ambiente, a energia que melhor unifica a dualidade. É precisamente a qualidade Vênus que levará nossa intuição ao mundo objetivo como serviço aos demais.

Antes de concluir, há que ter presente Mercúrio, já que é o construtor do Antakarana, o Caminho interno pelo qual a informação Espiritual é transmitida aos três corpos inferiores, e portanto sua função construtora é necessária antes de que o exposto acima seja dado.

Somente em caso de necessidade muito extrema a intuição pode ser revelada de forma inconsciente, isto ocorre quando o conflito gerado nos corpos inferiores é capaz de evocar as forças do Amor em demanda de uma solução muito necessitada. Esta situação em geral está refletida na Lua quando vela Netuno, a pessoa não é capaz, daí o véu, de compreender o significado emocional de Amor (Netuno) que reside por trás da forma (Lua), isto gera nela um forte mal-estar, a força da qual é capaz, através da Alma e de forma inconsciente, de obter uma intuição curativa. Neste caso, Marte é o regente do plexo solar e não Netuno, o qual permanece velado.




Como diz o provérbio: “As árvores impedem a visão do bosque”

A intuição é ver o bosque, ver nos muitos o “uno” e isso é possível uma vez que tenham sido explorados e esgotados os recursos da mente inferior, para dar passo à capacidade de entrar no mundo das causas, pensar no todo e sintetizar com a confiança do coração.

David c.m.


*Lucia do Santos: 22 de março de 1907 às 20h37, Aljustrel, Fátima (Portugal)
  Bernardette Soubirous: 7 de janeiro de 1844 às 14h00, Lourdes (França)

I

sábado, 20 de agosto de 2011

A Intuição


 





                           A Intuição ou o Amor como nexo de união


Para a estrutura dos 7 planos, (7: físico-etérico, 6: astral-emocional, 5: mental inferior-superior, 4: Búdico-razão pura, 3: Espiritual – inteligência, 2: Monádico – amor, 1: Ádico – vontade); a intuição reside no plano 4 ou Búdico, justo o intermediário entres os três planos superiores e os três inferiores.

Se fizermos uma analogia com os raios cósmicos pares afins (linha de amor), poderíamos dizer que o 4º raio une através da Harmonia e da Criatividade, o Amor Sabedoria do 2º raio com o Sentimento Sensibilidade do 6º raio.

Relacionando estes conceitos aos 7 “nós” do homem, se poderia dizer que o chacra cardíaco une através do amor magnético ou princípio crístico, o centro ajna ou agente da expressão da Alma com o plexo solar ou corpo de desejos e sentimentos.



Exposto de outra forma, quando a Necessidade é impulsionada pelo Amor includente ativa-se o plano Intuicional no homem, e esta nova razão pura ou harmonia deve se refletir no coração. Daí que com muita frequência associemos a intuição a “ter um pressentimento”, e que a frase “pensar com o coração” seja a chave para compreender a função do 4º plano Búdico ou plano intermediário.

Quando uma ideia ou pensamento não tem a capacidade de incluir e ser flexível em suas propostas, é uma ideia excessivamente fria (mental) e de pouca intenção amorosa, assim a sua capacidade de ativar o coração é nula, e sua capacidade de ativar o plexo solar do seu criador deve-se a que não existe uma forte ambição pessoal ou desejo pessoal.

Portanto, a prerrogativa para pensar com o coração é ter uma mente adequadamente desenvolvida, o que se obtém no processo de transmutar o desejo em Amor através, precisamente, da mente. Neste processo, ela (a mente) é obrigada a ser honesta e assim se enriquecer para poder se mesclar com o Amor.

A Alma com Seu silêncio ou “presença” dá clareza ao corpo mental, serenidade ao corpo emocional e pureza ao corpo físico. Ela, ao fazer isto, está preparando o corpo causal (seu próprio corpo), para que tenha uma percepção real do plano Búdico e, assim, possa unir o coração e a mente do homem em uma ação física objetiva: serviço.

Se entendemos que o plano intuicional é justo o que está no meio, podemos deduzir que a intuição é aquele lugar onde a Vontade de Deus se une à vontade do homem e o acesso a este plano só é possível através de uma atitude de Amor autoconsciente.




3 frases chave para compreender a intuição extraídas do livro “Espelhismo” de Alice Bailey*:


  • reconhecer internamente, por experiência própria e não em teoria, que somos parte da grande Vida do mundo”.

  • fazer contato real com o interior de cada forma, estabelecendo uma relação essencial, deixando relegado a segundo plano o sentido de superioridade e separatividade”.

  • a captação sintética e includente da vida e necessidades de todo os seres”

*para obter mais informação, consultar a definição de intuição que DK nos oferece nas primeiras páginas deste livro






Ele lutava em sua mente por encontrar um raciocínio que desse fim às suas inquietudes internas, mas este não chegava nunca. Um dia, quando estava passeando tranquilo à “luz de um formoso jardim”, teve uma revelação espontânea… a partir desse momento soube em seu coração que aquela certeza era a solução de todas as suas “dores de cabeça”.
Daí em diante seus passos nunca foram frios e pesados, mas ligeiros e compreensivos.



David c. m.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Leão: o pequeno eu e o Eu Superior

