terça-feira, 10 de julho de 2018

Urano através de Touro




Urano através de Touro

A entrada de Urano em Touro nos fala de uma relação difícil. A “mente cósmica”, aquela que desvela os segredos, entra em Touro, ou signo do desejo fixo, ou signo onde as formas lunares encontram sua exaltação. As formas densas e sensuais da natureza devem reconhecer a chegada das novas ideias que Urano sempre traz consigo, e isto não é fácil. 

É claro que o planeta espiritual e ocultista por excelência não está cômodo em Touro, Urano está em queda no signo onde a luz se expressa através das formas lunares/terrenas exaltadas. 

Por outro lado, a Lua cai em Escorpião e Urano se exalta nele porque é no signo contrário a Touro onde se transcende o poder das formas, demonstrando que é através do desapego que a Liberdade (Urano) pode realizar seu labor; a liberdade pede flexibilidade, e a mente “cósmica”, vinculada às leis ocultas, necessita do desapego das velhas normas para impor as novas que o mesmo desvela.

Assim, pois, a pergunta que podemos nos fazer é: como Urano, a mente divina, vai se desenvolver no signo onde mais se mostra o apego/desejo pelas formas da mãe natureza? Como Urano vai interpretar, “o revolucionário”, desde o signo onde o desejo tradicional pelas formas é vivido como uma necessidade natural?

Este trânsito é a relação do 7º Raio (qualidade principal de Urano) penetrando no terreno do 4º Raio (o reino de Touro), sendo isto, de um ponto de vista exotérico/pessoal, uma relação difícil,  onde o  poder da ordem, da magia organizada da geometria, ou da Vontade divina na Matéria não está cômoda no reino do 4º Raio em Touro, onde a força dos desejos ancestrais com sua correspondente tensão e  esforço (com vocação espiritual ou não) é a premissa para alcançar a ansiada harmonia e beleza. É claro que esta relação criará um conflito e uma destruição nos desejos taurinos segundo a nova perspectiva uraniana os verá como já caducos. Mas, para que esta destruição seja vivida como uma oportunidade, como uma intervenção divina nos três mundos de expressão da natureza pessoal, a consciência ou alma gestora deverá ter um certo grau evolutivo, um nível no qual a mente não esteja condicionada pela emoção e assim, a partir do desapego, interprete ou perceba com clareza o impacto de Urano.

Em um sentido muito positivo poderíamos dizer que Urano em Touro obrigará a mente a buscar soluções intuitivas, soluções incluentes, soluções onde a tendências mais exotéricas do signo (relacionadas com um Vênus astral) deverão se reajustar com as energias poderosamente mentais e novas que Urano impõe. Se isto se realizar, Vulcano, como o regente esotérico de Touro, entrará em jogo, como o poder de forjar (construir-modelar) na natureza forma de expressão aquela intuição (nova ideia ou  valor espiritual) percebida graças à intervenção de Urano.

Vulcano é o forjador na Matéria, aquele que modela nela a Vontade de Deus para Sua expressão através dela, e isto faz através da força da aspiração, ou desejo de melhorar que utiliza as forças básicas do sacro para se expressar em forma criadora através do chacra laríngeo.






Duas maneiras de entender a relação Touro - Urano

Exotericamente Touro é o desejo inevitável, cármico, que leva à luta “cega” e seu constante pensar condicionado ou apegado para finalmente expressá-lo em forma poderosa.

Para uma consciência exotérica, Urano em Touro pode ativar os desejos em forma “estranha”, desejos perversos, alteração da natureza e suas normas, separação abrupta e total entre matéria e espírito. Este tipo de consciência está relacionada com a cruz mutável, a força da personalidade ativada pelas volúveis, inconstantes e caprichosas tendências do desejo. Aqui Urano, inconscientemente para a personalidade, é destrutivo. É a atividade desestruturada e alterada da forma identificada com os desejos excessivamente centralizados (apegados) da personalidade.

Esotericamente a força ou desejo taurino é a bondade da força motivadora que relaciona a vontade espiritual com a forma concreta, esta relação invoca a intuição que se reflete na forma como inteligência criadora, harmonia, beleza prática ou natural.

Para uma consciência mais esotérica Urano em Touro é claramente a potencialização da inteligência ou ordem espiritual aplicada às leis da natureza.

Esta atitude esotérica tem duas fases:

A primeira está relacionada com as consciências evoluídas ou de boa vontade, é a subida à cruz fixa através da transmutação do desejo taurino em aspiração.  Nesta fase a dualidade entra em jogo e a Alma se descobre na interação dual inteligente, transformadora e construtiva. É o caminho do discípulo.  É a consciência magnética do Coração.

A segunda, que é para consciências muito elevadas, é a subida à cruz cardinal através do serviço universal aquariano. A qualidade desta cruz (amor incluente) permite aplicar o aspecto vontade da alma ao cérebro ou mundo físico via a mente. Aqui definitivamente a forma-matéria está unificada com “o” espiritual, é o caminho do iniciado, aquele que expressa a vontade-para-o-bem relacionada com o Propósito de Deus. É a captação por parte da Alma da dinâmica vontade da Mônada expressada através da matéria ou personalidade purificada. É a atividade (inerente na vida) como expressão da divindade.






Aquário - Touro

Que a próxima grande conjunção de Júpiter Saturno em Aquário em 2020 que inaugura um ciclo de 260 anos de conjunções em signos de Ar esteja regida esotericamente pelo mesmo Júpiter em Aquário e exotericamente por Urano em Touro, dá a entender que no início deste novo ciclo as qualidades dos dois signos vão muito unidas. Neste sentido penso que para finalizar com o artigo são muito adequadas as seguintes palavras do Mestre Tibetano extraídas do Livro Astrologia Esotérica/Capítulo de Touro:



“Assim como a Era Aquariana vem à manifestação para nosso planeta, trazendo em seu rastro a percepção universal das novas expressões da síntese do mundo, os interesses humanos e a religião mundial, assim a humanidade, ou discípulo mundial, começa a ser influído por Touro, o qual trará nesta época a reversão da roda da vida para os membros da família humana que estão preparados, e são hoje numerosos. Isto está ocorrendo e seus resultados são inevitáveis. A principal interrogação é: Produzirá esta influência taurina, aumentada como está pelas entrantes forças de Shamballa, o enfoque da luz que Touro custodia, ou fomentará simplesmente os desejos, aumentará o egoísmo e levará a humanidade ao “ardente pico do autointeresse”, em vez de levá-la ao monte da visão e da iniciação?”





David C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

A Roda Revertida





A roda revertida

Na astrologia esotérica que nos propõe o Mestre Tibetano através de Alice Bailey há varias ideias que, em relação ao pensamento clássico astrológico, podemos considerar revolucionárias. Uma delas é o que Ele chama de “a roda revertida”. Uma ideia que afirma que quando a consciência humana começa a ser guiada, influenciada ou reorientada pela Alma, o sentido da roda zodiacal com seus 12 signos, que até então, avançava no sentido dos ponteiros do relógio, muda de direção para avançar no sentido contrário.

O sentido dos ponteiros do relógio, isto é de Áries a Touro via Peixes, Ele o chama “o ângulo da forma, a ordem natural, a retrogradação através dos signos”, é o caminho que demonstra o aspecto involutivo da matéria.

O segundo sentido, de Áries a Peixes via Touro, chama de “o ângulo da alma, a ordem espiritual, o trânsito correto através dos signos”, é o caminho que demonstra o aspecto evolutivo da matéria.

Certamente esta afirmação no mínimo é surpreendente e em verdade ao mirar o progresso do nosso Sol através dos 12 signos podemos comprovar um progredir retrógrado, atualmente de Peixes a Aquário; mas, por sua vez, o Tibetano nos quer deixar bem claro que esta aparente contradição dual ou dupla alternativa é uma situação que só rege a evolução do quarto reino Humano e não a dos outros reinos.

Em forma esotérica poderíamos dizer que é a condição da consciência humana a que cria sua peculiar “forma de mirar” o Sol com seus 12 signos; “o observador modifica o observado” e no seguinte texto o Mestre nos deixa entrever as causas de referida situação: 

“Falei sobre os métodos de prossecução em torno do zodíaco: o método comum de Áries a Touro, via Peixes, e o método esotérico de Áries a Peixes, via Touro. Referem-se à evolução humana, a única que consideraremos neste tratado de Astrologia. Mas no ciclo involutivo maior, que se refere ao movimento massivo do espírito-matéria e não ao progresso individualizado do homem, o movimento é de Áries a Peixes, via Touro. Nesta verdade se encontra oculto o segredo do pecado original do homem, porque teve lugar uma orientação errada em uma etapa da história humana, e a família humana foi em sua totalidade contra a corrente zodiacal normal – por assim dizer – e unicamente no caminho do discipulado se alcança a correta orientação e a humanidade penetra no ritmo correto do progresso”.

