domingo, 30 de setembro de 2018

1425, um grande ano para a humanidade





Uma visão astrológica do començo da Idade Moderna

Não faz muito tempo, consultando o livro “O Discipulado da Nova Era II”  do Mestre Tibetano – Alice Bailey pude ler a seguinte afirmação: 

“Quando a Hierarquia se retirou para trás do véu separador na época atlante, marcou o começo de um intervalo de escuridão e aridez e um ciclo “de abstração em branco”, que persistiu em sua forma mais crua até 1425 d.C….”

O Discipulado da Nova Era II (Ensinamentos sobre a Iniciação. 6ª Parte pág. 278)



Desde a época atlante até 1425 …. !!!

Era evidente que me encontrava diante de uma data importantíssima, um ano que após um longuíssimo período de tempo iniciava um novo e muito positivo ciclo para a Humanidade. Um ciclo que, ao que parece, e pelo que diz o texto em toda sua extensão, foi precipitado pela própria vontade espiritual que a humanidade havia alcançado.

Uma humanidade que estava adquirindo o poder de penetrar nos segredos do Mundo e que, por sua vez, com este poder emergente, estava invocando o Amor da Hierarquia de Mestres Condutores para a chegada de novas formas mentais que o bem conduzia. Como se sabe, a aquisição de poder traz consigo “perigo” se não for gerido pelo Amor, e esta é a função da Hierarquia. Foi por isso que, em 1425, a Hierarquia, reunida no conclave de Shamballa:

 “decidiu que devia ser apresentada ao ser-humano evoluído e expectante uma imagem mais real da natureza divina do homem, e que ao erradamente interpretado princípio da obediência oculta devia se aplicar o "pedal suave" (se posso empregar esta frase) e os homens ser "liberados para poder penetrar" e -segundo se diz- lhes ensinar a reticência necessária mediante a prova e a experiência.”

O Discipulado da Nova Era II (Ensinamentos sobre a Iniciação. 6ª Parte pág. 278)

Parece claro, pois, que naquele ano se “abriu a porta” de entrada para a Idade Moderna e exemplo disso foi a chegada, poucos anos depois, do poder divulgador da Imprensa de Gutenberg;  a melhor compreensão  por parte da humanidade avançada dos conceitos de razão, liberdade, responsabilidade ou livre-arbítrio como características marcantes do Humanismo enfrentando a Fé “cega” tradicional; a chegada do “incrível” impulso criativo e cultural do Renascimento; a expansão da Burguesia e seus generosos mecenas promotores de todo o novo; a queda de Constantinopla com os últimos vestígios de épocas passadas ou a descoberta do “novo mundo”, América. Poderíamos dizer, sem medo de nos equivocar, que por aquele ano então a Humanidade começou a ser a criadora consciente de Seu próprio destino.





O relógio astrológico

Era claro, pois, que me encontrava frente a uma data importantíssima e que, portanto, a carta que dela devia surgir necessariamente tinha que ser  “especial”.  E assim foi, tracei o horóscopo* justo para a entrada do Sol em Áries, (momento que tradicionalmente se utiliza para os eventos gerais ou universais),  e me encontrei com esta excepcional carta.



CARTA



Um horóscopo que certamente oculta um grande “selo”, um grande início, um poderoso padrão astrológico que, após refletir, exponho dos vários pontos de vista que mais me chamaram a atenção.

Os 3 planetas impessoais

Sem dúvida alguma o primeiro que chama a atenção é observar que os 3 planetas impessoais, na época ainda não descobertos e muito vinculados com a Alma “das coisas”, estavam justo na entrada de um Signo!!, algo verdadeiramente muito difícil de encontrar e que simboliza a entrada de “um novo tempo”.

Plutão a transformação, “a morte do já caduco” entrava em Câncer, o signo da massa e seus costumes, dando a entender a morte e transformação de muitos dos costumes estabelecidos já caducados.

Um Plutão em Câncer, regido, esotericamente falando, por Netuno em Leão. Netuno, a sensibilidade no signo da autoconsciência, a Alma, dando a entender que dita transformação ia ser regida de uma percepção consciente da Alma.

E finalmente referida autoconsciência (Leão) regida por um Sol exaltado em Áries em conjunção com Urano. Uma poderosa conjunção que nos fala da chegada de uma grande novidade, “de um regalo imenso”. 

Áries, (a Vida, a Vontade do Uno), através de Leão, (a Alma ou o Amor do Dois) impactava em Câncer (o Três ou a inteligência da Mãe Matéria).


Astrologia de Aspectos

A partir da técnica que estuda o horóscopo através dos aspectos chama poderosamente a atenção os aspectos quase exatos que o Sol tem com os três planetas impessoais, tirem as suas próprias conclusões, mas a meu modo de ver o trino aplicativo que o Sol exerce sobre Netuno em Leão como regente dos planetas em Câncer é realmente excepcional. Nele se sustenta a promessa de que o imenso poder mental – iniciático que traz consigo a conjunção angular do Sol Urano em Áries poderá ser bem canalizado (trino) através da percepção consciente (Leão) dos novos  ideais (Netuno).

Uma linha de aspectos da qual participa com quase a mesma intensidade, a Terra, a zero graus de Libra e regente esotérico do ASCENDENTE em Sagitário, o signo que marca o caminho da Alma.