Ricardo Georgini


O trabalho de Hércules relacionado ao signo de Leão é a morte do leão de Nemeia. Quinto signo do Zodíaco, Leão estimula nos seres humanos a autoconsciência e a autorregência. Este trabalho representa a descoberta de um eu mais profundo e o exercício de conduzir-se na vida a partir deste centro.
Um terrível monstro, um leão enorme e de pele impenetrável a qualquer arma, assolava a região de Nemeia. Os seus habitantes estavam atemorizados e não podiam viver e se desenvolver normalmente. Hércules recebeu a tarefa de eliminar a fera. Quando ele encontrou o leão, disparou-lhe flechas, que bateram em sua pele e caíram ao chão. O leão foi aproximando-se do herói, rugindo de modo amedrontador, mas Hércules gritou com igual força, então a fera se pôs a fugir.
Hércules perseguiu o leão até o seu covil, que era uma caverna com duas aberturas. O herói entrou por uma abertura e atravessou a caverna escura até sair pela abertura do outro lado, sem encontrar a fera. O leão tinha saído pela segunda abertura e tornado a entrar pela primeira. Então Hércules reuniu algumas toras e bloqueou uma abertura, entrou pela outra e bloqueou-a também. E assim, no escuro da caverna, enfrentou sozinho e desarmado o monstro. Hércules agarrou o leão pelo pescoço, apertando-o até que morresse sufocado. Depois usou a garra do próprio leão para cortar-lhe e retirar-lhe a pele, e passou a vesti-la.
O leão é chamado o rei da floresta e representa o regente no interior de cada ser humano: o nosso eu. O eu é como o Sol; é a fonte da luz da consciência e o centro da nossa vida psicológica. Uma das principais tarefas evolutivas de todo ser humano é desenvolver a autoconsciência, e isso é o que estamos todos fazendo, quer percebamos ou não, através de tudo o que buscamos e realizamos no mundo. Quando há autoconsciência, o eu pode atuar como o regente interno, harmonizando pensamentos, sentimentos, desejos, palavras e ações, e produzindo uma vida de sucesso.
Os que aspiram trilhar o caminho espiritual devem estar bem encaminhados no desenvolvimento da autoconsciência. Não há espiritualidade genuína sem autoconsciência. Contudo, o longo e árduo trabalho de desenvolver a autoconsciência e fortalecer o eu se faz através do autocentramento e autointeresse, e muitas vezes leva a um egoísmo exacerbado, ambição desmedida, orgulho exagerado e vaidade excessiva. É essa condição que o leão monstruoso do mito representa.
Por trás desse eu que conhecemos, há o que poderíamos chamar de um eu mais profundo: o Eu Superior, a nossa essência espiritual. O pequeno eu é caracterizado por um sentido de isolamento e separação, mas o Eu Superior sabe que é um com todos e com tudo. No mito, Hércules representa esse Eu Superior, procurando eliminar os excessos do pequeno eu.
O leão era invulnerável a qualquer arma, o que significa que nenhum artifício mental, teoria, crença ou técnica poderá solucionar a exacerbação do eu. As duas entradas da caverna representam os pensamentos e os sentimentos, e enquanto estivermos envolvidos com eles, o pequeno eu continuará a nos despistar e ludibriar.
A solução encontrada por Hércules foi sufocar o leão, impedindo-o de respirar o ar que lhe dava vida. O ar que vivifica o pequeno eu é o nosso interesse em nós mesmos. Assim, sufocar o leão significa deixar de dar tanta importância e prestar tanta atenção ao pequeno eu, com seus defeitos e qualidades. A exacerbação do eu é causada pelo autointeresse e não poderá ser corrigida pela preocupação com o autoaperfeiçoamento. A solução é o autoesquecimento.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Aquário - Novos Tempos




Novos Tempos (a entrante era de Aquário)


Já faz muito tempo que se está falando e refletindo sobre a chegada da nova Era de Aquário, há todo tipo de “especulações” e premonições que dão a entender que estamos em pleno processo da tão ansiada chegada.

Por outro lado, astrologicamente é um processo lento, como corresponde à entrada de uma nova era de 2500 anos; mas há que se observar que atualmente há uma mudança importante de signo dos chamados três planetas interpessoais, os quais afetam a Alma das pessoas sensíveis e os passos evolutivos que a raça humana deve enfrentar.

De forma muito sintetizada poderíamos dizer que as três influências são as seguintes:

  • Plutão em Capricórnio: Transformação e drenagem de todo tipo de processo cármico. Purificação para enfrentar novas situações. O que deixou de servir ou está cristalizado deve “morrer” para dar espaço ao novo.
  • Urano em Áries é um movimento que nos fala desta novidade. Urano é o regente hierárquico de Áries, o signo das ideias, do primeiro impulso que nos faz avançar, sendo a entrada de Urano neste signo, assim, o símbolo do princípio de um novo ciclo ou da chegada de novas e poderosas atitudes de Vida.
  • Netuno em Peixes: Esta “formosa” influência dá a entender que a humanidade deverá passar por novos processos nos quais adquirirá uma nova sensibilidade. Para dizer de forma estrita, teremos de aprender a diferenciar entre sensibilidade sentimental e sensibilidade psíquica autêntica. A emoção é uma força inestimável para o homem, sempre e quando esteja relacionada com uma necessidade real e não um desejo egoísta.

Estas novas propostas energéticas, se a humanidade for capaz de compreendê-las adequadamente, serão a base firme que levarão o Homem-Mulher à mudança gradual da quarta dimensão (astral) à quinta (mental).
Esta mudança é um processo natural que a raça humana deve dar, já que é obrigação evolutiva aprender a “sentir” e servir com as grandes possibilidades do quinto princípio mental (raça ária), e ir deixando em um segundo lugar as forças mais emocional-astrais do quarto.



As perguntas que podemos fazer em relação ao que se diz que vai ocorrer ou que está ocorrendo na atualidade, são muitas:
Para quando é a chegada da Hierarquia e do Cristo na Terra? – Estamos realmente preparados para isso? - Que papel os países devem exercer? - Como a humanidade pode utilizar o dinheiro de forma mais adequada? - É correta a interpretação que fazemos do calendário Maia? Até que ponto são reais todas as notícias que falam de grandes catástrofes vindas do mar como símbolo de purificação? - Que grau de influência tem a atitude do homem sobre os acontecimentos que estão ocorrendo ou dizem que ocorrerão? – É verdade que dentro do processo há uma dualidade, a das Almas que o compreendem e as que não compreendem? – O que acontecerá com estas últimas? …

Enfim, como vemos as interrogações podem ser muitas, mas é preciso entender que quando os processos envolvem todo o planeta Terra, o Ser individual é incapaz de abarcar sua compreensão e, portanto, a melhor atitude que podemos adotar é a de saber morar a todo momento no silêncio do coração, lugar que nos oferece sempre o primeiro passo ou intuição a dar para podermos pensar com clareza e, assim, estarmos em harmonia com nosso ambiente e com nosso interior.