                                             Astrologia Esotérica de A. Bailey. Capítulo de Gêmeos



Isto é, do ângulo da humanidade, a direção correta da roda zodiacal foi corrompida através de sua ancestral atitude errática vinculada “ao pecado original” e que somente graças ao Amor da Alma, com seu respectivo “arrependimento” ou o reconhecimento interno do erro, será possível restabelecer o caminho e a injustamente “maltratada” matéria poderá ser transmutada ou redimida.

Esta aparente dualidade (vinculada ao pecado original e seu possível arrependimento) bem podemos relacioná-la com a parábola do Filho Pródigo, sendo o “filho que abandona o lar do Pai” a ordem materialista e a do “filho que retorna” a ordem espiritual, o retorno à origem ou raiz divina.

Se analisamos brevemente os significados dos 12 signos do ângulo retrógrado, podemos dizer que “o filho que se afasta do Pai” penetra na roda através de Peixes, a fluidez da substância material que através de Aquário cria o desejo na forma, que em Capricórnio se materializa como ambição, que em Sagitário é a busca do alimento, que em Escorpião se mostra como ilusão ou engano, o tocar fundo que obriga em Libra a tomar a decisão de excluir para que em Virgem reine só a matéria que em Leão é expressão do eu egoísta, o eu materialista que domina o outro e que em Câncer é o isolamento deste eu em relação à massa, que em Gêmeos é a dualidade não relacionada, falta que em Touro será luta e desânimo por possuir o que não é próprio que em Áries será a morte com o fim de buscar uma nova forma/desejo.

É claro que neste caminho o puxão que exerce a matéria tem uma clara vinculação com a atitude egoísta da consciência intencionada ou manipuladora (por isso pecado) e seu resultante apego instabilidade e falta de liberdade.

Se pelo outro lado analisamos os 12 signos do ângulo “do filho pródigo que retorna à casa do Pai” podemos dizer que seu primeiro impulso em Áries se materializa como uma mente (luz) clara e direcionadora que desde Touro ilumina a correta visão das formas, o desejo taurino entendido como força inteligente que em Gêmeos se descobre como a relação entre os “dois irmãos”, personalidade material  e a alma espiritual, dualidade que em Câncer se manifesta como uma forma unificada que em Leão é percepção consciente desta forma em relação a seu entorno e que em Virgem, graças ao aspecto luminoso da consciência,  se reflete como o amor que reside em seu interior, é então que em Libra,  com vocação de mostrar uma unidade superior à mostrada pela primeira vez em Câncer, escolhe-se transitar o caminho que há entre as duas grandes linhas de força, o amor como o ponto do meio entre os “dois irmãos”, que em Escorpião é a tensão, luta e experiência que purifica e unifica as diferentes forças, transmutação que em Sagitário é direção espiritual, que em Capricórnio é realização espiritual, que em Aquário é serviço universal e que finalmente, em Peixes, é a expressão na formas externas da vida de aquele amor que em Virgem residia no interior, o Cristo que, sob a luz do Sol, anda na Terra para assim morrer em Áries e ressuscitar para a Vida.

Fica claro que neste caminho há um reconhecimento consciente da dualidade, uma atitude que trata de reorientar, redimir ou aperfeiçoar a forma/matéria através do Amor da Alma. Ela, a Alma, é o grande mediador, a Consciência interna que relaciona compreende e unifica “o de cima com o de baixo”. 





É clara, pois, a posição dos dois caminhos, e a pergunta é, como e quando uma consciência muda sua orientação e decide “retornar ao Pai”?

Podemos dizer que a chave está na correta recepção e aplicação por parte da consciência das energias e/ou significados de Touro e Libra.

Touro marca vida após vida a motivação com sua luta ou empurrão essencial. A força do “touro” é o desejo relacionado com o instinto inferior ou natural animal que após muitas vidas, e desde a consciência mais evoluída, pode ser entendida e experimentada como uma força (desejo) elevadora: a aspiração (da Alma). Transmutar o desejo em aspiração é algo que pertence à consciência e à sua capacidade, talvez melhor dizendo, necessidade, de adquirir valores mais de acordo com seu estado evolutivo. Valores mais espirituais e refrescantes que transformaram o característico desejo taurino pessoal, teimoso e poderoso, em expressão da Alma, criadora e incluente. A aquisição de ideias espirituais faz com que a consciência, até então identificada com as tendências mais básicas e egoístas, muda a sua polarização e se sinta atraída, por assim dizer, por tendências mais elevadas e altruístas.

É graças à aspiração (por aquilo que se sente como melhor) que os chacras mais inferiores do corpo humano começam a ser atraídos pelos mais superiores; o ser humano se torna mais subjetivo, reflexivo, se introprojeta em seu-si-mesmo e muito lentamente (durante muitas vidas) deixa de projetar seus ancestrais desejos nas formas externas da vida.

Evidentemente, devido à poderosa dualidade que manifesta, este é um processo “doloroso” com tendência a frustrar os desejos pessoais em detrimento da energia mais nova e atraente da Alma, e  é justo neste momento que aparece a qualidade de Libra, como a possibilidade de ponderar as contraforças tensionadas. Libra nesta etapa da evolução é o poder da mente, a aplicação do bom senso, o inteligente equilíbrio entre as diferentes tendências cármicas, com seus distintos e contrapostos desejos e temas-chave (problemáticos) para cada vida. A balança é a inteligência que compreende a dificuldade como uma oportunidade, daí que em ela esteja exaltada Saturno, o regente do 3º Raio de Inteligência Prática. Ela é a qualidade que escolhe o caminho do meio entre matéria ou espírito, alma ou personalidade, eu - não-eu, desejo básico – desejo sublimado, egoísmo ou altruísmo, virtude ou pecado…, e é graças à Libra que existe um lugar de repouso entre estas dualidades, um espaço na mente, o silêncio inteligente, a clara mirada (olho único ou não dual) que tanto necessita “o touro” sempre cegamente engajado e muitas vezes frustrado e entristecido em sua luta ancestral.

Touro, o portador do 4º Raio, cria o intenso conflito que através de Libra, a portadora do 3º Raio de inteligência prática, se demonstra como poder criador de Harmonia ou Beleza. 





Planetas envolvidos na reorientação

Lembremos que os planetas expressam através de suas qualidades ou raios secundários o significado principal do Signo e seu Raio Regente.

Vênus, como regente exotérico de Touro, é a expressão do desejo enfocado nas formas lunares neste signo exaltadas. Vênus, no nível de consciência pessoal – material taurina, se relaciona com a afetividade, o desejo-emoção ancorado no plexo solar e projetado e/ou arrastado pelas forças instintivas do sacro. Neste signo o desejo e seu componente emotivo se mesclam com o instinto e suas naturais necessidades, uma mescla problemática por seu forte componente cármico que poderíamos sintetizar na seguinte pergunta: quando a necessidade instintiva é o fiel reflexo de um nobre desejo ou quando a necessidade instintiva está manipulada pelo desejo egoísta?, a resposta não é fácil porque os matizes são muitos, mas cabe dizer que tudo aquilo que se vive com excessiva preocupação (sem certa espontaneidade) normalmente tem raiz no egoísmo.

Por outro lado, Vênus, como regente exotérico de Libra, é a mente não condicionada pela emoção, é a inteligência que revela o significado  e resultado do desejo promovido pelo touro. Surge então o equilíbrio, a luz mental concreta do 5º Raio que permite transmutar a força pessoal enfocada no sacro em força criadora da Alma enfocada no chacra laríngeo. Recordemos que o verdadeiro assento de Touro/Vênus é a garganta, o poder criador da Alma expressado como o som, a voz, o verbo.




A fragua de Vulcano


Quando graças aos significados de Libra a força de Touro é temperada e pode começar a ser dirigida pela Alma, aparece Vulcano, o regente esotérico de Touro, regido pelo 1º Raio de Vontade e Poder. “O forjador na cova” é a persistente e construtora vontade da Alma de modelar ou expressar o Bem em e através da forma. Em Touro a beleza ou harmonia da forma é o reflexo construtor da Alma e a cega e conflitiva luta por possuí-la (a forma) é o reflexo da clássica teimosia da personalidade taurina.

A aspiração da Alma e o desejo da Personalidade em verdade são duas atitudes com as quais a consciência em evolução (até a terceira iniciação)* há de conviver; convivência que gera um profundo sentido da dualidade conflitivo e doloroso, mas também divinamente inspirador.

Este processo psicológico traz consigo a reorientação da “volúvel” Cruz Mutável (a cruz da Personalidade) e a subida através de Touro à “luz” da Cruz Fixa (a cruz da Alma), o lugar onde, através da aplicação inteligente das regências esotéricas, definitivamente se purifica e transmuta a  Cruz Mutável; mas esta forma de entender as cruzes é outra das ideias do Mestre que desenvolveremos em próximos artigos.