O Ascendente + Seu Regente Esotérico + Lua velando Urano na casa 1

Do ascendente, (como sabem, a qualidade que marca o caminho da Alma), se nos apresenta o poder de Sagitário, onde a palavra-chave é “o objetivo”.

Neste caso é a atitude focalizada que permite despertar e praticar novas e mais espirituais formas de expressão. Ter como objetivo o desenvolvimento ou, melhor dizendo, a transformação das Novas Ideias (que chegam através de Áries) como Ideais capazes de despertar os Devas superiores construtores das Novas Formas. Devas refletidos nas magníficas formas lunares (veladoras de Urano) que a carta apresenta com a Lua em Sagitário casa 1.

Neste sentido mais lunar e voltando à astrologia de aspectos, o trino aplicativo que a Lua exerce sobre Vênus em Áries, torna a ser promessa de êxito do antes exposto.

O signo ascendente + a lua estão regidos esotericamente pela Terra em Libra, casa 10, por sua vez regida por Urano+Mercúrio em Áries casa 4, a raiz. De alguma maneira todas as regências voltam a Áries casa 4, a raiz divina como o selo indiscutível de que neste horóscopo se desenha a possibilidade de expressar poderosos princípios através da intenção focalizada ou Ideal  que aconselha praticar o Ascendente Sagitário.




O papel de Escorpião

Por outro lado, o 4º Raio de Harmonia e Beleza alcançadas através do Conflito, qualidade regente da Alma humana,  também está muito presente através da poderosa e exata conjunção de Saturno e Júpiter em Escorpião. Esta conjunção é o claro símbolo do início de um novo ciclo para a humanidade.


Marte em queda em Câncer

A queda de Marte como regente exotérico de Áries e Escorpião dá a entender que o acima exposto em Câncer (a morte dos costumes caducos através de Plutão) será refletido na Alma humana (Escorpião) e no mundo das ideias (Áries) como um antes e um depois.

Diríamos que Netuno como regente esotérico de Câncer é a premissa principal para compreender a queda de Marte, e com isso ativar a oitava superior de Áries e Escorpião. Um planeta em queda, entendido da Alma, sempre é o símbolo de tudo aquilo que deve morrer para poder Ser.





O grande poder de Áries (1R) reativando-se através de Sagitário

É claro que nesta carta há uma grande presença do 3º Raio através de Libra-Câncer, do 7º Raio através de Áries-Câncer, do 4º Raio através de Escorpião-Sagitário, do 5º Raio através de Leão-Sagitário e do 6º Raio através do mesmo Arqueiro, mas é muito evidente que o Raio que mais presença tem é o 1º Raio de Vontade e Poder através de Leão e, sobretudo, de Áries.

Há uma clara ausência de 2º Raio, já que nem Virgem nem Gêmeos nem Peixes estão ativados. O 2º Raio só aparece através de Júpiter como regente exotérico de Sagitário, mas sua presença está debilitada ao estar em Escorpião, signo de 4º Raio, na casa XII. Mas esta ausência tem certa lógica, já que todos os princípios pertencem ao 1º Raio com seu poder de “destruir” e “penetrar”, o que posteriormente, graças ao 2º Raio (a visão e sua experiência consciente), será a construção de um “novo caminho”. Poderíamos dizer que nesta primeira etapa o Amor da Hierarquia ou 2º Raio está oculto por trás do Poder das ideias que Áries traz consigo de Shamballa ou 1º Raio.

Voltando ao grandíssimo poder que o 1º Raio ostenta na carta, se atentarmos bem para o signo do “Carneiro”, estão Mercúrio Urano e o Sol que são os regentes (exotéricos-esotéricos e hierárquicos) finais de todas os outros planetas/signos de todo o horóscopo incluindo o próprio Áries, sendo Urano (com suas novas ideias) o regente dominante final, por ser o regente esotérico da Terra em Libra e estar em Áries, sua própria regência hierárquica.

Nesta carta o grande poder de Áries - Primeiro Raio nos fala da clara vontade que houve em 1425 para iniciar um novo caminho. Um caminho que necessitou do Dom de Sagitário para chegar a bom termo.

Um Dom ou Qualidade que neste horóscopo vincula o poder de “focalizar” propriedade deste signo com o ato de Intuição Criadora característico do 4º Raio, com a Concentração Mental característica do 5º Raio e com a capacidade de centralizar ou Dirigir o Sentimento para o Ideal a realizar pertencente ao 6º Raio, todas qualidades do “arqueiro”.

Nesta carta, Sagitário é aquela atitude que presta toda sua atenção àquilo que, graças às energias de Áries, é pressentido como o ideal a seguir. Um Ideal (objetivo, intuição ou atitude mental) que certamente para a humanidade avançada da época foi dar um salto para a conquista de maior liberdade e autoempoderamento. O ideal do “divino” já não era tanto um mistério a respeitar como um mistério a conhecer, refletir, recriar, sentir e compartilhar.

De alguma maneira, em 1425 o relógio astrológico se sincronizou com o crescente poder da Humanidade (3) para penetrar nos segredos, com o amor mediador da Hierarquia (2) para bem conduzir referido crescente poder e com a vontade ou propósito de Shamballa (1) de manifestar tais segredos na Terra através da humanidade.



*o horóscopo traçado para toda Europa e eixo Mediterrâneo (pontos centrais do início da Idade Moderna) dá em todos os casos ASCENDENTE Sagitário, neste artigo expomos a carta resultante para Roma.