Para concluir e seguindo a tônica dos últimos artigos, expomos um claro comentário feito pelo Mestre Tibetano por volta do ano 1940, e que pensamos ter uma grande vigência na atualidade:

O chamado para salvar o mundo foi emitido e atualmente estão sendo reunidos os discípulos em todo o mundo. Não se trata de uma reunião no plano físico, mas de um profundo acontecimento subjetivo. Cada um dos Maestros emite o chamado e muitos discípulos probacionários, embora estejam nos pontos mais afastados, na periferia da influência do Mestre, respondem ansiosamente; seus motivos, em geral, são confusos, e sua resposta muitas vezes está energizada pelo desejo de progresso e engrandecimento pessoais. Neste momento particular complicam grandemente o chamado para servir, mas as suas distorções trazem o cumprimento da profecia do Novo Testamento de que (no final da era) haverá muita deformação da verdade, com relação à difusão da consciência crística e do retorno do Cristo ou a "Segunda Vinda".






Como diz o Cristo sobre a Sua vinda em Mateus, capítulos 24-25:

Estai atentos, pois não sabeis nem o dia nem a hora em que o Filho do Homem haverá de vir”






quinta-feira, 14 de julho de 2011

Saturno, a Oportunidade













                                                                               

                                            Saturno, a Oportunidade


Seguindo a linha de procurar dar uma definição clara sobre os pontos-chave de uma carta astral, oferecemos agora o que consideramos ser uma das definições mais compreensíveis dadas pelo Mestre Tibetano a Alice Bailey sobre a função de Saturno.

É preciso levar em conta que para que um ser humano interprete a dificuldade como uma oportunidade, antes este ser deve iniciar o Caminho de retorno ao Pai. Este Caminho começa quando o homem começa a ficar cansado do afã de empreender ações em busca de “algo”, e pouco a pouco e com esforço, aprende a capacidade de transmutar a intensidade de uma ação em uma virtude, que mostra a cor da Alma e sua capacidade de serviço.
Não é tanto realizar uma ação por um impulso “cego”, mas pela sensibilidade (consciência) que obtemos ao compreender e aceitar o outro.


Definição, extraída do livro Astrologia Esotérica:

a seguinte declaração que gostaria de fazer é que as energias do zodíaco, do planeta e do sistema atuam como forças obstaculizantes ou estimulantes, segundo o tipo de veículo ou corpo sobre o qual atuam. A natureza destes veículos e sua capacidade de atrair, responder, afastar, absorver e transmutar, dependem totalmente do grau de evolução obtido e também da condição geral planetária e psicológica em que se encontra a família humana em determinado momento. A compreensão destes efeitos obstaculizantes ou estimulantes, pode ser facilmente alcançada pelos que são capazes de captar a natureza das atividades do planeta Saturno, o qual condiciona principalmente o grau de evolução onde é possível fazer uma escolha definida e aceitar ou afastar conscientemente a oportunidade, e também onde a responsabilidade pessoal se torna um fato reconhecido em uma vida planejada e ordenada. Este ponto do processo evolu­tivo humano está descrito no Antigo Comentário com frases simbólicas:

Em meio às turbilhonantes forças, permaneço confuso. Não as conheço, pois durante todo meu passado me impulsionaram daqui para lá no lugar onde atuava cego e inconsciente. Impeliram-me de um lugar a outro, de um ponto para outro, de cima para baixo desta terra, e não achei lugar onde repousar.
Agora as conheço e aqui permaneço e não me moverei até conhecer a Lei que rege este ir e vir na Terra. Posso girar e voltar meu rosto para os distintos caminhos, enfrentar amplos horizontes e, no entanto, ainda permaneço
Eu mesmo determinarei o Caminho a seguir. Então avançarei. Não viajarei daqui para lá na Terra nem girarei no espaço. Mas avançarei”.


Uma vez assimilada a leitura, é interessante observar em que casa do nosso horóscopo está situado o nosso Saturno Natal, e ver nela o lugar onde está a dificuldade ou oportunidade que tende a se manifestar no mundo exterior.



Há um tempo perguntaram a um Homem Sábio:

  • Mestre, o que crê que seja o pecado?

E Ele respondeu:

  • Uhmm … o pecado é se repetir.



                                                                                                                 Grupo Logos

                                                                

domingo, 10 de julho de 2011

Câncer: consciência intuitiva









Câncer: consciência intuitiva

O trabalho de Hércules ligado ao signo de Câncer é a captura da corça cerineia. Câncer está relacionado com as nossas raízes na vida, como o corpo, a casa e a família. Este trabalho representa o processo de lançar raízes no alto, no mundo espiritual, para eventualmente dar frutos em baixo, no mundo material. A árvore invertida, com raízes nos céus e frutos na terra, é um símbolo do modo de vida espiritual, e essa árvore começa a germinar pelo cultivo da consciência intuitiva.

No Monte Cerineu, vivia uma corça com galhada de ouro e cascos de prata. Diana, a deusa caçadora, afirmava que a corça era sua. Ela cuidara do animal até então, e ele lhe era útil. Mas a corça também pertencia ao deus-sol Apolo, e Hércules devia levá-la para o templo do deus. Hércules passou um ano inteiro perseguindo a corça de canto a canto, pois ela era muito esquiva, e Diana ainda o atrapalhava sutilmente cada vez que ele estava próximo de capturá-la. Finalmente, quando a corça, cansada pela interminável fuga, descansava às margens de um lago tranquilo, Hércules aproximou-se suavemente e lançou uma flecha que feriu o seu calcanhar. Assim ele conseguiu capturá-la, colocou-a sobre seus ombros, junto ao seu coração, e conduziu-a até o templo.

A corça é um animal de constituição delicada; com os cascos de prata e a galhada de ouro do mito, ela representa a consciência. A corça era muito esquiva, e é muito difícil entender ou explicar o que exatamente é a consciência. Mas talvez baste dizer que a consciência é a grande dádiva do ser humano e é aquilo que faz dele o que ele é. Ela lhe permite conhecer, aprender, discernir, refletir, compreender, escolher. E é um tremendo desafio fazer tudo isso verdadeiramente, conscientemente, e não apenas de maneira mecânica e superficial.

Diana e Apolo representam duas facetas da consciência. Eles eram irmãos gêmeos. Mas Diana era associada à lua, e a deusa caçadora representa a consciência intelectual, sempre em busca de algo. Já Apolo era o deus-sol, e representa a consciência intuitiva, que produz esclarecimento ou iluminação. Portanto, levar a corça para o templo de Apolo significa cultivar a consciência intuitiva, ou seja, criar condições e oportunidades para que a intuição comece a despertar.