Finalizemos, pois, voltando ao conceito da Roda Revertida, com um texto muito sugestivo do Mesmo:

“Toda a questão com relação à roda giratória em sua ação e efeito duais sobre a consciência deve permanecer como um problema complicado e difícil, até o momento em que os astrólogos tiverem desenvolvido uma consciência quadridimensional e conhecerem o verdadeiro significado da frase bíblica: “A roda que gira sobre si mesma”. Na realidade a roda não gira para trás ou para frente como as rodas comuns, mas simultaneamente em ambas direções e também em ângulo reto. Para a consciência humana ainda é impossível captar este fato”.

Alice Bailey – Astrologia Esotérica. Capítulo de Gêmeos



Ao ler o texto podemos dizer que na verdade vivemos em uma ilusão, uma ilusão muito condicionada por nossa forma dual de observar o mundo, por nossa capacidade de descobrir o eu através do não-eu; assim como também por nossa cada vez mais crescente capacidade não dual de perceber o Ser no Todo, que em Seu Eterno Presente, sempre foi e sempre será.

Artigo inspirado pela Lua cheia de Gêmeos;

Castor deve sua imortalidade a Pólux.

Pólux se sacrifica por Castor.

D. S. III, 129.






`*3ª iniciação é aquela atitude psicológica (basicamente incluente e com vocação espiritual) que transcende a dualidade graças ao controle que a alma ou consciência exerce sobre os 3 mundos (físico-astral-mental concreto) de expressão material-pessoal. 



David C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

quinta-feira, 22 de março de 2018

As casas 8 e 9




Significados e analogias das casas 8 e 9

Para a astrologia esotérica, o poder mais espiritual não está tanto nas forças (fatos objetivos) refletidas nas 12 casas ma sim nos significados (qualidades e dons peculiares) refletidos nos 12 signos. Ainda assim é muito importante considerar, sobretudo se contém planetas, o poder exotérico de uma casa e, por analogia, também seu papel mais esotérico.

Em última instância, após as “ilusórias” aparências (físico-emotivo-mentais) da personalidade sempre se oculta a energia diretora da Alma (Consciência).





A casa 8.  “A morte”

Como sabemos, para a astrologia tradicional a casa 8 é a casa de “a morte”, o fim da vida física ou objetiva, e subjetivamente falando, podemos entender a morte como o fim da personalidade egoísta, aquelas atitudes obstrutoras que não permitem a fluidez ou inspiração espiritual que devem ser reveladas na casa 9.

Lembremos que na roda zodiacal os 12 signos ou as 12 casas de um horóscopo têm um significado contínuo, como um caminhar, e o significado de um signo ou casa sempre transmite a essência para o desenvolvimento e a expressão do signo ou casa seguinte.

É, portanto, a casa 8, esotericamente falando, o lugar onde “as forças ocultas” criam o desapego, mas não aquele desapego (incorreto) que, devido a traumas e tristezas da juventude, evita o contato físico/emotivo pela responsabilidade dolorosa, pressão ou  irritabilidade que lhe comporta o vínculo com os mais achegados e seu ambiente;  ou aquela errada atitude mística que, devido ao excessivo poder hipnotizador (espelhismo) da visão ou  ideal espiritual anelado, cria uma separação entre o corpo físico e o emotivo/mental, gerando com isso um corpo astral de sensibilidade desapegada e impassível das demandas humanas e dos assuntos naturais;  ou aquela egoísta atitude mental que, “fria” ambiciosa e separatista, é capaz de inibir, por considerá-lo pouco útil para seus fins, o importantíssimo aspecto amoroso ou empático próprio de uma vida sensível e compreensiva;  não são estes mal chamados desapegos a que faz referência a casa 8, mas que a inércias ocultas e sagradas desta casa chamam, do mais profundo da Alma, a aquele desapego produto de “a divina necessidade” de aplainar o caminho, de “varrer os obstáculos”.

A casa 8 é a necessidade de abandonar os “ruídos” pessoais, por autocentrados e absorventes, como a premissa básica para alcançar a simplicidade, e sua posterior síntese e liberdade dirigida refletida na casa 9.

Exotericamente também nos é dito que a casa 8 é o lugar onde se manifestam as heranças, “aquilo” que alguém recebe após a morte de outro ser; esotericamente falando receber algo que em princípio não parece ser nosso é descobrir em si mesmo, (através do correto desapego), aquela energia “oculta”, (que não parece ser nossa), regeneradora e positiva que por herança evolutiva se demonstra como própria.

Neste casa estão, pois, as leis ocultas que, através das “misteriosas”, (por incontroláveis e desconhecidas), inércias da vida e da morte se relacionam no campo (corpo físico) de experiência os três aspectos da personalidade, o poder mental, o emocional e o corpo vital (etérico), com a intenção superior de sublimar a matéria ou personalidade para unificá-la com o espírito.

Exotericamente, em relação ao corpo físico, a esta casa pertencem os órgãos de evacuação, o desprender-se da substância desnecessária, é portanto a casa do desapego, o desprender-se de tudo que ata para assim se sentir mais leve, purificado. Renovação que na casa 9 se expressará como alegria espiritual ativa.






Plutão, o regente da casa 8

Plutão também é conhecido por ser “o Deus do inframundo”, “o regente do Hades”, “o sequestrador da menina virgem”, “o perfurador de corações”, “o desapiedado e seus cavalos negros”, “o Deus invisível”, “a riqueza da escuridão”, “as forças ocultas”,  Plutão …, “os nomes dos planetas não são resultado de uma seleção arbitrária, os planetas se denominam por si mesmos” Mestre Tibetano.

Plutão, por ser um planeta não sagrado, não se faz notar tanto na consciência ou Alma como nos três mundos da personalidade: mental, emotivo, físico. É o reflexo posterior a seus efeitos que permite compreender ou aceitar Plutão desde a consciência.

Como nos diz o Mestre Tibetano através de Alice Bailey:

Plutão rege a morte ou cessação de velhas ideias ou emoções, e sua influência, portanto, é principalmente cerebral (física), e nisto temos a chave de seu tardio descobrimento. A humanidade está em vésperas de ser mental. Seus efeitos se sentem primeiro no corpo mental”.   Tratado sobre Magia Branca. Capítulo 10, 230, edição em espanhol  (lembremos que o cérebro é o reflexo físico da mente no sistema nervoso).
“Plutão, rege a casa 8 das principais separações e da morte. “A flecha de Deus perfura o coração e tem lugar a morte”. A este respeito é preciso lembrar que a morte é produzida definitivamente pela alma. A alma lança a flecha da morte. (A flecha que aponta para cima é o símbolo astrológico de Plutão)”.  Astrologia Esotérica, Os planetas sagrados e os não sagrados. 379, edição em espanhol.

Na doutrina Secreta de Helena Blavatsky é dito:


“Plutão é uma deidade com os atributos da serpente. É curador, doador de saúde espiritual e física e iluminador”.   D. S. III, 41

Lendo estes parágrafos tão reveladores podemos bem deduzir que  Plutão, e em grande medida muitos dos significados de casa 8 e Escorpião, transmitem as forças regeneradoras, a transformação, a purificação criadora de vida.

Ele é a energia oculta que utiliza todas as forças negativas ou egoístas da personalidade como o contrapoder (pedra angular) que permite expressar no mundo objetivo a bondade subjetiva e inata da Alma. A expressão egoísta pessoal em contato com a Alma é expressão purificada e, como é lógico pensar, referida energia não pode ser liberadora e curadora, mas é destruidora e transformadora ao mesmo tempo.

De fato, para a Astrologia Védica (Jyotish), a casa 8 entendida em um sentido mais pessoal, e o signo de Escorpião entendido em um sentido mais universal, são regidos por Parjanya, “o Deus da chuva”, uma das 12 representações de Vishnu. A chuva como o aspecto purificador da água que traz tormenta e inundação, na verdade é bênção e transformação.

A casa 8 (Plutão), é o lugar onde os demônios se põem a favor dos anjos.





A casa 9  “a liberdade”

A razão principal, desde a antiquíssima tradição astrológica, pela qual a casa 9 é considerada tão benigna, reside em que pertence à tríade principal das 4 tríades que há no 12. A tríade que arranca como o Propósito da Alma na casa do Eu, a 1,  continua na 5, como o Aspecto Criador consciente deste Eu, e culmina na 9 como o Mestre: a capacidade de utilizar o Eu Criador com Intenção Espiritual. 

A casa 9 exotericamente é a prosperidade, a boa fortuna, a filosofia, o conhecimento espiritual…, neste sentido e esotericamente falando é a casa do correto pensar, o pensar inclusivo, espiritual, e como que “a energia segue o pensamento” daí a prosperidade como resposta energética ao bom pensar.

Neste sentido, nos significados da casa 9 está inscrito o Dharma, a religião, a ação correta, a virtude, a lei natural, a verdade, aquela atitude (pensamento) que melhor nos convém praticar para estar próximo da Vida. Pelo dito podemos considerar, pois, a casa da liberdade ou do livre-arbítrio, é o que uno, (uma vez superadas a “intensas” provas de casa 8/Escorpião), para seu próprio bem decide pensar/vivenciar.