David C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

terça-feira, 10 de julho de 2018

Urano através de Touro




Urano através de Touro

A entrada de Urano em Touro nos fala de uma relação difícil. A “mente cósmica”, aquela que desvela os segredos, entra em Touro, ou signo do desejo fixo, ou signo onde as formas lunares encontram sua exaltação. As formas densas e sensuais da natureza devem reconhecer a chegada das novas ideias que Urano sempre traz consigo, e isto não é fácil. 

É claro que o planeta espiritual e ocultista por excelência não está cômodo em Touro, Urano está em queda no signo onde a luz se expressa através das formas lunares/terrenas exaltadas. 

Por outro lado, a Lua cai em Escorpião e Urano se exalta nele porque é no signo contrário a Touro onde se transcende o poder das formas, demonstrando que é através do desapego que a Liberdade (Urano) pode realizar seu labor; a liberdade pede flexibilidade, e a mente “cósmica”, vinculada às leis ocultas, necessita do desapego das velhas normas para impor as novas que o mesmo desvela.

Assim, pois, a pergunta que podemos nos fazer é: como Urano, a mente divina, vai se desenvolver no signo onde mais se mostra o apego/desejo pelas formas da mãe natureza? Como Urano vai interpretar, “o revolucionário”, desde o signo onde o desejo tradicional pelas formas é vivido como uma necessidade natural?

Este trânsito é a relação do 7º Raio (qualidade principal de Urano) penetrando no terreno do 4º Raio (o reino de Touro), sendo isto, de um ponto de vista exotérico/pessoal, uma relação difícil,  onde o  poder da ordem, da magia organizada da geometria, ou da Vontade divina na Matéria não está cômoda no reino do 4º Raio em Touro, onde a força dos desejos ancestrais com sua correspondente tensão e  esforço (com vocação espiritual ou não) é a premissa para alcançar a ansiada harmonia e beleza. É claro que esta relação criará um conflito e uma destruição nos desejos taurinos segundo a nova perspectiva uraniana os verá como já caducos. Mas, para que esta destruição seja vivida como uma oportunidade, como uma intervenção divina nos três mundos de expressão da natureza pessoal, a consciência ou alma gestora deverá ter um certo grau evolutivo, um nível no qual a mente não esteja condicionada pela emoção e assim, a partir do desapego, interprete ou perceba com clareza o impacto de Urano.

Em um sentido muito positivo poderíamos dizer que Urano em Touro obrigará a mente a buscar soluções intuitivas, soluções incluentes, soluções onde a tendências mais exotéricas do signo (relacionadas com um Vênus astral) deverão se reajustar com as energias poderosamente mentais e novas que Urano impõe. Se isto se realizar, Vulcano, como o regente esotérico de Touro, entrará em jogo, como o poder de forjar (construir-modelar) na natureza forma de expressão aquela intuição (nova ideia ou  valor espiritual) percebida graças à intervenção de Urano.

Vulcano é o forjador na Matéria, aquele que modela nela a Vontade de Deus para Sua expressão através dela, e isto faz através da força da aspiração, ou desejo de melhorar que utiliza as forças básicas do sacro para se expressar em forma criadora através do chacra laríngeo.






Duas maneiras de entender a relação Touro - Urano

Exotericamente Touro é o desejo inevitável, cármico, que leva à luta “cega” e seu constante pensar condicionado ou apegado para finalmente expressá-lo em forma poderosa.

Para uma consciência exotérica, Urano em Touro pode ativar os desejos em forma “estranha”, desejos perversos, alteração da natureza e suas normas, separação abrupta e total entre matéria e espírito. Este tipo de consciência está relacionada com a cruz mutável, a força da personalidade ativada pelas volúveis, inconstantes e caprichosas tendências do desejo. Aqui Urano, inconscientemente para a personalidade, é destrutivo. É a atividade desestruturada e alterada da forma identificada com os desejos excessivamente centralizados (apegados) da personalidade.

Esotericamente a força ou desejo taurino é a bondade da força motivadora que relaciona a vontade espiritual com a forma concreta, esta relação invoca a intuição que se reflete na forma como inteligência criadora, harmonia, beleza prática ou natural.

Para uma consciência mais esotérica Urano em Touro é claramente a potencialização da inteligência ou ordem espiritual aplicada às leis da natureza.

Esta atitude esotérica tem duas fases:

A primeira está relacionada com as consciências evoluídas ou de boa vontade, é a subida à cruz fixa através da transmutação do desejo taurino em aspiração.  Nesta fase a dualidade entra em jogo e a Alma se descobre na interação dual inteligente, transformadora e construtiva. É o caminho do discípulo.  É a consciência magnética do Coração.

A segunda, que é para consciências muito elevadas, é a subida à cruz cardinal através do serviço universal aquariano. A qualidade desta cruz (amor incluente) permite aplicar o aspecto vontade da alma ao cérebro ou mundo físico via a mente. Aqui definitivamente a forma-matéria está unificada com “o” espiritual, é o caminho do iniciado, aquele que expressa a vontade-para-o-bem relacionada com o Propósito de Deus. É a captação por parte da Alma da dinâmica vontade da Mônada expressada através da matéria ou personalidade purificada. É a atividade (inerente na vida) como expressão da divindade.