É importante não confundir intuição com pressentimento ou previsão. A intuição é simplesmente a capacidade da consciência de reconhecer uma verdade. O intelecto apenas analisa se um pensamento é coerente ou não; a intuição é que pode indicar se este pensamento expressa ou não uma verdade. É pelo reconhecimento intuitivo, por exemplo, que uma pessoa apreende os princípios éticos e valores universais. Naturalmente, intelecto e intuição devem trabalham em cooperação. A intuição revela as ideias superiores, e cabe ao intelecto interpretá-las e aplicá-las corretamente.

E como podemos cultivar a consciência intuitiva? O mito sugere: É preciso muita perseverança, pois o processo é lento (o trabalho levou um ano inteiro); temos que estar atentos às armadilhas do intelecto (Diana atrapalhava Hércules); deve haver estabilidade emocional (o lago tranquilo); e devemos ajudar o processo usando a flecha do pensamento claro e certeiro.

À medida que a consciência intuitiva desabrocha, podemos aprender a reconhecer o que é ensinamento espiritual genuíno e o que foi distorcido; podemos aprender a nos apoiar em princípios e valores espirituais; podemos descobrir o mundo das ideias universais como o nosso verdadeiro lar e porto seguro; podemos descobrir a humanidade toda como a nossa verdadeira família espiritual, e autenticamente encontrar em cada ser humano um irmão.

Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

domingo, 5 de junho de 2011

Gêmeos: a sabedoria do serviço

Ricardo Georgini


O trabalho de Hércules relacionado ao signo de Gêmeos é a obtenção das maçãs de ouro das Hespérides. Este é um trabalho muito longo, cheio de um rico simbolismo, representando o desafio de trazer as elevadas ideias e aspirações para a vida prática, assim manifestando sabedoria.
No mito, as Hespérides eram três ninfas que habitavam um jardim secreto, onde crescia uma árvore que dava frutos de ouro. Hércules recebeu a tarefa de conseguir tais frutos, mas ninguém sabia onde o jardim ficava. O herói iniciou a sua busca indo para o norte, a procura da orientação do sábio Nereu. E muitas vezes ele encontrou Nereu sem reconhecê-lo, nem reconheceu as pistas que o sábio sutilmente lhe forneceu. Depois, Hércules foi para o sul e confrontou-se com a serpente Anteus, invencível quando em contato com a terra. O herói teve que erguê-la e sufocá-la no alto para alcançar a vitória e poder prosseguir. Então foi para o oeste e conheceu Busiris, que afirmava ser o único portador da verdade. Hércules acreditou nele e tornou-se seu seguidor, esquecendo-se de sua busca e perdendo muito tempo. Até que recordou e compreendeu certas palavras de Nereu: “A verdade está dentro de ti”. Assim libertou-se e retomou a busca das maçãs de ouro.
Em seguida, Hércules encontrou Prometeu acorrentado a uma rocha, com abutres comendo-lhe o fígado. E de novo esqueceu-se de sua busca, mas desta vez para ajudar alguém que precisava de socorro. Ele afugentou os abutres, libertou Prometeu e cuidou de suas feridas. E eis que Prometeu indicou-lhe a direção em que deveria procurar o jardim. Para o leste, então, Hércules foi, mas quando finalmente achou a árvore, viu Atlas ali próximo, sustentando o peso do mundo sobre seus ombros. E mais uma vez, Hércules se esqueceu do seu objeto de desejo e foi auxiliar Atlas em sua tremenda tarefa. Ele transferiu o peso dos ombros de Atlas para os seus próprios. Liberado, Atlas e também as Hespérides trouxeram as maçãs de ouro para Hércules, e assim o trabalho foi cumprido.
O ouro representa a alma, tal como a prata representa a personalidade. Um fruto de prata simbolizaria o conhecimento material; as maçãs de ouro do mito simbolizam a sabedoria espiritual. O fruto é a última coisa produzida pela árvore, como resultado de todas as etapas anteriores de seu ciclo vital. A sabedoria, semelhantemente, deve ser produzida pelo próprio indivíduo, aprendendo com as suas experiências na vida. No entanto, a árvore não produz o fruto para si mesma, mas para o mundo. A sabedoria também: existe para ser compartilhada.
Em sua busca pela sabedoria, Hércules inicia pelo norte, símbolo da sua interioridade ou subjetividade. O sábio Nereu representa a própria alma de cada indivíduo, que lhe fornece muitas orientações sutilmente, muitas vezes sem que este as reconheça como tais. No sul (o mundo externo e concreto), Hércules confronta-se com a serpente dos poderes psíquicos e dons espirituais de todo tipo, que atrapalham quando se enfatiza a sua aparência (a terra ou chão), em vez do seu significado. No oeste (o contato com os outros), Hércules permitiu-se acreditar que só por fazer parte de certo grupo e seguir certa autoridade (Busiris) ele já estaria mais próximo da sabedoria. Mas a única e verdadeira autoridade é a sábia voz da própria consciência dentro de cada indivíduo.
Gradualmente, através de tentativas e erros, o indivíduo compreende que ninguém pode dar-lhe a sabedoria, mas ela vai desabrochar em seu interior à medida que ele procura aliviar o sofrimento da humanidade (Prometeu) e cooperar com o trabalho dos Instrutores da humanidade (Atlas). Quando estamos empenhados em servir, a sabedoria vem como uma consequência natural.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