Na Astrologia Védica a casa 9 é a casa do Pai. Como é lógico a prática do Dharma (respeito e compreensão) para os pais é de suma importância para qualquer pessoa de boa vontade, sendo, o da Mãe o reflexo da felicidade na casa 4 e o do Pai o sentido de responsabilidade espiritual na casa 9.

Exotericamente também é a casa dos grandes viajes, a peregrinações, esotericamente estas atitudes simbolizam o pensamento enfocado, dirigido, com a intenção de iniciar um novo nível de compreensão espiritual.

A casa nove rege as cadeiras, aquela parte do corpo que permite ativar, avançar, ao todo como uma unidade dirigida.






Júpiter, o regente da casa 9

Zeus, o Pai, o Guru ou o Mestre, “o grande benfeitor” ou “o expansivo”, são nomes que falam muito positivamente de Júpiter, que etimologicamente significa o pai (piter) da luz (ju).

Ele é o sacerdote, o sacrificador, o suplicante e o meio pelo qual as preces dos mortais chegam aos Deuses”. D. S. III, 58

Segundo nos diz a Astrologia Esotérica (de Alice Bailey), nosso Sistema Solar pertence ao 2º Raio de Amor Sabedoria. Um sistema solar que tem seu corpo de expressão nos 7 planetas sagrados, seus 7 chacras, cada um deles regido por um raio distinto, sendo Júpiter o portador do 2º Raio regente de todo o sistema, daí sua grandeza tanto física como moral.

“Ao Sol se chamava de ‘o olho de Júpiter’ “. D. S. V, 251.

Se atentamos para a posição dos 7 planetas sagrados, (Vulcano, Mercúrio, Vênus, Júpiter, Saturno, Netuno, Urano), em relação ao Sol, Júpiter ocupa o ponto do meio, o chacra Coração, ali onde o aspecto Vida de uma entidade ou sistema faz ato de presença.

Pensamos que, com estas palavras, fica muito claro o papel de Júpiter como regente da casa 9, ele com sua expansiva generosidade permite a união dos diferentes implicados como expressão de liberdade ou generosidade abrangente.





Una reflexão sobre as casas 8 e 9 no horóscopo de Helena Blavatsky



Para finalizar, vamos fazer uma breve análise do horóscopo de Helena Blavatsky em relação às dias casas que estamos tratando.



Observemos como na banda direita de seu horóscopo, a menos pessoal, estão situados os três planetas impessoais junto com o sempre benigno e expansivo Júpiter, isto nos fala muito claramente do grande poder universal que tiveram as suas realizações.

Na casa 7/Capricórnio se situa o regente do Ascendente, Câncer, o propósito da Alma através de Netuno. Helena pôs em contato seu eu mais profundo/Anjo Solar, relacionado com a casa 7/Capricórnio, com o propósito de sua Alma proveniente da casa1/Câncer via Netuno.

Este foi durante Sua vida “a chispa”, a divina necessidade, a devoção ou ideal netuniano que a levou à casa 8, uma casa plena de poder, onde Júpiter e Urano, em conjunção com o nodo sul, (o nodo que nos fala da herança cármica proveniente de outras vidas), desvelaram nela um tesouro inesgotável de sabedoria oculta, intensa e transformadora, “doutrina secreta” e universal: Aquário, Júpiter e Urano. Uma energia, que astrologicamente falando, devido à sua oposição direta com um dignificado Sol em Leão, é de enorme e poderosa qualidade.

Uma energia que cresceu, como Dharma e sua consequente liberdade “salvadora” em Peixes casa 9, através de sua Alma de 1º Raio de Vontade e Poder, onde Plutão (1º R) regente de Peixes domina toda a carta desde Áries (1º Raio).

Um Plutão enfrentado a Vênus – Lua em Libra, um signo que se desvelou, em contraparte no excesso muitas vezes destrutivo do 1º R (Plutão - Áries), como atitudes mais inteligentes e concretas. Uma Vontade Espiritual mais efetiva (3º e 5º R em Libra) que destrutiva (1º R em Áries).

Como nos diz o Mestre Tibetano:

Devido ao poder que os raios ímpares (1-3-5-7) têm neste signo é possível “… a efetividade de Libra no plano físico e o poder do sujeito evoluído de Libra para projetar a expressão física, o propósito espiritual interno, ou a vontade intencionada. H. P. Blavatsky foi um exemplo disto; era uma pessoa que estava facultada para fazê-lo.” Astrologia Esotérica, Capítulo Libra, 191, edição em espanhol.

Desta afirmação (e também de sua evidência astrológica) podemos assegurar que a dualidade angular Libra/Áries é a síntese final expressiva ou objetiva deste poderoso horóscopo. Uma síntese que certamente nasce na dualidade Câncer/Capricórnio, se nutre de consciência na dualidade Aquário-Peixes/Leão-Virgem e é culminante em Áries/Libra através dos significados de Peixes /casa 10.

Lembremos que para a consciência de um indivíduo Netuno é regente de Câncer, mas para a Humanidade com Sua meta de manifestar o Amor ou Cristo na Terra, Netuno, o sensível e grande idealista, é o regente de Peixes.


David C.M.   logos.astrologiaesoterica@gmail.com

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A Casa 7: “o complemento ideal”




Astrologia esotérica versus exotérica

Neste artigo vamos continuar com a análise comparativa das casas do horóscopo, uma analogia entre os significados mais exotéricos frente aos mais esotéricos, embora seja verdade que estes significados estejam muito mesclados. Causa e efeito muitas vezes se confundem, mas há que saber que todo reflexo externo ou objetivo tem sua razão de ser na consciência interna mais subjetiva e, neste sentido, todo aquele material que uma casa traz consigo está relacionado com as causas mais espirituais que se ocultam por trás de seus efeitos.

É importante entender que a perspectiva esotérica não rejeita a exotérica, mas, sim, que a enriquece. Cada vez há mais consciências para a quais a perspectiva astrológica tradicional não é válida, invocando com isso uma visão mais certeira, mais próxima da sua necessidade, sua Alma, a irmã maior da Personalidade ou aspecto exotérico.

Este artigo será dedicado inteiramente à casa 7, posto que consideramos que esta casa, devido ao poder complementar que exerce sobre a sempre importantíssima casa 1 e seu signo ascendente, necessita de uma menção mais extensa e especial.





A Casa 7: “o complemento ideal”

Astrologicamente, esta casa é muito importante por ser angular e aspectar ou estar em relação direta por oposição com a casa um, a primeira, a casa do eu.

O eu na casa 1 se relaciona ou “olha de frente” para o outro situado na casa 7, a casa mais afastada do eu, aquele lugar desconhecido, e por isso tão desejado.

Para a astrologia exotérica, a casa 7 é a casa das relações importantes e, portanto, é a casa dos desejos compartilhados, como o são o sentimento, a paixão, os negócios, o sexo, o esposo, a esposa ou a grande aliança pessoal e social refletida no matrimônio. 

Observemos que as duas casas que nos falam mais claramente do desejo em um horóscopo são regidas por Vênus. A casa 2, onde se expressa o desejo sentimento mais próprio-possesivo do sujeito, e a casa 7, onde se expressa o desejo menos pessoal e, portanto, mais desconhecido, mais projetado no outro e seu entorno. Neste sentido, a casa 7 é a casa do máximo desejo, “ali onde repousa o olhar”, o lugar (ou a pessoa) que gera o maior sentimento, a pessoa mais desconhecida e surpreendente para o eu, a pessoa com qual compartilhar o sentimento mais próximo e pessoal da casa 2.

Esotericamente falando, o grande poder de manifestar da casa 1 ou o “eu” encontra seu equilíbrio, sua compensação ideal, na casa 7 ou o “tu”, e  não vamos esquecer que “Deus vive em ti como Tu”. 

O “Tu”, espiritualmente falando, é aquela “misteriosa” voz interna com a qual o “eu” se confidencia e compartilha, aquela voz conselheira e guia, o chamado “anjo da guarda”, a divina inteligência do Anjo Solar que nos traz à consciência o equilíbrio que o nosso “Eu” necessita ou invoca com seu desejo mais sincero. Portanto, nesta casa está a relação mais apreciada pela consciência, o inteligente e valioso complemento que nos aproxima do Ideal ou Propósito da Alma.

Nas escolas esotéricas muito se fala da função do Anjo Solar, mas na realidade sua tarefa é clara e simples, Ele é a inteligência ou luz mental que nos traz à consciência a plenitude da Alma, esta é Sua sagrada participação, e quando em determinada vida já se está plenamente consciente do “divino morador interno”, o Anjo terá cumprido sua missão e é liberado.

A inteligência criadora autoconsciente está na casa 5, onde está o corpo causal, uma mescla consciente do nível evolutivo herdado com suas singularidades, tendências e talentos próprios. Mas o divino desejo inteligente (até certo ponto inconsciente para as casas 1 e 5), portador de relação, experiência, aprendizagem e maior conhecimento, está na casa 7 e o significado de seu signo regente.