Aquário - Touro

Que a próxima grande conjunção de Júpiter Saturno em Aquário em 2020 que inaugura um ciclo de 260 anos de conjunções em signos de Ar esteja regida esotericamente pelo mesmo Júpiter em Aquário e exotericamente por Urano em Touro, dá a entender que no início deste novo ciclo as qualidades dos dois signos vão muito unidas. Neste sentido penso que para finalizar com o artigo são muito adequadas as seguintes palavras do Mestre Tibetano extraídas do Livro Astrologia Esotérica/Capítulo de Touro:



“Assim como a Era Aquariana vem à manifestação para nosso planeta, trazendo em seu rastro a percepção universal das novas expressões da síntese do mundo, os interesses humanos e a religião mundial, assim a humanidade, ou discípulo mundial, começa a ser influído por Touro, o qual trará nesta época a reversão da roda da vida para os membros da família humana que estão preparados, e são hoje numerosos. Isto está ocorrendo e seus resultados são inevitáveis. A principal interrogação é: Produzirá esta influência taurina, aumentada como está pelas entrantes forças de Shamballa, o enfoque da luz que Touro custodia, ou fomentará simplesmente os desejos, aumentará o egoísmo e levará a humanidade ao “ardente pico do autointeresse”, em vez de levá-la ao monte da visão e da iniciação?”





David C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

A Roda Revertida





A roda revertida

Na astrologia esotérica que nos propõe o Mestre Tibetano através de Alice Bailey há varias ideias que, em relação ao pensamento clássico astrológico, podemos considerar revolucionárias. Uma delas é o que Ele chama de “a roda revertida”. Uma ideia que afirma que quando a consciência humana começa a ser guiada, influenciada ou reorientada pela Alma, o sentido da roda zodiacal com seus 12 signos, que até então, avançava no sentido dos ponteiros do relógio, muda de direção para avançar no sentido contrário.

O sentido dos ponteiros do relógio, isto é de Áries a Touro via Peixes, Ele o chama “o ângulo da forma, a ordem natural, a retrogradação através dos signos”, é o caminho que demonstra o aspecto involutivo da matéria.

O segundo sentido, de Áries a Peixes via Touro, chama de “o ângulo da alma, a ordem espiritual, o trânsito correto através dos signos”, é o caminho que demonstra o aspecto evolutivo da matéria.

Certamente esta afirmação no mínimo é surpreendente e em verdade ao mirar o progresso do nosso Sol através dos 12 signos podemos comprovar um progredir retrógrado, atualmente de Peixes a Aquário; mas, por sua vez, o Tibetano nos quer deixar bem claro que esta aparente contradição dual ou dupla alternativa é uma situação que só rege a evolução do quarto reino Humano e não a dos outros reinos.

Em forma esotérica poderíamos dizer que é a condição da consciência humana a que cria sua peculiar “forma de mirar” o Sol com seus 12 signos; “o observador modifica o observado” e no seguinte texto o Mestre nos deixa entrever as causas de referida situação: 

“Falei sobre os métodos de prossecução em torno do zodíaco: o método comum de Áries a Touro, via Peixes, e o método esotérico de Áries a Peixes, via Touro. Referem-se à evolução humana, a única que consideraremos neste tratado de Astrologia. Mas no ciclo involutivo maior, que se refere ao movimento massivo do espírito-matéria e não ao progresso individualizado do homem, o movimento é de Áries a Peixes, via Touro. Nesta verdade se encontra oculto o segredo do pecado original do homem, porque teve lugar uma orientação errada em uma etapa da história humana, e a família humana foi em sua totalidade contra a corrente zodiacal normal – por assim dizer – e unicamente no caminho do discipulado se alcança a correta orientação e a humanidade penetra no ritmo correto do progresso”.

                                             Astrologia Esotérica de A. Bailey. Capítulo de Gêmeos



Isto é, do ângulo da humanidade, a direção correta da roda zodiacal foi corrompida através de sua ancestral atitude errática vinculada “ao pecado original” e que somente graças ao Amor da Alma, com seu respectivo “arrependimento” ou o reconhecimento interno do erro, será possível restabelecer o caminho e a injustamente “maltratada” matéria poderá ser transmutada ou redimida.

Esta aparente dualidade (vinculada ao pecado original e seu possível arrependimento) bem podemos relacioná-la com a parábola do Filho Pródigo, sendo o “filho que abandona o lar do Pai” a ordem materialista e a do “filho que retorna” a ordem espiritual, o retorno à origem ou raiz divina.

Se analisamos brevemente os significados dos 12 signos do ângulo retrógrado, podemos dizer que “o filho que se afasta do Pai” penetra na roda através de Peixes, a fluidez da substância material que através de Aquário cria o desejo na forma, que em Capricórnio se materializa como ambição, que em Sagitário é a busca do alimento, que em Escorpião se mostra como ilusão ou engano, o tocar fundo que obriga em Libra a tomar a decisão de excluir para que em Virgem reine só a matéria que em Leão é expressão do eu egoísta, o eu materialista que domina o outro e que em Câncer é o isolamento deste eu em relação à massa, que em Gêmeos é a dualidade não relacionada, falta que em Touro será luta e desânimo por possuir o que não é próprio que em Áries será a morte com o fim de buscar uma nova forma/desejo.

É claro que neste caminho o puxão que exerce a matéria tem uma clara vinculação com a atitude egoísta da consciência intencionada ou manipuladora (por isso pecado) e seu resultante apego instabilidade e falta de liberdade.