domingo, 8 de maio de 2011

Touro: reorientar os desejos

 Ricardo Georgini
 

O trabalho de Hércules associado ao signo de Touro é a captura do touro de Creta. O signo de Touro diz respeito ao modo como lidamos com a matéria. Todo uso da matéria é motivado pelo desejo, seja um desejo egoísta e ignorante ou um desejo altruísta e iluminado. Este trabalho de Hércules representa a reorientação dos desejos, de modo que deixem de estar voltados exclusivamente para o benefício individual e passem a estar dirigidos para o bem maior, coletivo.
Netuno (Senhor dos Mares) havia presenteado o rei da ilha de Creta com um touro sagrado. Entretanto, o rei pretendia sacrificar o animal. A tarefa de Hércules era resgatar o touro e levá-lo da ilha para o continente, onde estaria a salvo. Para encontrar o animal naquela ilha, Hércules se guia por uma luz que brilhava na fronte do touro. Quando finalmente consegue chegar até o touro, o herói monta sobre ele como se este fosse um cavalo, e assim cavalga o touro, atravessando o mar, até o continente.
O touro, com sua constituição robusta, representa o nosso corpo. E tal como o touro, o corpo é sagrado. Toda matéria é, em si mesma, sagrada. O que não é sagrado, muitas vezes, é o uso que fazemos da matéria e do corpo. O problema é que o touro está na ilha, um símbolo de isolamento e exclusivismo. Este é todo o mal e o verdadeiro e único pecado: separatividade. Semelhantemente, todo bem e toda virtude podem ser resumidos como amor, união e fraternidade. O continente representa isso, a integração da parte no todo, a coletividade.
Assim, o único problema a respeito dos bens materiais, do dinheiro e do corpo, com seus apetites, é que temos usado tudo isso para a satisfação dos nossos desejos egoístas. A solução não virá maldizendo a matéria, maltratando o corpo ou tentando suprimir todo desejo. O touro não deveria ser sacrificado, mas resgatado para o continente. Todas as formas materiais e as capacidades do corpo devem ser colocadas a serviço da coletividade. Isto será feito quando os desejos forem reorientados para o bem de todos. “Aquilo que você deseja de bom para você, procure desejar igualmente para todos.”
Mas como conseguiremos canalizar dessa maneira as forças do desejo? Hércules inicia guiando-se pela luz na fronte do touro. Esta luz simboliza um centro de energia localizado entre as nossas sobrancelhas, chamado chacra frontal. Ele está relacionado com o córtex frontal, a região do cérebro que é responsável pela nossa capacidade de nos auto-observar, de direcionar a nossa atenção para onde quisermos e de fazer escolhas conscientes. O primeiro passo, portanto, é acionarmos essas capacidades, tão próprias do ser humano, e procurarmos observar com alguma imparcialidade as emoções e desejos que se movem dentro de nós. Assim montamos sobre o touro, e poderemos cavalgá-lo.
Quando nos identificamos excessivamente com uma emoção ou desejo, nós nos tornamos sua vítima, e somos arrastados a fazer isto ou aquilo de acordo com tais impulsos internos, que nos controlam. Mas quando nos observamos com desprendimento e imparcialidade, podemos permanecer internamente livres para escolher o que fazer com as nossas emoções e desejos. Então fica possível canalizá-los de maneira mais sábia e construtiva, para o maior bem de todos.
O signo de Touro nos confere essa qualidade de percepção esclarecida, iluminada, que pode ser aprendida com a experiência. Gradualmente, através das experiências em meio à matéria, podemos compreender melhor a nós mesmos, e descobrir que todo benefício individual é ilusório e temporário, e apenas o bem coletivo é real e permanente.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Áries: concentração e inofensividade

Ricardo Georgini
 O trabalho de Hércules que está ligado ao signo de Áries é a captura das éguas devoradoras de humanos. Áries é o signo dos inícios e dos processos criativos, e este trabalho representa os primeiros passos no caminho espiritual e a necessidade de iniciar pela criação de uma nova mentalidade — mais focada, compreensiva e inofensiva.
O beligerante rei Diomedes era filho de Marte (Senhor da Guerra e regente do signo de Áries) e em seu reino criava éguas extremamente selvagens e violentas, que devoravam seres humanos. Elas assolavam toda a vizinhança e provocavam grande medo na população. Hércules recebeu do rei Euristeu a tarefa de capturar essas éguas e levá-las até ele. No reino de Diomedes, Hércules encontrou as éguas à solta e espalhadas por toda parte. Então ele começou a tocar as várias éguas, de modo que gradualmente se concentrassem em certa região. Quando estavam todas reunidas, o herói as cercou e acorrentou-as juntas, e assim pode conduzi-las até o rei Euristeu, para serem domesticadas.
Cavalos simbolizam o pensamento, que é capaz de nos transportar para longe. Cavalos femininos, ou éguas, representam a fertilidade da mente, incessantemente criando imagens, falas internas e explicações para tudo. As éguas do mito, selvagens e devoradoras de humanos, são a mente indisciplinada, continuamente gerando pensamentos críticos que ferem as pessoas. O mito descreve a situação habitual de cada um de nós: nossos pensamentos críticos provocam destruição ao nosso redor e prejudicam aqueles que nos circundam.
Entretanto, uma das primeiras lições a serem aprendidas pelo aspirante espiritual é a da inofensividade. Seus pensamentos, palavras e vida devem deixar de ser ofensivos e destrutivos, de acordo com preconceitos e predileções pessoais, e tornarem-se criativos e construtivos, de acordo com o Plano Divino. Diferente do que talvez pudesse parecer, a inofensividade (ou não-violência) não é uma condição passiva e inócua, mas uma atitude dinâmica e efetiva. É uma autodisciplina que positivamente se abstém de criticar e ferir. É um empenho criativo para ajudar, apoiar e curar — os outros e nós mesmos.
O mito não só apresenta qual é o problema a ser solucionado, mas também indica como solucioná-lo: concentração. A causa da dificuldade está no fato de que as éguas são selvagens e estão à solta, ou seja, a mente não foi disciplinada e os pensamentos vagueiam dispersos. Funcionando assim, a mente toca apenas a superfície das coisas, e é isto o que torna possível a sua postura crítica. É apenas na superfície que as coisas parecem más, conflitantes e caóticas. E mesmo o que já nos parece pensamento profundo, porque mais elaborado, ainda é apenas superficial. Na verdadeira profundidade, reinam sempre a beleza, a harmonia e a unidade. Através da meditação, exercitando o pensamento concentrado, podemos acessar isso.
É interessante notar que Hércules não tenta paralisar as éguas, mas as reúne e cerca. Portanto, ele não tenta calar a mente, mas concentrá-la profundamente em algum assunto. A mente está sempre pensando, e isto, por ora, nós não podemos mudar — e nem precisamos. Mas nós podemos escolher em que pensar e como pensar. Isto é meditação: pensamento consciente.
O início no caminho espiritual requer as qualidades conferidas por Áries: muita energia e esforço. Tais qualidades devem ser empregadas para desenvolver a concentração, para que possamos verdadeiramente compreender — ou seja, acessar o sentido maior por trás das aparências. Assim, poderemos trazer para as nossas vidas cada vez mais inofensividade e criatividade espiritual.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sexta-feira, 18 de março de 2011