Tradicionalmente, esta casa rege a parte mais baixa do plexo solar, ali onde o desejo se confunde com o instinto. Rege os rins, as glândulas adrenais, bexiga, órgãos reprodutores, em certa medida também as veias, todas as partes vinculadas à fluidez dos líquidos corporais. A fluidez líquida, não estancada, esotericamente falando é o símbolo do poder motivador da emoção ou do ativo desejo inteligente; tanto seja inteligência espiritual como mais material, a fluidez é a substância inteligente que nos vincula (nos move) com nosso entorno, tanto interno como externo.

Na verdade, nesta casa bem flui a emoção vinculadora, o inteligente desejo através do qual a luz do “si-mesmo”, que emerge do signo da casa 1, se descobre e se afirma em relação a seu entorno.

É, pois, graças à natural inteligência da casa sete e seu signo regente que o propósito da Alma escrito no signo ascendente se manifesta em toda sua beleza.

Vênus em uma consciência evoluída é a mente condicionada pela Alma, e em uma consciência mundana é a mente condicionada pelo desejo material, e como costumamos dizer, entre os dois extremos há milhares de matizes cármico-evolutivos.

Independentemente do nível de consciência que condicione a mente venusiana, Vênus como arquétipo é a expressão inteligente da mente concreta, e esta expressão está muito ativa na casa 7.  Ele, desde sua singular inteligência, concretiza ou harmoniza o propósito emergente da casa 1 com o aspecto mais afastado e inconsciente, e por isso divino e idealizado, refletido em casa 7.  A inteligência venusiana no entorno da casa 7 concretiza o vínculo entre o eu e o tu.

Portanto, a casa 7 é a casa onde, através de Vênus, se experimenta e concretiza a união com “aquilo desejado”, e a união é beleza, equilíbrio, a luz da inteligência. E é por isso que na linha horizontal, a casa 1 versus a casa 7 se relacionam e unem a projeção e a reação, a proposta e sua aceitação, o desejo e sua experiência, o ideal motivador e sua realidade concreta, a ideia e sua resposta inteligente, o propósito e sua luminosa concreção, o espírito e sua beleza, o conhecido e o desconhecido, a ação e a recepção…, a casa 7 é a inteligente compensação da direta, muitas vezes impetuosa, mas sempre genuína energia proveniente da casa 1.

Podemos dizer, pois, que a casa 7, através da inteligência de Vênus, é o campo de experiência, tanto material como espiritual, através do qual se desenvolve e concretiza a emergente luz da Alma proveniente da casa 1.




 

Dualidades irmãs, relações criadoras

Desde os significados mais esotéricos dos signos, (não tanto das casas), surge o vínculo que demonstra que, em nosso Universo Dual, os 12 na verdade são 6.

E é assim como o ímpeto criador e incisivo de Áries se ordena e manifesta em e através da mente equilibrada da “balança”; tanto como é assim que o inteligente ponto do meio de Libra se enriquece com a poderosa manifestação da inspirada iniciativa mental do “carneiro”. 

E é assim como a poderosa aspiração de Touro se fundamenta na verdade adquirida no campo de experiência transformador do “escorpião”; tanto como é assim que o intenso e apegado Escorpião se libera graças ao nobre ímpeto do desejo sublimado do “touro”.

E é assim como o espontâneo e disperso poder comunicador de Gêmeos se canaliza graças à intuição do “arqueiro”; tanto como é assim que o objetivo fortemente idealizado de Sagitário se flexibiliza e expande com a compreensão dual dos “irmãos gêmeos”.

E é assim como a pureza sensível de Câncer se estrutura através do  caminhar espiritual da “cabra”; tanto como é assim que a vontade de materializar de Capricórnio se comparte e dignifica através da  precaução instintiva e intuitiva do “caranguejo”.

E é assim como o poder diretor autoconsciente do leão se torna humano e compreensivo através do sentido universal de Aquário; tanto como é assim que a impessoalidade do “aguador” encontra sua raiz social e servicial na consciente e brilhante expressão do si-mesmo de Leão.

E é assim como a necessidade de ser e servir desde o amor de Virgem, encontra seu complemento ideal na intuitiva sensibilidade de Peixes; tanto como é assim que a fluidez psíquica do “peixe” se canaliza através da inteligência protetora  e construtora da “virgem mãe”.

Por trás destes “jogos” duais, com seus significados e opostos, bem podemos realizar um exercício de reflexão interna que pondere sobre os significados da nossa casa/signo 7 com os da casa/signo 1, sabendo que o Propósito da Alma está no signo ascendente e Seu Divino Complemento no signo oposto.





Texto finalizado na Lua cheia de Aquário de 2018


“Eu sou água da vida vertida para os homens sedentos”

Nunca nos perguntamos “Como é possível que um signo de Ar seja portador de Água?”, esotericamente falando na sutil liberdade do Ar se situa a intuição ou clara compreensão e, no aspecto purificador da Água, o contato ou emoção amorosa, e é aí onde está o tão característico sentido do serviço do “aguador”, pois ele intui a necessidade e a serve em sua justa medida (jarro) desde o amor. 

Aquário é o Amor que permite intuir a necessidade vital (2º Raio) que através da Luz da Inteligência ou justa medida (5º Raio) se materializa ou se ordena como Serviço (7º Raio).

David C.M.  (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

domingo, 19 de novembro de 2017

Astrologia Esoterica (Catalunha - Espanha)





Um estudo astrológico dos acontecimentos de Catalunha

Olá, deste blog, atualmente quase totalmente gerenciado de Barcelona, consideramos que é um dever publicar um artigo que relacione a astrologia com os importantíssimos fatos sociais e políticos que há algum tempo estão ocorrendo em nossa estimada e preciosa cidade, assim como também na Catalunha e na Espanha.

Na era de Aquário é preciso prestar atenção ao aspecto social, pois é e será através de seu correto manejo que pouco a pouco se irá manifestando a Fraternidade como reflexo externo do Reino de Deus na Terra

É dever da Alma, pois, estarmos atentos, reflexivos e ativos aos acontecimentos sociais de grande envergadura que afetam as pessoas, ideias e leis sociais condicionantes. Como sabemos, a atenção pelo maior sempre inclui a correta consideração pelo menor ou mais próprio.

A astrologia tem muito que dizer sobre os tempos, energias e significados implicados nos eventos importantes, por isso neste artigo realizaremos, através do estudo de determinadas cartas, uma reflexão astrológica (esotérica e exotérica) sobre os eventos que estão sacudindo atualmente a Espanha e, sobretudo, a Catalunha. Eventos que, devido ao valor universal dos princípios que estão jogo, também afetam a Europa e o Mundo.

Por outro lado, também dizer que a melhor forma de aprender astrologia é abordando as cartas dos grandes nascimentos e/ou acontecimentos.



 
O 6° Raio – Sagitário da Espanha

Espanha, sobretudo desde o matrimônio dos Reis Católicos com seu triunfo cristão sobre os mulçumanos e suas posteriores conquistas imperialistas, é um país que muito bem pode ser considerado como uma poderosa unidade ou nação; embora, de uma óptica mais moderna, também é muito certo que Espanha pode ser considerada como um rico conglomerado de nações e línguas: Castelão, Basco, Galego e Catalão.

Esta singularidade interna é o grande valor cultural da Espanha, mas por essa mesma razão e por não haver sabido lhe dar o correto valor, tal diversidade foi a causa de enfrentamentos, sofrimentos e injustiças.

Esotericamente, sabemos, com certeza, por afirmações do Mestre Tibetano, que a Alma da Espanha é regida pelo 6° Raio de Devoção e Ideal através de Sagitário. Um padrão energético que deu ao mundo conquistas notáveis como, por exemplo, os grandes Místicos Espanhóis da Idade Media, com sua maravilhosa poesia, Fé ou Devoção pelo ideal Cristão: “o filho de Deus”, a santidade ou união da Alma com “o Amado”; ou como, por exemplo também, seu grande amor pelo cavalo, o ideal da Nobreza, com seu refinado adestramento como expressão de sentimento, elegância e beleza.

Um animal que, por outro lado, e como não podia ser de outra maneira, também é regido pelo 6° Raio de Devoção - Sagitário, devoção por seu dono, sendo o único animal capaz de obedecer a seu “ideal” (a seu dono)  até a morte (por esgotamento). É simbólico e muito digno de ter em conta que durante as grandes fomes de pós-guerra no sul da Espanha, berço do admirado cavalo espanhol, os cavalos não eram sacrificados para consumo. O animal sagrado como símbolo da Alma.