Se pelo outro lado analisamos os 12 signos do ângulo “do filho pródigo que retorna à casa do Pai” podemos dizer que seu primeiro impulso em Áries se materializa como uma mente (luz) clara e direcionadora que desde Touro ilumina a correta visão das formas, o desejo taurino entendido como força inteligente que em Gêmeos se descobre como a relação entre os “dois irmãos”, personalidade material  e a alma espiritual, dualidade que em Câncer se manifesta como uma forma unificada que em Leão é percepção consciente desta forma em relação a seu entorno e que em Virgem, graças ao aspecto luminoso da consciência,  se reflete como o amor que reside em seu interior, é então que em Libra,  com vocação de mostrar uma unidade superior à mostrada pela primeira vez em Câncer, escolhe-se transitar o caminho que há entre as duas grandes linhas de força, o amor como o ponto do meio entre os “dois irmãos”, que em Escorpião é a tensão, luta e experiência que purifica e unifica as diferentes forças, transmutação que em Sagitário é direção espiritual, que em Capricórnio é realização espiritual, que em Aquário é serviço universal e que finalmente, em Peixes, é a expressão na formas externas da vida de aquele amor que em Virgem residia no interior, o Cristo que, sob a luz do Sol, anda na Terra para assim morrer em Áries e ressuscitar para a Vida.

Fica claro que neste caminho há um reconhecimento consciente da dualidade, uma atitude que trata de reorientar, redimir ou aperfeiçoar a forma/matéria através do Amor da Alma. Ela, a Alma, é o grande mediador, a Consciência interna que relaciona compreende e unifica “o de cima com o de baixo”. 





É clara, pois, a posição dos dois caminhos, e a pergunta é, como e quando uma consciência muda sua orientação e decide “retornar ao Pai”?

Podemos dizer que a chave está na correta recepção e aplicação por parte da consciência das energias e/ou significados de Touro e Libra.

Touro marca vida após vida a motivação com sua luta ou empurrão essencial. A força do “touro” é o desejo relacionado com o instinto inferior ou natural animal que após muitas vidas, e desde a consciência mais evoluída, pode ser entendida e experimentada como uma força (desejo) elevadora: a aspiração (da Alma). Transmutar o desejo em aspiração é algo que pertence à consciência e à sua capacidade, talvez melhor dizendo, necessidade, de adquirir valores mais de acordo com seu estado evolutivo. Valores mais espirituais e refrescantes que transformaram o característico desejo taurino pessoal, teimoso e poderoso, em expressão da Alma, criadora e incluente. A aquisição de ideias espirituais faz com que a consciência, até então identificada com as tendências mais básicas e egoístas, muda a sua polarização e se sinta atraída, por assim dizer, por tendências mais elevadas e altruístas.

É graças à aspiração (por aquilo que se sente como melhor) que os chacras mais inferiores do corpo humano começam a ser atraídos pelos mais superiores; o ser humano se torna mais subjetivo, reflexivo, se introprojeta em seu-si-mesmo e muito lentamente (durante muitas vidas) deixa de projetar seus ancestrais desejos nas formas externas da vida.

Evidentemente, devido à poderosa dualidade que manifesta, este é um processo “doloroso” com tendência a frustrar os desejos pessoais em detrimento da energia mais nova e atraente da Alma, e  é justo neste momento que aparece a qualidade de Libra, como a possibilidade de ponderar as contraforças tensionadas. Libra nesta etapa da evolução é o poder da mente, a aplicação do bom senso, o inteligente equilíbrio entre as diferentes tendências cármicas, com seus distintos e contrapostos desejos e temas-chave (problemáticos) para cada vida. A balança é a inteligência que compreende a dificuldade como uma oportunidade, daí que em ela esteja exaltada Saturno, o regente do 3º Raio de Inteligência Prática. Ela é a qualidade que escolhe o caminho do meio entre matéria ou espírito, alma ou personalidade, eu - não-eu, desejo básico – desejo sublimado, egoísmo ou altruísmo, virtude ou pecado…, e é graças à Libra que existe um lugar de repouso entre estas dualidades, um espaço na mente, o silêncio inteligente, a clara mirada (olho único ou não dual) que tanto necessita “o touro” sempre cegamente engajado e muitas vezes frustrado e entristecido em sua luta ancestral.

Touro, o portador do 4º Raio, cria o intenso conflito que através de Libra, a portadora do 3º Raio de inteligência prática, se demonstra como poder criador de Harmonia ou Beleza. 





Planetas envolvidos na reorientação

Lembremos que os planetas expressam através de suas qualidades ou raios secundários o significado principal do Signo e seu Raio Regente.

Vênus, como regente exotérico de Touro, é a expressão do desejo enfocado nas formas lunares neste signo exaltadas. Vênus, no nível de consciência pessoal – material taurina, se relaciona com a afetividade, o desejo-emoção ancorado no plexo solar e projetado e/ou arrastado pelas forças instintivas do sacro. Neste signo o desejo e seu componente emotivo se mesclam com o instinto e suas naturais necessidades, uma mescla problemática por seu forte componente cármico que poderíamos sintetizar na seguinte pergunta: quando a necessidade instintiva é o fiel reflexo de um nobre desejo ou quando a necessidade instintiva está manipulada pelo desejo egoísta?, a resposta não é fácil porque os matizes são muitos, mas cabe dizer que tudo aquilo que se vive com excessiva preocupação (sem certa espontaneidade) normalmente tem raiz no egoísmo.