Peixes, Salvação e Liberação

Martín Dieser


Em plena proximidade do plenilúnio de Peixes, pode ser inspirador refletir sobre as qualidades deste signo e o processo de Salvação que representa, sem entrar tanto no técnico mas aproveitando seu influxo para esclarecer temas vinculados à energia pisciana.
Talvez o primeiro ponto a levantar deva ser que estamos diante de um signo dual, no qual são possíveis dois tipos de vivência, aquela vinculada à consciência e aquela relacionada com a Vida. Em ambos os casos surge a ideia de sacrifício, de um estado do ser que se perde na escuridão para ocultamente “resgatar” outro e demonstrar através do Amor a unidade de todo o manifestado.
Isto implica em um grande sacrifício da alma, porque durante eões a consciência apenas ilumina a personalidade e deve permanecer em suspenso até chegar a ela a invocação por parte da personalidade em crise.
Mas, sobretudo, é um grande sacrifício da Mônada, que se aproxima da consciência e a inunda com sua Vida, que se enterra no mais profundo da personalidade e permanece durante um período incomensurável até que o dia esteja com ela e o ser tomar consciência do seu imenso poder. Peixes permite tomar consciência deste grande sacrifício, o supremo, encarnado pela permanência do fogo monádico nas próprias raízes da existência.
Peixes tem sido associado frequentemente à consagração e o se submeter a algo, entendida esta expressão em um sentido positivo. É interessante sentir como da perspectiva da Tríade e o aspecto Vida que esta começa a transmitir, nessa rendição se encontra a chave da continuidade de consciência.
Espírito e matéria, a dualidade aparentemente irreconciliável, só pode voltar a ser Una graças ao Poder de Shamballa, à energia da Mônada. É necessário trabalhar desde a consciência, o coração, e “descer aos infernos”, e também se vincular com o aspecto matéria e não só aspirar a ser o espírito, para encontrar a via elétrica que une ambos os aspectos.
Esta porta que permite a passagem de energia ou a fluidez entre o espírito e a matéria, ou a Mônada e a personalidade, está ancorada no plano intuitivo ou búdico; o 4º plano, o intermediário entre o 1º e o 7º, é o grande ponto de união entre as duas correntes, proporcionando a qualidade álmica tão própria do reino humano.
Este processo dual tem analogia na relação entre os centros coronário e raiz, e ao amparo do coração se converte em uma única corrente de Vida que abre as portas para a Liberdade.
Neste processo temos também uma conjetura do papel que a humanidade pode exercer na evolução planetária e inclusive na solar, como estação energética e ponto de encontro entre duas correntes de força. Isto só é possível cada vez que se alcança o plano búdico, e daí a importância de desenvolver a mente e, ocultamente, “apagar seu fogo” com o coração. “O fogo só pode ser apaziguado com mais fogo”, lemos no livro Mundo Ardente (5); somente o fogo da compreensão, do coração inteligente é capaz de consumir e esgotar a mente, abrindo assim as portas a Shamballa.
Paralelamente e em nível dos centros, essa relação entre os centros coronário e raiz permite compreender o papel de um Salvador de uma perspectiva dupla, desde a Hierarquia e desde Shamballa, pelo menos de um ponto de vista, já que é um tema muito amplo e elevado.
Desde a Hierarquia, a Salvação é um processo de atração magnética em direção ao centro da própria consciência, uma irradiação de luz que desperta e eleva para realidades mais preclaras e serenas. É o Cristo sacrificando-se pela humanidade, e esta O reconhecendo como um Irmão Maior que mostra o caminho para que também ela salve outros ainda na escuridão.
Da perspectiva de Shamballa, a Salvação poderia ser entendida de uma forma distinta, no sentido de que mal se pode liberar quem já é livre; não existe um Salvador, existe apenas um Dragão despertando e se liberando por si mesmo de todas as cadeias, elevando-se pela própria energia que, com todo direito divino, foi reclamada para si. É uma demonstração da Vontade de Deus em ação, a Autossalvação.
Neste sentido pode também ser abordado o lema esotérico do signo: “abandono o Lar do Pai e, retornando, salvo”. A entrada ao Lar do Pai, o Lar do Fogo elétrico, está aqui mesmo, na Terra, e o processo de acesso pode ser entendido de forma dual: como uma elevação às alturas, na direção das realidades cósmicas, ou como uma descida ao mais íntimo da Terra, ao seu próprio núcleo, onde reside latente o fogo de kundalini, aguardando liberação.
Da maneira como é transcendido, tal é o papel da alma, simbolizada pelo Sol, porque deixa de ser necessária a intermediação para viver a divindade, simplesmente se é o que fomos desde o começo, Fogo Elétrico Puro. Isto dá uma guinada de 180 graus no primeiro lema para Peixes, o exotérico, que rege a personalidade: “entra na matéria”, e permite complementá-lo com um terceiro, dado na obra Cosmologia Oculta: “O Sol deve ser devorado. Sacrifica tudo”.

Que o Coração Uno e o Princípio do Amor representado pela Hierarquia sejam nossa inspiração neste plenilúnio que se aproxima e nos mostrem o caminho para esse grande Sacrifício que é também a grande Liberação.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Hércules