Pois bem, a Espanha, ao longo da história também utilizou de forma egoísta a energia de Devoção e Ideal do 6° Raio/Sagitário como, por exemplo, através da temível inquisição, crendo de forma nefasta ou fanática o ideal “eu sou a justiça de Deus”; ou mais recentemente também, através de um sentimento nacional excludente que, através das várias ditaduras da era moderna espanhola, utilizaram de forma fanática e inflexível o ideal: “Espanha é uma, grande e livre”.

Isto é, este lema da Espanha através dos anos se traduziu equivocadamente como um sentimento nacionalista centralizado exclusivamente na cultura e/ou língua castelã, deixando de um lado as outras Espanhas, os outros também legítimos ideais nacionalistas de seus irmãos menores, (entre eles a Catalunha), invocando assim neles a sensação de esquecimento e o consequente descontentamento, ressentimento e/ou necessidade de distanciamento ou autodeterminação.







Relato dos eventos atuais
Atualmente em Espanha, o poder de referido nacionalismo castelão (Espanhol) excludente em relação à Catalunha se manifestou claramente nele 2010 quando a direita espanhola, apoiada pela justiça, e contrariamente ao que diz a constituição, recortou claramente o Estatuto ou constituição catalã aprovada uns anos antes legalmente pelo parlamento catalão e confirmada posteriormente pelas cortes espanholas.

Este transcendental fato gerou um vazio na legalidade constitucional que, junto com a grande crise econômica mundial que arrancou em 2011, foram o caldo de cultivo para o muito considerável aumento das reivindicações e propostas independentistas. Em o 2010 no Parlamento Catalão, também chamado Generalitat, os deputados independentistas eram 14 e na atualidade são 72, ostentando (desde o 2015), assim, a maioria absoluta.

Com este triunfo, democraticamente alcançado, os políticos catalães tentaram reiteradamente negociar um referendum de autodeterminação compactuado com o governo central de Madri que, governado pela direita, sempre se negou a aceitar, aludindo a impossibilidade de romper a união da Espanha.

Ante as reiteradas negativas, o independentismo, (segundo alguns temerária e irresponsavelmente por ir contra a Constituição Espanhola), optou pela via unilateral, convocando e realizando, não sem grandes dificuldades pela forte oposição do governo central Espanhol e seu braço armado ou guarda civil, um referendum de autodeterminação com sua posterior declaração de Independência da Catalunha. Isto gerou uma grande mescla de júbilo e surpresa em uma parte muito importante do povo catalão.

Foi um grande triunfo…, que durou bem pouco..., já que esta declaração unilateral de Independência e a posterior criação da nova República propiciou, por insegurança jurídica, uma fuga dos principais poderes econômicos catalães, e o que ainda é pior, uma reação do estado Espanhol (inclusive o Rei) “destrutiva” e autoritária que, sob o nome de império da Lei, interveio nas instituições catalãs, com detenção de políticos, multas milionárias, vigilância das mídias, fechamento de webs, queixas contra professores, prefeitos, periodistas, cidadãos, polícia autônoma…, em definitivo, toda a autoridade de um estado/monarquia que não reconhece em sua diversidade os legítimos anseios de uma de suas partes.

Ponho a palavra “destrutiva” entre aspas porque, para entender a dificuldade do caso catalão, é muito importante ter em conta que em território catalão há um grande número de pessoas que se sentem tanto ou mais espanholas que catalãs, (em torno do 50%), e que estes cidadãos, não tão identificados com a cultura/língua catalã e sim com a castelã e sua constituição, não veem como agressivas ou injustas as duras medidas que o estado espanhol tomou em relação à Catalunha, mas as veem como a lógica reação de um estado que se sente ameaçado.

Para finalizar, o governo espanhol, uma vez tendo suspendido todos os poderes do governo catalão eleito, convocou para 21 de dezembro deste ano umas eleições autônomas com intenção de voltar à ordem estabelecida. Estas eleições finalmente (embora tendo políticos catalães na prisão ou exilados) foram aceitadas por todos como uma oportunidade para contar democraticamente as maiorias reais existentes.




Dimensão Universal do caso Catalão

É claro que o conflito catalão tem uma dimensão universal, pois através dele se estão pondo em tela princípios muito importantes.
De um ponto de vista dos valores mais universais, o fato que alguns políticos eleitos democraticamente e cidadãos não violentos sejam encarcerados pelo ditame de uma lei interpretada segundo o interesse centralizado ou egoísta do país maior ou ideal espanholista, não pode ser passado por alto nem pela Europa nem pelo Mundo. 
Se analisamos atentamente, neste conflito está em jogo o grande princípio de “unidade na diversidade”, como disse o Cristo, “Deus (a unidade) está em todos os corações (a diversidade)”; estamos, pois, tratando do direito universal de ser si mesmo a partir da inofensividade ou do respeito a “o diferente”.
Em sua própria idiossincrasia, que por outro lado é seu grande haver, a grande pluralidade catalã com sua riqueza em razões e pessoas tão contrapostas, em seu ponto de tensão ou conflito dual, pôs à luz contradições que devem ser profundamente refletidas por todos.
Até que ponto uma maioria ou país maior pode impor sua lei sobre uma minoria ou país menor?  Onde está o equilíbrio?
Até que ponto é importante reconhecer o matiz frente à globalidade ou interesse geral
Como manter a essência ou raiz sem deixar de ser universal?
O que entendemos por fraternidade entre os diferentes povos?
O que entendemos por liberdade ou autodeterminação?
Até que ponto a liberdade de opinião e a ação não violenta deve ser castigada pela lei imperante sob o nome da sagrada constituição, ou nação indivisível?

Todos sabemos que os ideais de Fraternidade, Liberdade e Igualdade devem se impor ao poder da lei constituída; todos sabemos que graças a estes ideais e, em muitos casos, com muito sofrimento, ao longo da história foram obtidos grandes avanços para a humanidade e o direito de ser de suas minorias no conjunto do todo maior.


Una lição para ambos
Por outro lado, e para finalizar, cabe dizer que ao mesmo que é um dever da Espanha ser sensível à minoria que se sente catalã, também é da Catalunha ser sensível a uma parte muito importante de sua população que se sente espanhola, temos aqui a grande lição para ambos.






Astrologia prática

Para a Astrologia, todo evento ou acontecimento político/social tem sua própria carta para ser refletida e analisada. Da perspectiva que hoje nos ocupa, há 4 cartas de grande transcendência sobre as quais basearemos nosso estudo.
As 4 cartas a estudar são:


Carta nacional da Espanha, levantada em 6-12-1978 quando foi firmada a última constituição espanhola, depois de 40 anos de ditadura.

Carta nacional da Catalunha, levantada em 11-09-1714 quando às 15h foi anunciada a rendição de Barcelona frente ao assédio das tropas dos Bourbon, sendo esta derrota o princípio do fim da constituição e cortes catalãs. O dia 11 de setembro é o Dia Nacional de Catalunha porque, embora celebre uma derrota, foi a última vez que Catalunha desfrutou de um  autogoverno real. 

A carta da declaração da Independência do outubro de 2017, levantada em 10-10-2017 às 17’37, justo quando do parlamento o presidente (agora exilado em Bruxelas) catalão eleito, Carles Puigdemont i Casamajó, declarou a independência.

A carta da declaração da República de outubro de 2017, levantada em 27-10-2017 às 15’27, justo quando o parlamento catalão votou a República Catalã. É muito importante ter em conta que esta votação se realiza justo depois do abandono do hemiciclo por quase a metade de seus parlamentares, todos de tendência espanholista.

Antes de continuar, afirma-se que neste processo está muito presente o poder que exercem os trânsitos dos 4 planetas mais “lentos” sobre as 2 Cartas Nacionais, sendo o poder de Netuno o reflexo do sentimento e ideais nacionais, o de Urano a “elétrica” irrupção das novas ideias, o de Plutão a transformação através da destruição e o de Saturno a dificuldade e concreção segundo seja o Carma e sua oportunidade.

Abordamos, pois, a reflexão astrológica reflexionando e inter-relacionando as 4 cartas-chave com a vontade de pôr nosso grão de areia para o bom curso, (lembrar que “a energia segue o pensamento”), dos acontecimentos.