Por outro lado, Vênus, como regente exotérico de Libra, é a mente não condicionada pela emoção, é a inteligência que revela o significado  e resultado do desejo promovido pelo touro. Surge então o equilíbrio, a luz mental concreta do 5º Raio que permite transmutar a força pessoal enfocada no sacro em força criadora da Alma enfocada no chacra laríngeo. Recordemos que o verdadeiro assento de Touro/Vênus é a garganta, o poder criador da Alma expressado como o som, a voz, o verbo.




A fragua de Vulcano


Quando graças aos significados de Libra a força de Touro é temperada e pode começar a ser dirigida pela Alma, aparece Vulcano, o regente esotérico de Touro, regido pelo 1º Raio de Vontade e Poder. “O forjador na cova” é a persistente e construtora vontade da Alma de modelar ou expressar o Bem em e através da forma. Em Touro a beleza ou harmonia da forma é o reflexo construtor da Alma e a cega e conflitiva luta por possuí-la (a forma) é o reflexo da clássica teimosia da personalidade taurina.

A aspiração da Alma e o desejo da Personalidade em verdade são duas atitudes com as quais a consciência em evolução (até a terceira iniciação)* há de conviver; convivência que gera um profundo sentido da dualidade conflitivo e doloroso, mas também divinamente inspirador.

Este processo psicológico traz consigo a reorientação da “volúvel” Cruz Mutável (a cruz da Personalidade) e a subida através de Touro à “luz” da Cruz Fixa (a cruz da Alma), o lugar onde, através da aplicação inteligente das regências esotéricas, definitivamente se purifica e transmuta a  Cruz Mutável; mas esta forma de entender as cruzes é outra das ideias do Mestre que desenvolveremos em próximos artigos.

Finalizemos, pois, voltando ao conceito da Roda Revertida, com um texto muito sugestivo do Mesmo:

“Toda a questão com relação à roda giratória em sua ação e efeito duais sobre a consciência deve permanecer como um problema complicado e difícil, até o momento em que os astrólogos tiverem desenvolvido uma consciência quadridimensional e conhecerem o verdadeiro significado da frase bíblica: “A roda que gira sobre si mesma”. Na realidade a roda não gira para trás ou para frente como as rodas comuns, mas simultaneamente em ambas direções e também em ângulo reto. Para a consciência humana ainda é impossível captar este fato”.

Alice Bailey – Astrologia Esotérica. Capítulo de Gêmeos



Ao ler o texto podemos dizer que na verdade vivemos em uma ilusão, uma ilusão muito condicionada por nossa forma dual de observar o mundo, por nossa capacidade de descobrir o eu através do não-eu; assim como também por nossa cada vez mais crescente capacidade não dual de perceber o Ser no Todo, que em Seu Eterno Presente, sempre foi e sempre será.

Artigo inspirado pela Lua cheia de Gêmeos;

Castor deve sua imortalidade a Pólux.

Pólux se sacrifica por Castor.

D. S. III, 129.






`*3ª iniciação é aquela atitude psicológica (basicamente incluente e com vocação espiritual) que transcende a dualidade graças ao controle que a alma ou consciência exerce sobre os 3 mundos (físico-astral-mental concreto) de expressão material-pessoal. 



David C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

quinta-feira, 22 de março de 2018

As casas 8 e 9




Significados e analogias das casas 8 e 9

Para a astrologia esotérica, o poder mais espiritual não está tanto nas forças (fatos objetivos) refletidas nas 12 casas ma sim nos significados (qualidades e dons peculiares) refletidos nos 12 signos. Ainda assim é muito importante considerar, sobretudo se contém planetas, o poder exotérico de uma casa e, por analogia, também seu papel mais esotérico.

Em última instância, após as “ilusórias” aparências (físico-emotivo-mentais) da personalidade sempre se oculta a energia diretora da Alma (Consciência).





A casa 8.  “A morte”

Como sabemos, para a astrologia tradicional a casa 8 é a casa de “a morte”, o fim da vida física ou objetiva, e subjetivamente falando, podemos entender a morte como o fim da personalidade egoísta, aquelas atitudes obstrutoras que não permitem a fluidez ou inspiração espiritual que devem ser reveladas na casa 9.

Lembremos que na roda zodiacal os 12 signos ou as 12 casas de um horóscopo têm um significado contínuo, como um caminhar, e o significado de um signo ou casa sempre transmite a essência para o desenvolvimento e a expressão do signo ou casa seguinte.

É, portanto, a casa 8, esotericamente falando, o lugar onde “as forças ocultas” criam o desapego, mas não aquele desapego (incorreto) que, devido a traumas e tristezas da juventude, evita o contato físico/emotivo pela responsabilidade dolorosa, pressão ou  irritabilidade que lhe comporta o vínculo com os mais achegados e seu ambiente;  ou aquela errada atitude mística que, devido ao excessivo poder hipnotizador (espelhismo) da visão ou  ideal espiritual anelado, cria uma separação entre o corpo físico e o emotivo/mental, gerando com isso um corpo astral de sensibilidade desapegada e impassível das demandas humanas e dos assuntos naturais;  ou aquela egoísta atitude mental que, “fria” ambiciosa e separatista, é capaz de inibir, por considerá-lo pouco útil para seus fins, o importantíssimo aspecto amoroso ou empático próprio de uma vida sensível e compreensiva;  não são estes mal chamados desapegos a que faz referência a casa 8, mas que a inércias ocultas e sagradas desta casa chamam, do mais profundo da Alma, a aquele desapego produto de “a divina necessidade” de aplainar o caminho, de “varrer os obstáculos”.