                                                              Ricardo A. Georgini






Na Trilha de Hércules

O mito dos Trabalhos de Hércules é uma representação simbólica da jornada humana em busca de autoconhecimento, autotransformação e autotranscendência. Cada um dos doze trabalhos descreve uma etapa do desenvolvimento progressivo do ser humano ao longo do caminho espiritual. Os desafios, provas e lutas enfrentados por Hércules são os mesmos que nos confrontam em nossas vidas diárias, e as soluções encontradas por ele podem servir também para nós.
Cada trabalho de Hércules está relacionado a um signo do Zodíaco, e aqui temos oportunidade de abordar a astrologia de modo diferente do habitual. Podemos entender os signos como doze arquétipos, doze qualidades centrais, doze tipos básicos de energia. Todos nós estamos em contato com todas estas doze energias, em maior ou menor medida. Por isto, dizer que uma pessoa é ariana ou aquariana é uma grande simplificação. Todos podemos e devemos aprender a expressar conscientemente todos os doze tipos de energia ou qualidades centrais.
Em cada trabalho de Hércules, estão representados os desafios e as oportunidades próprios do signo que corresponde àquele trabalho. Em cada trabalho, Hércules terá uma tarefa a cumprir, e para fazer isto, terá que disciplinar a sua própria natureza, aprender certas lições e aperfeiçoar o modo como ele expressa as qualidades daquele signo correspondente.
O mito conta que Hércules era filho do deus Júpiter e da mortal Alcmena. Portanto, a sua natureza era dual: uma parte dele era divina, mas outra parte era humana e mortal. Assim, Hércules representa cada um de nós, com a dualidade básica que nos caracteriza: de um lado, possibilidades espirituais, do outro, limitações materiais.
Hércules foi educado pelos melhores instrutores da época, era versado em todas as ciências e artes e desenvolveu todas as habilidades. Ele aproveitou e aprendeu o que o mundo e a vida têm a oferecer e ensinar, e estava apto, assim, a trilhar genuinamente o caminho espiritual. Para transcender o humano, é preciso antes ser plenamente humano. Conta-se que, então, ele matou os seus instrutores, o que é uma forma simbólica de dizer que ele passou a se apoiar em si mesmo e estava livre de qualquer autoridade externa.
Depois, Hércules se casou e teve três filhos. Isto significa que, dentro de si mesmo, ele alcançou a união com a sua essência espiritual ou alma. E passou a expressar as três qualidades principais da alma: vontade ou propósito, amor-sabedoria e luz ou inteligência. Mas logo Hércules foi tomado de loucura e matou a esposa e os filhos. Aqui fica representada uma tendência comum nos principiantes no caminho espiritual, que sacrificam indevidamente tudo e todos pelo seu próprio progresso espiritual.
Quando Hércules caiu em si, foi consultar o oráculo, que lhe aconselhou realizar doze trabalhos que o rei Euristeu lhe apresentaria. Neste processo, Hércules emendaria os seus erros, purificaria e redimiria a sua natureza humana e exaltaria a sua natureza divina ou espiritual.
Antes, porém, do início dos trabalhos, os deuses vieram oferecer a Hércules certos presentes. Minerva deu-lhe um manto, símbolo da vocação espiritual. Vulcano deu-lhe um peitoral de ouro, símbolo da força vital, que protege. Netuno deu-lhe uma parelha de cavalos, símbolo da sensibilidade e da imaginação. Mercúrio deu-lhe uma espada, símbolo da mente, com sua capacidade de separar o real do irreal. Apolo deu-lhe arco e flecha de luz, símbolo do foco espiritual e da percepção intuitiva. Esses são os requisitos para trilhar o caminho espiritual.
Nos próximos meses, a coluna “Astrologia da Alma” abordará cada um dos trabalhos.

Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Piscis


                                                                              
                                                                                    Ricardo A. Giorgini


                                                                       Peixes: Redenção planetária 

Peixes é o signo que completa a roda zodiacal. O seu grande tema é redenção. Simplificadamente, podemos dizer que redimir significa trazer algo de volta ao seu estado original de pureza, liberdade e beleza. Durante o mês de Peixes (este ano de 19 de fevereiro a 19 de março), somos convidados a nos desapegar e sacrificar quaisquer atitudes, crenças e hábitos que produzem limitação, separação e nos impedem de expressar as nossas possibilidades mais elevadas.
A primeira coisa que, talvez, precisemos redimir é a própria imagem que fazemos do humano. Todos os mestres espirituais ensinaram a beleza e a bondade essencial do ser humano, e todas as tradições religiosas afirmam que o homem é um filho de Deus. Apesar disso, nós temos enfatizado exageradamente o outro lado, com inflamados discursos sobre pecado, culpa e degradação. Mas a escuridão não é superada falando de escuridão ou combatendo a escuridão. É preciso discernir a luz, valorizar a luz, alimentar a luz. Assim, é fundamental que nós, humanidade, redescubramos o fato de que o humano é essencialmente sagrado, e que a verdadeira natureza humana é amor, bondade, beleza, verdade e justiça.
A energia de Peixes confere uma aguda sensibilidade, capaz de encontrar a luz em meio à escuridão, perceber a ordem no caos e ver o bem por trás do mal aparente. Esta sensibilidade permite que nos sintamos partes de um Todo Maior, células no corpo de Deus, e que nos sintamos em contato com a divindade e em comunhão com tudo e com todos. Ela permite que reconheçamos e nos sintonizemos com o que há de melhor em cada pessoa, a começar por nós mesmos.
O desenvolvimento da sensibilidade, estimulado por Peixes, deve ser acompanhado pelo desenvolvimento mental. É função da mente compreender e interpretar corretamente aquilo que o coração percebe com sua sensibilidade. Quando isto não é feito, falta ao indivíduo um ajustado senso de proporção, então ele pode ver uma pequena fração da verdade e achar que já conhece a verdade toda. Aí surge um sentimento de ser especial, e frequentemente ele julga que seu grupo, teoria ou doutrina detém o privilégio da salvação.
Sem o complemento de uma mente potente e esclarecida, a sensibilidade pode levar à vulnerabilidade e à passividade. Então, o indivíduo se abala demasiadamente com o aparente mal em si mesmo, nos outros e no mundo. E não consegue aplicar à sua vida prática todas as aspirações, sonhos e ideais do coração. Por isso, todos devemos almejar o equilíbrio e complementação entre cabeça e coração, razão e sensibilidade, firmeza e flexibilidade, planejamento e espontaneidade.
Há uma árvore latente em cada semente, que só precisa das condições adequadas (como nutrientes, água e luz) para germinar e crescer. Semelhantemente, faz parte da natureza humana aprender, amar, compartilhar, se doar... Só é preciso que não atrapalhemos o processo, com culpas, exigências descabidas, apegos, etc. A influência de Peixes nos convida a renunciar a crenças em favor de uma verdade mais ampla, e sacrificar a visão superficial em favor de uma percepção mais profunda, e nos abrir para o melhor em nós e nos outros, e cultivar uma refinada sensibilidade ao bem. Complementada pela correta atuação da mente, que a humanidade vem desenvolvendo consistentemente, o resultado será a redenção planetária.