Carta nacional da Espanha (constituição de 1978)



É impressionante ver, como nesta carta o 6° Raio regente da Alma da Espanha, como nos diz o Tibetano, está muito presente através de Sagitário em Sol e Ascendente + Netuno e Marte (os planetas portadores do 6° Raio) também em Sagitário. De fato os três signos (Sagitário – Virgem – Peixes) portadores do 6° Raio estão muito ativados dando veracidade a todo o dito acima em relação a este Raio. Podemos dizer, pois, que a Espanha tem uma Alma com um Ideal nacional muito vinculado (por ser do 6° Raio de Devoção) ao sentimento religioso, uma Alma sonhadora, justiceira, aventureira, romântica, mística, amorosa, otimista e inteligente como boa Sagitário/Netuno/Marte + Lua em Peixes que é.
De um ponto de vista mais egoísta ou exotérico, este mundo sagitariano se mostra desde a casa 1 como um poder implacável apoiado pelo poder destruidor de Plutão - Saturno - nodo norte desde a  casa 10. Devido a isto é uma carta contundente e com um grande poder de expressão, já que os ângulos principais, casa 1 e casa 10, estão muito ativados.
A cruz mutável está muito presente dando a entender a necessidade de mudanças ou flexibilidade, algo difícil de praticar com este Sol/Marte/Netuno na casa do eu. Exotericamente falando, um sol em casa 1 sempre dá uma tendência ególatra, um sentido de poder  pessoal, um sentido de “ser si mesmo” por cima  dos demais,  e mais, como é o caso, se estão implicados Marte, Saturno e Plutão.  Júpiter como regente exotérico do Sol está em Leão em recepção mútua + trino com ele, reforçando ainda mais este poderoso ego pessoal. Não vamos esquecer que o Sol para a astrologia esotérica é a personalidade.
Pois bem, e aqui está a grandeza da astrologia esotérica, o Ascendente Sagitário, (como sabem o significado esotérico do signo ascendente para a astrologia esotérica marca o caminho da Alma), tem como regente esotérico a Terra que neste caso está em Gêmeos, um signo portador do 2° Raio de Amor e Sabedoria, o complemento ideal para, que através de relacionar e compreender a dualidade (Gêmeos), pode flexibilizar o sentimento idealizado, a devoção centralizada e/ou o sentido justiceiro tão característico de um excesso de sol sagitariano.
A Terra em Gêmeos dá a entender que Espanha, para seguir o caminho de sua Alma, deve pôr em prática, (a Terra é o campo do prático), um sentido da dualidade mais sábio e amoroso, (Gêmeos), através da aplicação de objetivos ou ideais mais incluentes, (Sagitário como Ascendente em seu significado esotérico tem o dom de saber criar objetivos e/ou ideais incluentes).
Chegados a este ponto, cabe perguntar se realmente está a Espanha aplicando estes significados e ideais mais flexíveis? Ou antes, se é um ego excessivamente centralizado em seus “longínquos” e cristalizados ideais?
Não vamos nos esquecer de que a Carta Nacional da Espanha é a carta da Constituição de 78, na qual, depois de quarenta anos de repressão, se reconhece a democracia e, com certa debilidade devido ao contexto em que foi aprovada, a diversidade nacional da Espanha. Este tímido reconhecimento na constituição da diversidade cultural da Espanha em realidade oculta o significado esotérico de Sagitário com a Terra em Gêmeos, e é por este padrão pelo qual verdadeiramente deve lutar a consciência espanhola se realmente quer se aproximar dos propósitos de sua Alma.
É claro que reconhecer estes significados esotéricos não é fácil, já que o Sol na casa 1 regido por Júpiter em Leão dá por si mesmo um otimismo solar, (pessoal-egoísta), um tanto “cego”, mas os poderosos acontecimentos de Catalunha demandam reflexão e mudanças substanciais em relação a estes ideais cristalizados espanholistas, mudanças que muito bem pode oferecer o aspecto flexível, dual e compreensivo aplicado do regente esotérico de Sagitário em Gêmeos.

Trânsitos atuais
Em relação a os acontecimentos atuais, é chave entender o poder que em toda a  Cruz Mutável está exercendo o trânsito de Netuno por Peixes
Sagitário/Gêmeos/Virgem estão muito afetados pelo poder de Netuno, sendo o trânsito de Saturno por Sagitário o causador da concreção na casa do “eu” do problema catalão, “o desgosto sentimental” ou psíquico que leva tempo anunciando Netuno. Netuno é tanto o psiquismo inferior como o superior e esta situação muito bem demandará um reajuste dos sentimentos e ideais implicados.










A carta nacional da Catalunha é na realidade um padrão energético que faz referência a uma derrota, um dura derrota perpetrada pelas tropas espanholas aliadas com a dinastia dos Bourbon frente às catalãs aliadas com a monarquia composta dos Habsburgos. Uma triste derrota que foi o inicio para a total supressão das históricas instituições catalãs.
Carta nacional da Catalunha (a derrota de 1714)


Como não podia ser de outra maneira, é uma carta de um país que quase não tem poder de expressão ou ser ele mesmo; os 4 ângulos cardinais, onde reside o poder de expressar em uma carta, não estão ativados; apenas Netuno é angular em casa 4 a Touro, dando a entender que à Catalunha, uma vez consumada a derrota, só restou a possibilidade de manter na raiz ou casa 4 um profundo sentimento nacional, um sentimento herdado, sua cultura popular, o desejo ou aspiração (Touro-Netuno) do povo (casa 4).

É uma carta que através do ascendente Capricórnio e da importantíssima linha Libra/Áries mostra uma Cruz Cardinal muito ativada. Sendo esta a cruz dos inícios, (que em uma oitava superior esotérica é a cruz das iniciações maiores), dando a entender que na raiz ou caminho da Alma desta carta se oculta o desejo de iniciar ou “ser de novo”.

Na carta se vê uma profunda necessidade de introspecção realizada através das qualidades de Virgem, o signo de terra que através do conflito ou 4° Raio é capaz de reconhecer o amor interno ou 2° Raio que nele (Virgem) mesmo reside.

A qualidade excepcional de Virgo é compreender do ângulo do reconhecimento do Amor interno (2° Raio) que o conflito (4° Raio) inerente à própria matéria é a essência ou pedra angular para construir a harmonia, (o aspecto positivo do 4° Raio). Virgem esotérico é o poder construtor.

Do ângulo do poder de iniciar ou concretizar de Capricórnio, como caminho da Alma, diríamos que o aspecto construtor interno de Virgem deve ser concretizado ou manifestado como algo sólido. A dificuldade de realizar isto se situa em Netuno; ele, por estar em cúspide cardinal, é o único planeta capaz de manifestar o aspecto Virgem com Saturno enfocado em Capricórnio que demanda a carta, mas por outro lado, ele, (Netuno), é o planeta menos concretado e mais evasivo ou psíquico de todos. A esperança de alcançá-lo reside no signo que o sustenta, Touro, pois sua Luz “terrenal”, pode chegar a transmutar o desejo netuniano em aspiração, e a aspiração, está mais próximo de Capricórnio Alma que o desejo.

O papel mais positivo da carta nacional da Catalunha está escrito na magnífica linha Libra (Vênus-Lua) Áries (Júpiter), nela se refletem muitos dos dons da Catalunha: dinamismo, beleza, vontade empreendedora, generosidade, inventiva…, é uma linha onde as qualidades iniciadoras dos raios ímpares (1-3-7) está muito presente, sendo a dignidade de Vênus o reflexo de seu magnetismo.

Atentemos como os regentes hierárquicos* (o aspecto criador) de Virgem (Júpiter) e de Capricórnio (Vênus) ocupam referida magnífica linha Libra/Áries. É como se o poder de Virgem/Capricórnio se refletisse na nobreza desta linha.



Trânsitos atuais:

Os importantíssimos conflitos atuais começaram a gestar quando Saturno por além de 2010 transitou por Virgem, mas tomaram um aspecto novo, “eletrizante” e transformador, quando Urano, desde Áries, tocou por oposição à Lua e começou seu caminho para Vênus, enquanto Plutão entrou em contato com o grau Ascendente.

Urano desde Áries em contato com Vênus em Libra, o regente do importantíssimo Netuno na raiz, sentimento, casa 4 da Catalunha, foi o grande despertador, o “raio” que eletrificou com seu sentido da novidade a grande parte do povo catalão.

Os trânsitos de Netuno ao sol em Virgem desde Peixes, o contato de Plutão com o ascendente e Urano desde Áries, foram os responsáveis pelas novas ideias e esperanças que sem lugar a dúvidas revolucionarão o status quo imperante entre Espanha e Catalunha; isso sim, sempre através de manifestar o sentimento e ideal catalão, (Netuno angular em casa 4), de forma pacífica e decorosa, pois Netuno está muito bem regido pelo sempre inteligente e educado Vênus em Libra.

De um ponto de vista preditivo, pensamos que quando Saturno transitar por Capricórnio e também, em menor medida por Aquário,  as soluções para o conflito atual se concretizarão definitivamente.

Pensamos que o tempo-chave será 2019-20, quando Saturno se unir a Plutão e transitar pelo sempre importantíssimo grau Ascendente Capricórnio; e Netuno desde Peixes se opuser ao Sol/Saturno/Urano em Virgem; e Urano em trânsito por Touro se acercar de Netuno cúspide da 4; se aplicará um contato múltiplo tão poderoso que certamente será o reflexo celestial de resultados práticos definitivos.

Tratar-se-á de comprovar até que ponto a sociedade catalã compreenderá o trânsito de Saturno como o regente esotérico de seu Capricórnio/Alma que é, e não tanto a um Saturno exotérico portador de dificuldades e negações compreendido desde Virgo/Personalidade. De fato, se se entende desde o caminho da Alma ou Capricórnio, é muito provável que surja para a Catalunha (e quem sabe também para a Espanha) uma nova carta nacional.