A casa 8 é a necessidade de abandonar os “ruídos” pessoais, por autocentrados e absorventes, como a premissa básica para alcançar a simplicidade, e sua posterior síntese e liberdade dirigida refletida na casa 9.

Exotericamente também nos é dito que a casa 8 é o lugar onde se manifestam as heranças, “aquilo” que alguém recebe após a morte de outro ser; esotericamente falando receber algo que em princípio não parece ser nosso é descobrir em si mesmo, (através do correto desapego), aquela energia “oculta”, (que não parece ser nossa), regeneradora e positiva que por herança evolutiva se demonstra como própria.

Neste casa estão, pois, as leis ocultas que, através das “misteriosas”, (por incontroláveis e desconhecidas), inércias da vida e da morte se relacionam no campo (corpo físico) de experiência os três aspectos da personalidade, o poder mental, o emocional e o corpo vital (etérico), com a intenção superior de sublimar a matéria ou personalidade para unificá-la com o espírito.

Exotericamente, em relação ao corpo físico, a esta casa pertencem os órgãos de evacuação, o desprender-se da substância desnecessária, é portanto a casa do desapego, o desprender-se de tudo que ata para assim se sentir mais leve, purificado. Renovação que na casa 9 se expressará como alegria espiritual ativa.






Plutão, o regente da casa 8

Plutão também é conhecido por ser “o Deus do inframundo”, “o regente do Hades”, “o sequestrador da menina virgem”, “o perfurador de corações”, “o desapiedado e seus cavalos negros”, “o Deus invisível”, “a riqueza da escuridão”, “as forças ocultas”,  Plutão …, “os nomes dos planetas não são resultado de uma seleção arbitrária, os planetas se denominam por si mesmos” Mestre Tibetano.

Plutão, por ser um planeta não sagrado, não se faz notar tanto na consciência ou Alma como nos três mundos da personalidade: mental, emotivo, físico. É o reflexo posterior a seus efeitos que permite compreender ou aceitar Plutão desde a consciência.

Como nos diz o Mestre Tibetano através de Alice Bailey:

Plutão rege a morte ou cessação de velhas ideias ou emoções, e sua influência, portanto, é principalmente cerebral (física), e nisto temos a chave de seu tardio descobrimento. A humanidade está em vésperas de ser mental. Seus efeitos se sentem primeiro no corpo mental”.   Tratado sobre Magia Branca. Capítulo 10, 230, edição em espanhol  (lembremos que o cérebro é o reflexo físico da mente no sistema nervoso).
“Plutão, rege a casa 8 das principais separações e da morte. “A flecha de Deus perfura o coração e tem lugar a morte”. A este respeito é preciso lembrar que a morte é produzida definitivamente pela alma. A alma lança a flecha da morte. (A flecha que aponta para cima é o símbolo astrológico de Plutão)”.  Astrologia Esotérica, Os planetas sagrados e os não sagrados. 379, edição em espanhol.

Na doutrina Secreta de Helena Blavatsky é dito:


“Plutão é uma deidade com os atributos da serpente. É curador, doador de saúde espiritual e física e iluminador”.   D. S. III, 41

Lendo estes parágrafos tão reveladores podemos bem deduzir que  Plutão, e em grande medida muitos dos significados de casa 8 e Escorpião, transmitem as forças regeneradoras, a transformação, a purificação criadora de vida.

Ele é a energia oculta que utiliza todas as forças negativas ou egoístas da personalidade como o contrapoder (pedra angular) que permite expressar no mundo objetivo a bondade subjetiva e inata da Alma. A expressão egoísta pessoal em contato com a Alma é expressão purificada e, como é lógico pensar, referida energia não pode ser liberadora e curadora, mas é destruidora e transformadora ao mesmo tempo.

De fato, para a Astrologia Védica (Jyotish), a casa 8 entendida em um sentido mais pessoal, e o signo de Escorpião entendido em um sentido mais universal, são regidos por Parjanya, “o Deus da chuva”, uma das 12 representações de Vishnu. A chuva como o aspecto purificador da água que traz tormenta e inundação, na verdade é bênção e transformação.

A casa 8 (Plutão), é o lugar onde os demônios se põem a favor dos anjos.





A casa 9  “a liberdade”

A razão principal, desde a antiquíssima tradição astrológica, pela qual a casa 9 é considerada tão benigna, reside em que pertence à tríade principal das 4 tríades que há no 12. A tríade que arranca como o Propósito da Alma na casa do Eu, a 1,  continua na 5, como o Aspecto Criador consciente deste Eu, e culmina na 9 como o Mestre: a capacidade de utilizar o Eu Criador com Intenção Espiritual. 

A casa 9 exotericamente é a prosperidade, a boa fortuna, a filosofia, o conhecimento espiritual…, neste sentido e esotericamente falando é a casa do correto pensar, o pensar inclusivo, espiritual, e como que “a energia segue o pensamento” daí a prosperidade como resposta energética ao bom pensar.

Neste sentido, nos significados da casa 9 está inscrito o Dharma, a religião, a ação correta, a virtude, a lei natural, a verdade, aquela atitude (pensamento) que melhor nos convém praticar para estar próximo da Vida. Pelo dito podemos considerar, pois, a casa da liberdade ou do livre-arbítrio, é o que uno, (uma vez superadas a “intensas” provas de casa 8/Escorpião), para seu próprio bem decide pensar/vivenciar.