Ricardo A. Georgini

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Aquário, a realidade do grupo Uno

Martín Dieser

O período regido subjetivamente por Aquário, e em particular o plenilúnio, nos traz à consciência uma certeza, e é que todos formamos parte de um grupo. Assim como Leão brinda a noção e o sentido de se pertencer a um centro, Aquário permite a fluidez na direção do similar, de coração a coração, horizontalmente.
A energia de Aquário, por meio do seu regente esotérico, Júpiter, estimula potentemente o centro cardíaco e nos abre a consciência para a própria natureza do grupal, do qual os grupos esotéricos são parte importante.
Um grupo esotérico não é um mero agrupamento de indivíduos com interesses comuns e mente potente, é, em sua raiz, uma realidade vivente que emana do coração, que deste mesmo centro se alimenta e inunda com sua Presença cada uma das atividades do discípulo, que assim encarna o Plano em sua totalidade e desempenha uma parte, tornando-se literalmente o Amor em ação nos três mundos.
Normalmente essa função expressiva de Aquário como agente do Plano é simbolizada na Aqua Vitae. A água da vida é uma fonte de eterna juventude e renovação que se encontra ao alcance de todo servidor sincero; para ter acesso à mesma, cabe não se esforçar por obtê-la, mas tomar consciência de que no centro do nosso ser existe um manancial repleto de Vida, que constitui o fundamento oculto do ato de verter a água, tão próprio do signo. Todos somos chamados a distribuir essa água.
Distribuir e partilhar é a essência da mensagem aquariana e a nota-chave da energia que, segundo se diz, encarnará o Instrutor do Mundo quando (em breve) reaparecer na Terra. A influência de Urano, planeta de 7º raio e regente de Aquário nos três mundos, está levando este princípio a uma expressão física, e sem dúvida uma de suas manifestações mais claras é a Internet.
Mas também se pode entender o distribuir e partilhar em um sentido mais direto, como um “compartir sem compartir”. Quando a consciência cede, impotente, para dar lugar à Vida, quando o Amor é absorvido pela Vontade, acede-se a uma nova dimensão, a um ponto de confluência do qual começa-se a perceber, e já não só a conhecer conceitualmente, que o Portador de Água, o cântaro e a água são Uno, que na realidade nada (e tudo) há para compartir quando é o Uno que se realiza a si mesmo; ao mesmo tempo existe a noção de dualidade e a irradiação se apresenta como a forma primordial de serviço.
A verdadeira energia Una demanda que a consciência se esgote a si mesma, se revele como insuficiente e clame pela assistência de um fator mais: a Vida. Quando Vida e consciência se conhecem como Uno, os dois grandes rios podem ser combinados, e o fluxo resultante remove todas as limitações da forma, realizando a simbólica limpeza dos estábulos de Áugias, segundo relato contido em Os Trabalhos de Hércules.
Esta força irresistível é a força de Shamballa, a força que submerge continentes e forja raças inteiras. A humanidade é capaz de invocar esta energia sob a forma de fogo elétrico puro, mediante a consciência grupalmente enfocada no plano átmico, e sua correta utilização será a nota distintiva da Era de Aquário, para o qual a terceira fase da revelação da Sabedoria Eterna será preparatória. É a força que liberará a humanidade e abrirá as portas à sua dimensão cósmica.
Observando a atualidade, seria possível dizer que no Egito a energia de Shamballa levou o triunfo da liberdade ao plano físico, impulsionando a alma deste grande país (onde funcionará a mais elevada das Escolas de Mistérios) a um renovado ciclo de atividade.
O tempo dirá se o que se trata ali é um evento isolado ou uma série de impactos grupalmente invocados e dirigidos sob um propósito unificado e definido…
Em todo caso, Aquário é sempre um bom período para vivenciar essa grande realidade que é o grupo, em cujo centro reside a essência do que o Portador de Água distribui, que reside na própria Vida.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Aquário: Servir a humanidade

Ricardo Georgini

O signo de Aquário promove a expansão da consciência do individual para o coletivo. Suas notas-chave são serviço e universalismo. É o signo que regerá a nova era na qual estamos entrando, por isto é especialmente importante compreender as suas qualidades e influências.
Todos os seres são partes de um todo maior. Neste todo, cada ser desempenha um papel único e vital. Mas nós, seres humanos, prestamos atenção não ao todo maior, e sim a nós mesmos, como indivíduos. O signo oposto complementar a Aquário, Leão, representa este autocentramento e o desenvolvimento da autoconsciência. É uma base indispensável e o ponto de partida para toda a ampliação. À medida que o ponto de consciência individual é fortalecido e estabilizado, podemos prosseguir com a sua expansão para uma esfera de consciência cada vez maior: um grupo, uma nação, a humanidade, o planeta... Esta ampliação é estimulada pela energia de Aquário.
Quando um indivíduo compreende a maneira como a sua vida integra um todo maior, ele descobre qual é a sua função neste todo e pode passar a desempenhá-la conscientemente. A isto chamamos serviço. Muitas vezes, o ideal do serviço tem sido interpretado de modo superficial, como se fosse simplesmente ajudar os outros. É algo mais amplo e mais profundo do que isto. O serviço é uma expressão de consciência. Significa que o indivíduo alcançou a visão de um propósito maior — o propósito do todo, seja um grupo, uma nação ou a humanidade — e então se coloca a serviço deste propósito, procurando participar inteligentemente de sua realização.
Aquário não só incentiva ao serviço, mas incentiva a servir em grupo. Contudo, não se trata de meramente filiar-se a alguma organização. De novo, é uma questão de consciência. Sempre que um indivíduo se aproxima de sua própria essência, ele se aproxima também de seus semelhantes. E quando o indivíduo verdadeiramente encontra a si mesmo, ele também encontra o seu grupo — aqueles que pensam como ele, aspiram como ele e servem como ele. Os grupos aquarianos reúnem-se em torno de ideias e ideais comuns, e não por afinidades pessoais. Existem para servir um propósito maior e cumprir uma função dentro da humanidade.
Estamos vivendo um longo período de transição entre a antiga Era de Peixes e a nova Era de Aquário. E podemos esperar pelo surgimento cada vez maior de grupos com inclinação aquariana, provocando grandes transformações na cultura e na civilização humanas. Estes grupos estão trabalhando para promover a cooperação entre as nações, a aproximação e o reconhecimento mútuo entre as religiões, a circulação e a distribuição dos recursos econômicos e a integração entre os diferentes povos e culturas. A influência de Aquário gradualmente dissolverá o exclusivismo e o separatismo, e viremos a compreender que somos todos uma só família humana.
Anualmente, no mês de Aquário (este ano de 20 de janeiro a 18 de fevereiro), somos convidados a servir a humanidade, participando inteligentemente da construção da nova cultura e civilização aquarianas.
Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br