Sinastria entre ambas as cartas
Se contrapomos as duas cartas nacionais, podemos dizer que os signos de terra de Catalunha dão um sentido prático e realista à escassez de terra da Espanha; assim como a água, (Peixes – Escorpião), da Espanha dá uma contraparte sensível emotiva com “desgosto” incluído, (por parte de Escorpião), à escassez de água da Catalunha.

Por outro lado, e em um sentido muito positivo, o ar e o fogo se complementam, observemos como a esplêndida linha Áries/Libra da Catalunha forma “um grande cometa”, (configuração geométrica astrológica muito positiva), com o esplêndido trino Leão/Sagitário da Espanha. O fogo espanhol oferece temperamento e o ar catalão equilíbrio e intuição.

Vemos também que a relação Virgem – Sagitário se impõe desde a quadratura, com os Saturno Sois de ambos implicados, exotericamente falando isto é um selo muito forte para a dificuldade e incompreensão.

Mas esotericamente pensamos que a importantíssima Virgem de Catalunha com seu regente esotérico incluído, bem pode iluminar o excesso de Sagitário da Espanha. Para o bem da Alma espanhola poderíamos dizer que a compreensão do 2° Raio que atesoura Virgem pode aproximar o apaixonado 6° Raio sagitariano a seu aspecto mais flexível refletido no 2° Raio Gêmeos. Dito em outras palavras, historicamente o conflito catalão com suas soluções sempre supõe algum tipo de inflexão na Espanha.

Na contraposição de cartas também se destaca uma relação muito compulsiva-cármica entre as “luas” e os “plutões” de ambas as cartas; isto nos diz que a vinculação entre as duas culturas implica em intensidade, em transformação (destruição) ou no desapego de suas formas lunares de expressão.




Os dois eventos-chave da atualidade

Para finalizar, faremos uma breve reflexão sobre os dois eventos-chave que marcaram e estão marcando o processo catalão:


Carta da Declaração de Independência da Catalunha 2017

Este pode ser considerado o momento culminante de todo o processo, foi quando o presidente da Generalitat da Catalunha declarou sua independência, para logo depois suspendê-la e assim poder abrir uma porta para o diálogo com o governo espanhol. Foi em momento intenso, com o parlamente pleno e todas  as mídias de comunicação voltadas para esse evento, tudo precedido de dias de intenso e acalorado debate seguido pela população (espanhola e catalã) até pelas pessoas que nunca antes haviam se interessado pela política.




Se observarmos fica claríssimo na carta o poder deste momento, onde a cruz cardinal, muito poderosamente ativada, marca o início de algo importante, ilusionante e ao mesmo tempo eletrizante, desconhecido e inquietante por ser novo e refrescante.
Urano desde Áries, justo no grau ascendente, mostra um nobre e poderosíssimo 1° Raio de Vontade e Poder, ele, “a mente cósmica”, é o reflexo na carta de toda a revolução social que se gerou, da velocidade dos acontecimentos, do acalorado e novo de ideias, inclusive do estado de perplexidade de muitas pessoas que, por revolucionário ou surpreendente, não entendem com clareza a situação.
Áries + Urano nesta carta mostram uma grande nobreza, porque “a mente cósmica” ou Urano está em sua regência hierárquica* ou aspecto criador, ao mesmo tempo em que também é o regente esotérico ou aspecto consciência refletido em Libra. 
Plutão desde Capricórnio angular na casa 10 também nos mostra um poderosíssimo 1° Raio, mas de sua vertente mais destruidora, nele está o reflexo das mais de 2400 empresas e bancos que hoje  em dia saíram da Catalunha, algumas delas com mais de 300 anos de antiguidade, Plutão destrói o apego destas empresas pelo país que as viu nascer e elas se vão. Neste poder plutoniano também está a polarização destrutiva do político, o autoritarismo do estado central espanhol, a suspensão das instituições catalãs, a transformação das relações, o aspecto destruidor da polícia, o desapego de certos sentimentos e ideias, o medo…, de alguma maneira se pode entender, devido à grande nobreza regente e posicional que ostenta Urano, que a limpeza que está exercendo Plutão está motivada pela “mente cósmica” para a livre penetração de suas novas ideias, e nesta última afirmação se fundamenta uma esperança.
A casa 7 tão carregada com um Júpiter angular muito benigno, obriga a pesar toda a novidade acima mencionada com a realidade refletida no outro.  A casa VII mostra um muito benigno contraponto de 2° Raio de compreensão e expansão - Júpiter frente ao 1° Raio de Poder: Áries Urano ou a novidade  +  Capricórnio Plutão e a transformação.








Carta da Declaração da Nova República Catalã 
Foi um evento muito menos brilhante, ocorreu uns dias depois do primeiro, e foi a criação, através de uma votação, da Nova República Catalã. Foi um acontecimento, todo e sua transcendência, algo triste, devido a que na votação metade do parlamento de tendência espanholista se ausentou como ato de protesto, dando com isso mostras de que a Nova República nascia com “o pé esquerdo”.
Poderíamos dizer que foi “um passo em falso” levado a cabo pela grande pressão a que estavam submetidos os poderes decisórios catalães. Estes poderes uns dias depois do êxito mediático da declaração da independência e sua posterior suspensão e súplica pelo diálogo com o governo espanhol, não souberam parar e dar um tempo.  Não souberam ver a possibilidade (como assim foi) de uma reação agressiva por parte da Espanha mais própria de princípios do século XX que do XXI; e também não souberam reconhecer que com a conjuntura existente e as “ferramentas” disponíveis era impossível  levar a cabo de forma material a tão ansiada república. 
E realmente foi assim, pois a Nova República Catalã não conseguiu se levar ao terreno prático, convertendo-se em algo simbólico/subjetivo que sequer foi publicada no diário oficial, e que tem quase todos os seus promotores principais em prisão acusados do grave delito de insubordinação/rebelião, ou escapados/exilados em Bruxelas com a intenção última e um tanto desesperada de pedir “help” ou levar ao cenário europeu a gravidade  do ocorrido.




Astrologicamente, como não podia ser de outra maneira, é uma carta sem poder de expressão, os ângulos estão vazios, lembremos que os ângulos cardinais são aqueles que têm o poder de manifestar e, portanto, a República não se manifestou.
Mas por outro lado é uma carta com um grande poder esotérico através de sua cruz fixa, com Sol-Lua e Signo Ascendente na Cruz da Luz ou Consciência da Alma.
É uma carta que demanda uma grande reflexão através de Escorpião – Aquário, onde a qualidade universal de Aquário (o serviço) deve surgir triunfante através do poder purificador de Escorpião. A intuição adquirida através do conflito do 4º Raio nos deve levar ao amor aplicado ou serviço do 5° Raio.
Mas a pergunta é, que significado tem “o aguador” em uma carta sem poder para materializar o serviço?
A resposta é lógica, esta carta, na qual seus regentes hierárquicos (Mercúrio – Lua) estão em dignidade, dá a entender uma grande oportunidade para a introspecção criativa, a aplicação de um serviço subjetivo ou interno para a autocompreensão, a autocrítica benigna também como serviço ao “si mesmo” ou “povo”, o amar e o não julgar, o correto pensar, a análise incluente através do conflito interno que geram os diferentes desejos envolvidos.
A carta demanda através do intenso poder conflitivo de Escorpião regalar-se “a água clara” que traz consigo o aspecto universal ou social de Aquário. A luta interna (Escorpião) que surge triunfante, através do desapego (Aquário), como água da vida para a própria (do povo) cura.
Aquário como caminho para a Alma nos diz:
“eu sou a água de vida vertida para os sedentos”


Una terceira e definitiva carta:
Vamos refletir em profundidade, pois, com esta cruz fixa tão ativada, temos a grande oportunidade de realizar a consciência uma reflexão honesta que ajudará muito a que a terceira carta ou próximo acontecimento importante, (que chegará em torno do 2019 com Saturno transitando por Capricórnio), possa estar marcado pela universalidade de Aquário, o único capaz de compreender (desde o serviço ativo) a poderosa novidade que nos chegou através  de Urano em Áries.
É muito claro que este artigo, devido ao “eletrizante” da situação, no dia de hoje, já tenha algumas de suas partes caducadas, daí a importância da carta definitiva que surgirá em torno de 2019, mas enquanto isso há que estar muito atentos e inofensivos e aproveitar esta estupenda oportunidade para se aprofundar no estudo astrológico.

Desejamos de todo Coração que Catalunha e Espanha encontrem seus caminhos através do Caminho da inofensividade construtora de Amor.

*O regente Hierárquico é o aspecto criador, o resultado intermediário ativo que surge da união ou integração do aspecto consciência (regente esotérico) com o aspecto matéria ou regente exotérico. Quando a Alma se “apodera” da Personalidade, surge o verdadeiro Espírito criador.





David C.M. ( logos.astrologiaesoterica@gmail.com )