Na Astrologia Védica a casa 9 é a casa do Pai. Como é lógico a prática do Dharma (respeito e compreensão) para os pais é de suma importância para qualquer pessoa de boa vontade, sendo, o da Mãe o reflexo da felicidade na casa 4 e o do Pai o sentido de responsabilidade espiritual na casa 9.

Exotericamente também é a casa dos grandes viajes, a peregrinações, esotericamente estas atitudes simbolizam o pensamento enfocado, dirigido, com a intenção de iniciar um novo nível de compreensão espiritual.

A casa nove rege as cadeiras, aquela parte do corpo que permite ativar, avançar, ao todo como uma unidade dirigida.






Júpiter, o regente da casa 9

Zeus, o Pai, o Guru ou o Mestre, “o grande benfeitor” ou “o expansivo”, são nomes que falam muito positivamente de Júpiter, que etimologicamente significa o pai (piter) da luz (ju).

Ele é o sacerdote, o sacrificador, o suplicante e o meio pelo qual as preces dos mortais chegam aos Deuses”. D. S. III, 58

Segundo nos diz a Astrologia Esotérica (de Alice Bailey), nosso Sistema Solar pertence ao 2º Raio de Amor Sabedoria. Um sistema solar que tem seu corpo de expressão nos 7 planetas sagrados, seus 7 chacras, cada um deles regido por um raio distinto, sendo Júpiter o portador do 2º Raio regente de todo o sistema, daí sua grandeza tanto física como moral.

“Ao Sol se chamava de ‘o olho de Júpiter’ “. D. S. V, 251.

Se atentamos para a posição dos 7 planetas sagrados, (Vulcano, Mercúrio, Vênus, Júpiter, Saturno, Netuno, Urano), em relação ao Sol, Júpiter ocupa o ponto do meio, o chacra Coração, ali onde o aspecto Vida de uma entidade ou sistema faz ato de presença.

Pensamos que, com estas palavras, fica muito claro o papel de Júpiter como regente da casa 9, ele com sua expansiva generosidade permite a união dos diferentes implicados como expressão de liberdade ou generosidade abrangente.





Una reflexão sobre as casas 8 e 9 no horóscopo de Helena Blavatsky



Para finalizar, vamos fazer uma breve análise do horóscopo de Helena Blavatsky em relação às dias casas que estamos tratando.



Observemos como na banda direita de seu horóscopo, a menos pessoal, estão situados os três planetas impessoais junto com o sempre benigno e expansivo Júpiter, isto nos fala muito claramente do grande poder universal que tiveram as suas realizações.

Na casa 7/Capricórnio se situa o regente do Ascendente, Câncer, o propósito da Alma através de Netuno. Helena pôs em contato seu eu mais profundo/Anjo Solar, relacionado com a casa 7/Capricórnio, com o propósito de sua Alma proveniente da casa1/Câncer via Netuno.

Este foi durante Sua vida “a chispa”, a divina necessidade, a devoção ou ideal netuniano que a levou à casa 8, uma casa plena de poder, onde Júpiter e Urano, em conjunção com o nodo sul, (o nodo que nos fala da herança cármica proveniente de outras vidas), desvelaram nela um tesouro inesgotável de sabedoria oculta, intensa e transformadora, “doutrina secreta” e universal: Aquário, Júpiter e Urano. Uma energia, que astrologicamente falando, devido à sua oposição direta com um dignificado Sol em Leão, é de enorme e poderosa qualidade.

Uma energia que cresceu, como Dharma e sua consequente liberdade “salvadora” em Peixes casa 9, através de sua Alma de 1º Raio de Vontade e Poder, onde Plutão (1º R) regente de Peixes domina toda a carta desde Áries (1º Raio).

Um Plutão enfrentado a Vênus – Lua em Libra, um signo que se desvelou, em contraparte no excesso muitas vezes destrutivo do 1º R (Plutão - Áries), como atitudes mais inteligentes e concretas. Uma Vontade Espiritual mais efetiva (3º e 5º R em Libra) que destrutiva (1º R em Áries).

Como nos diz o Mestre Tibetano:

Devido ao poder que os raios ímpares (1-3-5-7) têm neste signo é possível “… a efetividade de Libra no plano físico e o poder do sujeito evoluído de Libra para projetar a expressão física, o propósito espiritual interno, ou a vontade intencionada. H. P. Blavatsky foi um exemplo disto; era uma pessoa que estava facultada para fazê-lo.” Astrologia Esotérica, Capítulo Libra, 191, edição em espanhol.

Desta afirmação (e também de sua evidência astrológica) podemos assegurar que a dualidade angular Libra/Áries é a síntese final expressiva ou objetiva deste poderoso horóscopo. Uma síntese que certamente nasce na dualidade Câncer/Capricórnio, se nutre de consciência na dualidade Aquário-Peixes/Leão-Virgem e é culminante em Áries/Libra através dos significados de Peixes /casa 10.

Lembremos que para a consciência de um indivíduo Netuno é regente de Câncer, mas para a Humanidade com Sua meta de manifestar o Amor ou Cristo na Terra, Netuno, o sensível e grande idealista, é o regente de Peixes.


David C.M.   logos.astrologiaesoterica@gmail.com